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PANORAMA DO SETOR: EDUCAÇÃO SUPERIOR PRIVADA

A Educação superior no Brasil possui uma natureza plural e uma característica institucional diversa, que algumas vezes é mal compreendida (Steiner, 2006: 327). Esta caracterização ampla é permitida pela legislação brasileira, que criou uma dicotomia entre as instituições públicas e privadas, conforme a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Brasil, Lei 9.394/1996).

As instituições públicas são aquelas que foram “criadas ou incorporadas, mantidas e administradas pelo Poder Público” (Lei 9.394/1996, artigo 19, inciso I). Compreendem todas as esferas do Poder Público, podendo os mantenedores serem os Municípios, os Estados ou o Governo Federal.

As privadas são, por sua vez, as “mantidas e administradas por pessoas físicas ou jurídicas de direito privado” (Lei 9.394/1996, artigo 19, inciso II). Dentro

das instituições de natureza privada, podem ser classificadas em quatro subcategorias:

i) comunitárias, ou seja, instituídas por grupos de pessoas físicas ou por uma ou mais pessoas jurídicas, inclusive cooperativas educacionais, sem fins lucrativos, que incluam na sua entidade mantenedora representantes da comunidade (Lei 9.394/1996, artigo 20, inciso II);

ii) confessionais instituídas por grupos de pessoas físicas ou por uma ou mais pessoas jurídicas que atendem a orientação confessional e ideologia específicas (Lei 9.394/1996, artigo 20, inciso III);

iii) filantrópicas (Lei 9.394/1996, artigo 20, inciso IV) e

iv) particulares em sentido estrito, que são as que são instituídas e mantidas por uma ou mais pessoas físicas ou jurídicas de direito privado que não apresentem as características dos outros tipos acima mencionados (Lei 9.394/1996, artigo 20, inciso I).

Neste trabalho, o foco será dado para as instituições particulares no sentido estrito, uma vez que estas visam lucro em suas operações. Para isso, estas instituições buscam alterar sua estrutura de capital de modo a competir mais adequadamente no mercado, buscando alternativas de financiamentos às atividades, por vezes, inclusive, abrindo capital para desenvolver suas instalações e serviços.

Quando abrem o capital para negociação em Bolsa de Valores, estas IES, que passam a funcionar analogamente às empresas privadas, podendo se organizar em holdings de educação, são obrigadas a realizar demonstrativos contábeis de acordo com os artigos 175 e seguintes da lei das S/A (Lei 6.404/1976).

Como têm ações listadas em Bolsa de Valores, é possível que se faça a análise conforme se prevê no modelo estatístico elaborado por Fama (1970).

A partir desta classificação, é possível estudar o setor privado de Educação superior no Brasil. Este setor vive hoje na presença de dois grandes movimentos,

que trazem oportunidades para os grupos atuantes no país: o crescimento e a consolidação do mercado.

Cada um desses movimentos (consolidação/crescimento) é capaz, per si, de movimentar um segmento da economia. Na indústria de educação, eles ocorrem concomitantemente, o que traz grandes desafios e ao mesmo tempo grandes oportunidades.

Mercado em Crescimento

O mercado está em crescimento orgânico acelerado, com aumento no número de alunos ingressantes em cursos de nível superior, pela inclusão no acesso de novos públicos, promovida pelo aumento de renda, pelo acesso ao crédito e por novas formas de ensino, como o ensino a distância.

O Brasil apresenta uma baixa taxa de escolarização bruta e líquida no Ensino Superior, na faixa etária de 18 a 24 anos. A figura 8 mostra a evolução da taxa de escolarização bruta e líquida brasileira.

Por taxa de escolarização bruta, entende-se o total de matrículas de determinado nível de ensino sobre a população na faixa etária teoricamente adequada a esse nível. A taxa de escolarização líquida, por sua vez, identifica o percentual da população matriculada em determinado nível de ensino na faixa etária teoricamente adequada em relação à população na faixa etária teoricamente adequada ao mesmo nível de ensino (Inep, 2012).

Exemplificando este conceito, supondo que em 2011, para cada 100 pessoas na faixa etária adequada (18-24 anos) existiam 27,8 pessoas matriculadas (independente da faixa etária destes matriculados), então a proporção de escolarização bruta seria de 27,8%. Porém, se dentro destes 27,8 matriculados, somente 14,6 estivessem dentro da faixa etária adequada, então a taxa de escolarização líquida seria de 14,6%, conforme mostrado no gráfico. A diferença

entre 27,8% e 14,6% refere-se, então, às pessoas matriculadas no ensino superior que estão fora da faixa etária ideal para este nível.

