A Lei n° 34, de 16 de março de 1846, criou a primeira Escola Normal da Província de São Paulo, com um currículo quase idêntico ao das escolas pr m r a porém acre c do de formação pedagóg ca por me o do “Método e Proce o de E o”. Trata a-se de um curso de dois anos de duração, com aulas diárias de apenas uma hora, com uma organização didática que contava com um único professor para todas as disciplinas. Esse curso era destinado exclusivamente a alunos do sexo masculino que possuíssem idade superior a dezesseis anos e capacidade de escrita e leitura (REIS, 1994). Essa constituição formacional foi extinta no ano de 1867 e foi reaberta em 1874 pela Lei n° 9, de 22 de março de 1874, com um plano de estudos, com o acréscimo
de algumas matérias, exercícios de prática docente e passou a admitir alunos do sexo feminino.
Em São Paulo, ocorreu um movimento com a reforma realizada por Fernando de Azevedo por meio do decreto 5.884, de 21/4/1933 (Código de Educação). Nessa reforma, foi reduzido o tempo de duração do curso normal de quatro anos para dois anos, passando a exigir para ingresso a integralização do secundário fundamental de acordo com a legislação federal.
Na Escola Normal de São Paulo, denominada por Instituto de Educação “Caeta o Campo ”, eram ministrados cursos de formação pedagógica para professores secundários, cursos de formação de professores primários e cursos de especialização para inspetores e diretores. Nas outras escolas normais do estado de São Paulo, eram oferecidos cursos de formação profissional do professor, com duração de dois anos, junto com curso secundário fundamental de dois anos, e o primário com duração de quatro anos. Nessa perspectiva, estava presente a preocupação com a renovação do ensino, o que consta em dispositivos da legislação dessa época (TANURI, 2000).
Processa-se nessa década [década de 1920] a progressiva divulgação do ideário escolanovista, que se traduziu, no âmbito da Escola Normal, na preocupação de transformá-la em instituição de caráter essencialmente profissionalizante, com condições de proporcionar a formação técnico-pedagógica indispensável ao sucesso do ensino renovado que se queria implantar (TANURI, 1994, p.49).
Em 1911, as Escolas Normais passaram para a denominação "Escolas Normais Secundárias", e as Escolas Complementares para "Escolas Normais Primárias", por meio do decreto nº 2.025, de 29 de março de 1911. Esse Decreto instituiu a duração do curso de quatro anos e para ambos os sexos, separadamente. A distribuição de matérias de ensino para o primeiro ano: Português; Francês; Aritmética; Geografia Geral; Música; Trabalhos Manuais e Desenho. No segundo ano: Português; Francês; Aritmética; Álgebra; Geometria Plana com aplicação às medidas; Geografia do Brasil; Pedagogia; Música; Trabalhos Manuais; Ginástica. Para o terceiro ano da Escola Normal paulista, nesse ano de 1911, as seguintes disciplinas: Português; Francês; Geometria no Espaço; Noções de Física e Química; História Universal; Pedagogia; Música; Trabalhos Manuais; Ginástica e Desenho. Quarto ano: Português;
Francês; História do Brasil; História Natural com aplicação à agricultura e a Zootecnia; Pedagogia e Educação Cívica; Música; Trabalhos Manuais (para o sexo feminino); Trabalhos Manuais (para o sexo masculino); Ginástica e Desenho (ALMEIDA,1995).
Durante esse período, houve ampliação do Curso Normal e Primário, essencialmente no Estado de São Paulo, que possuía condições socioeconômicas propicias para esse desenvolvimento. Assim, ocorreu a melhoria no nível dos professores formados pela Escola Normal, com a ampliação do tempo de escolarização e mudanças no currículo, aliada à prática nas Escolas Modelo. Houve uma ampliação da formação técnico-pedagógica que se realizava por meio das disciplinas: Didática, Prática Pedagógica, Pedagogia e Psicologia, e foi inserida, nos currículos, a Biologia, considerada pelos escolanovistas como uma das bases da Pedagogia (REIS,1994).
Na década de 1930, o ensino normal em São Paulo, passou por reformas no que tange à sua estrutura. Conforme o Decreto nº 5884, de 21 de abril de 1933, o curso para formação de professores primários ocorreria em dois anos, compreendendo as disciplinas que fossem necessárias, de cada uma das cinco secções em que se dividia o ensino, conforme Art. 602 desse decreto: I – Educação; II - Biologia aplicada à educação; III - Psicologia educacional; IV - Sociologia educacional e V - Prática de ensino (SÃO PAULO,1933).
O Art. 603 reza que na primeira secção compreendia o conjunto de estudos teóricos referentes à educação e forneceria os seguintes cursos: história da educação; educação comparada; princípios gerais de educação e filosofia da educação. O art. 604. refere que a segunda secção trataria dos seguintes cursos: Filosofia e Higiene da Infância e da Adolescência; Estudo do Desenvolvimento Físico durante a idade escolar; higiene escolar e estatísticas vitais. O art. 605. traz os elementos da terceira secção: a psicologia da criança e do adolescente; a psicologia aplicada à educação; testes e escalas e orientação profissional. O Art. 606. refere que a quarta secção compreendia: a sociologia educacional; problemas sociais contemporâneos e investigações sociais, em nosso meio, e o Art. 607 trouxe a quinta secção que se se divide em: prática de ensino e a de matérias de ensino (SÃO PAULO,1933).
Pode-se observar que a formação de professores nas escolas normais de São Paulo, nesse período, fixou suas bases nos princípios escolanovistas, visto que se configuram como preceitos didático-pedagógicos as novas disciplinas de formação profissional, como a Biologia e Higiene, Sociologia Educacional, a História da Educação e a Psicologia da Criança e do Adolescente.
De acordo com Balão (2011), as reformas pelas quais passaram as escolas normais São Paulo, na década 1930, reorganizou-as, o que fez com que se consolidassem como um local de formação de professores por excelência. Nesse mesmo período ocorreu a criação da escola de professores, posteriormente, incorporada à Universidade de São Paulo.
5.4 OS PROGRAMAS DE ENSINO DA ESCOLA NORMAL DO PARÁ (1912,