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Parte III – Estudo de Caso

Questão 11 Experiência em cargos e funções até ao ano letivo transato: para analisar esta questão seguimos a mesma lógica da questão anterior – conhecer a experiência

5.4. Apresentação e tratamento dos dados

5.4.1. Para a entrevista

5.4.1.1. Análise de conteúdo

A Análise de Conteúdo é uma forma metódica de analisar mensagens, informações e testemunhos com um certo grau de profundidade. “A escolha dos termos utilizados pelo locutor, a sua frequência e o seu modo de disposição, a construção do discurso e o seu desenvolvimento são fontes de informações a partir das quais o investigador tenta construir um conhecimento” (Quivy, 2005, p. 226). É um conjunto de técnicas de análise de comunicações, ou melhor, um instrumento marcado por grande disparidade de formas, o que lhe confere uma vastidão de campos de aplicação que procuram estabelecer uma relação entre as estruturas semânticas ou linguísticas e as estruturas psicológicas ou sociológicas (Bardin, 1977).

Em Almeida e Pinto (1975), a análise de conteúdo é uma técnica em contínuo desenvolvimento, que procura agrupar significações, e, à partida, passível de ser aplicada a todos os materiais significantes.

Foram inquiridos, através de entrevista, 3 sujeitos: o diretor e o coordenador da equipa de Autoavaliação do Agrupamento de Escolas X e um ex-inspetor da IGEC já em situação de reforma, adiante designados por D, C e I, respetivamente.

As informações recolhidas foram tratadas com base na técnica de análise de conteúdo, identificando unidades de base ou unidades de sentido e reduzidas a categorias para um só domínio (Lessard-Hébert et al., 1994).

Para o domínio em estudo, “observação de aulas com caráter formativo”, definimos sete categorias: A - Desenvolver a qualidade; B - Observados; C - Fatores de resistência; D - Fatores facilitadores; E – Observador (função); F – Observador (perfil); G - Papéis de Outros Intervenientes.

Organizámos dezanove subcategorias:

A1 - Favorável, A2 – Importância, (para a categoria A); B3 – Todos, (para a categoria B); C4 - Do Professor, C5 - Do Contexto, (para a categoria C); D6 - Operacionalização, D7 - Necessidade do Professor, D8 - Explicitação dos Propósitos; D9 - Cultura de Escola, (para a categoria D); E10 - Pares, E11 - Supervisor Interno, E12 - Supervisor Externo, E13 – Formação (para a categoria E); F14 - Pessoal, F15 - Profissional, (para a categoria F); G16 – Visão Externa, G17 – Influência inicial, G18 – Apoio Formativo; G19 - Supervisão do Processo, (para a categoria G).

Destacamos as evidências para cada uma das categorias e das subcategorias conforme se apresenta no ANEXO VIII. A análise de conteúdo do Domínio “Observação de Aulas” com caráter formativo, inscrita no mesmo anexo, permite-nos verificar que:

Na categoria A) Desenvolver a Qualidade, subcategoria A1) Favorável, responderam os três sujeitos entrevistados (C, D e I) que demonstram a sua postura altamente favorável destacando como fatores de desenvolvimento da qualidade:

- ser indispensável para a qualidade da aprendizagem dos alunos (D); a supervisão e a reflexão serem primordiais para o desempenho e qualidade de aprendizagem da escola, sendo isto mais importante que ter mais apoios ou mais aulas (D); por ser sempre motivo de aprendizagem (C); - ser positiva, na condição de ser formativa (I); - como forma de atualização e desenvolvimento do professor (I).

Na categoria A) Desenvolver a Qualidade, subcategoria A2) Importância da OdA, foram apontadas pelos 3 sujeitos (D, C e I):

- a melhoria da qualidade do ensino (com base na reflexão sobre a prática) (D), uma ajuda com repercussão na qualidade da aprendizagem e na melhoria dos resultados (D); uma mais- valia que não é pensada em termos pessoais mas para a organização (D); - um espaço de partilha, troca de ideias, uma maneira de fazer diferente, como forma de aceitar o erro, todos têm a ganhar, professores e alunos (C); - implementação de melhores práticas através da interação dentro do grupo (I).

Na categoria B) Observados, subcategoria B3) Todos, manifestaram-se 2 sujeitos (D e I): - pela necessidade de envolver todos como o grande benefício, na partilha e no conhecimento e nos resultados (D); - pela interassistência e reflexão entre todos os membros do grupo disciplinar.

Na categoria C) Fatores de Resistência, subcategoria C4) Do professor, pronunciaram-se os 3 sujeitos (D, C e I):

- a resistência dos professores tem mais a ver com as características da sua personalidade (modo de estar e de ser) do que com a condição de se expor enquanto docente e com a sua competência (D); - reside fundamentalmente em quem vai observar e como ele é aceite na escola (D); - no desconhecimento dos efeitos da OdA (D); - por ser um fenómeno novo em termos de incrementação (D); - associação da OdA à avaliação de desempenho (C); - perspetiva egocêntrica no que respeita ao saber fazer (C); - receio de ser confrontado com novas perspetivas e impreparação de alguns para aceitar novas perspetivas (C); - sentido de posse e poder sobre os alunos e a aula (I); - postura de defesa dos professores (I); - falsificação dos efeitos da OdA por reatividade à presença de observadores (I); - desunião dos professores (I); - não aceitação do erro como fator de natureza humana do professor (I).

