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Arbustos ou subarbustos, raramente arvoretas; ramos tetragonais ou cilíndricos, glabros ou pubescentes. Estípulas interpeciolares bipartidas ou bífidas, decíduas ou persistentes, conatas ou livres. Folhas opostas, raramente ternadas ou quaternadas, glabras ou pubescentes. Inflorescências terminais, de tipos variados, geralmente com ramos de colorido vistoso; flores bissexuadas, zigomorfas, levemente alargadas na base, 5-meras; lacínios curtos, denteados; corola com prefloração valvar, hipocrateriforme, frequentemente amarela, alaranjada, rósea, vermelha, roxa a azul, glabra ou pubescente, tubo com base gibosa ou tubo curvado, internamente dotado de um anel de tricomas, lobos curtos; estames 5, inseridos geralmente na porção mediana do tubo da corola; ovário 2(-5)-locular, lóculos uniovulados. Fruto drupa, com 2(-5) pirênios; sementes sulcadas.

Chave para as espécies

1. Ramos basais suberificados; folhas coriáceas, ápice arredondado a retuso, raramente

agudo ... 25.2. P. rigida 1'. Ramos sempre delgados; folhas membranáceas a cartáceas, com ápice longamente

acuminado.

2. Folhas opostas; corimbos irregulares com a maioria das flores no mesmo plano ...25.1. P. marcgravii 2'. Folhas verticiladas; inflorescência piramidal ...25.3. P. tetraphylla

Bol. Bot. Univ. São Paulo, São Paulo, v. 32, n. 1, p. 71-140, 2014 25.1. Palicourea marcgravii A.St.-Hil., Hist. Pl. Remarq. Brésil: 231. 1825.

Fig. 6. F-G.

Arbustos ou subarbustos 1-1,5 m alt.; ramos cilíndricos, esparsamente pubérulos, não suberificados. Estípulas bipartidas, livres, persistentes, 1-1,8 x 2-4 mm, apêndices triangulares, pilosos. Folhas opostas, pecioladas; pecíolo 0,7-1,2 cm compr.; lâmina elíptica, oval ou oboval, base aguda a levemente decorrente, margem plana, ápice longamente acuminado, 6-15 cm compr., 3-6 cm larg., membranácea, diminutamente pubérula, ocasional- mente glabrescente; venação broquidódroma, nervuras secundárias 8-12 pares, salientes em ambas as faces, nervuras intersecundárias ausentes, retículo pouco conspícuo. Corimbos multifloros ovoides, aplanados no ápice, longo-pedunculadas, amarelas, alaranjadas ou avermelhadas; flores pediceladas; hipanto 1-1,3 mm compr., c. 1 mm larg., estreitamente turbinado, lacínios curtamente triangulares; corola amarela ou alaranjada com lobos lilases, 18-20 mm compr., 4-5 mm larg., densamente curto-vilosa; estigma bífido. Infrutescência vermelho-escura a vinácea com ápice amarelado; drupa globosa, comprimida, sulcada, glabra a pubérula, verde passando a purpúrea, 4-5 mm compr., 6-7 mm larg.; sementes 2, plano-convexas, levemente costadas dorsalmente.

Material examinado: Santana de Pirapama, Serra do

Cipó, acesso pela Faz. Inhame, Estrada entre Capela de São José e Santana do Riacho, Faz. Toucan Cipó, 18º59'26"S, 43º46'38"W, D.C. Zappi et al. 1833, 7.III.2009, fr. (K, RB, SPF). Santana do Riacho, Estrada da Usina, M.C. Henrique

et al. CFSC 6886, 9.I.1981, fl., fr. (SP); RPPN Brumas do

Espinhaço e Ermo do Gerais, C.A. Ferreira Junior et al. 792, 28.XI.2012, fl. (BHZB, SPF).

Material adicional: Minas Gerais: Grão-Mogol,

estrada para Rio Ventania, 16º32'S, 42º49'W, P.T. Sano et al.

CFCR 12701, 13.XII.1989, fl. (SPF); São Gonçalo do Rio

Preto, Parque Estadual do Rio Preto, Capão Azul, E.B.

Foresto et al. 140, 1.XI.2005, fl. (SPF); idem, E.B. Foresto et al. 345, 25.VI.2005, fr. (BHCB, SPF). São Paulo: Iporanga, V.C. Souza 5881, IV.1994, fl. (ESA, MO, UEC).

Endêmica do Brasil, Palicourrea marcgravii é amplamente distribuída nas regiões Sul, Sudeste e Centro-oeste (Barbosa et al. 2014). Foi coletada apenas duas vezes na Serra do Cipó, crescendo em mata ciliar, florescendo e frutificando em janeiro e março.

