3.4 Testemunhas de emaranhamento
3.4.1 Otimiza¸c˜ ao de testemunhas e PSD
Apesar de existir a possibilidade de se definir, ou mesmo otimizar, uma testemunha de emara- nhamento para detectar um estado ρ ou uma classe de estados, a defini¸c˜ao de uma testemunha de emaranhamento ´e uma tarefa complicada, assim como a sua otimiza¸c˜ao. Tratando esse problema de um ponto de vista computacional, a defini¸c˜ao de uma testemunha de emara- nhamento para um estado ρ ´e um problema da classe N P -duro, assim como a fatora¸c˜ao em n´umeros primos [117].
Um crit´erio de separabilidade necess´ario e suficiente, no regime assint´otico, foi proposto por Brand˜ao e Viana [94]. Esse m´etodo faz uso de programa¸c˜ao semi-definida (P SD), que pode ser eficientemente executada em computadores cl´assicos. Basicamente, a ideia ´e se obter um operador W que minimize um funcional linear definido com rela¸c˜ao a um estado ρ, sob a condi¸c˜ao de ser n˜ao-negativo para todos os estados separ´aveis. Basicamente, a testemunha de emaranhamento W , ´otima com rela¸c˜ao ao estado ρ(1...n), em um espa¸co de Hilbert-Schmidt
H1⊗...⊗Hn−1´e obtida como a solu¸c˜ao do seguinte P SDR, ou programa semi-definido robusto:
minimize T r(W ρ1...n) sujeito a dn X i1=1 dn X j1=1 ... dn X in−1=1 dn X jn−1=1 a∗i 1... a ∗ in−1aj1... ajn−1 (3.26)
92 3 Pseudo-emaranhamento e sua detec¸c˜ao por RMN
Figura 3.8: Porcentagem de resultados errados com o tamanho da amostragem (N ), para sistemas 2 ⊗ 2 (linha pontilhada) e 2 ⊗ 3 (linha s´olida). Original em [94].
Wi1...in−1j1...jn−1 ≥ 0
T r(W ) = 1, ∀aik ∈ C, 1 ≤ k ≤ n − 1
em que dn ´e a dimens˜ao de Hn, Wi1...in−1j1...jn−1 = 1hi| ⊗ ... ⊗n−1hi|W |jin−1⊗ ... ⊗ |ji1 e |jik ´e
uma base ortonormal de Hk.
Em geral P SDR’s da forma acima s˜ao problemas de otimiza¸c˜ao que n˜ao s˜ao trat´aveis em um computador cl´assico, sendo da classe de complexidade N P -duro [118]. No entanto, esse problema pode ser relaxado e tratato de forma determin´ıstica ou probabil´ıstica, sendo mapeado em um programa semi-definido (P SD), que ´e eficientemente resolvido em um computador cl´assico.
A relaxa¸c˜ao desse problema ´e feita tratando-se a defini¸c˜ao da testemunha de emaranhamento de forma probabil´ıstica, definindo um conjunto de N amostras aij, que determina a priori a probabilidade de um estado qualquer ser emaranhado ou n˜ao. `A medida que N aumenta, a probabilidade de acerto sobre a separabilidade ou n˜ao do estado aumenta de forma a tender `
a unidade para N suficientemente grande [94]. Dessa forma, o P SD definido a partir da relaxa¸c˜ao do P SDR dado em (3.26) fornece um crit´erio de separabilidade suficiente no caso geral e assintoticamente necess´ario. Ou seja, pode-se determinar com precis˜ao e probabilidade arbitr´arias, se um estado qualquer ´e separ´avel ou n˜ao. A porcentagem de conclus˜oes erradas sobre a separabilidade, para o caso de um sistema 2 ⊗ 2 ou 2 ⊗ 3, de um estado com o n´umero de amostras usado no P SD ´e mostrado na Figura 3.8. Fica claro na Figura que, para N > 500, a porcentagem de conclus˜oes erradas ´e quase nula.
