• Nenhum resultado encontrado

2 APRENDIZAGEM E FORMAÇÃO DOCENTE

3.1 OS PROJETOS INSTITUCIONAIS DO PIBID CAPES NA UNEB

Nos projetos institucionais da UNEB fica evidenciada a preocupação em adotar a experiência do PIBID como espaço de aprendizagem da docência. Em seu primeiro projeto institucional denominado A docência partilhada: Universidade e Escola como espaços que favorecem a construção dos elementos essenciais à docência, está dito que:

Defendemos que partilhar tarefas, responsabilidades, dilemas e desafios sobre a organização do trabalho pedagógico é fundamental para estimular o debate e a reflexão em torno da escola e da universidade. Por isso, as ações do presente projeto preveem a construção de uma cultura de cooperação, em que se institua um movimento pedagógico que reúna sujeitos de origens diversas (alunos, professores da Universidade, professores da escola básica) em torno de uma mesma demanda:

Qualificar as ações da escola e das licenciaturas na Universidade. Acreditamos ainda que a participação da UNEB no PIBIB reforça o empenho que esta universidade vem fazendo em pensar a docência em grupo, num movimento que a compreende como uma ação complexa, construída em diferentes espaços e tempos e atravessada também pela ação de diferentes sujeitos. Para nós, construir a docência implica necessidade da existência de espaços de partilha dos dilemas, dos princípios, dos elementos e de experiências que a constitui e esse movimento acontece para além das fronteiras da academia e dos currículos dos cursos de Licenciatura. (UNEB, 2009, p.3)

Nessa mesma direção, Projeto Institucional de 2011, denominado Ensino Superior e educação Básica: articulando saberes, reafirma tal intenção ao registrar que:

Considerando que a educação básica é o campo de atuação dos graduandos dos cursos de Licenciatura da UNEB, uma aproximação oportunizará conhecer e analisar o contexto de ensino, contribuindo para o processo de construção de identidade docente, com vistas ao desenvolvimento de práticas docentes contextualizadas. A inserção dos graduandos em seu campo de atuação tem como objetivos: I -refletir sobre o papel da escola e da universidade; II -aproximar o graduando da realidade de seu campo de atuação; III -desenvolver atividades pedagógicas contextualizadas e articuladas com a realidade da escola; IV- estimular a prática da pesquisa como componente inerente à prática da docência; V- articular teoria e prática de modo a favorecer a criação de situações reais de aprendizagem; VI-ter postura crítica e investigativa – professor pesquisador – em face de realidades complexas; VII -reconhecer o espaço da escola pública como campo de experiência para a construção do conhecimento na formação de professores para a educação básica; VIII analisar a problemática educacional através do diálogo acadêmico com a experiência universitária e de docentes em exercício. (UNEB, 2011, p.3)

O Projeto Institucional de 2013 parece demarcar mais ainda a ideia da licenciatura como lócus de fomento à iniciação à docência, posto que a mesma se constitua como uma categoria ampla do trabalho pedagógico que tem por objetivo aproximar o licenciando do cotidiano docente, ou seja, dos dispositivos, dos saberes, da reflexão, enfim, das especificidades que constituem o trabalho do professor na contemporaneidade. Nesse sentido, o Projeto ora apresentado assume a iniciação â docência como um conjunto de ações, a saber:

Aproximação entre Universidade e Educação Básica com inserção dos licenciandos no cotidiano escolar das escolas parceiras, assim como interação dos supervisores nas atividades realizadas na Universidade;- Acompanhamento e observação mútua e partilhada do trabalho

pedagógico realizado na Universidade e nas escolas participantes do PIBID. Desenvolvimento de atividades individuais e partilhadas com os professores da Educação Básica e da UNEB, planejadas a partir de observações e investigações diagnósticas do cotidiano escolar;- Organização de atividades/eventos/ salas temáticas e de leitura, minicursos, oficinas, palestras -a partir dos interesses e necessidades da comunidade escolar;- Utilização de recursos tecnológicos no Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA), potencializando a utilização das TICs;- Organização de Laboratórios coletivos do fazer pedagógico;- Encontros de estudo e discussão com estudantes, supervisores e coordenadores;- Leitura e discussão de referenciais teóricos educacionais ligados às áreas dos subprojetos;- Desenvolvimento de estratégias didático-pedagógicas e de dispositivos educacionais que visem incrementar/potencializar a realização do trabalho pedagógico das escolas parceiras;- Participação nas atividades escolares em ações diversas como encontros de planejamento, conselho escolar, entre outros;- Organização de Fóruns nas Escolas Públicas ligadas ao Projeto e nas dependências da UNEB;- Elaboração e confecção de material didático e de apoio pedagógico para os estudantes e monitores;- Leitura de artigos e outros textos para facilitar o estudo e análise crítica dos temas propostos;-- Produção de material de registro contendo as produções dos estudantes e dos professores realizadas ao longo do projeto, para serem disponibilizados aos professores das escolas públicas;- Elaboração de Relatórios periódicos por todos os bolsistas a fim de refletir sobre as ações no PIBID UNEB e propor estratégias de intervenção nas escolas parceiras;- Divulgação das ações do Projeto Institucional e dos subprojetos no site do PIBID UNEB /www.uneb.br/pibid. (UNEB, 2013, p.5)

Aqui é possível observar a incidência de expressões como: inserção dos licenciandos na escola, participação dos supervisores na UNEB, num movimento de observação mútua e partilhada entre esses sujeitos e espaços de formação. No dizer de (André,2016) uma formação ancorada nessa base caminha para um novo processo de desenvolvimento profissional, pois associa conceitos como: troca de experiência entre iguais e autonomia na colegialidade.

Para mim é talvez a materialização do espaço hibrido de formação, da terceira via. Ou dito de outro modo é o terceiro espaço (Zeichner,2010), ao propor a criação de culturas colaborativas entre as instituições e, nesse movimento, à docência ir sendo construída. Digo ainda que esse processo não é a mera fusão entre a formação e a atuação, mas uma terceira forma: nasce a partir delas, mas a elas não se limitam.