NARRATIVAS DE VIAGENS E SUA REPRESENTAÇÃO NO DISCURSO HISTÓRICO-LITERÁRIO
3.2 Os viajantes ingleses e a fundação da Literatura Argentina
Segundo Adolfo Prietro o interesse dos viajantes ingleses pelo território argentino deveu-se ao fato de que esse território possuía uma quantidade inexplorada de minas, onde o ouro e a prata eram minerais dominantes. Assim, a possibilidade de explorar essas minas exerceu um enorme fascínio nos mesmos.
Porém, o fascínio inicial desses viajantes foi extrapolado para outras fontes como a própria forma de vida que ali habitava, seus costumes e tradições. Buscavam desvendar os segredos e características do território argentino devido a sua diversidade e ao seu exotismo. Tudo agora os interessavam. Sentiam-se então no dever de trazer a civilização para esses povos esquecidos por Deus. Eram, portanto, os grandes missionários a serviço do Novo mundo.
Todavia, ao tentar desvendar esses segredos sentiram que não bastava simplesmente descrevê-los tais como tinham sido vistos por seus olhos, mas especialmente descrevê-los tais como haviam sido sentidos por eles. Assim, ao tomar conhecimento desse fato perceberam a grande dificuldade em enquadrar seus discursos, pois como já havia dito Humboldt quando “los sentimientos y la imaginación son excitados, el estilo se inclina a extraviarse em la prosa poética”·(PRIETRO, 1996: P. 17). Como defender então uma veracidade desses fatos observados se o caráter subjetivo estava “rondando” seus relatos? Como distinguir aquilo que era concreto daquilo que apenas supúnhamos ser?
Desta forma, seus relatos vieram repletos de informações retiradas de suas experiências vividas, ouvidas, sentidas e lidas. Lidas no sentido de que muitas das informações foram acrescentadas por alguns dos viajantes através não de experiências realmente vividas por eles, mas por anotações retiradas de relatos de viajantes precursores.
Isso nos mostra a forte circulação dessas narrativas na época e a influência bastante considerável do viajante alemão Humboldt. Sem dúvida alguma, Humboldt foi um dos escritores mais revisitado por esses viajantes, o que não poderia ser diferente já que foi o grande precursor desse tipo de narrativa. Porém, o fato de alguns viajantes se utilizarem de dados não vivenciados por eles, mas por outros viajantes trouxe um agravante a questão da veracidade dos fatos de um pretenso discurso cientifico. É certo que eles buscavam com essa prática dar autoridade a seus relatos, pois ao comentar viajantes respeitados estariam necessariamente dando poderes aos seus escritos. Porém, como definir o que era ou não apenas uma estratégia em busca de autoridade para seu discurso? Essa era uma questão a ser estudada.
Para Adolfo Prietro “entre los viajeros ingleses que transitaron diversas regiones del territorio argentino entre 1820 y 1835 aproximadamente, 14 de ellos, por lo menos, escribieron y publicaron sus relatos de esta experiencia”. (1996: p. 29). Número bastante considerável para a época.
É importante salientar que no caso especifico da Argentina esse tipo de narrativa foi crucial na fundação de uma literatura nacional, pois esses viajantes não só divulgaram a realidade argentina, mas também contribuíram enormemente ao conseguir expressar de uma forma tão peculiar um mundo ainda em construção.
Todavia, ao relatarem suas experiências não a fizeram de modo apenas objetivo e racional, mas especialmente de forma romântica. Assim, tinham por objetivo dar conta não só das características da paisagem, mas especialmente do “Ser americano” absorto nela. Era preciso seguir com um discurso civilizador próprio da época, porém não seria necessário sobrepô-lo ao texto.
Seus métodos utilizados foram seguidos por muitos dos nossos escritores que perceberam a ligação entre o relato de viagem e o discurso literário. Entre eles destacam-se Alberdi, Echeverría, Mármol, e Sarmiento. Estes souberam muito bem pensar o texto em função de uma viagem e essa estratégia só veio corroborar com a fundação de uma nova literatura nacional.
