Esquema 2. Diagrama sobre a FlexQuest Radiaotividade baseado no esquema proposto por Graddy (2001) em relação a Teoria da Flexibilidade Cognitiva.
3.2 Vídeos na Educação
3.2.1 A incorporação do vídeo no ambiente escolar
3.2.1.1 Os vídeos (programas) da televisão em sala de aula
Faz-se importante a percepção de que apesar de alguns professores condenarem a programação da televisão, atribuindo a ela um caráter alienador, o que tornaria o telespectador um ser dependente e sem senso crítico, favorecendo o sensacionalismo e ao conteúdo de baixo nível ético, estético e cultural (NAPOLITANO, 2008), é muito comum que os alunos, e até os próprios professores, ao chegarem a seus lares se entreguem a programação transmitida pela TV.
Por outro lado, observa-se que os professores que fazem uso de vídeo em sala de aula, espera que esse tipo de recurso audiovisual, ajude a mudar sua rotina de sala de aula, na tentativa de reproduzir algo a mais que o quadro e os livros não apresentam. Nas aulas de química, por exemplo, devido à restrição de materiais, de um laboratório seguro para realização de práticas de riscos, os recursos audiovisuais são importantes ferramentas para transmitir ou recriar acontecimentos muitas vezes impossíveis de trazer para sala de aula (CARVALHO, 1993).
Neste sentido, por que não relacionar uma prática de sala de aula com uma prática “de casa”? Alguns investigadores, como Carvalho (1993) e Leão (2003), acreditam que a escola precisaria incorporar na sua prática pedagógica, transmissões de televisão para tentar “encantar” os alunos, como os meios de comunicação o fazem no nosso cotidiano. Essas transmissões em vídeo podem ser utilizados nos chamados multiambientes de aprendizagem, que utilizam as novas tecnologias em diferentes meios como ferramentas no processo de ensino e aprendizagem. Pode-se considerar que, levar para sala de aula os programas transmitidos pela televisão, para em vez de somente se criticar, permite que os alunos percebam a veracidade ou não, de determinada informação que esteja sendo transmitida
É importante destacar, que de modo geral, a televisão é utilizada pelo telespectador que se senta frente a ela e, sem aplicativos de interação, fica ali apenas recebendo informação (CROCOMO, 2007). Mesmo assim, a cada dia, aumenta o número de programas que utilizam informações científicas para validar o que se é transmitido ou até mesmo incrementar o quadro, ou programa permitindo que se chamem mais a atenção de quem o assiste. Entretanto, é importante estar atentos ao fato de que o discurso presente na televisão, apesar de poder desperta o lúdico, o
prazer, o inimaginável, os sonhos e anseios de quem a assiste, pode também contribuir para alienar, e reproduzir situações de dominação. Sendo assim, quando aplicado ao meio escolar é
necessário haver a mediação do professor, que estará sempre entre o aluno e o meio de comunicação, promovendo e incentivando leituras críticas do próprio meio, das suas práticas de linguagem e dos conteúdos por ele veiculados (GUIMARÃES, 2001, p.108)
Geralmente, as aulas de química são vistas pelos alunos como algo a ser decorada ou vivenciado apenas pelos conceitos apresentados nos livros. Mas, pode-se presenciar a química também em programas da televisão. O professor que utiliza em sua prática metodológica, recursos audiovisuais e do cotidiano do alunado, possibilita a problematização de conceitos, satisfazendo com isso, algumas das curiosidades dos alunos e necessidades reais ou imaginárias do público estudantil. A mudança proporciona a criação de atividades mais atraentes e com uma maior atuação dos alunos, seja na parte de produção de materiais para uso em sala de aula, seja na apresentação de situações vivenciadas fora do âmbito escolar. Um canal de televisão pode apresentar vídeos que, por mais didáticos que sejam não estejam inseridos numa proposta formal de ensino. Porém, o mesmo vídeo pode ser aproveitado em uma situação educativa em sala de aula, com uma boa organização metodológica. Neste sentido, deve-se impulsionar o aluno, despertá-lo para a compreensão daquilo que se é transmitido, possibilitando um desenvolvimento cognitivo, permitindo com isso, novos interesses nos mesmos (NAPOLITANO, 2008).
