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Um masculino subjetivado e transtornado: a terapia da dor, o agenciamento de códigos sociais e outras masculinidades

2. Outros [com] textos: subjetividades trans-formadas

[...] o sujeito perdura por meio de um continuo romper-se, mas esse não é um evento negativo...

(MARCUS DOEL)232

O corpo feminino na contemporaneidade está sendo redesenhado por novos saberes, o que significa que a pedagogia do corpo feminino para ser virgem e fiel, por exemplo, tem perdido sua utilidade. Como exemplo de novos saberes, temos os escritos feministas, as lutas das mulheres pela igualdade de gênero, a revisão do saberes médicos e jurídicos sobre o corpo feminino, as inovações tecnológicas, o envolvimento político e acadêmico de homens, formando grupos de estudos e escrevendo sobre masculinidades233; o descentramento do sujeito considerado centrado e como centro da sexualidade; a fragmentação da matriz heterossexual; as múltiplas experiências do sujeito e sua sexualidade e também, pela formação das subjetividades contemporâneas, como uma ‗técnica de si‘, uma disciplina de si, diferente do exercício de poder, o qual era exercido como uma disciplina sobre a ação do outro. Na contemporaneidade, particularmente, a partir do final do século XX funciona ―[...] da maneira com os sujeitos lidam com sua própria subjetividade (ALVIM, 2010, p.195).234 De forma que, o exercício da masculinidade foi afetado e afetou práticas de relacionamento, produção de identidades, modelos de condutas e as formas de controle social.

232 Corpos sem órgãos: esquizoanálise e desconstrução In Nunca fomos Humanos. Nos rastros do sujeito/ org. e tradução/Tomaz Tadeu da Silva...Belo Horizonte: Autentica, 2001.

233

Entre tantos estudos, cf. as seguintes obras: A construção social da masculinidade (2004); A desconstrução do masculino (1995); O mito da masculinidade (1995); O discurso da dominação masculina; Homens e masculinidade – Outras palavras (1998); Homens: tempos, práticas e vozes (2004); Homens - Comportamento Sexualidade e Mudanças (1997); Masculinidades (2004); Homens- Sexualidades ,- Direitos e Construção da Pessoa (2004) Cf. Bibliografia completa nas referências bibliográficas. Além de inúmeras publicações em periódicos e os trabalhos sobre gênero que inclui a discussão sobre a masculinidade.

234Alvim, Davis M. Pensamento indomado: História, poder e resistência em Michel Foucault e Gilles Deleuze, 2010 disponível no site <www.ufes.br/.../Dimensoes%2024%20- %209%20%20Davis%20M%20Alvi... >Visitado maio de 2011.

Os saberes na contemporaneidade vieram confrontar-se com outros dispositivos discursivos que até então vinham dando sentido à ‗condição‘ feminina. Um exemplo, foram os escritos feministas produzidos para repulsar as teses naturalistas, em particular, aquelas sobre a condição inferior feminina, a partir do corpo da mulher, o que de acordo com Aran (2003),235―[...] abriu um leque de possibilidades para pensar o que o sujeito pode se

tornar [...] (p.400)‖.As teses médicas, com destaque para a reprodução e a inferioridade do

sexo feminino, construídas durante o século XVIII e o século XIX, algumas delas citadas e comentadas nos capítulos anteriores236, aos poucos foram sendo desnaturalizadas por outros saberes e experiências, e junto com elas, foi sendo fragmentado ―[...] o projeto de tornar universal o modelo da dominação masculina (ARAN, 2003, p.398).‖

A tese que ‗o destino da mulher era a maternidade‘, entrou em colapso com a ‗liberdade sexual‘ e com o surgimento da pílula anticoncepcional, contribuindo para que o corpo feminino fosse transitado e transitasse por novas significações. A pílula proporcionava e ainda proporciona a mudança nas relações de poder que funciona nas relações de gêneros, pois a mulher pôde decidir se desejava ou não ter filhos e passou a pulverizar as subjetividades de que o destino da mulher era a maternidade.

Seja com a ajuda do planejamento familiar ou recorrendo às diferentes técnicas destinadas a impedir a fecundação – dispositivos intra-uterinos, pílula, aborto- as mulheres conquistaram, ao preço de lutas difíceis, direitos e poderes que lhes permitiram não apenas reduzir a dominação

masculina, mas inverter seu curso (ROUDINESCO, 2003, p.150/151)237.

