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CAPÍTULO VII – A VOZ DOS FORMANDOS

6. Outros aspetos referidos no discurso dos formandos

Para concluir o elenco de temáticas observadas no discurso dos formandos será ainda de fazer uma referência sumária a outros aspetos que emergiram do conteúdo das entrevistas e mereceram a nossa atenção.

Em primeiro lugar será de reportar o relato de alguns informantes que se aperceberam de grandes diferenças de competências TIC entre os formandos de algumas ações que frequentaram. Essa situação, referem, é um fator de perturbação do funcionamento da formação, porque faz com que numa formação que pretende desenvolver um conjunto de competências mais avançadas possam participar formandos que ainda não dominam as competências básicas. Isto reflete-se na atuação dos formadores, obrigando-os a ajustar a formação a níveis mais básicos, o que acaba por não ser muito motivador para os formandos que procuram essa formação na expectativa de poderem aprofundar os seus conhecimentos.

Os professores que aparentam possuir mais conhecimentos em TIC dizem ainda que a heterogeneidade de competências em TIC também se vai revelando nos próprios alunos, talvez pelo facto de na esfera da sua vida pessoal, poderem ter mais, ou menos, acesso às tecnologias e a tecnologias com qualidade. Nesse sentido, desmistificam a tese dos “nativos digitais” e defendem um reforço da integração das TIC no currículo.

Em relação à formação contínua de professores em TIC diz-se também que deve ser proporcionada de forma gratuita.

Finalmente, um entrevistado sugere que a formação em Administração Escolar contemple a sensibilização dos futuros diretores escolares para a promoção da utilização das TIC nas instituições que vierem a dirigir, preparando-os para gerir melhor este aspeto na vida das escolas.

7. Síntese dos aspetos mais importantes do capítulo

Concluímos este capítulo salientando os aspetos mais marcantes do conteúdo que emergiu das entrevistas realizadas aos quinze professores-formandos que frequentaram ações de formação contínua em TIC.

No que diz respeito à formação em TIC realizada ao longo do percurso profissional dos entrevistados, foi possível determinar que apenas alguns frequentaram formação de forma assídua nos últimos anos, inclusivamente no ano letivo de 2017/2018. Também é de salientar que algumas declarações sugerem que o facto de terem participado em formação em TIC com alguma regularidade não significa que utilizem efetivamente

177 as competências e os conhecimentos que adquiriram na formação. A situação inversa também se coloca, com pessoas que frequentaram pouca formação, mas que, de algum modo utilizam as TIC, com alguma regularidade, nas suas práticas profissionais, nomeadamente em sala de aula com os alunos.

Quanto aos temas abordados na formação, a maioria refere a frequência de formação em ferramentas Office, ou competências básicas em TIC, nomeadamente, formação em Microsoft Excel, Microsoft Word e PowerPoint. Alguns dizem ter realizado formação em quadros interativos e em plataformas, principalmente em Moodle. Outros referem a formação em construção de páginas web, a formação em aplicações móveis, ou utilização do telemóvel em sala de aula e em multimédia. Por último, surgem algumas referências a formação em tecnologia dirigida para áreas específicas de docência.

Quanto ao domínio relativo à satisfação dos formandos em relação à formação, a grande maioria dos entrevistados considerou o conhecimento dos formadores como “muito bom”, ou até mesmo como “excelente”. Também consideraram que a formação foi muito importante para melhorarem determinados procedimentos relativos ao seu trabalho com os alunos, quer isso se tenha refletido nas suas práticas em sala de aula e no trabalho direto com os alunos, contribuído para melhorar os processos de avaliação, ajudando a produzir melhores recursos educativos, melhorando o trabalho colaborativo entre professores e ajudado a aproximar os encarregados de educação.

