4 GUARDA COMPARTILHADA COMO MEIO DE EVITAR A SAP E A POSIÇÃO DO JUDICIÁRIO
4.4 O PAPEL DO JUDICIÁRIO EM RELAÇÃO A SAP
Diante destas considerações, cabe analisar o papel do poder judiciário
quando da verificação da ocorrência da Síndrome de Alienação Parental.
Devido ao grau de dificuldade para apurar se a síndrome está sendo
instaurada, verificando o magistrado ou demais operadores do direito
envolvidos no processo, bem como assistentes sociais e psicólogos, a
possibilidade de a acusação de abuso, do novo pedido de regulamentação de
visitas, ou até a cessação do direito de visitas sem motivo serem infundadas,
cabe o pedido de perícia multidisciplinar.
Esta possibilidade está elencada no artigo 5º da Lei de Alienação
Parental:
Art. 5o Havendo indício da prática de ato de alienação parental, em ação autônoma ou incidental, o juiz, se necessário, determinará perícia psicológica ou biopsicossocial.
Para Douglas Phillips Freitas, em virtude da estrutura atual do Poder
judiciário, por vezes os verdadeiros anseios e sentimentos das partes perdem o
significado, pois o magistrado se vê tolhido da realidade fática. 46
Desta idéia se extrai que os auxiliares influem diretamente no
convencimento do magistrado, pois estão mais próximos das partes. Ainda, o
referido autor menciona a importância da perícia:
Os peritos multidisciplinares, no momento da averiguação dos fatos, trazem ao processo uma amostra documentada da realidade
46
mediante seus conhecimentos técnicos especializados, pois eles participaram in locu daquilo que o magistrado não pode vislumbrar.47
Concluída a perícia, cabe ao juiz, com base no laudo pericial e demais
provas produzidas no processo e verificando a presença da SAP tomar as
medidas cabíveis, preservando sempre o melhor interesse do menor.
Contudo, em razão de a lei da guarda compartilhada ser recente e de a
guarda unilateral ser freqüente em virtude dos parâmetros culturais do pais,
esta é raramente aplicada, mas deve ser vista como nova saída quando da
ocorrência do distúrbio.
Neste sentido:
Quem dera a Lei da Guarda Compartilhada fosse aplicada com tanto rigor, (...). Certamente, reduziria os conflitos nas relações entre pais separados e seus filhos.48
A Síndrome de Alienação Parental é assunto em voga em virtude de sua
Lei recentemente promulgada, entretanto sua ocorrência é anterior e não rara.
Mesmo que inconscientemente pode vir a acontecer de influenciar um menor
contra um de seus genitores. Por este motivo os operadores de direito devem,
além de no caso concreto verificar a SAP e punir conforme a situações,
divulgar informações a respeito da síndrome e as punições cabíveis aos
alienantes. Desta maneira pode-se coibir a eventual campanha de difamação,
além de levar aos possíveis genitores alienados formas de procurar auxílio.
47
Idem Ibdem página 72. 48
Ainda, deve-se sempre primar pelo melhor interesse do menor, bem
como observar a doutrina da proteção integral, pois mesmo que o alienante
esteja ferindo o direito daquele de convivência familiar, principalmente se o
alienador for um dos genitores, retirar o convívio da criança ou do adolescente
para com este também é ferir este direito.
Daí o delicado papel dos atuantes de litígios envolvendo a Síndrome de
Alienação Parental para tentar inibir a conduta do alienante, sem ferir o que
5 CONCLUSÃO
Diante destas considerações é possível verificar a evolução histórica da
família, iniciando desde o direito romano, em que família era considerada como
aquela formada por todos que viviam sobre o mesmo teto, incluindo escravos, por
exemplo, que estavam sob o pátrio poder, passando pela família medieval formada
com a instituição do casamento que tinha predominante relevância religiosa,
conceito este que mudou durante a Idade Moderna na qual o casamento perde o
vínculo religioso e passa a ser visto como contrato, e culminando no conceito de
entidade familiar, trazido ao ordenamento jurídico pátrio pelo artigo 226 da
Constituição Federal, levando em consideração a liberdade de cada indivíduo de se
relacionar com quem e da forma que melhor entender, se referindo as entidades
familiares monoparentais, homoafetivas, reconstituídas dentre outras.
