3.2 MARCOS LEGAIS PARA A FORMAÇÃO DE PROFESSORES À
3.2.1 Os programas de formação inicial de professores
O PARFOR instrumentaliza a Política Nacional de Formação de Professores, instituído pelo Decreto nº 6.755/2009, no governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Prevê um regime de colaboração entre União, Estados e Municípios, para a elaboração de um plano estratégico de formação inicial para os professores que atuam nas escolas públicas. É instituído como um Programa de formação emergencial que visa atender os docentes, com prioridade para os que já atuam na rede pública de educação básica (MEC, 2009). O Programa fomenta a oferta de turmas especiais em cursos de Licenciatura, segunda Licenciatura e Formação Pedagógica e objetiva oferecer educação superior, gratuita e de qualidade para professores em exercício na rede pública de educação básica. “O Parfor iniciou em 2009, com 4.273 professores/cursistas, e “encerrou o ano de 2012 com 62.198 professores matriculados em 1.920 turmas especiais ofertadas por 92 IES” (BRZEZINSKI, 2014, p. 130, apud, BRASIL/CAPES/DED, 2013, p. 05)
Todavia, foi criado pela Portaria 883, de 16 de setembro de 2009, o Fórum Estadual Permanente de Apoio à Formação docente, no intuito de regulamentar o PARFOR. No artigo segundo dessa Portaria, estão as atribuições desse Fórum no cumprimento dos objetivos do PARFOR:
Formular e acompanhar a elaboração do planejamento estratégico; diagnosticar e identificar necessidades de formação dos profissionais da educação no Estado; definir ações conjuntas para o acompanhamento e desenvolvimento da formação; propor ações específicas para garantia de permanência e rendimento satisfatório dos professores de educação básica [...]. (BRASIL, 2009)
O Programa de Consolidação das Licenciaturas-Prodocência, criado em 2006, mas lançado apenas pela Capes, em 2008, é um programa que oferece apoio financeiro a projetos institucionais que contribuam para inovar os cursos de formação de professores e aperfeiçoar o processo de ensino e aprendizagem nas avaliações efetuadas nos cursos de licenciaturas. O Prodocência é um programa que está articulado com o PARFOR, PIBID e o Observatório da Educação.
Esse programa objetiva: a) fomentar projetos pedagógicos inovadores, cientificamente avançados e tecnologicamente contemporâneos, para aprimorar a formação dos professores da educação básica; b) estimular projetos de cooperação entre unidades acadêmicas interdisciplinares e intersetoriais que contribuam para elevar a qualidade da formação dos futuros docentes; c) fomentar a integração entre educação superior e a educação básica; d) contribuir para superar deficiências identificadas nas avaliações feitas nos cursos de licenciaturas (BRASIL, 2008).
O programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), criado pelo decreto nº 7.219/2010, tem a finalidade de intensificar e qualificar a iniciação à docência, visando a melhoria da educação básica. Esse programa “concede bolsas, tanto para alunos dos cursos de licenciaturas como para coordenadores e supervisores responsáveis nas IESs pelo desenvolvimento do projeto, com auxílios para despesas a eles vinculadas” (GATTI; BARETTO E ANDRÉ, 2011, p. 129). O programa “No início de 2013, ele contava com a participação de 195 Instituições de Educação Superior, de todo o País, que desenvolvem 288 projetos de iniciação à docência em aproximadamente quatro mil escolas públicas de educação básica” (NACARATO, 2013, p. 8).
O PIBID tem como metas, de acordo com seu artigo terceiro e incisos IV e V, inserir os licenciandos no cotidiano das escolas das redes públicas de ensino, propiciando:
IV- oportunidades de criação e participação em experiências metodológicas, tecnológicas e práticas docentes de caráter inovador e interdisciplinar que busquem a superação de problemas identificados no processo de ensino- aprendizagem; e IV- incentivar as próprias escolas por meio da mobilização
de seus professores que assumem a função de coformadores dos licenciandos; e contribuir para a melhor articulação entre teoria e prática, elevando a qualidade das ações acadêmicas nos cursos de licenciatura (BRASIL, 2010).
É importante também destacar outras ações políticas do governo no tocante à formação inicial docente. O Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI), instituído pelo Decreto nº 6.096/2007, expandiu a oferta no que concerne aos cursos de licenciatura pelas universidades federais. Esse programa conseguiu ampliar em 32% as matrículas em licenciaturas presenciais nas universidades federais, entre os anos de 2007 e 2009 (BRASIL, 2010).
Consoante às políticas brasileiras para a expansão da formação de professores a distância, destaca-se a criação da Universidade Aberta do Brasil – UAB, em 2006, e o Programa Pró-licenciatura (Prolic), criado pela Secretaria de educação a Distância (Seed).
A UAB foi introduzida pelo Decreto nº 5.800/06, que objetivou:
Expandir e interiorizar a oferta de cursos e programas de educação superior públicos, a distância, oferecendo, prioritariamente, cursos de licenciatura e de formação inicial e continuada de professores da educação básica, cursos superiores para capacitação de dirigentes, gestores e trabalhadores da educação básica (BRASIL/MEC, 2006).
