2 PROBLEMÁTICA: CIÊNCIA E COMUNICAÇÃO 21
2.2 EPISTEMOLOGIAS DA CIÊNCIA 25
2.2.4 Os Programas de Pesquisa de Imre Lakatos 35
O húngaro Lakatos foi um filósofo da matemática e da ciência, e é em grande parte lembrado pela sua metodologia de provas e refutações que desemboca na sua proposta de entender o desenvolvimento da ciência a partir da metodologia de
programas de pesquisa. Em 1960, foi convidado para fazer parte da London School of Economics, prestigiado departamento, onde figuravam personalidades como Karl Popper, Joseph Agassi e John Watkins.
Lakatos foi um crítico ativo das propostas de Popper e Kuhn e teve como amigo e crítico outro célebre epistemólogo, Paul Feyerabend. É com base em Popper e Kuhn, que Lakatos chama a sua opção de uma terceira via em que utiliza como base estes autores, procurando resolver os problemas destas duas propostas.
Na sua tese Proofs and refutations, mathematics, publicada em 1976, o autor a apresenta em forma de uma aula em que instiga seus alunos a provarem que uma determinada fórmula matemática é verdadeira. Dessa forma, o diálogo apresenta-se como o processo de provas e refutações com o objetivo de estabelecer que nenhum teorema é completo ou final.
Com a sua aposta nos programas de pesquisa, Lakatos procura resolver o conflito entre o falseacionismo de Popper e a estrutura revolucionária da ciência de Kuhn. Em relação a Popper, visa sobre a concepção que diz que quando uma pesquisa encontra uma evidencia falsificadora, os cientistas devem abandoná-la. Mas não é sempre assim, por vezes pesquisadores não abandonam rapidamente de suas teorias devido a alguma falsificação. Falsificação esta que pode ser referida também como uma anomalia.
Kuhn diz que os bons cientistas desconsideram as evidências contra as suas teorias, já Popper diz que os cientistas devem lidar com essas evidências. Seja explicando-as ou até mesmo modificando sua teoria.
Popper não estava dessa forma descrevendo a ação dos cientistas, mas o que um cientista deveria fazer. Entretanto, Kuhn descrevia o que os cientistas realmente fazem. Dessa forma, Lakatos pensou em uma metodologia capaz de harmonizar estas duas metodologias aparentemente contraditórias.
Para Imre Lakatos, tanto o indutivismo quanto o falseacionismo não deram conta de caracterizar de forma adequada como a ciência funciona e como se dá o crescimento das teorias. Segundo Chalmers (1993), a posição de Lakatos, parte do princípio de que para compreender a ciência é preciso pensar nas teorias enquanto estruturas históricas. Um programa de pesquisa, como Lakatos denomina, não se trata de apenas uma única teoria e sim um conjunto, que poderia ser grosseiramente dividida entre dois tipos: teoria especulativa e teoria observacional.
Um dos pontos de Lakatos para situar não só a observação como uma investigação teórica, é o de considerar que os conceitos só podem ser bem delimitados quando exercem um papel específico e bem definido em uma teoria. Os conceitos só poderiam ser definidos em termos de outros sentidos. Um conceito obtém seu sentido em parte pelo papel que exerce em uma teoria. A experimentação só pode ser considerada de forma efetiva se houver uma teoria que seja capaz de produzir previsões de forma precisa. Os conceitos começam como uma ideia vaga, e que vai ganhando gradativamente definição e clareza enquanto a teoria também toma uma forma mais precisa e coerente.
Em vez de instituir um padrão universal para identificar se a teoria é ou não científica, ou se foi ou não falsificada, Lakatos propõe focar no processo histórico e na comparação entre múltiplas teorias, mas ainda assim procura situar uma regra geral, instituindo um falseacionismo sofisticado.