Em seguida analisou-se como a entidade familiar pode se transformar com o
fim de uma relação conjugal ou união estável e como esta pode acarretar em litígios
que versam sobre disputa de guarda dos menores e que nesta situação a doutrina
da proteção integral e o melhor interesse do menor deve sempre ser prioridade.
Conforme visto, o sentimento de perda derivado dos rompimentos de uniões
estáveis e casamentos pode acarretar na Síndrome de Alienação Parental,
caracterizada pela campanha de desmoralização de um ou ambos os genitores que
findam no afastamento do menor em relação ao alienado, por vontade própria do
menor, ou seja, a Síndrome gera na criança ou adolescente rejeição em relação ao
seu pai ou mãe.
Verificou-se ainda que a SAP não se confunde com a Alienação Parental. A
primeira aborda além da própria alienação, também os aspectos psicológicos e
reflexos gerados no menor. Na síndrome o infante possui o afastamento
espontâneo em relação ao genitor alienado, ainda que de forma sutil.
Analisaram-se também as primeiras manifestações da Síndrome de
Alienação Parental para que seja possível identificá-la, bem como quais seus graus
de extensão e suas conseqüências, tanto para o menor como para o genitor
alienado. Deve-se ter cautela ao tratar da SAP, pois normalmente há falsas
alegações de abuso sexual ou maus tratos, e aos que tem contato diário com a
síndrome é necessária sensibilidade para saber diferenciar a falsa alegação da
verdadeira. Conforme abordado, aqui tem papel essencial a equipe multidisciplinar
no decorrer do processo, para averiguar a veracidade dos fatos, não utilizando da
SAP como uma maneira de proteger os que abusam e agridem aos menores.
Após foram tecidos comentários a cerca da Lei 12.318 de Agosto de 2010,
que trata da Alienação Parental, considerando como esta é conceituada, o papel da
equipe multidisciplinar e quais as conseqüências jurídicas que tal atitude pode
trazer ao alienante. A referida lei trata acertadamente a respeito das possíveis
sanções ao alienante, que devem ser utilizadas de acordo com o grau de
instauração da síndrome.
Abordou-se em seguida o conceito de guarda, demonstrando que esta trata
do dever de cuidado em relação ao menor e não na sua posse, idéia esta gerada
pela banalização do instituto. Ainda verificou-se a guarda compartilhada como meio
de prevenir a ocorrência da alienação parental, pois gera a convivência do menor
com ambos os seus genitores, sendo menos influenciado em relação ao caráter de
algum deles, pois é capaz de ter suas próprias opiniões, diminuindo a ocorrência de
genitores possuem também a possibilidade de supervisionar a relação de seus
filhos com os outros, podendo intervir quando necessário.
Por fim, foram demonstradas algumas jurisprudências de diferentes regiões,
visando trazer quais as medidas normalmente adotadas pelos magistrados. Em
grande parte se verificou que a Síndrome de Alienação Parental não estava em
grau inicial, sendo preciso a adoção de medidas como inversão da guarda para
cessar a síndrome.
Cabe a todos os familiares bem como magistrados, advogados, agentes do
Ministério Público, bem como psicólogos e assistentes, atentar para evitar ou
mitigar possíveis sequelas ao genitor alienado e principalmente ao menor,
buscando averiguar quaisquer indícios de falsas acusações de abusos sexuais e
maus tratos.
Devem ser aplicadas as punições cabíveis ao alienante, visto que seu
comportamento é extremamente prejudicial ao menor e ao genitor alienado, uma
vez que afasta os laços de afeto e o convívio entre ambos, infringindo direito
fundamental do menor de convivência familiar, estabelecido pela Constituição da
República e pelo ECA.
Deve também ser observada a guarda compartilhada primeiramente como
maneira de evitar a Síndrome de Alienação Parental, visto que permite ao menor,
ainda que seus pais não mais tenham vínculo conjugal o convívio com ambos e
quando esta é existente, como maneira de minorar seus efeitos, mas havendo
necessidade o afastamento do menor com o genitor, se este for o alienante, deve
ser considerado, levando em consideração sempre a condição especial do menor
de cidadão em desenvolvimento bem como o que melhor atende às suas
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