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3 METODOLOGIA: DEFININDO AS REGRAS DO JOGO

3.2 Pesquisa de Campo

3.2.2 Os Professores e as Escolas

Na Escola Pública (EPU), o primeiro contato foi feito com o próprio professor que participou da pesquisa, devido à facilidade e disposição

que o mesmo apresentou frente à proposta. Esse professor atua somente na escola estudada e ministra aulas de Educação Física de 1ª a 4ª séries do ensino fundamental. A direção da Escola foi muito prestativa e mostrou-se disponível para tudo o que fosse necessário, facilitando o acesso às dependências da Escola e as condições do trabalho.

A Escola tem quatro turmas de 4ª série, sendo duas no período da manhã e duas à tarde. Cada turma tem, em média, 30 alunos e, nas aulas de Educação Física, apenas um professor é o responsável por toda a turma. No período da pesquisa de campo, houve um estagiário que acompanhou os trabalhos e auxiliou, tanto o professor durante a aula, como no manuseio dos equipamentos eletrônicos de registro (filmadora e máquina fotográfica) nas poucas situações em que houve necessidade. Conforme palavras do próprio professor: “aqui o estagiário aprende trabalhando”.

Com referência à estrutura física que se fez necessária para o desenvolvimento da proposta, a EPU possui uma quadra poliesportiva e uma sala de vídeo, equipada com uma TV 29’, um videocassete e um DVD. Segundo o professor, a sala é utilizada por todas as áreas, mas sem muita freqüência. O videogame utilizado na pesquisa é de propriedade do próprio professor e, quando questionei a respeito da possibilidade de conseguirmos mais aparelhos, o professor sugeriu utilizarmos um só, pois “a realidade é essa e se alguém quiser utilizar, terá que trazer o seu; se alguém tiver, será um só”.

Na Escola Particular (EPA), o professor que participou da pesquisa também apenas trabalha nessa Escola, e ministra aulas de Educação Física da 2ª a 5ª séries do ensino fundamental. Como na EPU, a direção da

EPA também se mostrou disponível e solicitou o desenvolvimento da proposta em todas as 4ª séries, para que não houvesse diferença nos conteúdos desenvolvidos.

A previsão inicial no projeto de pesquisa era a de utilizar apenas uma turma de cada escola para a coleta de dados porém, com a solicitação da direção da EPA e após a análise do material coletado, resolvemos utilizar três das quatro turmas em que fizemos a pesquisa de campo. Uma turma foi excluída, devido às condições adversas no procedimento metodológico (item 2.2.1 – os alunos não responderam às tarefas da primeira fase antes da segunda e terceira fase, comprometendo o entendimento e percepção dos mesmos).

A escola conta com sete turmas de 4ª série, sendo três no período da manhã e quatro à tarde. Cada turma também possui uma média de 30 alunos; porém, nas aulas de Educação Física, cada turma tem dois professores responsáveis, elaboram o planejamento em conjunto, mas ministram suas aulas independentemente, dividindo a turma.

A EPA possui uma estrutura física bem maior que a EPU, com três quadras poliesportivas, sala de apoio com TV 29’, um videocassete e um DVD, além de uma sala de projeção. Procurando manter a rotina normal de aulas, o professor da EPA sugeriu que utilizássemos a sala de apoio: “é mais rápido para chegarmos”. A escola é muito grande e os espaços da área esportiva ficam relativamente distantes dos blocos de salas de aula.

3.2.3 As Reuniões

As discussões e reuniões passaram a acontecer de acordo com a disponibilidade dos professores, em acordo com o pesquisador.

No caso da EPU, foram feitas duas reuniões na casa do próprio professor. Na primeira reunião foi apresentada detalhadamente a proposta da pesquisa (tal proposta encontra-se nos Apêndices 2, 3 e 4), bem como o tipo de pesquisa que seria desenvolvida: a pesquisa-ação. A segunda reunião teve como objetivo a discussão e elaboração das dinâmicas e estratégias propostas pelo pesquisador e que o professor desenvolveria nas aulas, tanto em relação ao videogame quanto na aula prática do jogo “Quadribol”.

