5.1. Resumo
Nesta secção revisitamos teorias que, em virtude das suas características peculiares, aparentemente não se encaixam em nenhuma das famílias de teorias que visitámos até este momento. Focamos em especial duas teorias. A primeira insere-se de certo modo na linha tradicional de pensamento que privilegia a possibilidade de uma análise do conhecimento, mas supera essa linha ao sugerir uma solução que alegadamente capta o melhor daquilo que é recomendado por duas epistemologias: a epistemologia modal e a epistemologia naturalista. Nos antípodas dest a concepção, apresentamos a teoria que inaugura o que parece ser uma nova perspectiva em epistemologia. Trata-se da teoria segundo a qual o conceito de conhecimento não é analisável.
5.2. Uma epistemologia das virtudes e da segurança
Viu-se que os contra-exemplos à DTC (e a outras definições que se lhes seguiram) introduzem situações em que o facto de uma crença acertar na verdade se fica a dever a uma boa dose de acaso. Viu-se igualmente que a principal consequência da presença de acidentalidade epistémica, se assim se lhe pode chamar, é fazer com que o conhecimento
seja impossível nessas circunstâncias. Esta consequência é explicitamente reconhecida. Por exemplo, Lehrer e Paxson dizem:
Talà o oà Ed u dà Gettie mostrou, é possível encontrar exemplos em que uma frase/proposição falsa p implica uma proposição [verdadeira] h, justificando S em acreditar em h, de tal forma que, embora S acredite correctamente em h, o facto de acreditar correctamente se fica a dever à sorte [ao acaso]. (Lehrer & Paxson 2002:
465)
Confrontados com esta possibilidade, alguns filósofo s pensam que a melhor forma de lidar com o problema do acaso epistémico é justamente propor uma definição/análise/explicitação do conhecimento que conte nha uma ou mais condições que permitam erradicar esse acaso (ver 4.2.). Segundo essas definições, crenças que acertam na verdade por mero acaso não podem ter o estatuto de conhecimento. Pritchard é um dos principais defensores de uma definição do conhecim ento que contenha condições que possam prevenir e excluir a possibilidade de haver sorte epistémica a contaminar o ambiente no qual uma crença é conhecimento.
U aàfo aàdeàeli i a àaàso teàepist i aàdaà ossaàteo iaàdoà o he i e to—e portanto de evitar os contra-exemplos de Gettier—passa (...) por identificar uma condição epistémica externa que assegure que a crença verdadeira de um agente não possa por ele ser adquirida graças à intervenção da sorte epistémica. Mais especificamente, precisamos de identificar uma condição externa que permita não apenas que as condições epistémicas relevantes sejam satisfeitas mas que assegure também que a crença em questão rastreie a verdade ao longo dos mundos possíveis relevantes mais próximos do mundo actual, isto de modo a garantir que a sorte epist i aà oàsejaà apazàdeài te i . (Pritchard 2005: 151)
Tendo em mente o objectivo de encontrar uma condição anti-sorte epistémica satisfatória, Pritchard começa por avançar uma definição modal de sorte (simpliciter) ou de evento resultante do acaso (Lucky Event, LE), usando para esse efeito a já habitual semântica dos mundos possíveis.
