L IVRO S EGUNDO
139 P RETENSAMENTE SUPERIOR !
Vocês d izem qu e a m or a l d a com p a ixã o é u m a m or a l superior à do estoicismo? Provem-no! Mas notem bem que, sobre o qu e é superior e inferior em m or a l, n ã o s e d eve n ova m en t e d ecid ir s egu n d o a va lia ções m or a is : p ois n ã o h á m or a l a b s olu t a . Pr ocu r em , p or t a n t o, em ou t r os lu ga r es s eu s p a d r ões fiquem atentos!
140. ELOGIO E RECRIMINAÇÃO
S e u m a gu er r a t em u m d es en la ce in feliz, p er gu n t a -s e d e qu em é a culpa ; s e t er m in a n u m a vit ór ia , elogia -s e o a u t or . E m t od a p a r t e on d e h ou ver fr a ca s s o p r ocu r a m os a cu lp a , p ois o in s u ces s o t r a z con s igo u m d es con t en t a m en t o, con t r a o qu a l em p r ega m os in volu n t a r ia m en t e u m ú n ico r em éd io: u m a n ova excit a çã o d o s e n tim e n to d e p od e r e es t a s e en con t r a n a
condenação do culpado . E s t e cu lp a d o n ã o é, com o p od er ía m os
cr er , o b od e exp ia t ór io p a r a a cu lp a d os ou t r os : é a vit im a d os fr a cos , d os h u m ilh a d os , d os r eb a ixa d os qu e p r ocu r a m u m m eio qu a lqu er p a r a p r ova r qu e a in d a t êm for ça . Con d en a r -s e a s i m es m o p od e s er t a m b ém u m m eio d e r ecu p er a r , d ep ois d o fr a ca s s o, u m s en t im en t o d e for ça . In ver s a m en t e a glor ifica çã o do autor é m u it a s vezes o r es u lt a d o t ot a lm en t e cego d e ou t r o in s t in t o qu e exige s u a vít im a e n es s e ca s o, o s a cr ifício p a r ece m es m o a gr a d á vel e s ed u t or p a r a a vít im a: is s o ocor r e qu a n d o o s en t im en t o d e p od er d e u m p ovo, d e u m a s ocied a d e, é cu lm in a d o p or u m s u ces s o t ã o gr a n d e e p r od igios o qu e s ob r evém u m a fadiga
d a v itória e a b a n d on a m os u m a p a r t e d e n os s o or gu lh o: s u r ge
en t ã o u m s en t im en t o d e abnegação qu e p r ocu r a u m ob jet o. Qu er s eja m os elogiados ou recriminados, s om os ger a lm en t e
s om en t e p r et ext os p a r a n os s os vizin h os e m u it a s vezes p r et ext os a r b it r a r ia m en t e a ga r r a d os p elos ca b elos , p a r a d a r livr e cu r s o à s n eces s id a d es d e r ecr im in a çã o ou d e elogio a cu m u la d a s n eles : n os d ois ca s os , d is p en s a m os -lh es u m b en efício p a r a o qu a l n ós n ã o temos mérito e eles não têm reconhecimento.
141. MAIS BELO, MAS DE MENOR VALOR
Mor a lid a d e p it or es ca : é a m or a lid a d e d os s en t im en t os qu e s e eleva m em lin h a s a b r u p t a s , a t it u d es e ges t os p a t ét icos , in cis ivos , t er r íveis e s olen es . E s s e é o gr a u semi-selvagem d a m or a lid a d e: n ã o n os d eixem os t en t a r p or s eu en ca n t o es t ét ico, p a r a lh e conferir um grau superior.