Na categoria C) Fatores de Resistência, subcategoria C5) Do contexto, os 3 sujeitos (D, C e I) assinalaram:

- a dificuldade em saber como operacionalizar (como? quem?) (D); - algum desleixo das escolas fora da intervenção da IGEC (D); - necessidade dos professores e das direções darem resposta à burocracia e aos exames (D, C); - dificuldade em gerir organizações tão grandes (I).

Na categoria D) Fatores facilitadores, subcategoria D6) Operacionalização, os 3 sujeitos (D, C e I) destacaram:

- a continuidade da OdA (D); - uma implementação faseada (D, C); -existência de uma equipa que implemente a OdA (D); - guiões de observação (D, I); - momentos para cruzamento, reflexão, articulação, colaboração ou partilha (D, C); - iniciativa e interesse dos coordenadores de departamento para darem o exemplo (I).

Na categoria D) Fatores facilitadores, subcategoria D7) Necessidade do professor, apenas um sujeito (D) se referiu a esta necessidade sentida pelo professor:

- como partilha e aperfeiçoamento da metodologia, da didática e da pedagogia (D); - abertura, sem receios, a partilhar a sua aula (D).

Na categoria D) Fatores facilitadores, subcategoria D8) Explicitação dos Propósitos, 2 sujeitos (D, C) referiram:

- visibilidade e clarificação, para os professores, do propósito formativo da OdA (D e C)

Na categoria D) Fatores facilitadores, subcategoria D9) Cultura de Escola, os 3 sujeitos (D, C e I) marcam posição:

- a generalização da OdA, num espírito partilhado de qualidade (D); - envolvimento de todos os atores, designadamente parceiros externos (C); - o entendimento de que a escola é mais que a soma dos indivíduos (I);

Na categoria E) Observador (função), subcategoria E10) Pares, os 3 sujeitos mostram- se:

- completamente favoráveis, numa perspetiva formativa e de partilha (D, C, I): ideal (D), naturalista (I).

Na categoria E) Observador (função), subcategoria E11) Supervisor interno, os 3 sujeitos (D, C e I) assinalaram:

- favorável a observações de caráter informal, pontual e a pedido do professor por parte do diretor ou do coordenador de departamento (D); - favorável, como orientador inicial do processo (C); - favorável, na condição de estarem presentes dois supervisores por causa da assimetria na relação (I).

Na categoria E) Observador (função), subcategoria E12) Supervisor externo, os 3 sujeitos (D, C e I) mostram-se:

- favoráveis (D, I), pontualmente e para aferir (D), coexistindo com a OdA entre pares (I); - desfavorável porque reintroduz a avaliação numa perspetiva controladora (C); - admite que um observador externo pode ser melhor recebido e as suas críticas aceites por se lhe desconhecerem as falhas (C); - admite que é uma observação com base em dados adulterados por via do corporativismo dos professores (I).

Na categoria E) Observador (função), subcategoria E13) Formação, 2 sujeitos (C e D) enunciaram que:

- o observador deve ter formação para se atingir maior profundidade na reflexão(D); - qualquer professor deve estar habilitado para supervisionar uma aula (D); - todos os professores devem lecionar Supervisão na formação inicial (D); - a formação do observador é indispensável em determinados momentos (C).

Na categoria F) Observador (perfil), subcategoria F14) Pessoal, as opções de 2 sujeitos (D e I) recaíram sobre:

- sensível aos erros (D, I) do outro (D) e de si próprio (I); - não fira suscetibilidades, saiba dizer as coisas (D, I); um observador com abertura de espírito, capaz de ver, ouvir, partilhar (D); - subtil (D); - deixar-se observar (I); - bom senso (I); - humilde, sem prepotência (I).

Na categoria F) Observador (perfil), subcategoria F15) Profissional, as opções de 2 sujeitos (D e I) recaíram sobre:

- alguém que antecipe os objetivos e o foco da observação (D); - alguém que não tenha uma visão construída longe do real a observar (I); - alguém com saber científico (I);

Na categoria G) Papéis de outros intervenientes, subcategoria G16) Influência externa, manifestam-se 3 sujeitos (D, C e I):

- influência da IGEC na reflexão e predisposição dos professores (D); - influência da ESE no acompanhamento do processo (C); - influência da IGEC, por via da autoavaliação, mas que dependente da recetividade da escola (I).

Na categoria G) Papéis de outros intervenientes, subcategoria G17) Visão externa, 1 sujeito (D) opina que:

- a visão do pessoal não docente é positiva e construtiva (D); - o acompanhamento da ESE que fornece uma visão externa de alguém com formação.

Na categoria G) Papéis de outros intervenientes, subcategoria F18) Apoio formativo, responderam os 3 sujeitos (D, C e I):

- alguém com formação que ajude a refletir sobre a ação entre pares (D).

- realçando o papel da Escola Superior de Educação (C, I), através de um gabinete de acompanhamento e/ou de investigadores que lhe estejam ligados (C), apoiando os supervisores e fazendo estudos de follow-up (I).

Na categoria G) Papéis de outros intervenientes, subcategoria F19) Supervisão do Processo, 1 sujeito (C), assinala que:

- a equipa de auto-avaliação acompanha e monitoriza o processo (C); - a direção organiza (C); - rejeita a monitorização por uma empresa externa por não distinguir as escolas.