Ainda assim, analisando estes índices para o período 2001 a 2009, percebe- se um claro crescimento nos matriculados em relação à população nesta faixa etária, conforme dados extraídos do Resumo Técnico do Censo da Educação Superior - Inep (2012).

Figura 8: Escolarização Bruta e Líquida Brasileiras

Fonte: Resumo Técnico Censo da Educação Superior de 2010 – Inep (2012), 2011*: Censo da Educação Superior 2011, elaborado pela autora

De acordo com este censo, a taxa de escolarização bruta passou de 15,1% para 26,7% e a líquida de 8,9% em 2001 para 14,4% em 2009. Apesar do crescimento, o país não alcançou a meta estabelecida no PNE aprovado em 2001, que era o provimento da oferta de educação superior para, pelo menos, 30% da população de 18 a 24 anos. Logo, do total de matrículas no ensino superior, mais de 12 p.p. de matriculados são de pessoas fora da faixa etária ideal ao nível superior, indicando uma escolarização tardia.

15,1% 16,6% 18,6% 18,6% 19,9% 22,6% 24,3% 25,5% 26,7% 27,8% 8,9% 9,8% 10,6% 10,5% 11,2% 12,6% 13,1% 13,7% 14,4% 14,6% 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2011* Escolarização Bruta Escolarização Líquida

Excerto extraído de Inep (2012) observa que:

Apesar do avanço observado, o salto projetado pela Meta 12 do Projeto de Lei nº 8.035 relativo ao PNE 2011-2020, que define a elevação da taxa bruta para 50% e da líquida para 33% da população de 18 a 24 anos, revela-se desafiador.

Desse modo, com a meta projetada acima, é possível estabelecer que se continue a ter crescimento na demanda por vaga no Ensino Superior.

Comparando a taxa de escolarização bruta do Brasil em relação a diversos países, divulgada pela Unesco, para o ano de 2010, verifica-se que o índice do Brasil o coloca como penúltimo entre os países selecionados, e como último em comparação com os países do Mercosul, como se vê na figura 9.

Figura 9: Taxa de Escolarização Bruta Comparada

Fonte: UNESCO/Inep, elaborado pela autora (*Brasil – dados de 2011) 103,1% 94,8% 74,8% 66,1% 63,2% 59,7% 56,7% 28,0% 27,8% 25,9% Coréia do Sul Estados Unidos

Os dados da Unesco foram extraídos de seu sítio na internet, dentro do tópico sobre estatísticas educacionais, em sua Table 14 - Tertiary Indicators, com referência ao ano de 2010. O último dado disponível para o Brasil era relativo ao ano de 2005. Para que a comparação pudesse capturar dados mais atualizados, optou- se por informar o percentual relativo a 2011 extraído de Censo (2012).

Analisando-se os dados relativos aos matriculados, constata-se que em 2011 havia 6.739.689 de matriculados, conforme figura 10, sendo 5.746.762 em graduação presencial e 992.927 na modalidade à distância. O setor privado responde, de acordo com Censo (2012), por 73,7% do total de matrículas do ensino superior.

Figura 10: Evolução de alunos matriculados na Educação Superior no Brasil. Fonte: Inep, elaborado pela autora

O crescimento no número de matrículas no período 2001 a 2011 foi possível, em grande parte, pela modificação da LDB em 1996 e decretos posteriores regulamentando a nova lei, que propiciou a exploração econômica da atividade,

2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 Matrículas Ensino Superior 3.036.113 3.520.627 3.936.933 4.223.344 4.567.798 4.883.852 5.250.147 5.808.017 5.954.021 6.379.299 6.739.689 Crescimento 16,0% 11,8% 7,3% 8,2% 6,9% 7,5% 10,6% 2,5% 7,1% 5,6% 3.030.754 3.479.913 3.887.022 4.163.733 4.453.156 4.676.646 4.880.381 5.080.056 5.115.896 5.449.120 5.746.762 5.359 40.714 49.911 59.611 114.642 207.206 369.766 727.961 838.125 930.179 992.927 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 Presencial EAD

além de proporcionar a autonomia universitária às universidades, podendo criar, remanejar e extinguir cursos, com mais flexibilidade que o modelo anterior (Santos, 2010).