LE—Um evento é o resultado de sorte se e somente se esse evento ocorre no mundo actual mas não ocorre numa ampla classe de mundos possíveis próximos do actual nos quais as condições iniciais relevantes para a ocorrência desse evento
essesà u dosàs oàasà es asà ueàasàdoà u doàa tual . (Pritchard 2007)
Depois de colocar LE, Pritchard aplica-a à noção de crença, extraindo a seguinte definição de crença verdadeira resultante de sorte (Lucky True Belief, LTB):
LTB—Uma crença verdadeira resulta do acaso se e somente se há uma ampla classe mundos possíveis próximos do mundo actual nos quais S c ontinua a acreditar na proposição-alvo, sendo as condições de base relevantes de formação da crença nesses mundos as mesmas que no mundo actual, e no entanto a crença é falsa nesses
u dos. (Ibidem)
Posto isto, Pritchard sugere a seguinte condição anti-sorte (CAS):
Cá“—A crença verdadeira de S não é o resultado de sorte se e somente se não há uma ampla classe de mundos possíveis próximos do actual n os quais S continua a acreditar na proposição-alvo, sendo as condições de base relevantes de formação da crença nesses mundos as mesmas que no mundo actual, e no entanto a crença é falsaà essesà u dos . (Ibidem)
Dois pontos parecem sobressair desta apresentação sequencial de definições. Por um lado, e tal como o próprio Pritchard sugere, a CAS assemelha-se bastante à condição de segurança epistémica (CSE) sugerida por Sosa. Na definição de Pritchard, o princípio da segurança epistémica de uma crença tem originalmente o seguinte formato:
“egu a ça—Um agente S tem uma crença segura numa proposição contingentemente verdadeira p =df: na maior parte dos mundos possíveis mais próximos do mundo actual nos quais S acredita que p, p à e dadei a. (Pritchard 2008b)
Aliás, a duas condições CSE e CAS como que se fundem na mais recente versão do princípio de segurança (PS) sugerido por Pritchard, um princípio que tem por objectivo solucionar alguns problemas apontados às primeiras formul ações. Numa primeira formulação,
P“—A crença de S é segura se S a continua a ter na maior parte dos mundos possíveis mais próximos do mundo actual nos quais S form a essa crença da mesma forma que o faz no mundo actual, e se em todos os mundos possíveis muito próximos do mundo actual nos quais S continua a formar a sua crença d a mesma forma que o faz no u doàa tual,àessaà e çaà o ti uaàaàse à e dadei a. (Pritchard 2009: 33-45) E numa formulação simplificada muito próxima de CA,
PS—Se S sabe que p, então a crença verdadeira de S que p não poderia facilmente ter sido falsa. (Pritchard 2007)
Por outro lado, tal como já havíamos visto, dificilmente o PS consegue estabelecer uma condição suficiente para o conhecimento. Esta contingência é reconhecida por
Pritchard (Ibidem), o qual alega que sendo a satisfação do PS suficiente para haver conhecimento em alguns casos, outros há em que isso não acontece.
O PS não é com efeito isento de crítica. Pritchard (2007) considera e recusa uma objecção ao princípio da autoria de Christoph Kelp.98 Este imagina um caso (Working-clock) em que um agente tem a crença verdadeira de que são 8:22 com base na indicação dada por um relógio extremamente fiável, embora um relógio que poderia ter sido facilmente manipulado—com o óbvio intuito de enganar o agente—por um demónio para marcar 8:22. Todavia, uma vez que o demónio sabe que o agente vai formar a crença de que são 8:22 sem que seja necessária a sua intervenção, decide nada fazer para alterar o rumo dos acontecimentos. O agente acaba pois por acreditar que são 8:22 (sendo 8:22) com base na indicação fornecida relógio. Kelp afirma que pode ser creditado conhecimento ao agente neste caso, mas que é um caso no qual o PS não obtém. Não obtém, porque nos mundos possíveis muito próximos do mundo actual, mundos nos quais o agente forma a crença do mesmo modo que no mundo actual (simplesmente olhando p ara o relógio fiável), mas nos quais o demónio decide intervir para fazer o relógio marcar falsamente 8:22 (quando não são realmente 8:22), a crença do agente é falsa. No fundo, Kelp sugere que apesar de poder ter sido facilmente falsa, esta crença é conhecimento. O PS falha, pois reclama que crenças que poderiam facilmente ter sido falsas não podem ser conhecimento.
Pritchard defende o PS desta objecção de Kelp apelando para a distinção entre um acto de cognição bem-sucedido e um acto de conhecimento. Para Pritchard, a crença do agente (no mundo actual) é um acto do primeiro tipo, mas não pode ser considerado um acto do segundo tipo, uma vez que um acto do segundo tipo exclui a possibilidade de sorte epistémica (activa ou ambiental), enquanto o primeiro é compatível com essa sorte.
Pritchard avança como exemplo o caso do arqueiro de Sosa. Argumentavelmente, apesar de exercer a sua competência, e apesar de o tiro ser bem-sucedido, não é possível creditar esse sucesso à competência do agente. Como tal, defende Pritchard (e Sosa), o tiro não é bem-sucedido porque competente. Quer dizer, a competência do arqueiro não é a causa eficiente do sucesso do seu tiro, e portanto dificilmente se pode atribuir ao arqueiro o mérito desse sucesso. Estabelecendo o paralelo com o caso do agente imaginado por Kelp,
98 Ibidem.
nas circunstâncias epistémicas adversas em que esse agente se encontra (o demónio está à espreita e pronto a intervir) dificilmente é atribuível a esse agente o mérito de ter acertado na hora correcta, isto apesar de esse agente usar os seus atributos cognitivos de forma competente, de o relógio ser fiável, etc. Segundo Pritchard, parece pois seguir-se que, na ausência desse mérito por parte do agente de Kelp, não pode ser-lhe creditado conhecimento, embora lhe possa ser creditado um acto cognitivo bem-sucedido.