Uma nova teoria deve ser comparada com as teorias anteriores, para que seja possível decidir se ela é capaz de substituí-las. No falseacionismo ingênuo, quanto mais falsificável uma teoria, melhor. Já no caso do falseacionismo sofisticado, considerada que este não pode ser o único critério e com vistas para o progresso da ciência encara que a teoria deve procurar ser mais falsificável que a teoria que ele se propõe substituir. E na sua ampliação, isso significa que ela também deve prever fatos e comportamentos não previstos pela sua rival5. Esse é o ponto de destaque de Lakatos, pois para este, a nova teoria tem que prever novos fenômenos e aquelas que não conseguem guiar o desenvolvimento para novos fatos vão ser consideradas degenerativas. Isso porque para ele é muito difícil especificar o quão falsificável é uma teoria se analisada de forma isolada. Mas em relação a outras leis e teorias é possível comparar os diferentes graus de falsificabilidade.
Um dos pontos importantes é que a necessidade de aumentar a amplitude da teoria afasta aquelas opções que são apenas modificações projetadas para proteger uma teoria e uma falsificação que lhe ameaça. Esse tipo de modificação ganha o nome de ad hoc e pode ser de vários tipos como: apenas linguística, mas também pode ser um acréscimo ou modificação em um postulado, ou que não tenha a possibilidade de ser testada, ou experimentos já previstos pela teoria.
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Uma modificação considerada ad hoc, segundo exemplo de Chalmers, é “(Todo) pão alimenta, com a exceção daquela partícula específica de pão produzida na aldeia francesa em questão, alimenta” (1993, p. 80). A teoria não leva as novas consequências testáveis, e não pode ser analisada sem analisar a teoria original. Assim, mais uma característica é colocada em prática. A modificação da teoria deve ser independentemente testável. O mesmo exemplo pode ter essa característica, desde que descrito da seguinte forma “Todo pão alimenta, exceto o pão feito de trigo contaminado por uma espécie específica de fungo (seguida pela especificação do fungo e de algumas de suas características).” (1993, p. 80), que acabariam a levar a novos testes.
O problema da proposta falseacionismo, é que há exemplos na história da ciência, segundo Chalmers, que contradizem a máxima de que a ciência tem avanços quando essas conjecturas são falsificadas. O exemplo utilizado pelo autor foi a tentativa de salvar a teoria de Newton, partindo de uma hipótese especulativa que acabou se tornando um sucesso, não porque foi falsificada, mas porque a hipótese testada independentemente foi confirmada pela descoberta de Netuno.
As hipóteses especulativas uma vez falsificadas, não acrescentam muita coisa para a ciência, apenas que mais uma ideia foi descartada. Então, não é a partir das falsificações que o progresso pode ser explicado.
Isto equivale a dizer que, antes de poder ser vista como uma substituta adequada a uma teoria falsificada, uma teoria inovadora e audaciosamente proposta deve fazer algumas previsões novas que sejam confirmadas. (1993, p.84)
Uma teoria ao substituir outra, parece assim, que a teoria substituída simplesmente deixa de existir e que não poderá ainda retomar o seu posto. Isso significa que continuar trabalhando em uma teoria que foi falsificada seria considerado como uma desonestidade.
Ainda assim, a história da ciência dá base para dizer que teorias falsificadas outrora podem voltar a serem progressivas. Assim como os experimentos que colocaram a teoria como degenerativa podem ser falsificados
Em contraste, na explicação falsificacionista, o significado das confirmações depende muito mais de seu contexto histórico. Uma confirmação pode conferir alto grau de mérito a uma teoria se resultou do teste de uma nova previsão. Isto é, uma confirmação será significativa se for avaliada como improvável à luz do conhecimento prévio da época. Confirmações que são conclusões inevitáveis são insignificantes. (1993, p. 87)
O falsificacionista ingênuo tem a preocupação de contestar as teorias baseadas nas verdades das observações. Já o falsificacionista sofisticado se preocupa com a confirmação das teorias especulativas, assim como a falsificação de teorias bem estabelecidas.
O problema de confiar nos experimentos e nas observações para falsificar as teorias, é que estes também podem ser falseados, uma vez que há teoria nos mesmos. Nesse sentido, não há tanta diferença entre indutivistas e falsificacionistas, uma vez que ambos acreditam que os experimentos são considerados como capazes de um acesso direto a verdade. Ainda que as teorias nunca possam ser consideradas verdadeiras.