Para Sampaio (2011), a possibilidade de se adotar, por parte das mantenedoras, após o decreto 2306, de 19/8/1997, qualquer das formas admitidas no direito civil e comercial, optando entre serem entidades com ou sem fins lucrativos, torna evidente a possibilidade de se mudar a escala dos rendimentos com a atividade educacional.

Nesse contexto, tem-se um crescimento acelerado a partir do final dos anos 90 e início dos anos 2000, permitindo que novos ingressantes pudessem alcançar o ensino superior, ainda que num caráter predominantemente privado.

De acordo com a figura 11, o patamar de relativa estagnação no número de matriculados no ensino superior recebe um vertiginoso choque de expansão, através, principalmente, da abertura de novos entes privados. A esfera pública promoveu a abertura de novas vagas a partir desta época, mas em um ritmo menos acelerado que a iniciativa privada.

Figura 11: Evolução da matrícula na educação superior 1980-2011 Fonte: Inep (2012) 0 1.000.000 2.000.000 3.000.000 4.000.000 5.000.000 6.000.000 7.000.000 1980 1981 1982 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011

Evolução da matrícula na educação superior de graduação por dependência administrativa Brasil 1980-2011

Outra dimensão desta análise, com relação à multiplicação de matriculados, a partir da modificação da LDB em 1996, versa sobre a qualidade dos cursos oferecidos.

Em 2009, o Inep publicou pela primeira vez o IGC – Índice Geral de Cursos, com dados relativos ao ano de 2007. De acordo com o Inep, o Índice Geral de Cursos Avaliados da Instituição (IGC) é um indicador de qualidade de instituições de educação superior, que considera, em sua composição, a qualidade dos cursos de graduação e de pós-graduação (mestrado e doutorado).

Existem muitas discussões na comunidade acadêmica acerca da qualidade dos cursos oferecidos dentre aquelas que adotam a forma jurídica de empresa privada com fins lucrativos. O main stream preconiza que a mercantilização do ensino oferece cursos de qualidade mais baixa.

Esta visão pode ser aprofundada com a questão da origem dos alunos que frequentam as faculdades privadas, o que pode denotar que o curso de adapta às necessidades deste público específico. Sampaio (1998) apresenta alguns elementos que contribuem com esta análise.

Por outro lado, e as grandes do setor já compreenderam este viés, estando as IES sujeitas às leis de oferta e demanda, sobreviverão neste mercado aquelas que, dado o preço, consigam oferecer os melhores atributos ao seu produto, que é a qualidade do curso, do corpo docente e discente e das instalações, fatores todos que compõem direta ou indiretamente a nota obtida no IGC.

Mercado em Consolidação

Pelo lado da oferta, ainda que haja um número significativo de escolas, dando uma falsa impressão de pulverização, o mercado está concentrado em grandes organizações universitárias, em grande parte, formadas por universidades.

De acordo com o Censo (2012), das 2.375 instituições de educação superior em 2011, 74,7% (1.767) têm até 2.000 alunos e concentram apenas 15% das matrículas. Dessas instituições de pequeno porte, 91,4% são privadas.

Por outro lado, 2,7% das IES (64) têm mais de 20.000 alunos cada e concentram cerca de 39% das matrículas de educação superior no Brasil. Das IES com mais de 20 mil alunos, 21 são federais, 7 estaduais e 36 são privadas.

Figura 12: Distribuição acumulada de IES e de matrículas por tamanho da IES Fonte: Inep (2012)

Os dez maiores grupos privados do país detêm conjuntamente menos de 30% de participação de mercado, conforme dados da Hoper (2012). Estes dados, conjuntamente com os obtidos através do censo, evidenciam que o mercado é altamente fragmentado, com grande potencial de consolidação.

As IES de pequeno porte estão adotando novas estratégias de gestão, para melhorar as condições de competição com os grandes grupos educacionais,

0,0 10,0 20,0 30,0 40,0 50,0 60,0 70,0 80,0 90,0 100,0 A té 1 0 0 D e 1 0 1 a 3 0 0 D e 3 0 1 a 5 0 0 D e 5 0 1 a 8 0 0 D e 8 0 1 a 1 .0 0 0 D e 1 .0 0 1 a 1 .5 0 0 D e 1 .5 0 1 a 2 .0 0 0 D e 2 .0 0 1 a 3 .0 0 0 D e 3 .0 0 1 a 5 .0 0 0 D e 5 .0 0 1 a 8 .0 0 0 D e 8 .0 0 1 a 1 0 .0 0 0 D e 1 0 .0 0 1 a 1 5 .0 0 0 D e 1 5 .0 0 1 a 2 0 .0 0 0 D e 2 0 .0 0 1 a 3 0 .0 0 0 D e 3 0 .0 0 1 a 4 0 .0 0 0 D e 4 0 .0 0 1 a 5 0 .0 0 0 D e 5 0 .0 0 1 a 8 0 .0 0 0 M a is d e 8 0 .0 0 0