Se a divulgação e o incentivo do uso anticoncepcional pelo o Estado, funcionava para controlar a população, envolvia interesses de mercado238, e afetava o corpo feminino, por outro lado, contribuiu para que a mulher afetasse o funcionamento do poder que envolvia o controle sobre o seu corpo, na medida em que ela passou a olhar e cuidar de si. A mulher, se quisesse, podia tomar a pílula escondida do marido, do namorado, do pai e

235Arán Márcia. Os destinos da diferença sexual na cultura contemporânea Estudos Feministas, Florianópolis,

11(2): 360, julho-dezembro/2003.

236 Algumas delas discutidas no primeiro capítulo. 237

Roudinesco, Elizabeth. A família em desordem. Tradução André Telles.- Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. 2003)

238 “[...] a comercialização e o uso da pílula não respondem apenas a um desejo feminino, mas o que se tem por trás é uma rede de interesses de diferentes atores, entre eles os ginecologistas, a indústria farmacêutica e os organismos internacionais interessados em controlar a natalidade, principalmente nos países menos desenvolvidos Cf. ―Pílula muda papel social da mulher‖ Disponível no site

também do amante. ―Mais uma vez, nos anos 60 e 70 do século passado, assistimos a um certo deslocamento das mulheres que tinham a maternidade como destino, provocado pela possibilidade concreta de separar a sexualidade da reprodução, com o advento da pílula contraceptiva (ARAN, 2003, p.404)‖.

Era uma forma de cuidar de si, pela preservação do seu corpo das ações de fora, era ―[...] a luta contra os dispositivos que interpretam e controlam as relações dos indivíduos consigo mesmo

(

ALVIM, 2010, p.198). Possivelmente, nos anos 70, 80 e 90 do século passado, muitas mulheres tomaram a pílula, ‗inconscientes‘ desta prática de cuidar do seu próprio corpo e de que esta era uma ação que separava a sexualidade da reprodução, mas também, o contrário foi vivenciado. Essa experiência feminina foi registrada em vários textos, inclusive na música, e provocou no masculino uma dor subjetiva. A música do cantor Odair José239, por exemplo, com o título ‗Pare de tomar a pílula‘ é uma delas. O refrão da melodia, abaixo, ―Pare de tomar a pílula..., porque ela não deixa o nosso filho nascer‖ era um indicativo de que a mulher estava tendo outra relação com o seu corpo e como efeito produzia angústias e dor para o exercício da masculinidade hegemônica.

Pare de tomar a pílula Odair José

Já nem sei há quanto tempo Nossa vida é uma vida só

E nada mais Nossos dias vão passando

E você sempre deixando Tudo pra depois Todo dia a gente ama Mais você não quer deixar nascer

O fruto desse amor Não entende que é preciso Ter alguém em nossa vida

Seja como for Você diz que me adora Que tudo nessa vida sou eu

Então eu quero ver você Esperando um filho meu

239

Odair José é Goiano, nasceu em 1948 e fez grande sucesso nos anos 70 aos 90, e entre outras composições ficou famoso com a música ―Pare de tomar a Pílula‖. ―Em estilo brega e de forte apelo popular, esta musica foi censurada pelo governo brasileiro pelo suposto entendimento de que a canção fazia propaganda contrária à distribuição das tais pílulas para o controle de natalidade. Disponível no site

Então eu quero ver você Esperando um filho meu Pare de tomar a pílula Pare de tomar a pílula Pare de tomar a pílula

Porque ela não deixa o nosso filho nascer (3x) Você diz que me adora

Que tudo nessa vida sou eu Então eu quero ver você Esperando um filho meu Então eu quero ver você Esperando um filho meu

É bem verdade que do ponto de vista teórico, os estudos feministas já defendiam a tese da separação entre a reprodução e a feminilidade. Nos estudos de Beauvoir, segundo Roudinesco, (2003, p.143) ela já separava a ―[...] feminilidade da maternidade, o ato carnal da procriação, o desejo da reprodução. A criação do anticoncepcional ―[...] quase que imposta aos seus corpos, como também passou a exercer o ato da escolha de ter ou não filhos (ARAN, p.404),‖ o que, contribuiu para pulverizar o ‗lugar‘, considerado como natural de mãe e esposa na família e nas relações de gêneros.

Além disso, lembra Roudinesco (2003) as mulheres ―[...] podiam recusar, se assim o decidisse, o próprio principio de transmissão. Haviam adquirido o direito de se tornar estéreis, libertinas, namoradas de si mesmas, sem incorrer nos riscos de uma condenação moral ou de uma justiça repressora (p.153/155).

