4. ANÁLISE DOS DADOS
4.4 PANORAMA GERAL DOS TIPOS DE ENDIVIDAMENTOS E SEUS
Foram feitas duas questões acerca do tema do tópico, para buscar entender quais os fatores que levam os indivíduos a endividar-se.
Para o primeiro questionamento, foi pesquisado o tipo de dívida que os indivíduos possuem, representada na “Figura 12 – Tipo de dívidas que os respondentes possuem”, nesse gráfico foi pesquisado qual seria o tipo de dívida que mais compromete a renda do indivíduos, dessa forma, apesar de poder haver mais de uma resposta para esse questionamento, os indivíduos selecionaram apenas uma.
Figura 12 - Tipo de dívidas que os respondentes possuem
Fonte: Pesquisa realizada pelo próprio autor.
No gráfico é possível observar que o maior tipo de dívida percebido pelos respondentes são as dívidas com cartão de crédito e debito, entretanto é preciso ponderar que não existe apenas um tipo de dívida, e nesse sentido esse gráfico dedicou-se a averiguar a percepção do indivíduo sobre qual o maior tipo de dívida que este tem.
Como dito anteriormente Veludo et. al. (2004) explica que a popularização do cartão de crédito trouxe uma mudança comportamental nos indivíduos consumidores e nesse sentido, houve um aumento do uso do cartão de crédito que acaba gerando inadimplência se mal utilizado.
Seguindo nessa linha, Bernthal; Crocket e Rose (2005) também atrelam o uso do cartão de crédito como um meio de libertação do indivíduo, que ao mesmo tempo o proporciona muito poder que acaba por ser restringido pela contração de dívidas excessivas.
A questão é que a educação financeira preza pelo uso inteligente do cartão de crédito, que pode vir a servir em diversas situações como uma maneira de ajudar em necessidades básicas ou até mesmo emergenciais.
Como o BCB (2013) explica, existem certas vantagens e desvantagens quanto ao uso do cartão de crédito, dentre as vantagens está: a antecipação do consumo quando um indivíduo não dispõe dos recursos suficientes para a compra do bem ou serviço no ato; a possibilidade do crédito de resolver situações emergenciais; ou o aproveitamento de oportunidades em que certas ocasiões a utilização do crédito pode
28% 2% 10% 2% 9% 19% 23% 7%
Tipos de dívidas
Dívidas com cartão de cred/debDívidas com cheque especial e/ou cheque pré-datado.
Crédito consignado e/ou pessoal Empréstimos com terceiros (pessoal ou pesssoa finaneira) Carnês
Financiamento de carro e/ou casa Outros
ser utilizado para fechar um bom negócio. Sendo importante estar ciente das condições financeiras para arcar com prestações.
Da mesma forma o BCB (2013) também apela para os cuidados quanto ao mau uso do cartão de crédito, que pode gerar dívidas desnecessárias por motivos torpes, ao adquirir um bem que compromete o orçamento do indivíduo sem precisar dele.
Em seguida, encontra-se os financiamentos como principal causador de dívidas entre os indivíduos. Tommasi; De lima (2007), salientam que é preciso estar atento a bens duráveis, quanto a forma de sua utilização e portanto, ao utilizar um financiamento, este deve ser utilizado de maneira que gere retorno ao indivíduo, como ele exemplifica no caso de um carro econômico que seja utilizado para fins diários de transporte para o trabalho, utilizando do financiamento disposto por bancos, cooperativas ou consórcios de financeiras.
O último item com maior percentagem diz respeito a antecipação de consumo ao qual se refere o Banco Central do Brasil, só que, ao invés de utilizar o crédito, o indivíduo opta pelo empréstimo seja este consignado ou pessoal. Este empréstimo é na perspectiva de Beal e Delpachitra (2003), um sintoma de baixa alfabetização financeira e, portanto, um condicionante para uma educação financeira precária, é a antecipação do consumo por meio de empréstimos ou uso compulsivo de cartões de créditos geram dívidas ainda piores que tornam complicada a saúde financeira do indivíduo que acomete a tal erro.
Esse tipo de crédito deve ser usado em último caso, quando o dinheiro se faz necessário em caso de um acidente ou qualquer outro tipo de situação emergencial. Por último um adendo importante que é possível ser observado é que diante do primeiro gráfico sobre endividamento houve 13% dos respondentes que afirmaram não possuir dívidas enquanto nesse gráfico há 7% de respostas nesse sentido, isso demonstra que mesmo aqueles 13% ainda assim consideram ter algum tipo de dívida, mas que por algum motivo não as considera relevantes tendo como base a resposta inicialmente dada e relatada na figura 9.
Já a “Figura 13 – Motivos que levaram os respondentes a endividarem-se”, tem como objetivo demonstrar as motivações que levam os indivíduos a endividar-se ou a comprometer a renda destes com dívidas.
Porém, antes de analisar os dados, vale ressaltar as motivações dos indivíduos e o que pode leva-los ao endividamento. Nessa linha, Fiorentini (2004) estabelece que os indivíduos que se endividam possuem dificuldade financeira, ou seja, pouca ou nenhuma renda, desemprego contribui para tal fator, falta de planejamento financeiro, compras para terceiros, atrasos no salário, comprometimento da renda com bens ou serviços fúteis, doenças, má fé, entre outros, o que pode ser agravado diante uma crise econômica do país.
Figura 13 - Motivos que levaram os respondentes a endividarem-se
Fonte: Pesquisa realizada pelo próprio autor.