Ou seja, os experimentos e observações também podem estar equivocados e levar a proposições equivocadas. Então, em um choque entre teoria e observação, pode também a observação ser falível e dessa forma rejeitada. Sendo assim, tanto os experimentos e observações, quanto as teorias também deveriam ser consideradas como falíveis. Devido a isso, as teorias também não podem ser falseadas de forma conclusiva e direta se o experimento também pode ser contestado. Não há critério para dizer que é sempre a teoria que deve ser deixada de lado, quando se choca com um experimento, em vez do experimento em si.
Uma tentativa de escapar desse problema, proposta por Popper, é que seria possível dividir as observações em dois tipos. Um tipo referente à observação individual e privada, e a outra que seria a observação pública. Na esperança de que aquilo que a maioria vê, ou formulada numa linguagem pública, poderia ser testável e estaria aberta para modificações ou rejeição.
Assim, as observações também devem passar por testes, e esse corpo acaba formando o que Popper chama de “afirmações básicas”, segundo Chalmers, que são afirmações básicas aceitas por decisão coletiva, tornando-se convenções. Dessa forma, Popper ainda que procure estabelecer regras gerais da ciência e que independem do sujeito, acaba inserindo o sujeito no processo. Para Chalmers:
Mas é precisamente o fato de as proposições de observação serem falíveis, e sua aceitação apenas experimental e aberta à revisão que derruba a posição falsificacionista. […] Uma teoria não pode ser conclusivamente falsificada, porque a possibilidade de que alguma parte da complexa situação do teste, que não a teoria em teste, seja responsável por uma previsão errada não pode ser descartada. (1993, p. 94-95)
Assim, a todo instante, a teoria pode fugir do seu falseamento, pois pode colocar a culpa em um experimento. Para Chalmers, “O falsifìcacionismo é inadequado em bases históricas”.
Outro ponto de crítica, é que segundo o falseacionismo, uma teoria deve ser descartada assim que um experimento for possível de falseá-la. Isso é desconexo em relação à história da ciência, segundo Chalmers, uma vez que se a proposta falsificacionista fosse aplicada de forma rígida, boa parte das melhores e grandes teorias que já apareceram teriam sido excluídas logo de início e nunca teriam sido desenvolvidas.
Então, o que separa o falseacionismo ingênuo de Popper do sofisticado de Lakatos (ainda que Popper tivesse tocado na superfície destes temas) é o acréscimo referente à possibilidade de teste independente e também o requisito destes testes terem de resultar em corroborações.
A proposta de Lakatos, que foi aluno de Popper, era de melhorar o falseacionismo, mas ao mesmo tempo trazer as contribuições de Kuhn. Assim, a Metodologia dos Programas de Pesquisa é composta por dois conceitos: (1) a heurística negativa e (2) a heurística positiva.
A heurística negativa consiste em estipular um núcleo irredutível com suposições básicas sobre o programa de pesquisa e que não podem ser questionadas. Em volta deste núcleo, situa-se um cinturão protetor formado pelas hipóteses auxiliares que protegem o núcleo da falsificação. Este cinturão, chamado de heurística positiva, é formado por hipóteses auxiliares, condições inicias, métodos de análise e observação.
Para Lakatos, o principal, não é o falseamento das hipóteses como critério de avanço dos programas. Para ele, um novo desenvolvimento dentro de um programa de pesquisa deve explicar os fatos conhecidos e deve prever fenômenos novos. Assim, uma teoria só pode ser ultrapassada por outra que conseguir explicar os mesmos fenômenos e ampliar o universo de fenômenos explicados.
Assim, os programas de pesquisa podem ser divididos em: (1) progressivos e (2) degenerativos. Aqueles que têm sucesso e gradativamente fazem à descoberta de fenômenos novos são considerados progressivos. Aqueles que encontram revés nessa função, pouco a pouco vão se tornando degenerativos. Se um programa é degenerativo ela sofre competição de outros programas, pois ele pode ser superado por um programa de pesquisa melhor, mais progressivo.
É importante situar o sentido gradual desse processo, pois ele contraria o pensamento de Popper de uma eliminação direta e total de uma proposta caso tenha sido falseada.