142. SIMPATIA
S e, p a r a com p r een d er n os s o p r óxim o, is t o é, p a r a reproduzir
s e u s s e n tim e n tos e m n ós , r em on t a m os m u it a s vezes a o fu n d o d e
s eu s s en t im en t os , d et er m in a d os d es t a ou d a qu ela m a n eir a , perguntando-nos, por exemplo: por que está triste? a fim de nos t or n a r m os t r is t es n ós m es m os p ela m es m a r a zã o é m u it o m a is fr eqü en t e evit a r m os a gir a s s im e p r ovoca m os es s es s en t im en t os em n ós s egu n d o os efeitos qu e s u s cit a m e s ã o vis íveis em n os s o p r óxim o, r ep r od u zin d o em n os s o cor p o a exp r es s ã o d e s eu s olh os , d e s u a voz, d e s eu a n d a r , d e s u a a lt it u d e (p elo m en os a t é u m a leve s em elh a n ça d o jogo d os m ú s cu los e d o en er va m en t o) ou m es m o o r eflexo d e t u d o is s o n a p a la vr a , n a p in t u r a , n a m ú s ica . E n t ã o s u r ge em n ós u m s en t im en t o a n á logo, a p a r t ir d e u m a velh a a s s ocia çã o d e m ovim en t os e d e s en t im en t os qu e é leva d a a a gir n os d ois s en t id os . Leva m os m u it o lon ge es s a h a b ilid a d e em com p r een d er os s en t im en t os d os ou t r os e em p r es en ça d e a lgu ém exer cem os s em p r e e qu a s e in volu n t a r ia m en t e es s a h a b ilid a d e:
observe-s e s ob r et u d o o jogo d os t r a ços n u m r os t o fem in in o, com o fr em e e s e ilu m in a in t eir a m en t e s ob o d om ín io d e u m a con s t a n t e im it a çã o, r ep r od u zin d o in ces s a n t em en t e os s en t im en t os qu e s e a git a m em t or n o d ele. Ma s é a m ú s ica qu e n os m os t r a m a is cla r a m en t e com o n os t or n a m os m es t r es n a a d ivin h a çã o r á p id a e s u t il d os s en t im en t os e n a s im p a t ia : p elo m en os s e a m ú s ica é efet iva m en t e a im it a çã o d e u m a im it a çã o d e s en t im en t os e s e, a p es a r d o qu e h a ja n is s o d e d is t a n t e e va go, n os fa z m u it a s vezes p a r t icip a r a in d a d es s es s en t im en t os , d e m od o qu e n os t or n a m os t r is t es s em t er o m en or m ot ivo p a r a t r is t eza , com o fa zem os loucos, s im p les m en t e p or qu e ou vim os s on s e r it m os qu e lem b r a m va ga m en t e a en t on a çã o e o m ovim en t o d a qu eles qu e es t ã o d e lu t o ou m es m o s eu s cos t u m es . Con t a -s e d e u m r ei d in a m a r qu ês qu e ficou en leva d o com a m ú s ica d e u m m en es t r el e ficou p os s u íd o d e t a l en t u s ia s m o gu er r eir o qu e s e p r ecip it ou d o t r on o e m a t ou cin co pessoas de sua corte reunida em torno dele: não havia guerra nem in im igos , m u it o p elo con t r á r io, m a s a for ça qu e re m on ta d o
s e n tim e n to à ca u s a foi s u ficien t em en t e gr a n d e p a r a ven cer a
evid ên cia e a r a zã o. Or a , es s e é qu a s e s em p r e o efeit o d a m ú s ica (s u p on d o, é cla r o, qu e ela t en h a u m efeit o ) e n ã o s e t em n eces s id a d e d e ca s os t ã o p a r a d oxa is p a r a s e d a r con t a d is s o: o es t a d o s en t im en t a l em qu e a m ú s ica n os m er gu lh a es t á qu a s e s em p r e em con t r a d içã o com a evid ên cia d e n os s a s it u a çã o r ea l e d a r a zã o qu e r econ h ece es s a s it u a çã o r ea l e s u a s ca u s a s . Se p er gu n t a r m os com o s e t or n ou t ã o cor r en t e a r ep r es en t a çã o d os s en t im en t os a lh eios , a r es p os t a n ã o d eixa qu a lqu er d ú vid a : u m a vez qu e o h om em é a cr ia t u r a m a is r eceos a d e t od a s , gr a ça s à s u a n a t u r eza d elica d a e fr á gil, en con t r ou em s u a d is p os içã o re ce os a a in icia d or a d es s a s im p a t ia , d es s a r á p id a com p r een s ã o d os s en t im en t os d os ou t r os (m es m o d os a n im a is ). Du r a n t e m ilên ios