Nesse gráfico, antes de exaltar as informações encontradas é preciso relatar que como houve múltiplas respostas não foi possível obter a porcentagem precisa de respostas já que era uma questão que abriu a possibilidade de múltiplas escolhas. Apesar desse pequeno problema é possível observar que existem quatro opções marcadas com maior frequência pelos respondentes, sendo elas: a falta de planejamento financeiro; aumento de gastos essenciais ou situações imprevistas; não possuir capital para quitar a compra; e por último, a facilidade de crédito para compras a prazo.
Percebe-se que entre os principais está o planejamento financeiro, que é essencial para a boa gestão do crédito e dos recursos financeiros, a gestão financeira é feita através do planejamento, saber onde está saindo e entrando os recursos, para onde está indo, se existe a possibilidade de reduzir gastos e aumentar as receitas,
8 8 7 2 0 8 1 6 8 0 5 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Não fez planejamento financeiro
Aumento de gastos/surgimento de necessidades previstas Compras por impulso, sem necessidade Redução de rendimentos (diminuição de…
Atraso de salário Facilidade de crédito para compra a prazo Compras por influência de costumes, relações sociais,…
Compras sazonais (ex: compras de final de ano) Não possui capital para quitar o gasto no momento da…
Outros Não possuo.
entre outras coisas, o planejamento financeiro serve justamente para melhorar a saúde financeira dos indivíduos.
É por meio do planejamento financeiro que a educação financeira ganha maior destaque, já que, pensando numa perspectiva onde o indivíduo possui conhecimentos avançados nas áreas financeiras, mas não as organiza de forma a tirar maior proveito dessas vantagens, de nada vale tê-las. Por esse motivo que são observadas todos os conhecimentos sobre finanças e, por último, a questão de planejamento financeiro.
O aumento de gastos essências ou situações imprevistas, pode ser considerado um sintoma da falta de planejamento financeiro, entretanto, não se pode concluir que a falta de planejamento financeiro é o problema principal que incorre nessa situação, por vezes, mesmo com o planejamento financeiro pessoal ou familiar, pode ocorrer situações onde é necessário fazer a compra de um bem ou serviço devido a necessidade deste para o indivíduo.
O BCB (2013) alerta sobre esse tipo de situação, ponderando sobre a utilização do crédito para situações emergências, como acidentes residências com pessoas idosas, acidentes com automóveis, dentre outros imprevistos que podem ocorrer e não se tem como prevê-los. O que pode ser feito para esse tipo de situação é ter uma reserva para situações emergências, tanto o BCB (2013) quanto Gunther (2008) alertam sobre a poupança para tanto ter reservas futuras quanto para utiliza-la para essas imprevisões.
Já nas situações onde ocorreram as respostas correspondentes a “não possuir capital para quitar a compra”, ou seja, o indivíduo não tinha condições de obter o bem no momento e optou para a compra parcelada, à prazo. Nessas situações podem ocorrer dois tipos de interpretações uma que Santos (2014) explica por meio do endividamento como problema de consumo compulsivo, onde os indivíduos buscam no material um prazer ou até mesmo a felicidade por meio da obtenção de um produto novo, que em muitas vezes não têm uma utilidade clara para ele e mesmo assim, causa uma sensação de bem-estar que o faz repetir o impulso e contrair dívidas exponenciais. Não há problemas quando o indivíduo guarda parte da renda para obter um bem material nova, como um smartphone desejado, ou um carro novo desejado, o que Santos (2014) alerta é que, dentro do problema do endividamento, existem indivíduos que compram bens, muitas vezes para ter a emoção momentânea de obter aquele bem e sem ter feito um planejamento prévio antes de compra-lo. O que pode
ser caracterizado como um distúrbio, que acontece com uma grande quantidade de indivíduo, pelo bombardeio de informações que recebem dia-a-dia, Silva (1995) elucida que a propaganda de marketing aguça os sentimentos dos alunos para a compra de objetos, além disso, há também fatores socioculturais como o comentário de amigos, o uso de membros da família, grupos de referência também exercessem influência no indivíduo.
Com o advento da internet a propaganda de marketing ganhou ainda mais poder, já que com apenas alguns cliques o indivíduo pode comprar um bem em outra cidade, estado, ou até mesmo, país.
E de outro lado como Tomassi; De Lima (2007) e BCB (2013) explicam, a utilização de crédito para financiamento (que é um dos fatores que leva os indivíduos a não terem capital para quitar compras) pode ser utilizada para situações onde são bens duráveis são necessários e que podem auxiliar o indivíduo, pensando no exemplo de Tomassi; De Lima (2007), os autores ponderam que, ao comprar um automóvel, que é um bem durável, para a utilização deste veículo para locomoção para trabalho, por exemplo, deve-se levar em consideração a economia proporcionada pelo veículo, em questão de autonomia, que seria a capacidade do veículo de andar uma quantidade X de quilômetros para cada litro de gasolina ou álcool gasto.
Nesse sentido, a compra do carro, ajuda o indivíduo para locomover-se para seu trabalho e, além disso, possui um gasto calculado, não trazendo grandes prejuízos para o orçamento/planejamento financeiro deste.
Por último, o critério que teve maior frequência de respostas foi sobre a facilidade de obter crédito para compras a prazo. Esta opção, está em conjunto com o que BCB (2013) alerta sobre os critérios de uso do crédito para compras a longo prazo e ao mesmo tempo seus problemas, entre os conceitos para a boa utilização do crédito para compras a prazo, ou a longo prazo, estão:
Em complemento ao que BCB (2013) alerta sobre as vantagens e desvantagens do uso do crédito, Ferreira (2006) trata das decisões de longo prazo como algo que requer maior capacidade financeira do indivíduo, de forma geral os indivíduos buscam vários bens simultaneamente para adquirir algo, de maneira que não o prejudique, para tanto, deve-se optar pelo que é mais significativo e importante no momento.