25.2. Palicourea rigida Kunth. in Humb., Bompl. & Kunth, Nov. gen. sp. 3: 370. 1819.

Fig. 6. H.

Arbustos ou subarbustos 0,2-1,5 m alt.; ramos cilíndricos, raramente tetragonais, esparsamente pubérulos, ramos basais fortemente suberificados.

Estípulas bipartidas, conatas, persistentes, 5-15 x 5-15 mm, apêndices triangulares, rígidos, glabros. Folhas opostas a falsamente verticiladas, pecioladas; pecíolo 0,1-6 cm compr.; lâmina elíptica a oboval, base aguda, margem espessada, ápice arredondado a retuso, raramente agudo 6,5-14 cm compr., 4-8,5(-10) cm larg., coriácea, esparsamente pubérula a glabrescente; venação broquidódroma, nervuras secundárias 9-16 pares, salientes em ambas as faces, amareladas em plantas vivas, retículo proeminentes na face abaxial. Panículas multifloras ovoides, compactas, longo-pedunculadas; flores pediceladas; hipanto 1-1,5 mm compr., ca. 1 mm larg., estreitamente turbinado, lacínios curtamente denteados; corola amarelo-alaranjada, (11,5-)14-18,5 mm compr., (3-)3,5-4,5 mm larg., pubérula; estigma bífido. Infrutescência amarela a avermelhada; drupa globosa, medianamente comprimida, costada, pubérula, vinácea, ca. 5 mm compr., ca. 5 mm larg.; sementes 2, plano-convexas, levemente costadas dorsalmente.

Material examinado: Congonhas do Norte, trilha em

direção ao Retiro do Barbado, após a Fazenda do Sr. José Correia, 18º51'S, 43º45'W, A. Furlan et al. CFSC 8363, 21.IV.1982, fl. (SPF). Jaboticatubas, 19º20'978'S, 43º37'847"W, L.S. Kinoshita & A.O. Simões 00/149, 21.XI.2000, fl. (UEC); nas proximidades da divisa do Parque rumo a Conceição do Mato Dentro, H.F. Leitão Filho et al.

27346, 7.XII.1992, fl. (UEC); estrada para a sede do IBAMA, F.A Vitta 387, 17.XII.1996, fl. (UEC); rodovia Lagoa Santa -

Conceição do Mato Dentro - Diamantina, km 118, A.B. Joly et

al. CFSC 918, 4.III.1972, fl. (SP, UEC); idem, km 118-119,

19º18-19' 43º45', G. Eiten & L.T. Einten 6897, 25.XI.1965, fl. (SP); idem, km 120, A.B. Joly & J. Semir CFSC 3551, 3.XI.1972, fl. (SP); idem, km 124, N.L. Menezes 4575, 19.X.1973, fl. (SP); idem, km 128, A.B. Joly et al. CFSC 1644, 15.IV.1972, fl. (SP); Estrada da Usina, a 10 km da Pensão Chapéu de Sol, A.B. Joly et al. CFSC 1721, 16.IV.1972, fl. (SP); km 2 estrada da Usina, A.B. Joly et al. CFSC 1160, 5.III.1972, fl. (SP). Santana de Pirapama, Serra do Cipó, Faz. Inhame, 18º55'S, 43º54"W, I. Cordeiro et al. CFSC 8159, 23.III.1982, fl., fr. (SPF); Vilarejo Inhame, Fazenda Toucan Cipó, L.M. Borges et al. 206, 16.XI.2007, fl. (SPF); estrada para a captação, D.C. Zappi et al. 708, 15.II.2007, fl. (ESA, HUEFS, K, SPF). Santana do Riacho, Serra do Cipó, J.Y.

Tamashiro 25655, 7.XI.1991, fl. (UEC); estrada Belo

Horizonte-Conceição do Mato Dentro, km 106, G.M. Faria &

M. Mazucato 68, IV.1990, fl. (SPF); idem, km 108,

19º17'14"S, 43º35'16"W, M.A. Pena et al. 52, 12.XII.2006, fl. (SPF); idem, km 114, P.E. Gibbs & J. Semir CFSC 5369, 9.XII.1975, fl. (SP), idem, km 117, N. Chukr & S.A.P. Godoy

CFSC 9954, 16.I.1987, fl. (SPF); idem, km 120, 19º18'S,

43º35'W, G. Eiten & L. Eiten 6833, 24.XI.1965, fl. (K, SP, UB); Serra da Farofa, A. Rapini et al. 405, 21.X.1997, fl (SPF); Parque Nacional da Serra do Cipó, L.S. Kinoshita & J.Y.

