Conforme já referido, neste estudo, a primeira escola normal brasileira foi criada pela Lei nº 10, de 183512, na Província do Rio de Janeiro, posteriormente Distrito Federal. De acordo com os artigos primeiro e segundo dessa lei:
Artigo 1º. Haverá na Capital da Província do Rio de Janeiro huma Escola Normal para nella se habilitarem as pessoas, que se destinarem ao magistério de instrução primária, e os Professores actualmente existentes, que não tiverem adquirido a necessária instrução nas Escolas de Ensino na conformidade da Lei de quinze de outubro de mil oitocentos e vinte sete, Artigo quinto.
O Artigo 2º dessa Lei também trata das disciplinas que seriam ensinadas nesse curso por um diretor da escola Normal
Primeiro: a ler e escrever pelo methodo Lancasteriano, cujos princípios theoricos e práticos explicará. Segundo: as quatro operações de Arithmetica, quebrados, decimaes e proporções. Tertio: noções geraes de Geometria theocrica e pratica. Quarto: Grammatica de Língua Nacional. Quinto: elementos de Geographia. Sexto: os princípios de Moral Christã, e da Religião do Estado.
No ano de 1876, foi criada a Escola Normal do Distrito Federal13, por me o do decreto º 6379 de 30 de o embro. O art go 1º preza que “F cam creadas, no Municipio da Côrte, duas escolas normaes, uma para professores e outra para profe ora de trucção pr mar a” cujo objet o era a formação de professores para o curso primário. Essa escola foi inaugurada no ano de 1880. De acordo com os decretos regulatórios dessa escola, o curso Normal deveria ter duração entre três e quatro anos.
A reforma do ensino público municipal nesse estado, em 1897, atingiu a Escola Normal, que, além do curso diurno, com quatro séries, passou a
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Disponível em: http://repositorio.ufsc.br/xmlui/handle/123456789/99970
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A Escola Normal da cidade do Rio de Janeiro sofreu alterações na sua denominação ao lo go tempo: “E cola Normal da Corte (1880 a 1889 E cola Normal do D tr to Federal (1889 a 1932 I t tuto de Educação (1932 a 1960 ” (SALVADOR 2017 p.53 .
oferecer um curso noturno. Foi dada ênfase à formação pedagógica, pois esse curso passa a contar, além da cadeira de Pedagogia, no terceiro e quarto anos, englobando a Psicologia, com um estágio na escola primária com duração de seis meses, o que permaneceu até 1906. Outros aspectos que passam a ser ministrados nesse curso são os biológicos com ênfase na Metodologia, abordando aspectos psíquicos, físicos, orgânicos e sociais, em um momento em que a educação foi tida como solução em relação aos problemas brasileiros.
De acordo com o decreto n.1063, 25 de março de 1916, os professores da Escola Normal que lecionavam Aritmética e Noções de Álgebra eram: José Joaquim de Queiroz, Amélia Mendes da Silva e Cristiano Baptista Franco e geometria teórica e prática eram ministradas pelos professores Francisco Carlos da Silva e Roberto Nunes Lindsay. No referido regulamento, foram encontradas mudanças no ensino de matemática na escola Normal, cujos programas deveriam ser elaborados de acordo com o ensino primário em um ensino auxiliado por modos práticos e elementares. Além disso, deveriam ser exploradas metodologias orientadas por um caráter intuitivo, prático e dedutivo (DASSIE, 2008).