Dentre os viajantes ingleses que contribuíram com seus relatos para a fundação de uma literatura Argentina destacamos John Miers e sua obra intitulada Travels in Chile and La Plata publicada em Londres no ano de 1826. Essa obra consiste em memórias de sua viagem rumo ao Chile e que deu inicio em 1819 em Buenos Aires. Seu objetivo maior era “evaluar las posibilidades de explotación minera en Chile” (PRIETRO, 1996: p. 30)
Porém, rumo ao seu destino inicia as anotações das circunstâncias encontradas durante todo o seu percurso. Suas anotações são sempre rigorosas e detalhistas e a partir dessas anotações Miers dar início a toda uma caracterização do território argentino e de sua gente. O objetivo de sua viagem é utilitário e com isso não poupa esforços em medir as distancias percorridas e em anotar toda e qualquer informação que possa guiar metodologicamente um futuro viajante. Em sua narrativa quase não se permite a distração, pois não tem a pretensão de relatar fatos irrelevantes como anedotas e passagens engraçadas. Assim, seu objetivo utilitário bloqueia toda e qualquer intervenção em sua narrativa que não seja de fato imprescindível para a boa compreensão dos fatos. A paisagem não exerce nenhum tipo de fascínio em Miers, pois este a ver como algo desprovido de beleza e repleto de obstáculos. Sua visão européia e sua atitude utilitarista prevalecem sempre em sua análise. Desta forma, sobre os Andes dirá
que es un escenario en el que la naturaleza presenta los objetos con demasiada proximidad para ser agradables, y en una escala demasiado grande para acomodarse a su imaginación; un sitio en donde buscará en vano la variedad de líneas, las hermosas perspectivas, las vistas pintorescas que convocan a la admiración em los Alpes europeus (PRIETRO, 1996:p. 31)
Como se vê, sua atitude quase pejorativa acrescenta-nos dados para comprovação de que Miers não tinha, em principio, o propósito de se deixar levar pelo exotismo da paisagem nem via nisso motivo algum de admiração, pelo contrário para ele essa era mais uma das características de um povo que precisava urgente ser civilizado.
Porém, ao chegar na província de Córdoba sua atenção será desviada inevitavelmente para esse exotismo da paisagem e ele se deixará envolver pelo clima posicionando-se não só como um pesquisador, mas também como um homem que sente e faz uso de sua interpretação. Vê-se nesse momento então uma interferência “literária”, romântica e sentimental que irá de encontro a sua postura sempre tão utilitarista. E assim, se referindo a localidade de Portezuelo, Miers diz:
el verdor y l lujuria del follaje, contratados con la desnudez de las masas de roca, la pobreza de las chozas y la miserable apariencia de los habitantes de este bellamente protegido lugar, daba al conjunto un aire de lo romántico. La vista, en general, es muy placentera, especialmente para un viajero que há transitado cientos de millas por un país que no ofrece outra cosa que una ilimitada llanura vacía de paisaje, en donde no pueden verse ni colinas, ni rocas ni árbole. (p. 30- 31)
Como se observa, o exotismo, o “deserto” e a “miserável aparência dos habitantes” chamam a atenção do viajante que caracteriza essa paisagem, esse conjunto como “placentária”, ou seja, como algo que ainda está por nascer. Nessa passagem percebe-se a difícil e tênue linha divisória entre o cientifico e o literário e a qual Miers não estava isento como ele acreditava estar.
O viajante inglês descreverá ainda o gaúcho como um indivíduo sem higiene e os índios como cruéis, violentos e depredadores. Essa visão dos habitantes do território argentino será compartilhada com muitos dos outros viajantes.
Outro viajante inglês que merece destaque é Alexander Caldcleugh com sua obra Travels in South America, During the Years 1819-20-21, publicada também em Londres no ano de 1825. Essa obra relata sua viagem aos países Brasil, Argentina e Chile.
O objetivo desta obra, segundo Adolfo Prietro, não é muito bem definido, pois não se sabe ao certo se Caldcleugh empreendeu essa viagem a pedido do governo inglês ou por interesses particulares. O que se sabe, entretanto, é que ela “busca presentar a estos países como potenciales mercados de consumo y centros de inversión”(PRIETRO, 1996:p. 31)
Caldcleugh teve uma forte influência de Humboldt e não fez cerimônia ao citar o nome desse prestigiado viajante ao longo de sua obra. Entretanto, o fez em plena consciência de que assim estaria não só dando mostras de sua intelectualidade, mas principalmente prestigio a sua narrativa. Apesar dessa influência não conseguiu se desprender totalmente de seu caráter também utilitário, ainda que em menor intensidade que Miers.
