5 GOVERNANÇA AMBIENTAL
5.2 O PAPEL DO ESTADO E DAS POLÍTICAS PÚBLICAS NOS PROCESSOS DE
Esta seção apresenta a Agenda 2030 e seus respectivos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) dentre outras iniciativas promovidas pelo Estado enquanto políticas públicas para a promoção de uma sociedade preocupada com a ecologização, numa cultura ambientalmente sustentável14. Enquanto principal direcionador de sustentabilidade nos órgãos públicos, conhecer a perspectiva da Agenda 2030 permite observar a interação de outros atores que também interagem com a RFECT na educação para a ecologização, assim como a sua relação e contribuição com a sociedade.
Seguindo a lógica de Brand (2013) debates sobre o “New Deal Verde” ou a “Economia Verde” foram apresentados como uma solução para os problemas do capitalismo predatório. A maioria daqueles que participaram do debate presumem que apenas com uma estrutura política adequada, uma mudança de direção para o crescimento verde e uma economia verde, inovações e criação de empregos “verdes”, todos os graves problemas ambientais que afligem o planeta serão resolvidos, e, ao mesmo tempo, criar uma situação vantajosa para empresas, funcionários e natureza. No entanto, atualmente está longe de ser certo que as estratégias políticas que a economia verde propõe, na prática, promoverão um ‘esverdeamento’ do capitalismo e como.
Como as estratégias para uma economia verde focalizam principalmente as políticas públicas no sentido de transição, elas não questionam o “modo imperial de viver” nos centros do capitalismo, que depende e esgota recursos e trabalho em outras 14 Neste aspecto, ressalta-se que o cenário apresentado é o considerado ‘ideal’, presente em nossa Constituição (BRASIL, 1988) e legislação vigente, não representando – necessariamente – a opinião da autora em relação às iniciativas e ações dos atuais governantes na área ambiental.
partes do mundo (WISSEN & BRAND, 2012). Basicamente, trata-se de olhar a sociedade como uma série de relações sociais hegemônicas - nem todas exclusivamente capitalistas - e práticas cotidianas, ativas ou passivamente aceitas, baseadas em relações de poder e dominação.
Brand (2013) ressalta que as lutas e desenvolvimentos históricos estão inscritos no Estado, por meio de sua constituição legal e material, suas regras e políticas internas, seus modos, prioridades e tomada de decisões. Neste sentido, considera-se que as burocracias têm seus próprios meios, incentivos e justificativas, e têm um forte interesse em assegurar sua própria existência continuada. O conceito de Estado como relação social não pode contemplar apenas as relações de poder, ou seja, deveria também considerar os discursos generalizados agora naturalizados nas mentes da maioria.
Com a redefinição da agenda de desenvolvimento pós-2015, a ONU investe os seus esforços na elaboração dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) ou Agenda 2030, considerando uma melhor integração das várias dimensões da sustentabilidade (GUERRA & SCHMIDT, 2016). Com base nos sucessos alcançados pelos anteriores Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), procura-se agora concretizar a ação com metas e objetivos mensuráveis, integrando vertentes menos definidas, sem esquecer o necessário envolvimento de todos, na empreitada de mudança que se advoga (NAÇÕES UNIDAS, 2015).
A estrutura da Agenda 2030, está organizada em 17 ODS e 169 metas (MRE, 2016), que abrangem assuntos tão diversos e importantes como a erradicação da pobreza e da fome, a redução das desigualdades sociais, o acesso à saúde, à educação, à água e ao saneamento, o combate às alterações climáticas e à degradação dos ecossistemas marinhos e terrestres, a promoção de energia acessível e limpa, o reforço da igualdade de gênero, a produção e o consumo responsáveis, a sustentabilidade urbana, a criação de empregos, o acesso à justiça e o combate à corrupção, e o fortalecimento de instituições que protejam o bem comum. A confiança de que os ODS oferecem mais garantias de sucesso prende-se, fundamentalmente, à maior integração das desiguais necessidades sociais com os transversais imperativos ambientais (SACHS, 2015). Do ponto de vista social, Jackson
(2009) propõe enveredar por uma economia colaborativa, capaz de moldar novos estilos de vida, combater as desigualdades sociais por meio de políticas e mecanismos de redistribuição, generalizando o acesso à educação de qualidade, investindo em processos de efetiva capacitação e regulando o consumo e, consequentemente, a publicidade, melhorando a proteção de consumidores e promovendo o comércio justo.
Guerra & Schmidt, (2016) ressaltam que os ODS asseguram a aplicabilidade universal que abarca países e grupos sociais diversificados, o que os torna mais efetivos do que os anteriores Objetivos do Milênio, representando assim, novas formas de governança e envolvimento público.
O Brasil participou de todas as sessões da negociação intergovernamental e desempenhou papel fundamental desde a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) e tem mostrado grande empenho no processo em torno dos ODS, com representação nos diversos comitês criados para apoiar o processo pós-2015.
A coordenação nacional em torno da Agenda Pós-2015 e dos ODS resultou no documento de "Elementos Orientadores da Posição Brasileira" (BRASIL,2014), elaborado a partir dos trabalhos de seminários com representantes da sociedade civil; de oficinas com representantes das entidades municipais organizadas pela Secretaria de Relações Institucionais/PR e pelo Ministério das Cidades; e das deliberações do Grupo de Trabalho Interministerial sobre a Agenda Pós-2015, que reuniu 27 Ministérios e órgãos da administração pública federal
A Portaria nº 38, foi publicada no Diário Oficial da União de 24 de maio de 2017, com a nomeação dos representantes da Comissão Nacional de Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). A Comissão é considerada uma instância colegiada paritária, de natureza consultiva e tem como finalidade acompanhar, internalizar, interiorizar e difundir o processo de execução da Agenda 2030 em âmbito nacional.
Os nomes, que constituem a Comissão, foram escolhidos por um comitê de seleção, instituído pela Portaria nº 24 de 04/04/17, composto por representantes da sociedade brasileira - especialistas em dimensões do desenvolvimento sustentável e
com reconhecida contribuição à causa. Foram nomeados os representantes da sociedade civil, a Associação Nacional de Dirigentes das Instituições Federais do Ensino Superior (ANDIFES), Confederação Nacional da Indústria (CNI) Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social (ETHOS), Conselho Nacional das Populações Extrativistas, Fundação Abrinq pelos Direitos das Crianças e dos Adolescentes (Abrinq), Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), União Geral dos Trabalhadores (UGT) e a Visão Mundial.
Também compõem esta Comissão representantes de entidades estaduais - a Associação Brasileira de Entidades Estaduais de Meio Ambiente (ABEMA) e municipais - a Confederação Nacional de Municípios (CNM). O Governo Federal está representado na Comissão pela SEGOV-PR que a preside, a Casa Civil, e os ministérios de Relações Exteriores (MRE), do Meio Ambiente (MMA), do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão (MPDG) e do Desenvolvimento Social e Agrário (MDSA).
5.3 A HISTÓRIA É BREVE, MAS O CAMINHO É LONGO: LEGISLAÇÃO