Relativamente à temática sobre a alteração dos conhecimentos, atitudes e capacidades dos formandos que resultam da formação:

• A generalidade das declarações revela uma atitude muito positiva perante as tecnologias e os respondentes consideram que estas ocupam um lugar de extrema importância nos mais diversos aspetos do quotidiano;

• A maioria dos entrevistados referiu que muita da utilização que fazem desta tecnologia estará subordinada às solicitações profissionais, nomeadamente para pesquisar, produzir recursos educativos, comunicar com colegas e alunos, ou para planificar as atividades letivas e gerir a avaliação dos alunos; alguns entrevistados dizem que usam muito pouco as TIC no âmbito da sua vida pessoal;

• Os professores reconhecem vantagens pedagógicas na utilização das TIC nos processos de ensino e aprendizagem, defendendo que são importantes porque motivam os alunos, permitem ambientes de aprendizagem mais ativos, combinando diferentes tipos de recursos, como o áudio, o vídeo, ou

178 a multimédia, facilitam o acesso à informação, através do recurso à pesquisa na Internet e permitem a simulação virtual de exemplos práticos, que de outra forma não podiam ser experimentados nas aulas;

Quanto às alterações na organização do processo de ensino:

• Todos concordaram que a formação foi importante para melhorar as suas práticas de trabalho, embora as declarações deixem transparecer que em alguns casos isso não se tenha refletido diretamente no seu trabalho com os alunos;

• Dizem que as TIC mudaram significativamente a comunicação com os alunos para lá do espaço e tempo da aula, alteraram a comunicação na própria sala de aula, tornaram as aulas mais dinâmicas e possibilitaram a produção de melhores recursos educativos;

• Os equipamentos tecnológicos que os professores referem utilizar habitualmente no trabalho com os alunos são, sobretudo, o computador e o videoprojetor; alguns referem que recorrem aos telemóveis e muito poucos assumem trabalhar com os quadros interativos;

• Indicam que os programas mais usados com os alunos são: o Microsoft Word, para a produção de trabalhos, o PowerPoint, para visualização de apresentações, ferramentas para visualização de imagem e vídeo, correio eletrónico, para comunicação e envio de documentos e trabalhos, plataformas de trabalho colaborativo e partilha de recursos, aplicações para dispositivos móveis, maioritariamente para telemóveis, blogues e sítios Web, para pesquisa e consulta de informação;

• As razões mais invocadas para a preferência por estes equipamentos e programas são: tornam as aulas mais apelativas e mais dinâmicas, facilitando a aprendizagem;

• Para melhorar o trabalho com as TIC sugerem que se possa proporcionar mais e melhor formação, disponibilizar tempo no horário de trabalho dos professores para poderem frequentar a formação, rever os currículos, colocar mais equipamentos nas escolas, assegurar a sua manutenção e melhorar o acesso à Internet.

Relativamente à capacidade de aplicação dos conhecimentos adquiridos na formação no ambiente de trabalho:

179 • A generalidade dos professores considerou que o funcionamento da Internet é “lento” e com “muitas falhas”, ou que existem sítios nas escolas, nomeadamente nas salas de aula onde não é possível captar o sinal da rede; o que obriga os professores a conviver com a incerteza, a alterar os seus planos de aula no momento, confinando-os a socorrer-se de recursos mais tradicionais, ou sujeitando-os a descarregarem previamente todos os matérias digitais que pretendem utilizar e a armazená-los em dispositivos que possam transportar para a sala;

• Reporta-se que em muitas escolas há falta de equipamentos, especialmente de videoprojectores, de quadros interativos e de computadores; alguns manifestam que apesar da sua escola ter os equipamentos, o software encontra-se bastante desatualizado e há casos em que foram colocados computadores nas escolas, mas não forneceram os programas básicos para se poder trabalhar com eles;

• A falta de técnicos para fazer a manutenção e a falta de verbas para repor os equipamentos que vão avariando, ou ficando obsoletos, são outros problemas que são apontados como obstáculos à utilização das TIC; • Na maioria dos casos a utilização dos equipamentos em sala de aula é feita

pelo professor, usando o videoprojetor, ou o quadro interativo e declaram a existência de grandes limitações no que diz respeito à utilização das TIC com e pelos alunos, porque não existem equipamentos suficientes;

• Sugere-se a utilização dos telemóveis, afirmando que hoje em dia é possível fazer tudo com eles, na medida em que existem enumeras ferramentas para associar a estes dispositivos, com os quais os alunos estão bastante familiarizados; mas isso só será possível se as escolas passarem a permitir e a estimular essa utilização e sejam equipadas com um bom serviço de Internet;

• Refere-se que os aspetos do trabalho do professor que sofreram alterações por efeito da formação em TIC, foram principalmente as alterações na comunicação e nas dinâmicas organizacionais; mas vários informantes referem que as condições de trabalho dos docentes, que não permitem o tempo desejado para praticar e explorar as TIC.

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