Diferentemente dele, Caldcleugh permitiu-se envolver mais com sua narrativa que assumiu um tom mais sensorial. Seus sentidos foram levados em consideração chegando a interferir no seu próprio discurso.
A paisagem exerce tamanho fascínio no autor que chega a determinar o tom da sua narrativa. Ele sente falta do encanto, do novo, da beleza. E, ao sentir falta desse encanto busca redirecionar sua narrativa o que nos leva a crer que sua viagem era motivada muito mais pelo prazer do que pela obrigação. E isso é nitidamente observável numa de suas anotações, onde o próprio diz:
El viaje no es interesante, sucediendo sobre una llanura con poça vegetación o agua, y con ningún outro limite que el horizonte’ y más de una semana después, ya en las estribaciones de las sierras de Córdoba, la revelación abrupta: ‘ el montañoso de la región, después de la tediosa monotonía de diez días sobre la llanura, poseía un indescriptible encanto.(apud: PRIETRO, 1996:p. 33)
Como se observa, Caldcleugh se propõe a opinar e não apenas a narrar de uma forma isenta como desejou e acreditou ser possível Miers. Sem dúvida alguma isso se deveu ao fato de que no primeiro não se percebe uma influência clara de Humboldt o que no segundo é notório apesar de não podermos afirmar com absoluta certeza.
Entretanto, temos ainda o viajante Robert Proctor que segundo Prietro possui uma postura muito mais conservadora que a de Miers. Sua obra intitulada Narrative of a Jouney Across the Cordillera of the Andes...In the Years 1823 and 1824 e publicada em Londres no ano de 1825 foi fruto de sua viagem de Buenos Aires a Lima. Foi uma viagem com objetivos políticos, pois o mesmo “era el agente intermediario en la contratación de un préstamo al gobierno peruano” (PRIETRO, 1996, p. 33). Proctor tinha, portanto, a incumbência de colher informações sobre esse país para estabelecer possíveis relações políticas e econômicas.
A linguagem utilizada pelo autor em sua narrativa é típica de um relatório e Prietro a define como escassa e sem nenhuma simpatia. Seu objetivo maior é sem duvida alguma promover um apanhado utilitário de sua viagem que possibilitará aos futuros viajantes um conhecimento prévio desses territórios por ele visitado. Proctor detalhará comentários acerca das paisagens e dos habitantes e não esconderá seu desânimo em relação aos mesmos. Dos gaúchos dirá que são “‘una raza de bárbaros, de sombría apariencia’” (apud PRIETRO, 1996: p. 34) e sobre a paisagem dos pampas descreverá como excessivamente monótona. Porém, ao instalar-se em Mendoza dirá:
Mendonza parece disfrutar esta hermosa situación, en cuanto placentero lugar de alivio para un viajero que há atravesado mil millas de la, quizá, menos interesante región que pueda encontrarse en el mundo; tan pocos objetos de curiosidad se ofrecen para quebrar el tedio de las perpetuas planicies y deshabitados páramos (apud PRIETRO, 1996: p. 34)
Proctor assim como Miers dá algumas conotações românticas ao texto, entretanto, são conotações codificadas. O termo romântico é associado por esses autores à natureza e ao bem estar que estas podem proporcionar aos viajantes cansados de “vagarem” por esse mundo sem grandes atrativos.
Outro viajante inglês que participou ativamente desse período foi Peter Schmidtmeyer com sua obra Travels into Chile over the Andes (Londres,, 1824). Em Schmidtmeyer podemos observar nitidamente a influência de Humboldt, pois o autor faz inúmeras
referências ao mestre adotando uma postura unilateral em relação ao mesmo. Teve ainda a pretensão de fazer de sua obra um complemento sul-americano de Personal Narrative, porém não o soube fazer com precisão. Assim como os demais viajantes citados Schmidtmeyer não conseguiu dosar seus sentimentos em sua narrativa nem tampouco conseguiu desvencilhar-se de sua visão européia. Assim, esta o levou a crer que tudo aquilo que fosse diferente do mundo europeu não era merecedor de admiração. Desta forma, não conseguiram ver o Novo Mundo com os olhos de um observador como fizera Humboldt, mas sim com os olhos de um observador europeu.