Cap´ıtulo 4
Resultado I: implementa¸c˜ao de uma
testemunha de emaranhamento de
RMN
Nesse Cap´ıtulo trataremos do primeiro resultado dessa tese, ligado `a detec¸c˜ao do pseudo- emaramento em estados pseudo-puros [32]. Nesse trabalho, foi feita uma an´alise experimental da detec¸c˜ao de pseudo-emaranhamento em um sistema de dois q-bits, dados pelos spins dos n´ucleos de 1H e 13C na mol´ecula de clorof´ormio, por uma testemunha de emaranhamento
definida a partir do protocolo de codifica¸c˜ao superdensa, proposta em [119]. A detec¸c˜ao de pseudo-emaranhamento por essa testemunha ´e analisada para os estados Bell-diagonais. Al´em disso, definimos testemunhas de emaranhamento W , ´otimas para os estados Bell-diagonal, a partir do m´etodo de otimiza¸c˜ao da Se¸c˜ao 3.4.1 para cada um dos estados de Bell. Por fim, a detec¸c˜ao de pseudo-emaranhamento por F e W na relaxa¸c˜ao do estado |φ−i ´e comparada.
4.1
Teoria
Recentemente, uma proposta para uma testemunha de emaranhamento foi feita no contexto do processamento de informa¸c˜ao quˆantica por RMN [119] a partir do protocolo de codifica¸c˜ao superdensa, que foi implementado com sucesso em RMN por [107] (veja a Se¸c˜ao 3.2.3 do Cap´ıtulo anterior). O circuito para a codifica¸c˜ao superdensa ´e dado na Figura 4.1. Para um estado puro o circuito transmite dois bits de informa¸c˜ao cl´assica com apenas um q-bit transmitido.
Como em RMN temos misturas estat´ısticas, a an´alise do protocolo de codifica¸c˜ao superdensa para estados mistos se faz necess´aria. O estado de equil´ıbrio de um sistema de RMN contendo
94 4 Implementa¸c˜ao de uma testemunha de emaranhamento de RMN
Figura 4.1: Circuito quˆantico para a codifica¸c˜ao superdensa. Na primeira parte do circuito, o estado de entrada |00i ´e transformado no estado do gato, |φ+i. Ap´os, o operador de ”men- sagem”´e aplicado, levando |φ+i em um dos quatro estados da base de Bell. A parte final do
circuito indica a medida na base de Bell. dois q-bits pode ser escrito na forma
ρ = (pI|0ih0| + qI|1ih1|) ⊗ (pS|0ih0| + qS|1ih1|), (4.1)
em que pi = 1 + i 2 , qi = 1 − i 2 , (4.2)
e os ´ındices I e S indicam cada um dos spins nucleares usados como q-bits. O parˆametro i ´e
a rela¸c˜ao entre as energias magnetica e t´ermica e ´e tipicamente ≈ 10−5, como visto na Se¸c˜ao 2.4.
Aplicando uma porta EPR (primeira parte do circuito na Figura 4.1) a esse estado, a sa´ıda ser´a um estado Bell-diagonal:
ρ1 = pIpS|φ+ihφ+| + pIqS|ψ+ihψ+|
+ pSqI|φ−ihφ−| + pIpS|ψ−ihψ−|, (4.3)
em que |φ+i, |ψ+i, |φ−i e |ψ−i s˜ao os estados da base de Bell.
As magnetiza¸c˜oes s˜ao medidas ao fim do circuito e s˜ao proporcionais `a polariza¸c˜ao estado, , e s˜ao dadas por
hZIi = (−1)zI, hZSi = (−1)xS. (4.4)
Se as vari´aveis x e z, a mensagem codificada, s˜ao conhecidas. a implementa¸c˜ao da codifica¸c˜ao superdensa por RMN ´e bem sucedida.
A condi¸c˜ao estat´ıstica para o sucesso da implementa¸c˜ao por RMN desse protocolo e a condi¸c˜ao para o emaranhamento dos estados Bell-diagonais s˜ao a mesma, dada por [119]:
pIpS >
1
95 Essa equa¸c˜ao pode ser usada para definirmos uma testemunha de emaranhamento como F = 1/2 − pIpS. Usando as express˜oes para as probabilidades e para pi e qi, temos
F = 1 2 −
1
4(1 + | hZIi |)(1 + | hZSi |). (4.6) As medidas das magnetiza¸c˜oes ZI e ZS ao fim do circuito s˜ao equivalentes a medidas de ρ1
(veja a Figura 4.1) na base de Bell, j´a que
hZIi = T r(ρf(ZI⊗ 1S) = T r(ρ1(XI⊗ XS) ≡ hW1i , (4.7)
hZSi = T r(ρf(1I⊗ ZS) = T r(ρ1(ZI⊗ ZS) ≡ hW2i , (4.8)
o que nos leva a:
F = 1 2−
1
4(1 + | hW1i |)(1 + | hW2i |). (4.9) Essa equa¸c˜ao mostra explicitamente que F ´e uma medida de correla¸c˜oes entre os dois q-bits.