2.4 ENDIVIDAMENTO
2.4.1 Possíveis causas do endividamento
O endividamento pode ocorrer de diversos setores, tendo em vista que indivíduos sem educação financeira são mais vulneráveis e suscetíveis a contrair dívidas, esta pode agravar-se diante de crises econômicas que levam ao aumento do desemprego, fechamento de comércios e fábricas, além do aumento da inflação e consequentemente dos preços dos produtos ou serviços.
Nesse sentido, Fiorentini (2004) esclarece que os possíveis fatores que levam os indivíduos a ficarem endividados estão na: dificuldade financeira pessoal impossibilitando o pagamento das obrigações, desemprego, falta de controle nos gastos, compras para terceiros, atrasos salariais, comprometer a renda com despesas pífias, doenças, má fé, entre outros, que geralmente são agravados diante de crises econômicas enfrentadas pelo país. Fiorentini (2004) ainda argumenta que quando o
indivíduo assume compromissos além de sua capacidade de pagamento acaba por afetar sua renda.
Já Santos (2014) trata o endividamento no âmbito do consumo excessivo que pode ser relacionado ao consumismo, segundo o autor, o materialismo ocorre quando um indivíduo vê nos bens materiais a manutenção de um estado mental positivo, sendo este apego ao material um bem-estar para tais indivíduos. Santos (2014) ainda explica que o consumo excessivo trata-se de um comportamento deliberado de compras, que vão além do que o indivíduo pode obter com sua renda.
Fiorentini (2004) enxerga que o endividamento está em muito relacionado a fatores externos ao indivíduo, onde o desemprego ou uma crise econômica podem gerar uma situação onde este não consegue manter seu saldo positivo, contraindo cada vez mais dívidas diante dos problemas apresentados. Já Santos (2014) vai além e vê o endividamento como um problema compulsivo e de consumo, onde os indivíduos buscam no material um prazer ou até mesmo a felicidade por meio da obtenção de um produto novo, que em muitas vezes não têm uma utilidade clara para ele e mesmo assim, causa uma sensação de bem-estar que o faz repetir o impulso e contrair dívidas exponenciais.
Silva (1995) pondera que os indivíduos tomam decisões diante de fatores tanto internos quanto externos, tendo vários estímulos que os conduz ao consumo. Diante das percepções externas, o autor salienta que as propagandas de marketing é o principal responsável pela tentativa de o vendedor persuadir o comprador a adquirir o bem ou serviço (que em muitos casos não agregam em ganhos úteis ao consumidor) que acabam por gerar complicações financeiras futuras. Já no âmbito interno, o autor explica que existem fatores psicológicos que influenciam na decisão de compra do consumidor, constituídos em vários casos como: motivação, personalidade, percepção, aprendizagem e atitudes.
Silva (1995) também elucida que além dos motivadores externos impulsionados pela propaganda de marketing, há também fatores socioculturais como o comentário de amigos, o uso de membros da família, grupos de referência também exercessem influência no indivíduo.
Portanto, conclui-se diante do que foi exposto que além dos critérios do mau uso dos recursos, há também as influências psicológicas, tanto internas quanto
externas que persuadem o consumidor a fazer a compra, mesmo não existindo uma utilidade coerente para tal uso do bem adquirido ou do serviço prestado.
Lelis (2006) diz que o consumidor sempre escolhe e seleciona alternativas que seu comportamento é baseado basicamente na tomada de decisões, nesse sentido, é possível afirmar que como há escassez de recursos, às necessidades e desejos são ilimitados, o que significa que a tomada de decisão está correlacionada aos hábitos comportamentais dos indivíduos, tendo em vista que alguns hábitos ruins geram complicações financeiras (CERBASSI, 2004).
Vieira, Bataglia e Sereia (2011) afirmam que decisões financeiras pessoais influenciam na economia de modo geral, estando vinculadas a questões como inadimplência, endividamento das famílias e a incapacidade de fazer premeditação futuro.
Kotler e Keller (2012, p. 176) por sua vez, acrescentam que o consumidor toma decisões por vezes inconscientes e irracionais. Alguns bens ou serviços, bem como marcas famosas podem criar percepções de orgulho, felicidade e confiança para estes indivíduos que reagem ao bem observado.
Essas revelações analisadas por Kotler e Keller (2012) aplicam-se transversalmente à população mais jovem, já que ao obter certos bens, esses jovens ficam aptos a fazer parte do grupo, sendo alguns fatores emocionais, como a insegurança, o responsável por esse tipo de comportamento.
Por fim, o BCB (2013) também alerta quanto aos tipos de dívidas existentes, como:
As despesas sazonais, que ocorrem em determinado período do ano, como o pagamento de IPTU, IPVA, Imposto de Renda ou material escolar, há também os gastos em datas como Natal, ano novo, páscoa, entre outros. O BCB também alerta para a falta de planejamento e controle que pode provocar despesas imprevistas, levando os indivíduos a contratar operações de crédito como financiamento ou empréstimos;
Marketing sedutor – São estratégias que convencem o consumidor, e vão no âmago do subconsciente deste, fazendo-os gastar com bens ou serviços que muitas vezes não são utilizados;
Orçamento deficitário – Muitos indivíduos gastam além de sua renda mensal, por vezes, para parecer ter algo, sem sê-lo. Com a facilidade de crédito,
oferecida por diversas instituições e até mesmo lojas, é comum pessoas fazerem compras a prazo que, geralmente, comprometem a situação financeira das famílias;
Redução de renda sem redução de despesas – Outro problema que ocorre, e que gera endividamento nos indivíduos é quando a renda é perdida e as despesas continuam altas. É imprescindível nessa situação reavaliar o orçamento familiar.
Despesas emergenciais – situações inusitadas ou emergenciais ocorrem quando se menos espera: a batida de um veículo, um acidente de bicicleta, doença, etc. Nesses momentos, é preciso ter uma poupança ou valor resguardado para garantir o encobrimento dessas eventualidades.
Esses são alguns pontos abordados pelo BCB (2013), sobre tipos de endividamento que causam problemas financeiros para os indivíduos, é preciso ressaltar que, orçamento tanto pessoal quanto familiar é imprescindível para evitar gastos desnecessários e ter reservas para momentos específicos de necessidade.
Diante do que foi apresentado foi possível afirmar que além de fatores macroeconômicos, pessoais e psicológicos os indivíduos tendem a consumir por ter hábitos que os levam a condições financeiras deficitárias, por esse motivo, a educação financeira tem o poder de fazer com que os indivíduos tenham mais responsabilidade sobre seus atos e sobre seus escassos recursos que deveriam ser preservados para quando forem necessários ou até o ponto em que ele consiga obter a liberdade financeira que o possibilite a fazer o uso do dinheiro sem prejudicar suas finanças pessoais.