Sendo ou não a resposta de Prichard eficaz contra a objecção de Kelp, o certo é que o primeiro acaba por não aceitar que a satisfação do PS (ou de uma qualquer condição anti-sorte) é per se suficiente para haver conhecimento. Pritchard recorre a um caso, que designa por Temp, para marcar a sua posição.
Temp—Temp forma a crença verdadeira de está uma determinada temperatura na sua sala ao olhar para o termómetro que marca correctamente a temperatura ambiente na sua sala. O termómetro sempre foi fiável no passado e sempre marcou a temperatura certa. Contudo, sem que Temp se possa aperceber, o termómetro avariou e só indica a temperatura correcta da sala de cada vez que Temp o consulta porque alguém faz coincidir os valores que o termómetro marca com a temperatura ambiente. (Pritchard 2009)
Este é, alegadamente, um caso em que o agente não pode ter conhecimento acerca da temperatura na sala, apesar de a sua crença ser segura, no sentido estipulado pelo PS (Ibidem, nota 16).
Outro caso de uma crença segura, no sentido preconizado pelo CA de Sosa e pelo PS de Pritchard, e que não parece ser conhecimento, é o caso Alvin (originalmente da autoria de Plantinga e que alteramos aqui um pouco para melhor compreensão do leitor).
Alvin é alguém que tem uma lesão cerebral que afecta de forma muito negativa as suas capacidades cognitivas (percepção, memória, capacidade de realizar inferências, etc). Essa lesão fá-lo crer numa proposição verdadeira no mundo actual e nos mundos possíveis mais próximos do actual. Sendo assim, a crença de Alvin é epistemicamente segura. Infelizmente para Alvin e para os defensores do PS e da CSE, o sucesso cognitivo (se assim se pode chamar) de Alvin sob estas condições não pode ser considerado conhecimento, uma vez que não se deve ao exercício de capacidades cognitivas (que alvin não tem), e portanto esse exercício é muito presumivelmente uma condição necessária para que alguém possa ter conhecimento.
Se Pritchard estiver correcto, os princípios que sustentam, respectivamente, as definições de conhecimento originárias da epistemologia naturalizada de Plantinga, Sosa, etc., e as definições de conhecimento originárias da epistemologia modal de Sosa e do próprio Pritchard99, não são isoladamente suficientes para dar conta de uma definição do plausível do conhecimento. Pritchard pensa que é possível superar as insuficiências de ambas as epistemologias, contando que se retenham as intuições básicas que sustentam as condições que estão na base dessas epistemologias: a intuição de que o conhecimento não pode ser crença acidentalmente verdadeira e a intuição de que o conhecimento tem de algum modo resultar das capacidades cognitivas do agente. Desejando conservar estas duas intuições, Pritchard propõe a seguinte definição, que irei apelidar de Solução Híbrida (SH):
SH— S sabe que p se e só se a crença verdadeira e segura de S que p é o produto das capacidades cognitivas relevantes de S (tal que o sucesso cognitivo seguro de S é significativamente atribuível à actividade cognitiva de S). (Pritchard 2008a)
Pritchard defende que SH dá conta da panóplia de casos que afectam ora a epistemologia das virtudes cognitivas ora a epistemologia modal. Em acréscimo, argumenta, dá conta dos casos tipo Gettier, acomodando assim num único local uma solução compreensiva e eficiente.
Creio que apesar de a SH ir no bom caminho no que respeita ao desiderato de oferecer uma definição completa do conhecimento, ainda assim não é imune a problemas.
No que se segue proponho o que me parecem ser alguns desses problemas.
Devemos, em primeiro lugar, sugerir identificar o princípio na base da nossa crítica.
Este princípio, sobejamente usado na literatura, atesta algo que nos parece bastante plausível, mas sobre o qual é necessário lançar luz. O princípio pode ser formulado da seguinte forma:
99 Note-se que Pritchard é um adepto do chamado projecto analítico, defendendo a possibilidade do conceito de conhecimento poder ser analisado em conceitos mais primitivos e mais esclarecedores do que esse conceito.
