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Panorama sobre a Sustentabilidade

No documento Download/Open (páginas 84-87)

A sustentabilidade no planeta é questão de sobrevivência da espécie humana. Portanto, deve ser tratada como prioridade e a única forma de fazer valer alguma coisa em prol da sociedade é elege–la ao status de bem maior de domínio público. Para tanto, faz-se necessário à elaboração e aplicação de normas jurídicas que tenham poder de coação.

No Brasil como explicitado acima, existe farta legislação que regulamenta

a gestão das nossas riquezas naturais. Mesmo assim, atravessamos um momento delicado no qual verificamos a degradação de vários biomas brasileiros.

Delimitamos um deles, como objeto de estudo, Cerrado ‘cidade de Cristalina – Goiás’.

Demonstramos não só, o paradoxo entre a produção e a preservação no município mencionado, com já descrito no capítulo I. Mas sobretudo, destacamos que além das propostas disseminadas na Agenda 21 que são asseguradas pela legislação pertinente. Existem graves falhas na aplicação das normas reguladoras pertinentes a gestão ambiental que impedem a boa manutenção do meio natural.

Para verificarmos a falha discorreremos sobre os instrumentos de positivação das Leis e de fatos que impedem a sua positivação e eficácia.

Desde já destacamos que a ineficiência da aplicação da legislação é fruto e conseqüência da filosofia de produção capitalista vigente no País. Bem como, da negligência ou mesmo falta de interesse dos atores relacionados à produção.

Ao fazermos as pesquisas para subsidiar esta dissertação, encontramos grandes dificuldades relacionadas à obtenção de dados/informações pertinentes ao assunto tratado.

Ex vi.: Para encontrar dados estatísticos/mapas da região delimitada etc. Fizemos contatos com diversos órgãos Secretaria do Planejamento (SEPLAN); Federação Agricultura do Estado de Goiás (FAEG); Agência Ambiental; Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Secretaria da Agricultura; Instituto Brasileiro de Cartografia e Estatística (IBGE), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (IBAMA) etc, buscando encontrar informações referentes a dados tais como: mapas do Cerrado/Centro–Oeste/Goiás, mapa da vegetação da cidade de Cristalina demonstrando o desmatamento pela produção de soja de pelo menos os últimos

cinco anos; dados referentes às áreas ocupadas com a plantação da oleaginosa, dados referentes ao percentual produzido, dados referentes ao número de outorgas de pivôs centrais etc.

Foi com surpresa e decepção que nos deparamos com a tarefa mais difícil do nosso trabalho. Haja vista, a má vontade e o desencontro de informações, pois os órgãos relacionados que detém as informações sobre o tema abordado, estão sempre nos tratando como ‘batata quente’. Ao fazermos contato com os responsáveis pela gestão dos recursos naturais tratados na dissertação, tivemos muitas dificuldades, pois, este não tem interesse em nos fornecer dados concretos. O máximo que estes órgãos se dispõem a fazer e nos fornecer o site e nos encaminhar de um órgão para outro.

Vale mencionar que, todos atendentes dos órgãos mencionados nos orientaram a fazermos a pesquisa no endereço eletrônico, com o argumento de que lá encontraremos tudo que necessitamos. Frisa–se, a dificuldade em adquirir informações é enorme! Tanto pela deficiência das informações oferecidas nos sites, como pela impossibilidade de salvar ou mesmo imprimir qualquer dado encontrado pertencente a estes sites.

O descaso das pessoas que trabalham nos órgão e institutos responsáveis pela gestão e fiscalização dos recursos naturais são entraves encontrados que dificultam nossa pesquisa dissertativa. Também somos penalizados pela falta de coesão e interação dos órgãos gestores dos recursos naturais.

Pelo exposto, constata - se que foram abordados quatro ou cinco órgãos com a intenção de obter dados/informações relativos ao mesmo assunto.

Foi um calvário! Onde nos deparamos com a falta de interesse, informações desencontradas, sites mal elaborados, dificuldades tecnológicas, etc. A ineficácia na positivação das Leis e seus propósitos iniciam–se daí.

Falta competência, boa vontade, coesão e ainda, interação e por parte dos órgãos.

Ou seja, ninguém fala a mesma língua. Não há preocupação por parte da gestão pública em fazer um trabalho em conjunto compartilhando experiências, tampouco coerentes com os seguimentos determinados no plano diretor que são comuns para todos os órgãos.

Vale lembrar que o vilão da história não é a ausência de normas ou a previsão de órgãos fiscalizadores ou executores das normas. E sim, a ausência de bom senso e vontade política para aplicá–las, talvez porque estas não comungam com a Lei do mercado.

A lógica do modelo capitalista, visando somente ‘lucro e poder’, desenvolve tecnologias para o incremento do cultivo objetivando avançar com intensidade e voracidade sobre as fronteiras agrícolas. Tal atitude respalda–se na justificativa de produzir mais em menor tempo e espaço para atender a crescente demanda demográfica. Na verdade, atendem a interesses unilaterais em detrimento da degradação da natureza sem se preocupar com a fragilidade do sistema ambiental. No entanto, verifica-se que tal voracidade coloca em crise o equilíbrio dos ecossistemas e da sobrevivência das espécies.

Castro (2001, p. 654) constata que:

A cada segundo a terra ganha três novas bocas e perde mil metros quadrados de solo agrícola. A cada 10 anos uma nova China nasce nas regiões mais pobres da terra. A evolução preparou - nos para competir com as outras espécies, para sobreviver e multiplicar. No entanto, a evolução não nos equipou o suficiente para entender ou lidar com a ameaça que nos impomos com o descontrolado crescimento demográfico. Todas as desgraças que atingem a humanidade estão legadas, basicamente, ao crescimento populacional.

O conceito de desenvolvimento sustentável estabelecido na conferência

da ECO 92 Agenda 21 (1996, p. 210), determina no Princípio 10 da Declaração do Rio de Janeiro sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento que:

O melhor modo de tratar as questões ambientais é com a participação de todos os cidadãos interessados, em vários níveis. No plano nacional, toda pessoa deverá ter acesso adequado à informação sobre o ambiente de que dispõem as autoridades públicas, incluídas a informação sobre os materiais e as atividades que oferecem perigo em suas comunidades, assim como a oportunidade de participar dos processos de adoção de decisões. Os Estados deverão facilitar e fomentar a sensibilização e a participação do público, colocando a informação de todos. Deverá ser proporcionado acesso efetivo aos procedimentos judiciais e administrativos, entre os quais o ressarcimento de danos e os recursos pertinentes.

O panorama que descortina–se, refere-se à manutenção da

sustentabilidade em qualquer seguimento seja na produção agropecuária, industrial, na organização social ou cultural. Esbarra no problema maior que é a manutenção do ‘mercado’, que compromete o bom senso e a aplicabilidade das Leis.

A falta de bom senso e boa vontade de homens gananciosos, comprometem a eficácia das normas, diante deste fato, não adianta termos uma das constituições mais completa e justa do mundo, seguida de diversos diplomas infraconstitucionais, ou um país com grandes riquezas naturais, se o que nos falta é bom senso e boa vontade.

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