viu u m p er igo em t u d o o qu e er a es t r a n h o, em t u d o o qu e s e agitava: desde que semelhante espetáculo se oferecia a seus olhos, im it a va os t r a ços e a a t it u d e d a qu ilo qu e via d ia n t e d ele e t ir a va s u a s con clu s ões s ob r e a n a t u r eza d a s m á s in t en ções es con d id a s por trás desses traços e dessa atitude. Essa interpretação de todos os m ovim en t os e d e t od os os t r a ços em fu n çã o d e intenções, o h om em a a p licou à n a t u r eza d a s cois a s in a n im a d a s levado com o es t a va p ela ilu s ã o d e qu e n ã o exis t ia n a d a d e in a n im a d o. Pen s o qu e t u d o a qu ilo qu e ch a m a m os s e n tim e n to d a n a tu reza e qu e n os t oca a o a s p ect o d o céu , d os ca m p os , d os r och ed os , d a flor es t a , d a s t em p es t a d es , d a s es t r ela s , d os m a r es , d a s p a is a gen s , d a p r im a ver a , en con t r a a qu i s u a or igem . S em a velh a p r á t ica d o temor que nos forçava a ver tudo isso sob um sentido secundário e d is t a n t e, es t a r ía m os p r iva d os h oje d a s a legr ia s d a n a t u r eza , p r ecis a m en t e com o o h om em e os a n im a is n os d eixa r ia m s em p r a zer , s e n ã o t ivés s em os t id o es s a in icia d or a d e t od a com p r een s ã o, o t em or . Por ou t r o la d o, a a legr ia e a a gr a d á vel s u r p r es a e, en fim , o s en t im en t o d o r id ícu lo, s ã o os filh os d a s im p a t ia , os ú lt im os filh os e os ir m ã os m u it o m a is joven s d o temor. A fa cu ld a d e d e com p r een s ã o r á p id a qu e s e b a s eia , p or t a n t o, n a fa cu ld a d e d e s im u la r ra p id a m e n te d im in u i n os h om en s e n os p ovos a lt ivos e s ob er a n os , p ois s ã o m en os t em er os os : em com p en s a çã o, t od a s a s va r ied a d es d e com p r een s ã o e d e s im u la çã o s ã o fa m ilia r es a os p ovos t em er os os ; a li a in d a s e en con t r a a ver d a d eir a p á t r ia d a s a r t es d e im it a çã o e d a inteligência superior. Se, a partir dessa teoria da simpatia como a p r op on h o a qu i, p en s o n a t eor ia , h oje goza n d o d e fa vor e con s a gr a d a , d e u m p r oces s o m ís t ico, p or m eio d o qu a l a
compaixão, d e d ois s er es , fa z u m s ó e t or n a p os s ível a u m a
lú cid o com o o d e S ch op en h a u er s e d elicia va com s em elh a n t es in u t ilid a d es exa lt a d a s e m is er á veis e qu e t r a n s m it iu es s e p r a zer a ou t r os es p ír it os lú cid os ou s em i-lú cid os : m in h a es t u p efa çã o e minha tristeza não têm limites. Como deve ser grande o prazer que n os p r op or cion a m a s in com p r een s íveis t olices ! Com o o h om em s e en con t r a a in d a p er t o d a in s en s a t ez a o a u s cu lt a r s eu s secretos d es ejos in t elect u a is ! (Por qu e ra z ã o s e s en t ia S ch op en h a u er t ã o
ch eio d e r econ h ecim en t o p a r a com Ka n t , t ã o p r ofu n d a m en t e agradecido? Um a vez o r evelou s em equ ívocos . Algu ém h a via fa la d o d a for m a p ela qu a l a qu a lita s occu lta10 p od ia s er r et ir a d a d o
im p er a t ivo ca t egór ico d e Ka n t p a r a t or n á -lo inteligível. Aí S ch op en h a u er exp lod iu : In t eligib ilid a d e d o im p er a t ivo ca t egór ico! Id éia p r ofu n d a m en t e er r ôn ea ! Tr eva s d o E git o! Deu s n os livr e d e qu e s e t or n e in t eligível Qu e exis t e ju s t a m en t e a lgo d e in in t eligível, qu e n os s o m is e rá v e l ju íz o com s eu s con ceit os s eja lim it a d o, con d icion a d o, fin it o, en ga n a d or : é es s a cer t eza qu e é a gr a n d e aquisição de Kant.
Deixo pensar, se alguém tiver a boa vontade de conhecer a s cois a s m or a is , qu a n d o a n t ecip a d a m en t e s e exa lt a com a cr en ça em s u a inteligibilidade! Algu ém qu e a in d a cr eia lea lm en t e n a s ilu m in a ções d o a lt o, n a m a gia e n a s a p a r ições e n a feiúra metafísica do sapo!)