Além dessas duas reuniões, ao final de cada aula, discutíamos as falhas e sugestões de melhorias, que poderiam ser aplicadas já nas próximas aulas. Essas discussões foram mais rápidas e baseadas nas anotações do pesquisador e nas opiniões do professor.

Na EPA, durante as reuniões pedagógicas de março e abril de 2006, um dos pontos levantados a respeito do planejamento das 3ª e 4ª séries foi a adequação da proposta referente à pesquisa de campo ao calendário escolar. Apesar de saberem sobre a proposta da pesquisa de campo e estarem interessados em colaborar, tanto a coordenação de Educação Física da Escola como os professores (todos os professores de 4ª série que participavam da reunião) encontraram um entrave no que dizia respeito ao calendário, pois a temporada na qual a proposta poderia ser aplicada só iniciaria no mês seguinte e, ainda havia o “Projeto Copa do Mundo”, desenvolvido em todas as séries do

Nível I (1ª a 4ª séries) do ensino fundamental. A solução discutida e encontrada nessas reuniões foi aguardar o encerramento do “Projeto Copa do Mundo” e a aplicação posterior.

A seguir, duas reuniões sobre os conceitos desenvolvidos na pesquisas e os procedimentos que seriam adotados nas aulas foram realizadas na própria escola, durante as “janelas” de aulas dos professores. Além dessas reuniões, houve troca de e-mails com esses conteúdos entre o pesquisador e os professores.

Em ambas as escolas, durante as reuniões com os professores, pude perceber que os mesmos mostraram-se reticentes, ao início, com respeito à parte “prática” da proposta e, mesmo sendo orientados a opinarem e sugerirem alterações para a adequação das aulas propostas às suas realidades, todos coincidiram numa decisão, como declarou o professor da EPA: “nesse jogo eles (alunos) têm que pensar (...), não adianta, temos que fazer e ver no que vai dar”.

Também em ambas as escolas, os alunos foram avisados previamente a respeito das aulas que teriam e também sobre o projeto, este último apresentado de forma simplificada.

3.2.4 As Aulas

Os conteúdos e objetivos das aulas, assim como a dinâmica do jogo proposto, foram sugeridos inicialmente pelo pesquisador11.

11O jogo “Quadribol” foi baseado na experiência que tive quando trabalhava em uma escola de esportes de um clube esportivo da cidade de São Paulo. Como era responsável pelas turmas de 8 a 12 anos e a

A proposta foi discutida com os professores envolvidos, para que houvesse o entendimento do projeto e a construção, em conjunto, das ações necessárias para sua execução. Coube ao pesquisador fornecer o material necessário para essas discussões, além de ouvir, analisar e valorizar as sugestões dadas pelos professores.

Foram programadas de três a cinco aulas para o desenvolvimento da proposta, assim divididas:

• 1ª Aula: Apresentação da proposta, utilização de um meio virtual (videogame

na EPU e filme na EPA), discussão e registro (texto e desenho12);

• 2ª Aula: Retomada da discussão feita em sala, explicação e

desenvolvimento do jogo “Quadribol” e, ao final da aula prática, pedido aos alunos para que trouxessem sugestões de melhoria do jogo para a próxima aula.

• 3ª Aula: Discussão das sugestões e vivência prática do jogo “Quadribol”,

com aplicação das sugestões que fossem viáveis e pudessem ser utilizadas. Ao término da aula, nova discussão e o segundo registro, agora com a possibilidade de comparar as aulas que se valeram do filme ou videogame, com a aula prática.

As duas aulas restantes ficaram “em aberto”, caso houvesse necessidade de maior aprofundamento nas discussões ou outra necessidade que pudesse surgir durante a pesquisa.

proposta pedagógica da escola de esportes não era voltada para esportes específicos, os jogos adaptados e pré-desportivos eram o principal conteúdo desenvolvido.

12 Importante registrar aqui que os textos escritos e os desenhos produzidos pelos alunos serviram como suporte às discussões realizadas em aula. Contudo, os desenhos, que foram inseridos para propiciar maior liberdade de expressão para os alunos não foram analisados para efeito de apresentação dos resultados da pesquisa.