Em 1924, a Reforma de Carneiro Leão veio influenciar a elaboração dos programas de ensino que foram publicados nesse ano, fruto de reuniões com o professorado frente às diretrizes para constituir uma orientação que pudesse generalizá-las (DASSIE, 2008). A aritmética, a álgebra e a geometria não poderiam se juntar a um só corpo, pois haviam sido separadas pelo Decreto n. 1059, de 14 de fevereiro de 1916. Assim, foram distribuídas em diferentes anos de ensino, mantendo relação entre os fatos reais e com as aplicações. Buscou- se como base do raciocínio a experiência e a observação para que os alunos tomassem gosto pelo estudo fundamental das matemáticas, porém com uma formação intelectual sólida. Sendo assim, a Matemática ficou distribuída em três anos do curso Normal do seguinte modo: Aritmética, no primeiro ano, no segundo, a Álgebra e, no terceiro ano, a Geometria. O estudo teórico sugerido nesses programas deveria corresponder ao das aplicações práticas e ao ponto de vista prático acordado aos interesses didáticos das normalistas e às metodologias de ensino indicadas nos programas do curso primário (DASSIE, 2008).
A continuidade das mudanças no ensino no Distrito Federal é dada pela reforma de Fernando de Azevedo, de 1928. Nos programas da Escola Normal de 1929, observa-se que os programas de matemática só poderiam ser modificados, quando da entrada de alunos que frequentaram o complementar em que a matemática havia sido ensinada unificada. Esses programas evidenciaram os conteúdos de matemática distribuídos nos dois anos do curso Normal. Em cada ano, os conteúdos estão divididos por sessões. Para o primeiro ano, os seguintes conteúdos:
1 Aritmética – Numeração dos números inteiros, decimais e frações ordinárias – Numeração romana; numeração dos números complexos. Sistema métrico – Enumeração das principais unidades. Álgebra – Uso das letras na solução das questões simples de aritmética. Noções de álgebra; princípios relativos às igualdades – Por em equação problemas a uma incógnita; resolução de equação do 1º grau a uma incógnita.
Geometria – Noções preliminares, definições; emprego da régua e do compasso. A reta; o plano. Figuras geométricas. Coordenadas de um ponto sobre uma reta e sobre dois eixos.
Cálculo mental – Processos graduados de cálculo mental relativo à adição e à subtração de números inteiros.
2 Aritmética – Adição de números inteiros; de números decimais; de frações; de números complexos; subtração de números inteiros, decimais, frações e complexos. Sistema métrico – Medidas de comprimento, múltiplos e sub-múltiplos. Medidas efetivas; itinerárias. Álgebra – Por em equação e resolver problemas simples a uma e duas incógnitas – Subtração de uma soma e de uma diferença. Geometria – Perpendiculares e obliquas. Construção de perpendicular no meio de uma reta. Diâmetro perpendicular à corda. Sistema axial – Paralelas.
Cálculo mental – Processos de multiplicação e divisão de um número por 2, 3, 4, 5 e 6.
3 Aritmética – Princípios relativos à multiplicação – Multiplicação de números inteiros; decimais; frações; complexos. Múltiplos e potências de um número.
Sistema métrico – Medida das superfícies; múltiplos e submúltiplos – Medidas agrárias.
Álgebra – Multiplicação algébrica, multiplicação de um número por uma soma ou diferença. Por em equação e resolver problemas a uma e duas incógnitas.
Geometria – Quadriláteros usuais – área e perímetro. Polígonos: área e perímetro. Polígonos regulares – inscrição no círculo. Polígonos estrelados – Sistema central.
4 Aritmética – Princípios relativos à divisão – Divisão dos números inteiros; decimais; frações; complexos. Caracteres de divisibilidade de um número por 2 e 5; 4 e 25; 3 e 9.
Geometria – Circunferência; traçado de tangente; tangentes comuns; concordância; concordâncias usuais de arcos e retas. Circunferências tangentes; concordâncias usuais de arcos de circunferência. Polígonos. Circunferência; valor de (pi). Área do círculo; da coroa e do setor circular.
Álgebra – Por em equação problemas simples do 1º grau a uma e duas incógnitas e resolver as equações.
