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2. Dimensão Reflexiva – Parte I

2.3. Atuação

2.3.10. Outros aspetos importantes em contexto de 1.º CEB

Manipulação de materiais para concretizar aprendizagens

A manipulação de materiais é outro aspeto que deve ser tido em conta na promoção das aprendizagens dos alunos.

Compreendo que é necessário que progressivamente os alunos passem de um pensamento concreto para um pensamento abstrato, mas quando queremos efetivamente que as crianças destas faixas etárias compreendam o conteúdo que está a ser lecionado, e para as ajudar naquela transição, a utilização de material manipulável torna-se um recurso importante na medida em que os alunos podem concretizar o que está a ser dito e o seu pensamento sobre isso.

Em Matemática, por exemplo, a utilização do geoplano permitiu que os alunos compreendessem o conceito de área e o aplicassem nas suas próprias construções. Este exemplo que referi, como muitos outros experienciados na prática pedagógica em 1.º CEB poderiam reforçar esta ideia da importância da concretização com materiais manipuláveis e da necessidade de implementar atividades que os utilizem.

Comunicação e Partilha do raciocínio

Para além da partilha de ideias no trabalho colaborativo, como foi referido anteriormente, é também importante que os alunos aprendam a comunicar e partilhar os raciocínios, que construíram sozinhos, com os restantes colegas.

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A comunicação do raciocínio não é algo fácil como pude constatar. Segundo NCTM (2007, p. 143), “ser capaz de explicar o próprio raciocínio, enumerando razões, constitui uma competência extremamente importante no raciocínio formal (…)”. Nesta perspetiva considero a promoção da comunicação também uma importante componente a ter em conta. Para que esta capacidade evolua positivamente é necessário proporcionar situações que permitam aos alunos exporem o que pensaram, e que estes sejam questionados de forma a orientar o seu pensamento (o que fizeste primeiro?; porque é que fizeste isto?...). Assim, é importante que os alunos aprendam a partilhar as suas ideias/resultados com os colegas, ou seja, é necessário que o aluno consiga explicar o seu raciocínio, não só para que se aperceba de algumas falhas e da forma como estruturou o seu pensamento, mas também para que outros possam compreender que existem diferentes formas de pensar e de resolver exercícios e problemas:

O que acontece em turmas de 1º ciclo é que na maioria dos casos as crianças não estão no mesmo nível de raciocínio, sendo importante que as crianças o verbalizem, por um lado para o compreender na sua totalidade e por outro porque possibilita a outras crianças conhecer uma outra forma de resolução, podendo mesmo, para crianças com mais dificuldades, facilitar a compreensão do problema (2.ª Reflexão – 1.º CEB – Anexo II).

Cabe ao professor proporcionar tarefas, por exemplo de resolução de problemas, que permitam trocas de informação entre os alunos. É ainda papel do professor gerir e organizar as diferentes formas de pensar/raciocinar dos alunos, partindo dos pensamentos mais informais, para os mais formais, que pressupõem uma maior complexidade de raciocínio (Boavida (coord)., 2008).

Unidade de Surdos (Prática pedagógica em 3.º Ano)

A escola em que efetuei esta última prática pedagógica, é reconhecida pela existência de uma Unidade de Surdos (US). Apesar de não ter estado constantemente em contacto com estes alunos, sendo que frequentavam um espaço próprio na instituição, havia crianças surdas que integravam a turma em que me encontrava para a realização de algumas das atividades. Assim, uma das preocupações iniciais era como comunicar com estas crianças. Parte do tempo, estava com as crianças na sala uma professora de língua gestual portuguesa que lhes traduzia o que era comunicado oralmente. Quando não estava presente, a comunicação através de gestos também era eficaz, facilitada ainda com a capacidade de leitura labial destas crianças.

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Ultrapassado este receio inicial, surgiu-me uma curiosidade: Como é que os alunos (surdos e sem problemas auditivos) comunicavam entre si? Nesta experiência pude constatar que, apesar das crianças com problemas auditivos brincarem mais entre si, algo que é normal visto que constituíam os elementos da sua turma regular, estas não ficavam isoladas nas suas brincadeiras, comunicando com as restantes, ou seja, a comunicação não passa só por falar ou gesticular, o brincar, é por si só uma forma de comunicação.

Ainda relativamente a este tema, é notório o interesse das restantes crianças pela língua gestual, aprendendo-a em contexto de sala de aula, quando estava presente a professora atrás referida. Numa das observações realizadas durante o recreio foi possível comprovar este interesse, até mesmo nas suas brincadeiras, como é o exemplo real de duas crianças ouvintes, que se colocaram uma de cada lado de uma porta de vidro, comunicando utilizando a língua gestual portuguesa, tendo aí ficado durante quase todo o tempo que permaneceram no espaço exterior.

Estes casos de crianças com problemas auditivos podem ser encontrados em contexto de sala de aula, podendo não existir propriamente uma US na instituição, sendo que o professor deve ser flexível na sua forma de agir, de estar e de atuar junto das crianças, uma vez que todas merecem respeito e oportunidades de aprender.

Trabalho cooperativo entre professores

Ao longo da prática pedagógica em 1.º CEB (2.º e 3.º Anos) foi também observado um outro tipo de trabalho cooperativo, desta feita, entre professores. O ambiente criado entre os professores das escolas permitia esta cooperação, por exemplo, na construção de documentos oficiais, na partilha de ideias ou mesmo na partilha de recursos materiais. Este tipo de cooperação é fundamental, pois facilita a resolução de problemas, que possam advir da prática educativa de cada um, permitindo assim um desenvolvimento profissional, ou mesmo o desenvolvimento da sua identidade enquanto profissionais. Não estamos sozinhos e é essencial que estas partilhas existam, não só a nível formal – estabelecido pelo agrupamento/departamento – mas também a nível

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informal, fomentando um ensino diversificado, capaz de responder a todas as necessidades dos alunos:

As pessoas comunicam entre si nas organizações por uma ampla diversidade de razões. Algumas vezes, procuramos informações ou assistência de técnica. Outras, queremos saber se algumas pessoas do nosso grupo de trabalho têm a mesma opinião que a nossa. Outras vezes, apenas queremos partilhar a nossa experiência com os outros (Mitchell & Larson,

citado por Guerra, 2002, p. 55)