5. As redes associativas das EEC – concentração dos sectores, dos actores e dos
5.14. Pólo de Competitividade e Tecnologia da Saúde
Considerando os sectores de actividade enquadráveis do Pólo de Competitividade e Tecnologia da Saúde, identificam-se 6 sub-regiões do país com quocientes de localização superiores a 1. Destas 6 NUTS III, as 3 mais importantes são alvo da incidência da rede associativa. Por sua vez, 2 das 3 constituem-se como as que beneficiam das maiores parcelas de investimento na rede. Em primeiro lugar, o Grande Porto, e, em segundo lugar, o Baixo Mondego, que é a NUTS III do país com o maior valor de quociente de localização. Por outro lado, a Grande Lisboa, apresentando o segundo maior quociente de localização do país, apesar das suas limitações em termos de fundos comunitários, ainda beneficia de uma pequena parcela do investimento na rede associativa, sendo de referir também que é esta a NUTS III que localiza o maior número de associados (53). Portanto, num contexto em que há poucas sub-regiões no país relevantes para as actividades consideradas, no global, conclui-se que o pólo tem um ajustamento territorial bom, em termos da relação entre a incidência da rede associativa e as sub-regiões com maiores concentrações espaciais dos sectores enquadráveis.
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Quadro 15 – Dados, por NUTS III, relativos ao pessoal ao serviço das empresas e quocientes de localização, tendo em conta os sectores de actividade enquadráveis, e ao investimento na rede
associativa do Pólo de Competitividade e Tecnologia da Saúde
NUTS II NUTS III
Pessoal ao serviço das empresas (%) [2012] Diferença de pessoal ao serviço das empresas, entre 2006 e 2012 (%) Investimento Elegível Aprovado (%) Investimento Elegível Aprovado para os Sistemas de Incentivos (%) Quociente de Localização (2012) Norte Minho-Lima 3,59 1,83 - - 1,13 Cávado 2,26 0,38 11,34 0,15 0,71 Ave 2,23 0,57 0,70 0,35 0,70 Grande Porto 3,99 0,98 65,69 50,57 1,25 Tâmega 1,55 0,45 0,04 0,04 0,49
Entre Douro e Vouga 1,54 0,29 - - 0,48
Douro 2,34 0,04 - - 0,73
Alto Trás-os-Montes 2,34 -0,14 - - 0,73 Centro Baixo Vouga 3,15 0,78 1,30 0,15 0,99 Baixo Mondego 4,56 0,53 16,41 4,51 1,43
Pinhal Litoral 3,27 0,52 - - 1,03
Pinhal Interior Norte 1,72 0,27 - - 0,54
Dão-Lafões 3,77 0,49 - - 1,18
Pinhal Interior Sul 1,23 0,15 - - 0,39 Serra da Estrela 1,02 -0,38 - - 0,32 Beira Interior Norte 1,92 -0,22 - - 0,60 Beira Interior Sul 2,21 -0,13 - - 0,69 Cova da Beira 2,58 0,60 1,59 0,00 0,81
Oeste 2,18 0,16 0,27 0,27 0,68
Médio Tejo 1,92 0,00 - - 0,60
Lisboa Grande Lisboa 4,10 -0,13 2,46 1,51 1,29 Península de Setúbal 2,96 0,11 - - 0,93 Alentejo Alentejo Litoral 1,53 0,01 - - 0,48
Alto Alentejo 1,71 0,08 - - 0,54
Alentejo Central 1,83 -0,04 0,22 0,22 0,57 Baixo Alentejo 1,67 -0,01 - - 0,52 Lezíria do Tejo 2,28 0,39 - - 0,72
Algarve Algarve 1,92 -0,06 - - 0,60
Fonte: INE (2006 e 2012), QREN (2007–2013) e cálculos próprios
Segundo o Estudo de Avaliação dos Clusters (SPI e inno TSD, 2013), considerando o total de empresas dos sectores de actividade enquadráveis (em 2010), observa-se que as empresas do pólo empregam 26,9% dos trabalhadores, representam apenas 0,6% do número de empresas e registam 22,1% do volume de negócios. Logo, apesar de a rede associativa incluir um número reduzido de empresas em relação ao total das actividades consideradas, ela tem uma importante abrangência em termos de quantidade de trabalhadores e de presença de empresas líderes.