Distribuição acumulada do número de IES e de matrículas por tamanho da IES (Número de alunos) Brasil 2011

IES Matrícula

baseadas na sinergia como alternativa para profissionalizar, otimizar custos e aprimorar a qualidade de ensino entre instituições (Silva, 2012).

Crescer através de aquisições é uma estratégia adotada pelos grandes grupos, de forma a alcançar o resultado esperado praticamente de forma imediata, enquanto que a abertura de um novo curso ou até mesmo de uma nova unidade tem um ciclo mais longo para se obter resultado.

Em vista deste alinhamento estratégico, o mercado de fusões e aquisições está aquecido. A consultoria KPMG compila trimestralmente as informações de fusões e aquisições com as transações realizadas no Brasil. De 2008 a 2012, foram registradas 131 operações no segmento educacional, fortemente pautado em negócios com instituições de ensino superior (KPMG, 2013).

A CM Consultoria (2012) apresenta 133 transações em seu Quadro Resumo, quantidade semelhante à reportada pela KPMG e reproduzida na Tabela 1.

Tabela 1: Resumo das Principais Movimentações do Setor Fonte: CM Consultoria (2012), elaborado pela autora

Comprador Nº de Instituições Adquiridas Montante das Aquisições Total de Alunos Envolvidos

Anhanguera 32 R$ 1.480.213.179 763.913

Civita (Abril Educação) 6 R$ 499.172.107 211.000

Estácio 18 226.410.126,00 76.451 Kroton 19 R$ 2.266.301.200 324.473 SEB 13 R$ 172.235.026 132.413 ACTIS 1 R$ 180.000.000 - Advent 1 R$ 280.000.000 - Capital Internacional 1 R$ 130.000.000 3.500

Devry 2 Não divulgado 5.800

GP Investimentos 1 R$ 259.330.720 200.000

ANIMA 1 - 15.000

Cartesian Capital Group 1 - 3.000

Cruzeiro do Sul 1 - 7.000

Faculdade Montes Belos 1 - -

Grupo Britânico Pearson 1 R$ 900.000.000 -

Grupo Campos de Andrade 2 - 53.000

Grupo Cruzeiro do Sul (UNICSUL) 1 - 15.000

Grupo Saggin de Educação 1 R$ 50.000.000 1.300

IUNI 9 R$ 50.000.000 14.600

Laureate 10 R$ 159.000.000 22.700

Multi Brasil S.A. 2 R$ 83.700.000 100.000

UNIBR 4 - 6.500 UNIESP 4 - 1.320 UNOESC 1 R$ 13.300.000 - TOTAL GERAL 133 R$ 6.749.662.358,00 1.956.970 F u n d o s P ri va te E q u it y C ap it al A b er to D em ai s T ra n sa çõ es

Fazendo uma análise detida sobre as informações constantes desta tabela, e comparando-a com os eventos utilizados como base para o estudo, extraídos dos sítios de relacionamento com investidores das companhias que compõem este estudo, verifica-se que a quantidade de instituições adquiridas não necessariamente corresponde à quantidade de eventos considerados neste trabalho.

Para as aquisições feitas pela SEB e Kroton, o número de instituições adquiridas corresponde à quantidade levantada nos respectivos sites, mas para Anhanguera e Estácio isto não ocorre.

A diferença se dá pelo fato de que, em alguns casos, as instituições compradoras realizaram a aquisição de mais de uma instituição de ensino num mesmo dia. Desta forma, o número de instituições adquiridas é maior do que o número de fatos relevantes de aquisição informados pela empresa.

Considerando que as divulgações de fatos relevantes são o que efetivamente pode ser uma informação que alteraria a rentabilidade esperada da empresa na sua ação listada em bolsa (e não a quantidade de empresas adquiridas), este trabalho somente avaliou os fatos relevantes, independentemente da quantidade de empresas adquiridas no mesmo dia.