Foi no ano de 1825 que chegaram ao Río de la Plata três viajantes ingleses que, segundo Pietro, foram os primeiros leitores reais de Humboldt. Estes percebiam como legitimo e promissor o discurso duplo presente nos textos do precursor. Foram eles: Francis Bond Head, Joseph Andrews e Edmond Temple. O primeiro desses viajantes, Head, tinha como um dos seus propósitos descrever tudo aquilo que fosse de seu interesse e que atraísse sua atenção. Essa postura anunciava de antemão seu projeto de independência perante seus antecessores. Para ele, suas anotações “‘fueron tomados bajo gran variedad de circunstancias, a veces com uma botella de vino delante mio y a veces con un cuerno de vaca lleno de nauseabunda agua sucia’”.(apud PRIETRO, 1996: p. 38- 39) Percebe-se no entanto que não havia uma prioridade em relatar as circunstâncias encontradas, pois Head não estabelecia um processo seletivo. Tudo poderia ser motivo de atenção desde que o autor sentisse a necessidade em narrar-las. Head defendia, portanto, a autoridade da voz do narrador demonstrando através disso seu interesse em apresentá-lo tal como ele se encontrava nas variadas circunstâncias. Ou seja, era de suma importância relatar não só aquilo que o viajante via, mas também como ele via naquele determinado momento. Seu estado de ânimo precisava ser levado em consideração, pois fazia parte do processo narrativo. Assim, sua narrativa é constantemente mesclada entre o Eu e os Outros, onde Head
mezclará deliberadamente la peripecia personal con la proyección de las peripecias que atribuye a los indivíduos y a los grupos que encuentra en el camino; mezclará el esquema de un verdadero cuadro de costumbres con una escena dramática; el primer plano periodístico con la minucia reveladora de un carácter o de una conducta. Contará y, en el proceso de armar el relato, de conocer y de exponerse a las historias individuales y colectivas que lo acrecían, se preguntará si la condición del hombre en América no se propone como ‘infinitamente más interesante que la descripción de sus minas y de sus montañas’ (PRIETRO, 1996: p. 39)
Desta forma, percebe-se pala primeira vez a mudança de foco nas narrativas de viagens. A paisagem não é mais o centro, porém continua fazendo parte da narrativa com algo essencial para compreender o próprio homem, pois acreditava-se que este era determinado pelo meio. Assim, vemos Head dedicar páginas inteiras a caracterização do matadero, do gaúcho e dos índios. Do matadero ele descreve de forma sombria o cenário e dá um tom melancólico a sua narrativa, onde a barbárie que ali impera o amedronta. Dos índios o descreve ora como bárbaros, ora como pessoas “interessantes”. Apesar de não ter tido uma experiência direta com eles constrói suas observações a partir de suas fantasias e das versões recolhidas ao longo de sua jornada. Já sua caracterização do gaúcho é de fato admirável, pois seu convívio com eles foi realmente concreto e contínuo.
Head acreditava no espírito livre do gaúcho e defendia a tese de que a natureza contribuíra enormemente para que ele almejasse sempre sua independência. Porém, via essa questão de forma diferente em relação ao índio, pois o mesmo também possuía a seu favor a mesma natureza, mas não possuía o mesmo sentimento libertário. A justificativa encontrada e defendida pelo autor para esse fato é que os gaúchos sendo descendente dos povos hispânicos carregavam dentro de si eternos ideais de civilização do Velho Continente.
Todavia, ao longo de sua obra Head faz questão de romantizar a figura do gaúcho preocupando-se em descrevê-lo minuciosamente dando destaque a sua dignidade e aos seus costumes.