Costa 00/209, 22.XI.2000, fl. (UEC); caminho da base do

IBAMA do Rio Cipó para o Capão dos Palmitos, J.R. Pirani et

al. CFSC 12025, 25.III.1991, fl. (SPF); Estrada da Usina, I.Cordeiro et al. CFSC 6788, 10.XI.1980, fl. (SP); RPPN

Brumas do Espinhaço e Ermo do Gerais, F.M. Fernandes et

Bol. Bot. Univ. São Paulo, São Paulo, v. 32, n. 1, p. 71-140, 2014

Material adicional: Bahia: Rio de Contas, Pico das

Almas, 13º33'S, 41º57'W, R.M. Harley 19544, fr. (CEPEC, K). Palicourea rigida ocorre em savanas e cerrados da América tropical. Apresenta variação no indumento das folhas, inflorescências e frutos e também no formato dos lacínios e da corola (Steyermark 1972), mas é de fácil reconhecimento por meio dos ramos suberificados. Na Serra do Cipó, ocorre associada a cerrados e cerrados de altitude, florescendo em de outubro a abril, e frutificando em março-abril.

25.3. Palicourea tetraphylla Cham. & Schltdl., Linnaea 4: 17. 1829.

Fig. 6. I-J.

Árvores ou arvoretas, 2-6 m alt.; ramos jovens quadrangulares, fistulosos, glabros, não suberificados. Estípulas bipartidas, conatas, persistentes, 3-5 x 4-6 mm. Folhas (3-)4-5-verticiladas, pecioladas; pecíolo 1- 1,8 cm compr.; lâmina oval a estreitamente lanceolada, base aguda a decorrente, margem plana, ápice longamente acuminado, (7-)10-20 cm compr., (2-)3-8 cm larg., cartácea, tomentosa na face abaxial, glabra a esparsamente curto-pilosa na face adaxial; venação broquidódroma, nervuras secundárias 10-20 pares, salientes na face abaxial, nervuras intersecundárias e retículo conspícuos na face abaxial. Panículas multifloras piramidais, longo-pedunculadas, vermelhas; hipanto 1-1,5 mm compr., ca. 1 mm larg., tubo ausente, lobos curtos, patentes; corola amarela (alva com tricomas castanhos em Campos et al. CFSC 13170), 10-12 mm compr., ca. 3 mm larg., lobos patentes; estigma bífido. Infrutescência vinácea, drupas bi-globosas, costadas, verde-claras, 3-4 mm compr., 5,5-6 mm larg.; sementes não observadas.

Material examinado: Congonhas do Norte, Serra do

Cipó, estrada para Costa Senna, 18º45'04"S, 43º40'43"W,

J.R. Pirani et al. 4089, 1.III.1998, fr. (SPF); Serra Talhada,

(setor nordeste da Serra do Cipó), ca. 6 km SW da estrada Congonhas do Norte - Gouveia, entrada a 3,7 km NW de Congonhas do Norte, estrada pelo alto da serra em local denominado localmente como Retiro dos Pereiras, 18º48'48"S, 43º44'21"W, L.M. Borges et al. 351, 4.II.2009, fl. (SPF); idem, 9 km S de Congonhas do Norte na estrada para Conceição do Mato Dentro, entrada para Extrema, seguindo 7 km, estrada para Lapinha, 18º55'19,2"S, 43º41'01,3"W,

M.F. Calió et al. 198, 20.I.2007, fl. (SPF); alto da Serra do

João Camilo, 18º48'39"S, 43º37'09"W, R. Riina et al. 1325, 19.I.2004, fl. (K, SPF). Santana de Pirapama, Serra do Cipó, Capela de São José, Trilha da Senhorinha, caminho para Congonhas do Norte, 18º54'35,6"S, 43º44'44,8"W, D.C. Zappi

et al. 2505, 24.XI.2009, fl. (K, RB, SPF).Santana do Riacho, Serra do Cipó, estrada Belo Horizonte-Conceição do Mato Dentro, 1,8 km após a bifurcação na estrada para Morro do Pilar, M.T.V.A. Campos et al. CFSC 13170, 20.VII.1993, fl. (SPF).

Palicourea tetraphylla ocorre na Mata Atlântica e matas ciliares associadas aos cerrados nos estados de Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo (Barbosa et al. 2014). Na Serra do Cipó, ocorre em matas ciliares e foi coletada com flores em julho e janeiro, frutificando em março.