Ainda assim, o conteúdo desta tabela revela a extensão deste assunto. Pode- se observar que estas aquisições movimentaram o equivalente a 29% dos alunos de graduação de 2011, o que é um movimento significativo para este setor.

As demonstrações financeiras das empresas de educação

Além do movimento de fusões e aquisições observado neste mercado, as empresas que abriram capital vêm apresentando crescimento em suas margens de lucro. Compreender como esta evolução afeta as demonstrações contábeis das empresas estudadas também contribui para o entendimento do comportamento das cotações das ações nos eventos estudados.

Serão apresentadas as informações extraídas das DFPs – Demonstrações Financeiras Padronizadas, publicadas anualmente pelas companhias, de acordo com regulamentação da CVM – Comissão de Valores Mobiliários.

Optou-se por analisar informações consolidadas das DFPs dos anos de 2012, 2011 e 2010, que foram as demonstrações feitas adotando-se integralmente as normas IFRS para apresentação dos resultados. A empresa SEB não terá seus números apresentados adiante por ter fechado o capital em 2010. Serão apresentadas as informações das empresas Kroton, Anhanguera e Estácio.

A tabela 2 apresenta o Balanço Patrimonial das companhias no período de 2008 a 2012, com a representatividade de cada conta em relação ao total do ativo ou do passivo, de acordo com a natureza da conta, a chamada análise vertical.

Tabela 2: Análise vertical do Balanço Patrimonial das empresas Fonte: DFPs das companhias, elaborado pela autora

ANÁLISE VERTICAL

AEDU 2012 2011 2010 2009 2008

Ativo Circulante 896.650 24% 816.877 23% 1.282.594 44% 548.453 28% 216.033 14% Ativo Não Circulante 2.827.871 76% 2.684.786 77% 1.646.622 56% 1.400.592 72% 1.353.799 86% Ativo/Passivo Total 3.724.521 100% 3.501.663 100% 2.929.216 100% 1.949.045 100% 1.569.832 100% Passivo Circulante 504.883 14% 548.514 16% 228.917 8% 329.972 17% 249.996 16% Passivo Não Circulante 1.010.499 27% 947.550 27% 695.539 24% 535.699 27% 303.163 19% Patrimônio Líquido 2.209.139 59% 2.005.599 57% 2.004.760 68% 1.083.374 56% 1.016.673 65%

KROT 2012 2011 2010 2009 2008

Ativo Circulante 540.543 14% 457.129 15% 200.922 18% 504.235 58% 213.122 40% Ativo Não Circulante 3.243.377 86% 2.509.343 85% 893.864 82% 364.770 42% 320.893 60% Ativo/Passivo Total 3.783.920 100% 2.966.472 100% 1.094.786 100% 869.005 100% 534.015 100% Passivo Circulante 368.557 10% 583.682 20% 133.768 12% 49.368 6% 60.327 11% Passivo Não Circulante 1.169.159 31% 907.459 31% 144.842 13% 26.219 3% 28.603 5% Patrimônio Líquido 2.246.204 59% 1.475.331 50% 816.176 75% 793.418 91% 445.085 83%

ESTC 2012 2011 2010 2009 2008

Ativo Circulante 511.227 41% 492.239 46% 390.428 49% 350.483 51% 332.919 51% Ativo Não Circulante 728.583 59% 576.479 54% 414.108 51% 337.845 49% 319.923 49% Ativo/Passivo Total 1.239.810 100% 1.068.718 100% 804.536 100% 688.328 100% 652.842 100% Passivo Circulante 193.312 16% 134.668 13% 139.498 17% 163.142 24% 157.921 24% Passivo Não Circulante 339.463 27% 315.115 29% 79.140 10% 71.742 10% 77.531 12% Patrimônio Líquido 707.035 57% 618.935 58% 585.898 73% 453.444 66% 417.390 64%

Da análise vertical, observa-se que a Anhaguera e a Kroton tem o grupo de conta de Ativo não Circulante mais expressivo percentualmente que a Estácio. Isso é reflexo das aquisições efetuadas pelas companhias, cujos ativos adquiridos são registrados em grande parte na conta de ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill), não amortizável por não ter vida útil definida, com o valor recuperável testado anualmente.

A tabela 3 apresenta a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) de 2009 a 2012 das empresas estudadas. Nela se observa o crescimento da Kroton, empresa que apresentou recuperação em seus resultados.

Tabela 3: Análise horizontal da DRE das empresas Fonte: DFPs das companhias, elaborado pela autora

ANÁLISE HORIZONTAL