Francis Bond Head, segundo Adolfo Prietro, foi sem dúvida alguma um escritor original e sua obra Rough Notes Taken During Some Rapid Journeys Across the Pampas and Among the Andes (Londres, 1826) causou uma enorme ebulição, pois foi considerada um fenômeno de recepção inigualável além de ter servido como ponto de referência para os futuros aventureiros.
Entretanto, o sucesso de Head não agradou a todos e em especial ao capitão Joseph Andrews. Tendo este viajado para Argentina, Chile, Bolívia e Peru basicamente com o mesmo objetivo de Head e retornado logo depois dele, encontrou para sua surpresa já com a novidade do texto de Head. Porém, não se deixou intimidar e no ano de 1827 publica Journey from Buenos Ayres, trough the Provinces of Cordova, Tucuman, and Salta, to Potosi... Em sua obra deixa claro seu desgosto pelo “tipo” de texto de Head, onde para ele é repleto de conclusões apressadas.
O texto de Andrews possui declaradamente um caráter ambíguo tanto que dirá num determinado momento de sua narrativa a seguinte frase: “‘Antes de proseguir con mi diario o con mi narración, o con uno o con ambos’”.(apud PRIETRO, 1996: p. 46) Isso nos mostra a intencionalidade do autor em dar um status diferente à sua obra já que ela estará carregada de descrições fantasiosas e metafóricas.
Diferentemente de Head não faz associação entre o meio e o homem, para ele tudo dependerá das circunstâncias e do valor dado a elas. Todavia, compartilha da mesma visão de seu antecessor a respeito do gaúcho e assim o descreve numa de suas passagens:
Pero cuando él tiene una historia para contar, desde su montura, despliega tal flexibilidad corporal, volviéndose hacia uno con tan naturales y, sin embargo, tan finos gestos, una tal expressividad que habla mejor que sus palabras, que parece, así ubicado sobre su caballo, una combinación de caballero y de campesino, una composición de ambos caracteres, tan mezclada, como para producir una sorprendente y agradable totalidad (apud PRIETRO, 1996: p. 48)
Mais adiante Prietro nos apresenta uma outra descrição do gaúcho feita por Andrews só que desta vez ele se deterá na coragem do homem frente ao animal numa das práticas mais tradicionais do gaúcho que é a caça ao Jaguar.
Hallado el enimigo, el gaucho elige la más conveniente posición para recibirlo a punta de bayoneta o de algún filo rudimentario, al primer salto que haga. Cuando los perros lo apuran, el jaguar salta sobre el gaucho, que lo recibe, arrodillado, con los ojos fijos em el animal, y con tal frialdad que apenas hay uma chance de fracasso. (apud PRIETRO, 1996: p. 48)
Nessa passagem percebe-se a dramaticidade do texto de Andrews e sua admiração perante a coragem dos gaúchos. Seu estilo, não nos parece tão distinto do de Head, pelo contrário, a dramaticidade é uma constante nos textos de ambos e o discurso literário parece sobrepor ao cientifico.
Sua visão romântica não permite comparar a paisagem pampiana com a européia, pois a vê como algo único e representativo da natureza americana. Seu entusiasmo pela província de Tucumán é sentido através de suas descrições sempre tão detalhistas quanto ao cenário e sua policromia. Assim, descreve sua relação com a natureza americana da seguinte forma:
Tengo una recolección enraizada e imperecedera de los sentimientos con que contemplé el rico y variado escenario de este delicioso país, desde la arena de su
propia belleza sin paralelo. No creo que en punto a grandeza y sublimidad sea sobrepasada en la tirra’”10. E ao despedir-se de Tucumán dirá: “ “adiós a tus
placenteras planicies, y a tus poderosas y románticas montañas. (apud PRIETRO, 1996: p. 49)
Como se vê, Andrews possui uma relação de admiração e prazer com o Novo Mundo recém descoberto por ele, porém não perde tampouco sua visão utilitarista. Mesmo admirando essas paisagens prevê e anseia o desenvolvimento industrial destas áreas através da exploração inglesa. E assim, dirá ao se referir a posta de Lagunillas na cidade de Salta:
La situación de esta posta, con su vencidad a Salta, sobre una fina planície inclinada hacia las colinas, ofrece una oportunidad para que cualquier inglés