Fazem parte do Sistema UAB as universidades públicas federais, estaduais e municipais e os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia. Essas instituições, exclusivamente públicas, são responsáveis pela criação dos projetos pedagógicos dos cursos com base nos Referenciais de Qualidade para Educação Superior a Distância (2007). O documento tem a intenção de subsidiar “[...] atos legais do poder público no que se refere aos processos específicos de regulação, supervisão e avaliação da modalidade a distância” (BRASIL, 2007, p. 2).
No parágrafo único do artigo primeiro, estão estabelecidos os objetivos do sistema:
I-Oferecer, prioritariamente, cursos de licenciatura e de formação inicial e continuada a professores da educação básica; II- oferecer cursos superiores para a capacitação de dirigentes, gestores e trabalhadores em educação básica do Estado, do Distrito Federal e dos Municípios; III-oferecer cursos superiores nas diferentes áreas do conhecimento; IV- ampliar o acesso à educação superior pública; V-reduzir as desigualdades de oferta de ensino superior entre as diferentes regiões do País; VI-estabelecer amplo sistema
nacional de educação superior a distância; e VII- fomentar o desenvolvimento institucional para a modalidade de educação a distância, bem como a pesquisa em metodologias inovadoras de ensino superior apoiadas em tecnologias de informação e comunicação (BRASIL, 2007).
O documento da UAB “reforça a necessidade da formação de um grande número de professores e, para isso, é imprescindível a união da EaD com as TIC” (MALANCHEN, 2015, p. 145).
Segundo Sousa (2012, p. 133), “A implantação da UAB, especialmente criada para garantir formação de professores da educação básica, é condição imprescindível para melhoria do sistema educacional”. Porém essa autora faz uma ressalva a respeito da expansão da oferta de cursos proporcionados pela criação desse sistema: “[...] de nada adianta a multiplicação das vagas se não construirmos e equiparmos as escolas e ainda, se não valorizarmos a carreira docente, enfim, que todas as providências sejam feitas para atender, adequadamente, às expectativas da sociedade no tocante à Educação Básica” (SOUSA, 2012, p. 133).
Portanto, a criação da UAB no tocante à expansão dos cursos de licenciatura, ou seja, na formação inicial de professores, tornou-se um instrumento capaz de requalificar o professor, “por isso mesmo, seus cursos abrangem: Licenciaturas, Bacharelados, Tecnólogo e Especializações voltados para formação inicial e continuada de professores da rede pública de Educação Básica e para o público em geral interessado (demanda social)” (SOUZA, 2012, p. 134).
Outro programa criado pelo governo federal, além da UAB, é o Pró- licenciatura, que teve sua efetivação pelo MEC e secretarias como, a exemplo, a Secretaria de Educação Especial (SEESP). O Pró-Licenciatura – Prolic foi criado com a justificativa de “dar a formação necessária a um contingente de professores que já atuava no ensino fundamental e médio” (MALANCHEN, 2015, p. 153).
O Prolic, segundo Franco (2006) apud Schlemmer (2013, p. 127), “tem origem nas discussões realizadas por um grupo de trabalho criado pelo MEC para pensar políticas que pudessem modificar o quadro tão grave da educação básica no Brasil[..]” e “[...] a principal característica da formação ofertada pelo Prolic é considerar como primordial a prática do cotidiano da sala de aula do cursista e não a sua formação científica” (MALANCHEN, 2015, p. 154).
É um programa de formação inicial desenvolvido junto às Instituições de Ensino Superior (IES) públicas, comunitárias ou confessionais e dirigido a professores em exercício nos anos/séries finais do ensino fundamental ou ensino médio dos sistemas públicos de ensino que não tenham a habilidade legal exigida para o exercício da função (Licenciatura). As IES implementarão, em parceria, cursos de licenciatura na modalidade de educação a distância, com duração igual ou superior à mínima exigida para cursos presenciais, de forma que o professor-aluno mantenha suas atividades docentes (BRASIL, 2006, p. 156).
O objetivo do Programa Prolic parte da ação do professor na escola em que exerce a sua função docente, considerando a prática do dia a dia do professor. Esse programa, segundo Malanchen (2015, p. 157), “oferece ao professor-cursista a oportunidade de vivenciar trocas frequentes com seus pares, com pesquisadores e professores de outras instituições”, inclusive as de cunho privado. O Prolic tem:
[...] o intuito de impulsionar mudanças efetivas à melhoria da educação básica, combatendo diretamente a deficiência de qualidade da escolarização, detectada pelo Sistema de Avaliação da Educação Básica- SAEB-, o Ministério da Educação vem fomentando diversos programas de formação inicial e continuada para professores, em parcerias com os sistemas estaduais e municipais de ensino e instituições de ensino superior (BRASIL, 2005, p. 01).
As políticas e as propostas da SEED, dirigidas para a formação de professores, via EaD, demostram as complexas conexões da relação das tecnologias com a modalidade a distância e estão sendo apreendidas pelo estreito enfoque economicista e tecnicista (MALANCHEN, 2015).