Princípio da falsificação (PF)—Se é possível divisar um caso de conhecimento que não exija a satisfação de uma condição descrita como necessária por uma definição do conhecimento, então essa definição é falsa.
Considerando o PF e a SH, temos que, por PF, se for possível divisar um caso claro de conhecimento no qual uma das condições tidas por nec essárias em SH é afinal desnecessária, então a SH é falsa. Apresento o que me parecem ser dois casos de conhecimento que não exigem a satisfação, à vez, de uma condição estabelecida por SH.
Suponha-se que ao viajar de carro por uma estrada a caminho de Edimburgo, S vê um sinal indicativo da distância a que está dessa cidad e. Esse sinal indica que falta 20 milhas para lá chegar e está colocado de facto a 20 milhas. Com base no que vê em circunstâncias normais, quer dizer, usando as suas capacidades de cognição num ambiente propício a esse exercício, S forma naturalmente a crença verdadeira de que está a 20 milhas de Edimburgo.
Acontece, porém, que o sinal foi colocado naquele local por alguém que nunca coloca os sinais no local certo. Invariavelmente, ora os coloca a mais ou a menos de uma milha da distância correcta. Noutras circunstâncias, pois, o sinal estaria colocado à distância errada, o que faria com que a crença de S fosse falsa.
Estamos na presença de um caso claro de conhecimento, pois não há aparentemente forma de negar a forte intuição de que nestas circunstâncias S sabe que está a 20 milhas de Edimburgo. Porém, este é também um caso no qual a crença não é segura (tal como estabelecido pelo PS), pois poderia muito facilmente ter sido falsa. Para tal bastaria que a pessoa que coloca os sinais tivesse seguido o seu modus operandi habitual. Segue-se que a segurança epistémica, tal como estabelecida pelo PS, não é uma condição necessária para o conhecimento, e portanto, considerando o PF, a SH é falsa.
Suponha-se que S se encontra numa situação igual à do exemplo anterior, excepto no que respeita a dois aspectos. A primeira diferença é que o sinal foi colocado por alguém que cumpre escrupulosamente as regras de colocação de sinais indicativos das distâncias, e portanto, ceteris paribus, a haver crença por parte de S de que está a 20 milhas de Edimburgo, será uma crença segura, uma vez que nos mundos possíveis mais próximos do mundo actual a crença continua a ser verdadeira. A segunda diferença é que, desta feita, uma luz intensa que incide sobre o sinal impede S de ver a distância correcta por ele indicada. Tal facto impede S de formar a crença de que está a 20 milhas de Edimburgo com
base nas suas aptidões cognitivas (a sua boa visão, o seu b om discernimento, etc.). Por sorte, S vai acompanhado de outra pessoa, uma pessoa que S sabe ser fiável e conhecedora do local, e que, ao reconhecer o local onde está o sinal, diz a S que está a 20 milhas de Edimburgo. S forma a crença verdadeira e segura de que está a 20 milhas de Edimburgo com base nesse testemunho e, muito plausivelmente, fica a saber que está a 20 milhas de Edimburgo. Contudo, e tal como no caso Jenny, o sucesso cognitivo seguro de S não é significativamente atribuível à actividade cognitiva de S, e portanto, uma vez mais, uma condição estabelecida por SH não tem de ser satisfeita para haver conhecimento. Extrai-se novamente que a SH é falsa.
5.3. A Teoria da Não-analisibilidade
A suposição de que o conceito de conhecimento é susceptível de análise foi recentemente desafiada por Timothy Williamson (2000).100 Esta é a teoria da não-analisibilidade do conhecimento (TNA). Ela vem opor-se a uma longa tradição na epistemologia contemporânea que, como vimos, privilegia a possibilidade de esse conceito ser analisado em termos conceitos aparentemente mais primitivos e claros. Esta secção é dedicada a inspeccionar a TNA bem como algumas réplicas.