O núcleo duro deve ser uma hipótese teórica muito geral que constitua ao mesmo tempo a base do programa e como um guia a partir do qual o problema deve se desenvolver e os caminhos pelos quais não deve proceder. Chalmers cita alguns exemplos como:
O núcleo irredutível da astronomia copernicana seriam as suposições que a Terra e os planetas orbitam um Sol estacionário e que a Terra gira em seu eixo uma vez por dia. O núcleo irredutível da física newtoniana é composto das leis do movimento de Newton mais a sua lei da atração gravitacional. O núcleo irredutível do materialismo histórico de Marx seria a suposição de que a mudança histórica deva ser explicada em termos de lutas de classes, a natureza das classes e os detalhes das lutas sendo determinados, em última análise, pela base econômica. (1993, p. 113).
Lakatos abre espaço para a subjetividade, pois dá a liberdade do núcleo ser formado por um tipo de “decisão metodológica de seus protagonistas” (Lakatos apud Chalmers, 1993, p. 113). O núcleo do programa jamais pode passar por modificações e os cientistas devem aceitá-lo, pois caso contrário, estarão trabalhando em outro programa de pesquisa.
A heurística positiva indica como o núcleo deve ser suplementado para explicar e prever fenômenos reais. Nas palavras do próprio Lakatos, ‘A heurística positiva consiste em um conjunto de sugestões ou indícios parcialmente articulados de como mudar, desenvolver, as ‘variantes refutáveis’ de um programa de pesquisa, como modificar, sofisticar, o cinturão protetor refutável’(Lakatos, 1974, p. 135). O desenvolvimento de um programa de pesquisa envolverá não somente a adição de hipóteses auxiliares adequadas, mas também o desenvolvimento de técnicas matemáticas e experimentais adequadas. (CHALMERS, 1993, p. 115).
Segundo Chalmers, um ponto interessante da proposta de Lakatos, é que a observação não precisa ser imediatamente realizada na tentativa de falsificar as hipóteses auxiliares. O propósito são as propostas especulativas. Lakatos faz com isso uma crítica à proposta de Popper, onde boa parte das teorias mais bem sucedidas do mundo teriam sido excluídas logo no início do seu desenvolvimento devido a falsificações a partir da observação. Dessa forma, o programa deve ter chance de desenvolver seu potencial.
Lakatos não diz quanto tempo é necessário para este estabelecimento, mas indica que seria quando chegasse a um “determinado nível”, ele deve ser contestado pelas observações. São as confirmações mais que as falsificações que são importantes, pois
demonstram que o programa é progressivo. Tanto a psicologia freudiana quando o marxismo, ambos satisfazem o critério de serem coerentes, mas não o segundo critério de levar a novos fatos, segundo Lakatos.
Aqui, voltamos ao ponto brevemente discutido de uma teoria ter que prever novos fatos. O progresso pode ser dividido em dois tipos: de um lado, o progresso teórico e de outro, o progresso empírico.
Ao passo que o "progresso teórico" (no sentido aqui descrito) pode ser verificado imediatamente, o "progresso empírico" não pode, e num programa de pesquisa somos, às vezes, frustrados por uma longa série de "refutações" antes que hipóteses auxiliares, engenhosas e felizes, capazes de aumentar o conteúdo, convertam - retrospectivamente - uma cadeia de derrotas numa ressoante história de sucesso, quer revendo alguns "fatos" falsos, quer acrescentando novas hipóteses auxiliares. (LAKATOS, 1979, p. 164)
Segundo Lakatos, deve-se seguir a regra de Popper de “arquitetar conjeturas que tenham maior conteúdo empírico do que as predecessoras” (1979 p. 162). Isso fica claro na sua análise sobre o programa de pesquisa newtoniano onde diz:
Dei um microexemplo inventado de uma transferência progressiva newtoniana, de problemas. Se o analisarmos, veremos que cada elo sucessivo nesse exercício prediz um fato novo; cada passo representa um aumento do conteúdo empírico: o conteúdo constitui uma transferência teórica coerentemente progressiva. (1979, p. 164)
Predizer um fato novo refere-se dessa forma, em aumentar o conteúdo empírico do programa de pesquisa e assim permanecer como um programa progressivo.