O corpo da mulher passou foi inscrito por outras representações para viver o desejo e a sexualidade. Não era só a concepção de maternidade como um destino último e único da mulher que estava em processo de dissolução, mas a noção de família nuclear estava sendo fragmentada. O núcleo da família nuclear foi rasurado e borrado, com mais intensidade depois da segunda guerra mundial através de várias interdições discursivas, por práticas indisciplinares e pelas modificações da lei. Um exemplo, foia aprovação da lei do divórcio, a qual contribuiu para que a família fosse gradualmente se afastando do tipo casamento convencional. O casamento como um rito festivo deixou de ser o ato fundador e único da celular familiar (RUDINESCO, 2003, p.153) e apareceram novos arranjos familiares como as famílias monoparentais, homoparentais, adotivas, recompostas, concubinárias, temporárias, de produções independentes, e tantas outras (CECCARELLI, 2007)240.

240Ceccarelli, Paulo Roberto. Novas configurações familiares: Mitos e verdades. Jornal de Psicanálise, São Paulo, 40(72): 89-102, jun. 2007.

Assim, como os homens, [as mulheres] podiam procriar filhos de diversos leitos e fazê-los coabitarem em famílias ditas ―co-parentais‖, ―recomposta‖, ―biparentais‖, ―multiparentais‖, ―pluriparentais‖ ou ―monoparentais‖ (RUDINESCO, 2003, p. 155).

Outra modificação na formação da família nuclear foi a inserção mais intensa da mulher no mercado de trabalho após a segunda guerra mundial, alterando o funcionamento das relações poder nos vínculos familiares e entre os gêneros. Segundo o DIEESE241 -

DEPARTAMENTO INTERSINDICAL DE ESTATÍSTICA E ESTUDOS SÓCIO- ECONÔMICOS- de 1989 até 1996, a taxa de participação feminina no mercado de trabalho cresceu 8,9%, enquanto a masculina caiu 3,6%. Neste novo século, a partir dos dados do IBGE, segundo o Jornal Folha de São Paulo:242, as mulheres:

[...] representaram 45,1% da população ocupada em 2009, ou seja, 9,6 milhões de mulheres estavam empregadas nas seis regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE. Em relação a 2003, a participação delas cresceu 20,4%. Naquele ano, as mulheres significavam 43% (8 milhões de pessoas) da população ocupada (Folha de São Paulo-2010).

Outras práticas do masculino e do feminino alteraram os ‗papéis‘ que haviam sido prescritos para a família nuclear, como o cuidar das crianças e da alimentação, a orientação educacional, entre tantas outras, que eram representadas como naturais da mulher. Na contemporaneidade, estes tipos de atividades têm sido compartilhadas, em muitas famílias ou em arranjos familiares, embora como afirmam Wagner, Predebon, Mosmann, Verza (2005),243 ―[...] a divisão das tarefas domésticas, criação e educação dos filhos parecem não acompanhar de maneira proporcional as mudanças decorrentes da maior participação da mulher no mercado de trabalho e do sustento econômico do lar (p. 182).‖

Outra modificação importante que fragmentou a família nuclear foi o enfraquecimento do seu valor moral, que tanto era a base de sua prática pedagógica, como por através deste valor, a família era reconhecida, como uma instituição higiênica e defensora da civilização, ou seja, era o processo de desaparecimento gradual da própria

241

Cf. DIEESE – DEPARTAMENTO INTERSINDICAL DE ESTATÍSTICA E ESTUDOS SÓCIO ECONÔMICOS. Disponível no site http://www.dieese.org.bre visitado em Dezembro de 2010.

242Cf.Folha de São Paulo [online] “Mercado de trabalho tem cada vez mais mulheres, diz IBGE” - Cirilo

Junior- Rio-28/01/2010. Qui, 28 de Janeiro de 2010-12:07. Disponível no site

http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u685848.shtmlvisitado em 09/02/2011.

243Wagner, Adriana; Predebon, Juliana; Mosmann, Clarisse and Verza, Fabiana. Compartilhar tarefas? Papéis e funções de pai e mãe na família contemporânea. Psic.: Teor. e Pesq. [online]. 2005, vol.21, n.2, pp. 181-186. ISSN 0102-3772

existência dos valores da honra familiar. Um dos primeiros golpes dado nos valores da honra foram as lutas das mulheres pelo fim da ‗legitima defesa da honra‘, a qual era acionada pelos homens, quando traídos.

Esse movimento, associado às exigências sociais pelo fim da violência contra mulher, contribuiu para que no dia 08 de março de 2005 fosse alterado244o código penal, pela supressão do art. 240, pelo o qual, afirmava ser o adultério um crime contra o valor da honra245. Em 7 de agosto de 2006, foi sancionada a lei n° 11.340 [Lei Maria da Penha] que criou mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher246.