Diante do que foi exposto, destaca-se que o professor que se disponibiliza a utilizar o vídeo como recurso didático deve ter cuidado durante a exibição desse material. A interação que os alunos possam ter com o recurso vai depender de como a aula será continuada após a sua exibição, quais impactos (positivos ou negativos) são criados nos alunos e o que é mais significativo: se eles conseguiram apreender os conceitos ali trabalhados, se foi gerada uma mobilização neles para se trabalhar estes conceitos em atividades posteriores.
Dependendo de qual e como o vídeo seja utilizado, a televisão pode incorrer em processos idênticos ao da escola com um “discurso pedagógico autoritário cujas relações assimétricas não estimulam a curiosidade das crianças (jovens, adultos) e, com isso, não promovem a reflexão sobre os problemas abordados” (GUIMARÃES, 2001, p. 11). É importante ressaltar a
necessidade da eficácia das atividades lúdicas na aprendizagem, relacionando a utilização de uma linguagem que procura combinar a realidade, com as expectativas e imaginário dos alunos.
Muitas são as maneiras de se utilizar o vídeo, o grande diferencial está na continuação das atividades e no que se pode extrair do recurso para haver uma exploração das informações que são transmitidas pelo meio.
Nesta pesquisa, a escolha de vídeos transmitidos pela televisão para serem incorporados na FlexQuest, ferramenta utilizada na investigação, foi devido ao meio de comunicação ter
uma participação decisiva na formação das pessoas – mais enfaticamente, na própria constituição do sujeito contemporâneo. [...] a televisão é parte integrante e fundamental de complexos processos de veiculação e de produção de significações, de sentidos, os quais por sua vez estão relacionados a modos de ser, a modos de pensar, a modos de conhecer o mundo, de se relacionar, com a vida (FISCHER, 2002, p. 153-4).
Logo, como a televisão está presente no cotidiano das pessoas e pode-se dizer que há uma banalização por parte do uso do recurso em sala de aula, a integração do recurso (vídeo) à ferramenta (FlexQuest) pode possibilitar não só a aprendizagem dos assuntos de química explorados no meio, mas também o senso crítico, por parte dos alunos, daquilo que está sendo transmitido. Isto ocorre devido a FlexQuest incorporar a Teria da Flexibilidade Cognitiva quem tem como um dos pressupostos desenvolver no aluno a habilidade para entender algo em várias situações, tendo ainda o suporte de uso da tecnologia interativa (multimídia, vídeo, texto), ou seja, o conhecimento está interligado. A estratégia construída nesta pesquisa permite estas inovações no ensino, desde que bem utilizada pelo professor e que o aluno compreenda os objetivos das atividades a serem realizadas.
3.3 Radioatividade
A palavra radioatividade representa para muitas pessoas como algo perigoso, relacionando com a bomba atômica ou acidentes como no caso do césio em Goiania (1987) e o da usina de Chernobyl (1986). Inevitavelmente, a população em massa, pouco sabe das aplicações benéficas da radioatividade. É comum estas informações serem evidenciadas nos livros didáticos, como uma tentativa de contextualização, podendo gerar uma falsa impressão em alunos e professores pouco
informados, de que os fenômenos relacionados a energia nuclear, de modo geral, causam danos a saúde, gerando riscos para toda uma população.
Devido a isto, se faz necessário uma melhor formação para os professores quando se trata dos assuntos relacionados a radioatividade; sua utilização e aproveitamento benéfico. Para isso é necessário que o professor detenha de informações mais amplas, pelo fato da temática ser pouco divulgada e existirem poucas publicações acessíveis à educação básica.
Como a estratégia presente na FlexQuest amplia o que é sugerido pelos PCN a fim de possibilitar uma melhor compreensão das aplicações que envolvem a radioatividade, apresenta-se a seguir um breve histórico e resumo de aplicações da temática, das quais, parte delas foram exploradas na FlexQuest.