5. As redes associativas das EEC – concentração dos sectores, dos actores e dos
5.12. Pólo de Competitividade e Tecnologia da Energia
Tendo em conta os sectores de actividade considerados para o Pólo de Competitividade e Tecnologia da Energia, são apenas 4 as NUTS III que apresentam um valor de quociente de localização superior a 1, havendo mais uma que chega à unidade. Destas 5 sub-regiões, apenas o Grande Porto é alvo de investimento no
67
âmbito da rede associativa do pólo. Para além disto, regista-se que a EEC tem um número reduzido de associados, apenas 16. A Grande Lisboa é a NUTS III que concentra a maioria de associados (8) e é também, a seguir à Península de Setúbal, a que apresenta os maiores níveis de concentração dos sectores considerados, tendo em conta os quocientes de localização. Apesar disto, estas duas NUTS III não registam investimentos no QREN no âmbito da rede associativa, o que pode ser explicado pela questão das limitações da NUTS II de Lisboa em beneficiar de fundos comunitários. Assim, conclui-se que o pólo apresenta um ajustamento territorial insuficiente, em termos da relação entre a incidência da rede associativa e as sub-regiões com maiores concentrações espaciais dos sectores enquadráveis.
Quadro 13 – Dados, por NUTS III, relativos ao pessoal ao serviço das empresas e quocientes de localização, tendo em conta os sectores de actividade enquadráveis, e ao investimento na rede
associativa do Pólo de Competitividade e Tecnologia da Energia
NUTS II NUTS III
Pessoal ao serviço das empresas (%) [2012] Diferença de pessoal ao serviço das empresas, entre 2006 e 2012 (%) Investimento Elegível Aprovado (%) Investimento Elegível Aprovado para os Sistemas de Incentivos (%) Quociente de Localização (2012) Norte Minho-Lima 7,19 1,72 - - 1,00 Cávado 4,99 1,36 - - 0,69 Ave 3,53 1,15 - - 0,49 Grande Porto 8,36 1,62 68,07 68,07 1,16 Tâmega 2,78 0,87 - - 0,39
Entre Douro e Vouga 4,46 1,43 - - 0,62
Douro 4,86 0,50 - - 0,67 Alto Trás-os-Montes 3,81 0,16 - - 0,53 Centro Baixo Vouga 6,98 1,73 17,50 0,00 0,97 Baixo Mondego 7,76 0,19 - - 1,08 Pinhal Litoral 5,70 1,37 - - 0,79
Pinhal Interior Norte 3,17 0,45 - - 0,44
Dão-Lafões 5,82 0,50 - - 0,81
Pinhal Interior Sul 3,23 0,73 - - 0,45 Serra da Estrela 3,84 1,33 - - 0,53 Beira Interior Norte 3,92 0,65 - - 0,54 Beira Interior Sul 4,08 0,55 - - 0,57 Cova da Beira 4,02 0,85 0,31 0,31 0,56
Oeste 5,97 0,81 - - 0,83
Médio Tejo 5,54 2,55 - - 0,77
Lisboa Grande Lisboa 10,02 1,53 - - 1,39 Península de Setúbal 10,20 2,04 - - 1,42 Alentejo
Alentejo Litoral 4,51 0,61 - - 0,63
Alto Alentejo 4,81 0,71 - - 0,67
68
NUTS II NUTS III
Pessoal ao serviço das empresas (%) [2012] Diferença de pessoal ao serviço das empresas, entre 2006 e 2012 (%) Investimento Elegível Aprovado (%) Investimento Elegível Aprovado para os Sistemas de Incentivos (%) Quociente de Localização (2012) Baixo Alentejo 4,87 0,93 14,13 0,00 0,68 Lezíria do Tejo 1,36 0,39 - - 0,19 Algarve Algarve 5,27 0,16 - - 0,73
Fonte: INE (2006 e 2012), QREN (2007–2013) e cálculos próprios
Segundo o Estudo de Avaliação dos Clusters (SPI e inno TSD, 2013), considerando o total de empresas dos sectores de actividade enquadráveis (em 2010), observa-se que as empresas do pólo empregam 4,3% dos trabalhadores, representam apenas 0,1% do número de empresas e registam 64,9% do volume de negócios, um valor muito elevado e contrastante com os outros dois indicadores. Isto significa que o pólo tem uma abrangência muito limitada em termos de número de empresas (o que se reflecte também no reduzido número de associados), mas consegue incluir duas empresas líderes que, como vamos ver nos parágrafos seguintes, centralizam a maioria do investimento destinado ao conjunto da rede associativa.
Remetendo para a questão das limitações de Lisboa em acederem a fundos comunitários, temos o caso da empresa EDP, que é uma entidade com sede em Lisboa, mas que beneficia da segunda maior parcela de investimento, por causa da promoção de 2 projectos de aplicação multiregional – sendo um deles de âmbito relativo à NUTS II do Norte –, que correspondem a 33,9% do investimento elegível total na rede associativa. Um destes 2 projectos – o multiregional do Norte – é o mais caro de todos os realizados por associados do pólo e regista 31,4% do investimento elegível total. Trata-se de uma operação apoiada pelo SI I&DT, designa-se de InovGrid e tem como objectivo o desenvolvimento de um novo paradigma de distribuição eléctrica, através de redes eléctricas inteligentes.
É de referir também que, do grupo de 16 associados do pólo, apenas 5 beneficiam de investimento elegível em projectos considerados para o contexto da EEC. Destes 5, a empresa Efacec - Engenharia e Sistemas, com sede na Maia, é a entidade que regista o maior investimento elegível, com 46,8% do total de investimento na rede associativa, correspondendo isto a um conjunto de 10 projectos (50% do total), onde 2 deles têm âmbito multiregional (um deles em relação à NUTS II do Norte) e os restantes têm incidência no Grande Porto. Isso faz desta sub-região, mesmo só registando operações de 1 associado, a que beneficia dos maiores níveis de investimento, com 68,1% de investimento elegível com incidência regional.
As outras NUTS III que apresentam uma parcela significativa de investimento têm ambas valores de quociente de localização inferiores a 1. São elas o Baixo Vouga, ainda que com um QL próximo de 1 (0,97) e o Baixo Alentejo. A primeira conta com 17,5% do investimento com incidência regional por causa de apenas 1 projecto, não promovido por um associado, mas sim pela Entidade Gestora do pólo. Trata-se de uma operação designada de Criação e Gestão do Pólo de Competitividade e Tecnologia da Energia e
69
desenvolvida pelo Apoio a Acções Colectivas. No que diz respeito ao Baixo Alentejo, verifica-se o benefício de 14,1% do investimento elegível com incidência regional, correspondendo a 4 projectos da empresa Lógica – Sociedade Gestora do Parque Tecnológico de Moura, realizados no âmbito das tipologias de Apoio a Infra-estruturas Científicas e Tecnológicas, Apoio a Parques de Ciência e Tecnologia e Incubadoras de Empresas de Base Tecnológica e Energia.
Exceptuando o já referido caso das duas NUTS III de Lisboa, e apesar de, como também já foi referido, serem poucas as NUTS III do país que indiciam uma concentração assinalável do sector, verifica-se a existência de 1 sub-região, o Baixo Mondego, com um quociente de localização superior a 1, que não participa na rede associativa do cluster, não contando mesmo, ao contrário do que acontece com a Grande Lisboa e a Península de Setúbal, com nenhum associado.