Um segundo golpe, diz respeito às diversas formas como os homens têm exercido suas masculinidades, pulverizando os códigos que contribuíam para o funcionamento da masculinidade hegemônica. Um homem que expressa os sentimentos, que afirma já ter ‗brochado‘; que do ponto de vista da força, ‗afrouxa‘; que quando é traído pela mulher a perdoa; que prefere a conversa, o diálogo em vez do o uso de armas, que faz terapia da dor etc. etc. Esse é, para masculinidade hegemônica, um homem desvirilizado, fraco, medroso, desmoralizado e feminizado, portanto, sem honra.

Um terceiro golpe, não diretamente sobre os valores da honra, diz respeito às transformações que permitiram a crise do controle social disciplinar e as novas produções de subjetividades na sociedade contemporânea, o que não comportaria a defesa do valor da honra. A manutenção do valor da honra masculina, no que diz respeito ao controle social, exige o bom funcionamento do poder das instituições, como a família e o judiciário

244 Esse projeto foi deautoria da deputada Iara Bernardi (PT-SP), que apresentou as propostas de mudança no Código Penal em relação aos crimes contra a mulher em março de 2003.A nova lei também retira o qualificativo "honesta" da expressão "mulher honesta", prevista em vários artigos. Cf. Nova lei derruba defesa da honra- OESP- disponível no site

http://www.violenciamulher.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=832&catid=19:reporta gens-artigos-e-outros-textos&Itemid=6 visitados em 14/12/2010.

245 A partir de 2007, há várias modificações tanto na reorganização das interpretações sobre os crimes associados a honra (perda de virgindade e adultério) como nas interpretações jurídicas sobre eles. Em 07 de agosto de 2009, com a lei n° 12. 015 há alterações significativas no Código Penal, desta vez inclusive com a mudança de titulo sobre a temática: ―Dos crimes contra a dignidade sexual‖ e ―Dos crimes contra a liberdade sexual,‖ saindo o valor da honra sexual dos dispositivos jurídicos.

246Cf. Presidência da República. Casa civil para assuntos jurídicos. Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006 disponível no sitehttp://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/l11340.htm. Visitado em 09 de janeiro de 2011. O nome da lei como „Maria da Penha” foi em homenagem a uma mulher que foi agredida pelo marido durante seis anos. Em 1983, por duas vezes, ele tentou assassiná-la. Na primeira, com arma de fogo, deixando-a paraplégica, e na segunda por eletrocução e afogamento. O marido de Maria da Penha só foi punido depois de 19 anos de julgamento e ficou apenas dois anos em regime fechado. Em razão desse fato, o Centro pela Justiça pelo Direito Internacional e o Comitê Latino-Americano de Defesa dos Direitos da Mulher (Cladem), juntamente com a vítima, formalizaram uma denúncia à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, que é um órgão internacional responsável pelo arquivamento de comunicações decorrentes de violação desses acordos internacionais. Cf.

baseado na normalidade, para fazer funcionar a moralização social. Ocorre, porém, segundo Deleuze, estamos vivendo outra forma de controle social.

O século XX, a partir dos estudos realizados por Foucault, vivenciou a culminância da sociedade disciplinar, mas também o seu desgaste, através das crises das instituições247e das práticas disciplinares, pelas quais, o controle social funcionava através da disciplinarização e do processo de normatização social.248A disciplinarização, do ponto de vista das subjetividades, funcionava pelo o controle da ação sobre o outro, que era a vigilância sobre o comportamento para fazer funcionar a norma. O sistema jurídico quando acionado, deveria interferir para reparar, através do sistema penal, o dano social causado pelo o individuo à norma social, assim funcionava o controle social

disciplinar. A transgressão, por exemplo, do valor da honra, através da experiência da infidelidade feminina, era considerada, uma anormalidade social; assim, os valores da honra tinham que ser defendidos para que, pela disciplinarização dos indivíduos, o controle social funcionasse pela normalidade.

Gilles Deleuze (1992)249, afirma estamos vivendo uma sociedade diferente da disciplinar, ―[...] São as sociedades de controle que estão substituindo as sociedades disciplinares[...](p.219)‖operacionalizadas por máquinas, através das inovações tecnológicas, como o celular, as redes sociais, o GPS, o computador e uma infinidade de técnicas de controle. Segundo, Moraes & Nascimento (2002).250

O controle social já não pode operar apenas pela norma. É importante a criação de outros mecanismos eficazes de comando, que consigam ser eficientes, econômicos e apropriados ao movimento de transformação imposto pela multidão (p.94).