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Tendo em conta a capacidade de abrangência da rede, é importante ter em conta o seu potencial para a definição das dinâmicas de evolução da concentração dos sectores enquadráveis. Neste sentido, verifica-se que, das NUTS III com valores de quociente de localização superiores a 1, a Grande Lisboa, não tendo sido alvo das principais parcelas de investimento, é a única que apresenta um decréscimo da percentagem de pessoal ao serviço das empresas, e o Grande Porto, tendo sido a sub- região que centralizou mais investimento, é, daquelas onde incidiu a rede associativa, a que tem o maior crescimento positivo. Por outro lado, encontramos o Minho-Lima que, não contando com nenhum associado do pólo, é, de todas as NUTS III, a que regista o maior crescimento.
No conjunto de associados do pólo, para além das empresas, que contam com a maioria do investimento elegível (58,5% do investimento total na rede associativa), existe um papel significativo das instituições de I&DT e assistência tecnológica, com 27,0% do total de investimento elegível, a juntar também às instituições de ensino superior e formação profissional, com 12,3%. Esta relevância partilhada por diferentes tipos de entidades associadas está em consonância com a cadeia de objectivos que o pólo definiu como missão, onde se apresenta a intenção de transformar Portugal num player competitivo, na investigação, concepção, desenvolvimento, fabrico e comercialização de produtos e serviços associados à saúde.
O Grande Porto, com um QL de 1,25, regista 65,7% do investimento elegível com incidência regional – em relação aos Sistemas de Incentivos às empresas, são 50,6% –, assumindo-se neste aspecto, como a NUTS III central para a dinamização da rede. No sentido da já referida importância de diferentes tipos de entidades associadas, há nesta NUTS III o reflexo de uma relevância repartida entre diferentes tipologias de projectos, contando-se um conjunto muito numeroso de operações de Apoio a Entidades do Sistema Científico e Tecnológico, algumas operações de Apoio a Infra- estruturas Científicas e Tecnológicas, e um grupo significativo, em termos de investimento elegível total correspondente, de operações dos Sistemas de Incentivos. Em relação a este último grupo, a entidade associada que apresenta o maior benefício de investimento, a empresa farmacêutica Bial – Portela & Ca., com sede na Trofa, regista 43,3% do investimento total na rede associativa para projectos da tipologia de SI I&DT. Um destes projectos é o mais caro de todos os presentes na rede associativa, consiste na investigação de novas indicações para o acetato de eslicarbazepina, e regista 7,1% do investimento elegível com incidência regional na rede associativa. O Baixo Mondego, sendo a NUTS III do país onde se localiza a maior concentração das actividades do sector, com 4,6% de pessoal ao serviço das empresas e um QL de 1,43, apresenta 16,4% de investimento com incidência regional. Este valor, no que diz respeito aos Sistemas da Incentivos, é de apenas 4,5%, havendo nesta sub-região uma aplicação mais preponderante do investimento num conjunto numeroso de projectos de Apoio a Entidades do Sistema Científico e Tecnológico, sendo também de referir o desenvolvimento de um grupo de 2 projectos de Apoio a Parques de Ciência e Tecnologia e Incubadoras de Empresas de Base Tecnológica, promovidos pelo Biocant, com valores de investimento elegível elevados.
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O Cávado, com uma parcela insignificante de investimento em projectos dos Sistemas de Incentivos, assume alguma relevância para o foco da rede, com o registo de 11,3% do investimento elegível com incidência regional, por causa de um grande número de projectos de Apoio a Entidades do Sistema Científico e Tecnológico – muitos deles promovidos pela Universidade do Minho, na área das ciências da saúde – e, fundamentalmente, por causa de 2 projectos de Apoio a Infra-estruturas Científicas e Tecnológicas, promovidos pelo Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia (LIN).