CAPÍTULO 3 OS PAPÉIS GENERALIS TAS DO ASSIS TENTE SOCIAL
3.2. OS PAPÉIS GENERA LISTAS DO ASSISTENTE SOCIA L
3.2.3. PAPÉIS EXECUTIVOS
Segundo Beckett (2010, p. 51) os papéis Executivos são muito característicos do Serviço Social, sendo mesmo, em muitos contextos profissionais, o papel principalme nte desempenhado pelos Assistentes Sociais. Deste modo, os papéis Executivos mereceram a centralidade da sua investigação uma vez que, segundo o mesmo, fazem do Serviço Social um tipo de atividade distinta de advogados especialistas e terapeutas/conselheiros que apenas realizam papéis de Trabalho Direto. Todavia, apesar de ser percetível que os papéis Executivos são, para a generalidade dos Assistentes Sociais, os papéis menos glamorosos, a verdade é que eles são, indiscutivelmente, o que separa e distingue o Serviço Social de outras atividades e, como o autor refere, eles são a sua alma.
Através dos papéis Executivos, o Assistente Social engaja a sua intervenção numa perspetiva de mudança social recorrendo, para tal, não ao aconselhamento promovido pelo Trabalho Direto, mas sim aos recursos externos existentes na localidade em que este intervé m. Quando falamos em recursos externos, referimo-nos a recursos materiais, como dinheiro ou habitação; a poderes legais, conferidos por ordem judicial; a poderes diretamente conferidos ao Assistente Social pela lei e a serviços fornecidos por outras entidades sociais, designadame nte
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por Assistentes Sociais especializados. Desta feita, num papel Executivo, o trabalho do Assistente Social incide não no utente propriamente dito, mas em todo o seu ambiente envolvente.
Ao que ao papel Executivo diz respeito, é possível verificar que é extensível a inúmeros campos sociais e que as posições assumidas pelos Assistentes Sociais são igualmente vastas. Como tal, o autor identifica 6 tipos de papéis Executivos, como podemos observar na tabela 8.
Tabela n. º 8 – Os tipos de papéis Executivos
Tipo de papel Executivo Caraterísticas
Porteiro Como porteiro o Assistente Social tem acesso a uma variedade de recursos tendo em vista a sua distribuição pelos utentes que mais necessitam. Em primeira instância, o dever do Assistente Social passa por recolher informações preliminares sobre os potenciais utentes/beneficiários a fim de poder discernir, posteriormente, quem mais necessita do serviço e em que nível de necessidade se encontra. Como tal, o Assistente Social atua num papel Executivo de Porteiro, realiza ndo uma triagem à população, permitindo aceder aos serviços apenas os utentes que deles necessitam. É um papel usual nos serviços públicos oficiais, como por exemplo, na Segurança Social, sendo considerado um dos papéis menos glamorosos e mais burocráticos do Serviço Social.
Gestor/Coordenador de Cuidado
É um dos papéis mais comuns e também mais distint i vos do Serviço Social e passa por organizar e supervisionar a atribuição de serviços por outros Assistentes Sociais. Neste papel, o autor exemplifica com o exemplo de um Assistente Social especializado em cuidados a pessoas idosas que avalia as suas necessidades, identifica outros serviços e providencia serviços específicos para gerirem e reavaliarem, ao longo do tempo, os resultados dos serviços aplicados, realizando este papel de gestor e coordenador de cuidado.
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Titular de Responsabilidade Por vezes, os Assistentes Sociais desempenham um papel em que assumem a responsabilidade por determinados utentes que não têm, por variadas razões, responsabilidade pelas suas próprias decisões. Por exemplo, o Assistente Social pode assumir a responsabilidade pela gerência dos recursos finance iros de pessoas idosas que estão demasiado confusas mentalmente para gerirem o seu dinheiro. Outro exemplo, ocorre comumente em Inglaterra e no País de Gales, onde por vezes os Assistentes Sociais assumem a responsabilidade parental sobre crianças em que os pais, por diversos motivos, não conseguem garantir que certas decisões sejam tomadas.
Agente de Controlo O Assistente Social pode desenvolver um papel em que assume uma posição de controlo sobre os seus utentes, fazendo, para tal, exigências às quais eles estão obrigados a cumprir, podendo mesmo necessitar de impor mudanças independentemente dos seus desejos. Neste sentido, no papel de Agente de Controlo, o Assistente Social pode atuar através dos seus próprios poderes legais recorrendo a sanções, se necessário. Por exemplo, um Assistente Social que trabalhe com jovens institucionalizados e considere necessário, pode agendar atendimentos regulares para controlar uma situação de perigo potencial e pode impor ao jovem que, no caso do mesmo não aceitar colaborar, será encaminhado para o justiça e no tribunal serão impostas sansões legais.
Coordenador Multi - Agências
É com muita frequência que os Assistentes Sociais desempenham um papel de Coordenador de atividades como um todo, ou seja, articula os mais diversos grupos profissionais em prol de uma atividade. Por exemplo, num caso em que um plano de proteção a um jovem foi aprovado, o Assistente Social pode ser responsável por se
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certificar que o plano de trabalho acordado entre os profissionais e a família está a ser posto em prática. Neste sentido, o Assistente Social é um Coordenador Multi - Agências, articulando os contributos da família e das agências.
Este papel, apesar de ter traços em comum com o papel de Gestor e Coordenador de Cuidado na medida em que ambos gerem os serviços de outros, a verdade é que, enquanto que ao gerir o cuidado, o Assistente Social tem controlo sobre a sua avaliação e gestão, neste caso, encontra-se numa posição de Coordenação de atividades de outros, não tendo qualquer controlo direto.
Empoderador de serviços Muitos Assistentes Sociais têm pouco ou nenhum contato com os ambientes dos utentes, no entanto, estão envolvidos no aperfeiçoamento e na manutenção de serviços atribuídos por outros. Neste papel, o Assistente Social gere, coordena, suporta e monitoriza o trabalho de outros Assistentes Sociais, no sentido de aperfeiçoar os seus projetos, incorporando, como tal, novos serviços. O papel de Desenvolver Serviços está intrinsecame nte vincado na atuação dos Assistentes Sociais educadores que garantem e maximizam, a toda a instância, a qualidade dos serviços.
Fonte: Adaptado de Beckett (2010, pp. 52-54)
Independentemente do tipo de papel Executivo desenvolvido pelo Assistente Social, transversalmente, o Assistente Social tenta suportar mudanças e manter a estabilidade, não através de interação com o utente, mas sim ao promover mudanças no ambiente do utente recorrendo, para tal, ao contato com os mais variados serviços disponíveis na rede local do indivíduo. É esta dinâmica de articulação que distingue os papéis Executivos dos papéis de Trabalho Direto, contudo, importa salientar que as competências interpessoais são igualme nte fundamentais neste papel, tais como habilidade de comunicação e de saber ouvir, assertividade, habilidades de negociação e a habilidade de usar a autoridade, que é extremamente necessária
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para efetuar papéis Executivos. Tanto em papéis Executivos como de Advocacia, em que não há Trabalho Direto propriamente dito, estas habilidades continuam a ser imprescindíveis para que a intervenção resulte. Isto porque mesmo em papéis Executivos ou de Advocacia o Assistente Social necessita ter uma grande capacidade de comunicação e de negociação para conseguir atuar nos ambientes dos utentes, persuadindo positivamente médicos, policias, advogados ou mesmo vizinhos do utente.