Williamson oferece pelo menos três argumentos para sustentar a sua rejeição do projecto analítico, que designa por programa reducionista. O primeiro argumento procura estabelecer a conclusão de que o conceito de conhecimento e o conceito de crença verdadeira + X não podem ser o mesmo conceito (independentemente do que possa tomar o lugar de X na fórmula). O segundo argumento visa estabelecer que qualquer análise do conceito de conhecimento ou é, ou terá de ser, viciosamente circular. O terceiro argumento, que se apoia nas conclusões dos dois primeiros e na inspecção do percurso histórico do problema, procura estabelecer a baixa probabilidade de ser encontrada uma análise do conceito de conhecimento.
Passamos a inspeccionar o primeiro argumento a favor da TNA. Williamson pensa que o conhecimento é um estado mental, um estado semelhante, mas não igual, aos estados mentais factivos de ver, de acreditar (na verdade) ou de recordar. Sendo o conhecimento um estado mental, segue-se que o conceito de conhecimento é um conceito
100 Vide também Haddock & Millar & Pritchard 2010: capítulo 5, Jackson 2002: 517 e Harman 2002: 420.
de algo que é mental (Ibidem: 27). Trata-se, pois, para usar a expressão de Williamson, de um conceito mental. Já o estado de acreditar na verdade, quer dizer, o estado em que um agente está sempre que acredita numa proposição verdadeira, não é, segundo Williamson, um estado mental. Não o é porque é um estado constituído por uma componente mental, o estado mental de acreditar, e uma componente não-mental, a verdade da proposição que é alvo de crença. O conceito de acreditar na verdade, ou de crença verdadeira, não pode pois ser um conceito de algo estritamente mental, não podendo ser portanto um conceito mental tal como o é o conceito de conhecimento. O conceito de acreditar na verdade é, visto deste prisma, um conceito não-mental. Basicamente, Williamson pensa que...
álgoà ueàest àe aixadoà oà eioàdeàdoisàestadosà e taisà oàte àdeàse àu àestadoà mental (Ibidem)
Se o conceito de conhecimento é um conceito mental e o conceito de crença verdadeira é um conceito não-mental, segue-se que não podem ter a mesma extensão.
Uma vez que não há uma equivalência de extensões dos conceitos, pois o que cai sob a extensão de um conceito é sempre diferente do que cai sob a extensão do outro, então não é expectável encontrar satisfatória uma análise do conhecimento (Ibidem: 30).
Considere-se agora novamente a fórmula standard de uma análise do conceito de conhecimento:
Conhecimento é crença verdadeira + X
Co oà i osà so eja e teà a i a,à X à podeà se à su stituídoà po à diversas condições/propriedades justificação (deontológica, infal ível, evidencial, etc,), a da fiabilidade (genérica, de processos, da justificação, etc), a do princípio de segurança epistémica, a da aptidão de uma crença, a da garantia plantingiana, e por aí em diante. O leque de oferta é vasto e diversificado (como vimos também, conjuntos de condições podem tomar o lugar de X). Agora, se o argumento de Williamson estiver em ordem, é indiferente queà o dições/p op iedadesàto a àoàluga àdeà X à u aà ual ue àte tati aà de análise. É indiferente porque qualquer que seja a condição/propriedade que tome o lugar de X nessa análise, a extensão do conceito no analisandum e a extensão do conceito
no analisans ja aisàpode oàse àe ui ale tes.àLogo,à ual ue àfó ulaà fe hada à ueàte haà por base a fórmula standard a e ta àse àfalsa.
Quassim Cassam (2009) critica activamente este argumento de Williamson, ao qual se refere como o argumento dos dois conceitos distintos. A sua crítica bifurca-se. Cassam focaliza-se no problema do conceito, por um lado, e no problema do estado, por outro.
Quanto ao problema do conceito, a crítica de Cassam desenvolve-se a partir de um paralelo que estabelece entre o conceito de conhecer e o conceito de solteiro. Suponha-se que o conceito conhecer é do mesmo tipo que o conceito solteiro. Suponha-se também que procedemos para uma análise do conceito solteiro usando em conjunção os conceitos casado e o conceito homem. Temos então a seguinte análise:
Um solteiro é um homem não-casado.
Cassam alega que se a avaliação que Williamson faz acerca da impossibilidade de se analisar o conceito de conhecimento estiver correcta, então análises como um solteiro é um homem não-casado também não podem obter. Não podem, porque o conceito
Cassam alega que se a avaliação que Williamson faz acerca da impossibilidade de se analisar o conceito de conhecimento estiver correcta, então análises como um solteiro é um homem não-casado também não podem obter. Não podem, porque o conceito