Cálculo mental – Multiplicação e divisão de um número por 50; por 25 e por 75; por 12 = 3x4; por 15 = 3x5, etc (DASSIE, 2008, p.67). Para o segundo ano da Escola Normal, esse Programa de 1929 indicava os seguintes conteúdos:
5 Aritmética – Porcentagens e suas aplicações. Proporções. Regra de três. Sistema métrico – medidas de volume – múltiplos e submúltiplos. Geometria – O cubo – Prisma reto e base retangular; volume; desdobramento da superfície. O prisma. O cilindro: volume e desdobramento de superfície.
Álgebra – Resolução de equações a uma e duas incógnitas.
6 Aritmética – Divisão proporcional – Regra de Sociedade. Sistema métrico – medidas de capacidade – múltiplos e submúltiplos.
Geometria – Pirâmide regular – Cone reto de base circular; volume; desdobramento da superfície. Esfera; área e volume.
Álgebra – Resolução de equações a uma e duas incógnitas.
7 Aritmética – Juros – Descontos e comissões. Sistema métrico – medida de massa e peso. Múltiplos e submúltiplos – medidas efetivas; densidade.
Álgebra – Resolução de equações do 1º grau a uma e duas incógnitas.
Geometria – Escalas – Noções de igualdade, semelhança e equivalência.
8 Aritmética – Mistura e liga – Título – Cambio. Sistema métrico – moedas.
Álgebra – Progressões aritméticas e geométricas. Geometria – Curvas usuais – Cônicas – geração.
9 Aritmética – Máximo divisor e menor múltiplo comum – Raiz quadrada de inteiros e decimais.
Álgebra – Logaritmos decimais
Geometria – Relações numéricas no triangulo. Tronco de pirâmide. Tronco de cone
– Volume; desdobramento da superfície. Noção do manejo da régua de cálculo (DASSIE, 2008, p.68).
Nota-se que, no Programa da Escola Normal do Distrito Federal, publicado em 1929, foram valorizados os conteúdos de caráter prático com articulação com outras áreas do conhecimento. Nos programas publicados em 1916 a Aritmética, a Álgebra e a Geometria foram distribuídas nos dois anos do curso.
No ano de 1932, a Escola Normal do Distrito Federal foi transformada em Instituto de Educação, pelo decreto nº. 3.810 de 1932. Nos termos desse Decreto, ao Instituto de Educação cabia a educação secundária, a preparação de professores primários e secundários e ainda dar continuidade a cursos de aperfeiçoamento para professores. Dessa forma, o Instituto de Educação passou a reunir Escola de Formação de Professores, a Escola Secundária, a Escola Primária e o Jardim de Infância (SALVADOR, 2017).
normal do Instituto de Educação do Rio de Janeiro compreendia as seguintes matérias: no primeiro ano: Matemática, Português, Geografia e História do Brasil, Química, Física, Biologia, Desenho, Higiene e Puericultura, Educação Física, Canto Orfeônico e Música. No segundo ano: Biologia e Sociologia Educacional, Estatística Educacional, História da Educação, Metodologia da Linguagem, Trabalhos Manuais, Metodologia do Cálculo Educação Física, Desenho, Música e Canto Orfeônico. E, no terceiro ano: Desenho, Higiene e Puericultura, Educação Física, Música e Canto Orfeônico, Filosofia da Educação, Trabalhos Manuais, Metodologia das Ciências Naturais, Metodologia da História e Geografia, Administração Escolar, Legislação Prática de Ensino (LOPES, 2009).
Em relação à divisão de séries, o curso normal era dividido em três séries, após o término do ginásio. Destacava-se no primeiro ano de ensino estudos em continuação do ginásio, e os outros dois anos restantes eram com oferta de matérias próprias de ensino normal. Para Lopes (2009), havia uma função específica e primordial, o curso normal do Rio de Janeiro em 1942 tinha por objetivo atender as escolas públicas do Distrito Federal. De certa forma, o curso normal oferecido foi de caráter profissional, pois visava à reforma educacional de 1932.
5.6 PROGRAMA DE ENSINO DA ESCOLA NORMAL ESPÍRITO SANTO