Além disso, só precisamos; pelo menos de vez em quando, que se veja que o aumento do conteúdo foi retrospectivamente corroborado; o programa como um todo deve também exibir uma transferência empírica intermitentemente progressiva. (1979, p. 164)
É a progressividade de um programa que instiga os cientistas a pesquisar e não as suas anomalias. A progressividade significa novas adições ao programa, mas que tipo de adições e modificações pode ser feita a um programa de pesquisa? Mantido o núcleo irredutível, quase toda adição poderá ser considerada científica, desde que respeitando o critério da coerência em relação ao núcleo, a previsão de fenômenos novos, e de serem capazes de serem testadas independentemente. O que fica de fora são as construções ad hoc. Sendo assim, as modificações devem avaliadas pela sua capacidade de explicar as aparentes refutações e pela sua habilidade em produzir novos fatos. Segundo Chalmers:
O fato de que qualquer parte de um labirinto teórico complexo possa ser responsável por uma falsificação aparente coloca um problema sério para o falsificacionista que confia num método incondicional de conjecturas e refutações. Para ele, a inabilidade em localizar a origem do problema resultou
num caos não-metódico. […] A importância de uma observação para uma hipótese sendo testada não é tão problemática dentro de um programa de pesquisa […] (1993, p. 119).
Então, como podemos comparar dois programas de pesquisa? Uma forma é ver em que medida eles estão progredindo ou degenerando. Para Chalmers, esse processo parece quase natural, onde os pesquisadores irão preferir um programa progressivo a um degenerativo, dessa forma abandonando o degenerativo de forma gradual. E quando ele será abandonado completamente? Não existe tempo para isso, pois é sempre possível que o programa sofra uma modificação no seu cinturão e que pode levá-lo a ser progressivo novamente.
Para Chalmers, isso é problemático, mas podemos perguntar se afinal de contas o conhecimento deva ser abandonado por completo, e/ou expurgado da história da humanidade. Como Lakatos não estabelece critérios rigorosos para a rejeição completa de um programa, a decisão para escolher entre programas rivais é difícil, e estes só podem ser analisados de forma histórica, ou seja, olhando-se para trás. Outra crítica, é que os programas são construídos como autônomos e isolados, dessa forma fica difícil perceber a interação entre dois programas de pesquisa que compartilham certos elementos.
Alguns pontos importantes da proposta de Imre Lakatos poderiam ser resumidos em:
• O núcleo duro de um programa de pesquisa é formado por consenso, não pode ser refutado e é denominado de heurística negativa;
• A heurística positiva é composta por hipóteses auxiliares, que derivam do núcleo duro, servem como cinturão protetor do núcleo duro e devem ser independentemente testadas;
• Toda modificação na teoria, ou teoria nova deve prever novos fenômenos; • A teoria não é excluída imediatamente se falsificada, pois a observação e
experimento também podem ser falseados;
• Programas que não conseguem prever fatos novos tornam-se programas degenerativos;
• Não se chega à verdade. Programas melhores são aqueles que conseguem prever fenômenos novos.
Considerações
Essa disputa entre Lakatos e Popper de um lado, e Kuhn de outro, é também uma disputa entre relativismo e racionalismo. A noção extrema de racionalismo é aquela que afirma que há um critério único, atemporal e universal capaz de guiar os méritos das diferentes teorias rivais.
[…] um indutivista pode aceitar como o seu critério universal o grau de corroboração indutiva que uma teoria recebe dos fatos aceitos, ao passo que um falsificacionista pode basear o seu critério no grau de falsificabilidade de teorias não falsificadas. Sejam quais forem os detalhes da formulação do critério por um racionalista, uma característica importante dela é sua universalidade e seu caráter não-histórico. (CHALMERS, 1993, p. 138)
Assim, o critério racionalista para a comparação entre diferentes teorias é universal, atemporal e ahistórico. E os cientistas guiam-se por este critério para tomar suas decisões e escolhas. Para o racionalista definir a diferença entre ciência e não- ciência é fácil. Podem ser considerados ciência aquelas capazes de serem avaliadas a partir do critério universal e resistirem aos testes.
Já o relativista nega que haja um critério universal e ahistórico sob o qual possa julgar as teorias. A forma como o pesquisador se guiará dependerá do que é considerado importante por ele, ou pela sua comunidade científica. O relativista extremo considera a discussão entre ciência e não-ciência em grande parte uma posição arbitrária, e dessa