143. AI DE NÓS SE ESSA TENDÊNCIA SE DESENCADEIA!
S u p on d o qu e a t en d ên cia a o d evot a m en t o e à s olicit u d e p a r a com os ou t r os ( o s en t im en t o d e s im p a t ia ) s eja d u a s vezes m a is for t e d o qu e r ea lm en t e é, a p er m a n ên cia n a t er r a s e t or n a r ia
intolerável. Qu e s e p en s e s om en t e n a s t olices qu e ca d a u m com et e
t od os os d ia s e a t od o m om en t o p or d evot a m en t o e p or s olicit u d e
p a ra con s igo m e s m o e qu e in s u p or t á vel es p et á cu lo en t ã o s e
ob jet o d es s a s t olices e d es s a s in op or t u n id a d es qu e a t é a gor a s e r es er va r a m u n ica m en t e p a r a s i p r óp r ios ! Nã o d ever ía m os en t ã o p a r t ir cega m en t e em fu ga , s em p r e qu e u m p r óxim o s e aproximasse d e n ós ? E n ã o h a ver ía m os d e cob r ir a a feiçã o d e s im p a t ia com a s m es m a s p a la vr a s in ju r ios a s com qu e cob r im os hoje o egoísmo?
144. DISTANCIAR-SE DA MISÉRIA DOS OUTROS
S e n os d eixa r m os a ca b r u n h a r p ela m is ér ia e p elos s ofr im en t os d os ou t r os m or t a is e cob r ir m os d e n u ven s n os s o céu , qu em s u p or t a r á a s con s eqü ên cia s d es s e en s om b r a m en t o? Certa m en t e os ou t r os m or t a is e es t e s er á u m p es o a a cr es cen t a r a s u a s ou t r a s ca r ga s ! Nã o p od em os s er p a r a eles n em compassivos, nem re con forta n te s , s e qu is er m os s er o eco d e s u a m is ér ia e t a m b ém s e qu is er m os s em ces s a r d a r ou vid os a es s a m is ér ia a m en os qu e a p r en d a m os a a r t e d os olím p icos e qu e p r ocu r em os doravante edificar-nos com a in felicid a d e d os h om en s em vez d e s er m os in felizes com ela . Ma s is s o é u m t a n t o d em a s ia d o olím p ico p a r a n ós : em b or a , com a fr u içã o d a t r a géd ia , já t en h a m os d a d o um passo à frente em direção a esse canibalismo ideal dos deuses.
145. NÃO EGOÍSTA
E s t e es t á va zio e gos t a r ia d e es t a r ch eio, a qu ele es t á ch eio e gos t a r ia d e s e es va zia r a m b os s e s en t em im p elid os a p r ocu r a r u m in d ivíd u o qu e p os s a a ju d á -los n is s o. E es s e fen ôm en o, inter p r et a d o n u m s en t id o s u p er ior , leva n os d ois ca s os o m es m o nome: Amor. Como? O amor seria alguma coisa de não egoísta?
