Nível II Atividades desportivas dos Grupos-Equipa
2.11. Papel dos coordenadores regionais e locais
Desde sempre que a nossa sociedade é construída em organizações. Com as organizações, a funcionar de forma adequada, o produto é elaborado de forma mais eficiente e satisfatório do que seria com os indivíduos isoladamente (Gomes, 2001). O ser humano nasce em organizações, é educado em organizações para poder trabalhar depois nessas organizações, ou seja, as organizações alimentam-nos, entretêm-nos, governam-nos e castigam-nos (Mintzberg, 2010).
Chelladurai (1995) define gestão no desporto como sendo “a coordenação de recursos, tecnologias, processos, pessoal e contingências situacionais para uma produção e troca eficiente dos serviços desportivos” (p.68). Para Teixeira (2007) a gestão abrange a noção de coordenação que implica uma execução apropriada das suas funções tradicionais: planeamento, organização, liderança e avaliação, possuir competências administrativas necessárias e representar funções administrativas.
No programa de Desporto Escolar 2009-2013 é referido que as direções regionais de educação devem assegurar os recursos humanos necessários ao planeamento, acompanhamento e monitorização do desenvolvimento do programa do DE e respetiva aplicação no seu âmbito territorial. Refere igualmente, que as estruturas de nível local, regional e nacional, devem apoiar as iniciativas das instituições de ensino, assegurando a concretização do quadro competitivo, aos diversos níveis, dos projetos e programas do âmbito do DE. Cada uma das estruturas organiza a competição a seu nível, devendo para isso, recorrer ao apoio do conjunto de profissionais envolvidos no DE, no seu âmbito territorial (Gabinete do Coordenador do Desporto Escolar, 2009).
Como foi ilustrado no ponto “Enquadramento Organizacional do Desporto Escolar” há cinco coordenadores regionais, cada um com vários colaboradores e 24 coordenadores locais que também poderão ter professores de apoio. Uma estrutura enorme e segundo Mintzberg (2010) quanto mais complexa é a organização, mais gestores são necessários, não só gestores operacionais como gestores de gestores.
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Sabemos da importância desta estrutura intermédia, reconhecemos que não tem uma tarefa facilitada na procura de uma gestão equilibrada entre o imediato e os resultados a prazo, num organismo coordenador, que planeia, orienta e avalia centenas de quadros competitivos, entre outras atividades. Estamos de acordo com Teixeira (2007) quando diz que os responsáveis a nível local, deveriam ter um papel mais interventivo, no que diz respeito à avaliação e supervisão do funcionamento do DE em vez de se centrarem exclusivamente na organização dos quadros competitivos.
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A metodologia é um “conjunto de directrizes que orientam a investigação científica (Herman, 1983, p.5). Metodologia é uma preocupação instrumental, que trata das formas de fazer ciência e que cuida dos procedimentos, das ferramentas e dos caminhos da investigação (Demo, 1995). Para Costa (1987) metodologia é a estratégia integrada de pesquisa que organiza criteriosamente as práticas de investigação, incidindo sobre a seleção e articulação de técnicas de recolha e análise da informação.
Na opinião de Aires (2011), nos últimos vinte anos, desencadeou-se uma revolução silenciosa no seio das Ciências Sociais e Humanas que se tem materializado no aprofundamento teórico e metodológico de modelos de investigação divergentes do paradigma positivista dominante nas Ciências Sociais e Humanas. Para a autora deixou de dominar as estatísticas experimentais e passaram a coexistir a análise textual, a entrevista em profundidade e a etnografia. Salienta-se, agora, a mudança social, a etnicidade, o género, a idade e a cultura e aprofunda-se o conhecimento da relação entre investigador e investigação (Aires, 2011).
Das várias metodologias utilizadas, escolhemos a investigação qualitativa, segundo Patton (2002) é imprescindível para compreender um determinado grupo, um problema concreto ou uma situação especial, em grande profundidade, oferecendo uma quantidade e qualidade de informação particularmente rica. A investigação qualitativa “agrupa diversas estratégias de investigação que partilham determinadas características. Os dados recolhidos são designados por qualitativos, o que significa ricos em pormenores descritivos relativamente a pessoas, locais e conversas, e de complexo tratamento estatístico” (Bogdan & Biklen,1994, p.16).
Esta forma de investigação tem como ponto de partida os significados individuais e sociais de objetos, de atividades e de acontecimentos, evidencia a diversidade de perspetivas acerca deles, estuda as práticas e o saber dos participantes, analisa as interações sobre um determinado fenómeno e os modos de o promover ou de o remediar (Ritchie & Lewis, 2003). Este estudo recorre ao material empírico, para fundamentar os seus resultados, e também aos pontos de vista, experiências e opiniões de cada entrevistado. Para Bogdan e Biklen (1994) a investigação qualitativa possui cinco características: (1) Na investigação qualitativa a fonte direta de dados é o ambiente natural, constituindo o investigador o instrumento principal; (2) A investigação qualitativa é descritiva, ou seja, os dados recolhidos são em forma de palavras ou imagens e não de números; (3) Os investigadores qualitativos interessam-se mais pelo processo do que simplesmente pelos resultados ou produtos; (4) Os investigadores qualitativos tendem a analisar
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os seus dados de forma indutiva; (5) O significado é de importância vital na abordagem qualitativa. Isto não obriga, segundos os autores, a que todos os estudos, desta natureza, tenham necessariamente as cinco características.
O conceito de investigador distante foi colocado de parte e surgiu uma investigação mais centrada na ação, na linha do criticismo e da crítica social. “A procura de grandes narrativas é substituída por teorias de pequena escala centradas em problemas e situações específicas” (Denzin & Lincoln, Citado por Aires, 2011, p.12).
Para Bogdan e Biklen (1994) as estratégias mais representativas da investigação qualitativa e as que melhor ilustram as características atrás referidas, são a observação participante e a entrevista em profundidade. A opção pela metodologia qualitativa e especificamente por realização de entrevistas semiestruturadas, é suportada pela necessidade de uma compreensão precisa e profunda do entendimento que os professores de EF e os coordenadores regionais/locais possuem acerca do tema em questão, permitindo-nos dar conta da riqueza e singularidade do nosso foco de estudo. Foi desenvolvido um trabalho no sentido de recolher os dados necessários à concretização dos objetivos desta investigação, que voltamos a enunciar: (1) compreender a orgânica atual do DE e entender a forma como a Estrutura organizacional do DE se dispõe e se interliga; (2) analisar as representações dos professores de EF com grupo- equipa relativamente ao DE; (3) analisar as representações dos coordenadores regionais/locais relativamente ao DE; (4) comparar as duas representações, inferir os atributos que geram insatisfação e indicar soluções para uma melhoria.
Vamos abordar o campo de estudo, os instrumentos de recolha de dados e a forma de tratamento desses mesmos dados com a análise de conteúdo.
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