O funcionamento social na contemporaneidade, segundo Deleuze (1992), ocorre pelo o marketing como o instrumento de controle, funcionando em curto prazo (p. 223) e ―Não se está mais diante do par massa-indivíduo. Os indivíduos tornaram-se "dividuais", divisíveis, e as massas tornaram-se amostras, dados, mercados ou "bancos" (p. 220). Essa mudança social também contribui para outra forma de produção de subjetividade. O

247

Como por exemplo, a família, o hospital, o sistema jurídico e carcerário, etc. 248 Questão já discutida no capitulo anterior.

249Deleuze, Gilles. Post-scriptum sobre as sociedades de controle In Conversações: Tradução de Peter PálPelbart-1972-1990. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1992, p. 219-226.

250

Thiago Drumond Moraes, Nascimento, Maria Lívia do. Da norma ao risco: transformações na produção de subjetividades contemporâneas. Psicologia em Estudo, Maringá, v. 7, n. 1, p. 91-102, jan./jun. 2002.

individuo está produzindo uma técnica para olhar para si, e não sobre a ação do outro, em outras formas de poder, como afirma Sargentini e Navarro-Barbosa (2004, p. 93).

Diante dessa constatação realizada por Deleuze e pelas transformações já colocadas acima, os valores da honra estão enfraquecidos, possivelmente, se alojando em espaços familiares, onde a masculinidade hegemônica, não tem mais este poder de hegemonia, mas ainda é exercida. Os valores da honra estão com dificuldades de serem defendidos, pois as instituições, que deveriam zelar por ela, como a família, e defendê-la, como o judiciário, estão se modificando, praticando outras formas de controle social para outros valores. Já se pratica os crimes e o direito virtual. O Estado cria mecanismos de comunicação social, através da rede. A justiça utiliza de várias tecnologias, como o GPS, os Chips utilizados no corpo do individuo, e tanto outros, como um controle técnico, para localizar outros tipos de crimes de sociedade baseada no virtual.

É neste [com] textos das transformações, pelas quais eu não vou encontrar a defesa da honra, mas homens traídos falando da sua dor e praticando outras formas de masculinidades. No Brasil, há diversas Associações de Cornos,251 as quais tem subsidiado material para reportagens de Jornais, noticiário na TV e estudos como este. Criar Associação de Cornos é uma forma de exercer a masculinidade pela sensibilidade, pelo agenciamento de novos códigos sociais e culturais, mas também, pelo marketing, como instrumento rápido, passageiro e modificado, típico da sociedade contemporânea, como afirma Deleuze.

A associação pesquisada para esta tese é a CORNOLÂNDIA em João Pessoa-Pb252. As experiências na CORNOLÂNDIA são diferentes daquelas vividas por alguns homens nos bares, particularmente, nos anos 50 e 60 do século XX, os quais afogavam o sofrimento e dor da traição na música e na poesia. Para (MATOS, 2001, p.52)253, eles

251ASCRON- Associação de Corno de Rondônia- http://www.ascron.com.br/Cf. reportagem sobre ASCRON

no site: http://fantastico.globo.com/platb/melevabrasil/category/bastidores/ ASSOCIAÇÃO DE CORNOS POTIGUAR http://grandeponto.blogspot.com/2006/08/ojuara-e-associao-dos-cornos.html (entrevista ao Presidente da Associação dos Cornos Potiguar no ―O Mossoroense”, em 13 de agosto de 2006). ASSOCIAÇÃO DOS CORNOS DE CAPÃO DA CANOA-RG DO SUL E REGIÃO. Cf. site do blog:

http://accc-rs.blogspot.com/A ASSOCIAÇÃO DOS HOMENS MAL AMADOS DO CEARÁ, cf

sitehttp://coisadecearense.blogspot.com/2010/03/associacao-dos-cornos-do-ceara.html, visitados em agosto de 2009. A CORNOLANDIA – Cf. Reportagem do Jornal da Paraíba- Eles são mais felizes na ―Cornolândia‖, Paraíba, domingo, 30 de março de 2008. Caderno n° 7.

252

Associação de Cornos – CORNOLÂNDIA – está situada no mercado do bairro da Torre em João Pessoa – Pb e funciona em uma barraca que tem o nome de ‗Encontro dos Cornos‘- Seu presidente é o Sr. Carlos Corno dos Santos.

253

Matos, Maria Izilda Santos de. Por uma história das sensibilidades: em foco – a masculinidade - História: Questões & Debates, Curitiba, n. 34, p. 45-63, Editora da UFPR, 2001.

confessavam ―[...] suas angústias, medos, fraquezas, dores e desejos‖ o que eu prefiro dizer, que eles produziam um tipo de dor, em um espaço, no qual, podiam culturalmente

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