146. OLHAR PARA ALÉM DO PRÓXIMO
con s is t ir ia , p a r a n ós , em t er s em p r e à vis t a a s conseqüências próximas e imediatas que podem ter nossas ações para os outros e em t om a r d ecis ões s egu n d o es s a s con s eqü ên cia s ? E s t a n ã o p a s s a d e u m a m or a l es t r eit a d e p equ en os b u r gu es es , em b or a a in d a ch egu e a s er u m a m or a l: m a s m e p a r ece qu e s er ia p r óp r io d e um p en s a m en t o s u p er ior e m a is s u t il olh a r p a ra a lé m dessas con s eqü ên cia s im ed ia t a s p a r a o p r óxim o, a fim d e p r om over ob jet ivos m a is d is t a n t es , m es m o com o r is co d e fa zer s ofr er os outros p or exem p lo, p r om over o con h ecim en t o, m es m o a despeito da certeza de que nossa liberdade de espírito lançará logo os ou t r os n a d ú vid a , n a a n gú s t ia e em a lgo p ior a in d a . Nã o t em os o d ir eit o d e t r a t a r o p r óxim o p elo m en os d a m es m a m a n eir a com o n os t r a t a m os a n ós m es m os ? E s e n ã o p en s a m os p a r a n ós m es m os d e u m a m a n eir a t ã o es t r eit a e p equ en o-b u r gu es a n a s con s eqü ên cia s e n os s ofr im en t os im ed ia t os , p or qu e s er ia m os
forçados a a gir a s s im p a r a n os s o p r óxim o? S u p on d o qu e
t en h a m os p a r a n ós m es m os o s en t id o d o s a cr ifício: o qu e n os im p ed ir ia d e s a cr ifica r o p r óxim o con os co? como fizer a m a t é a gor a os E s t a d os e os s ob er a n os , s a cr ifica n d o u m cid a d ã o em p r oveit o d os ou t r os , p a r a o in t er es s e ger a l , com o s e d izia . Ma s também nós temos interesses gerais e talvez sejam interesses mais ger a is a in d a : p or qu e n ã o d ever ía m os t er o d ir eit o d e s a cr ifica r alguns indivíduos da geração atual em favor das gerações futuras? De m od o qu e s u a s d ificu ld a d es , s u a s in qu iet u d es , s eu s d es es p er os , s eu s er r os e s u a s h es it a ções fos s em ju lga d a s n eces s á r ia s , p or qu e u m n ovo a r a d o d eve a b r ir o s olo e t or n á -lo fecu n d o p a r a t od os ? E fin a lm en t e, com u n ica m os a o p r óxim o u m s en t im en t o qu e o leva a s e con s id e ra r com o v ítim a e o p er s u a d im os a a ceit a r a t a r efa p a r a a qu a l o u t iliza m os . S om os , p or t a n t o, s em com p a ixã o? S e, en t r et a n t o, p a ra a lé m d e n os s a
compaixão, quisermos ob t er u m a vit ór ia s ob r e n ós m es m os , n ã o
s er ia es s a u m a a t it u d e m or a l m a is eleva d a e m a is livr e qu e a qu ela em qu e n os s en t im os a o a b r igo qu a n d o d es cob r im os qu e u m a
a çã o fa z b e m ou m a l a o p r óxim o? De fa t o, p elo s a cr ifício em n os incluímos, nós e n os s o próximo for t a lecer ía m os e eleva r ía m os o s en t im en t o ger a l d o poder h u m a n o, s u p on d o m es m o qu e n ã o conseguíssemos nada mais. Mas isso já seria um aumento positivo da felicidade. n o fin a l d a s con t a s , s e is s o fos s e m es m o... m a s n en h u m a p a la vr a m a is ! Um olh a r b a s t a , vocês m e compreenderam.
147. CAUSA DO ALTRUÍSMO
Os h om en s t êm em s u m a fa la d o d o a m or com t a n t a ên fa s e e id ola t r ia p or qu e n u n ca o tiv e ra m e m d e m a s ia e p or qu e n u n ca p od ia m fica r s a cia d os com es s e a lim en t o: é a s s im qu e a ca b a p or s e t or n a r p a r a eles a lim en t o d ivin o . S e u m p oet a qu is es s e m os t r a r a im a gem r ea liza d a d a u t op ia d o a m or u n iv e rs a l d os
homens, cer t a m en t e d ever ia d es cr ever u m es t a d o a t r oz e r id ícu lo
d e qu e n u n ca s e viu igu a l n a t er r a ca d a u m s er ia a s s ed ia d o, im p or t u n a d o, e d es eja d o, n ã o p or u m s ó s er a m a n t e, com o is s o acontece hoje, mas por milhares e mesmo por todos, graças a uma t en d ên cia ir r es is t ível qu e s er á in s u lt a d o en t ã o, qu e s er á a m a ld içoa d o com o o fez a h u m a n id a d e a n t iga com o egoís m o; e os p oet a s d es s a n ova ép oca , s e lh es d eixa r em o t em p o p a r a com p or ob r a s , s on h a r ã o a p en a s com o feliz p a s s a d o s em a m or , com o d ivin o egoís m o, com a s olid ã o qu e ou t r or a a in d a er a p os s ível n a t er r a , com a t r a n qü ilid a d e, com o es t a d o d e a n t ip a t ia , d e ód io, d e d es p r ezo e qu a is qu er qu e s eja m os n om es qu e s e qu is er d a r à infâmia da cara animalidade em que nós vivemos.