Neste estudo, consideramos os processos editoriais realizados para a publicação de li- vros, tais como: análise do conteúdo original, leitura crítica, edição de texto, revisão, nor- malização, produção gráfica, comercialização e distribuição. Embora esses processos sejam comuns, tanto à mídia impressa quanto à digital, em alguns casos, tornam-se mais dispendio- sos quando tratamos da publicação de um livro impresso, principalmente ao nos referirmos à etapa de impressão, fortalecendo desse modo, em mais um ponto, a escolha de suportes digitais para a promoção deste trabalho.
A obtenção do livro eletrônico se dá de modo confortável e prático, por exemplo, ao re- querer o download do arquivo, armazenado em alguma plataforma digital. Isso pode ocorrer com determinado custo ou não, como é o caso deste e-book. Assim, ao disponibilizarmos este livro eletrônico, foi dispensada a utilização do Digital Right Management (DRM)19, pois, feliz-
mente, um e-book gratuito não requer a sua aplicação e então, o conteúdo pode, facilmente, ser acessado por outros leitores, possuidores de mecanismos de leitura.
Para o desenvolvimento desta obra, estabelecemos o diálogo e interligação entre diver- sas áreas de conhecimento tais como: Arquivologia, Letras, Ciência da Computação, Ciência da Informação, Biblioteconomia, Jurisprudência e Editorial, firmando assim o conceito de in- terdisciplinaridade estrutural, requerendo assim “a convergência de várias disciplinas, tendo em vista levar a efeito uma ação informada e eficaz” (PINHEIRO; GRANATO, 2012, p.30 apud JAPIASSU, 1976), neste caso, tratando-se da difusão e compartilhamento da informação e do conhecimento.
Em todas essas áreas, buscamos extrair conhecimentos teórico-conceituais a fim de ex- perimentarmos práticas relativas à migração de suportes analógicos aos digitais e, a partir daí, experimentarmos mecanismos utilizados na produção e compartilhamento de e-books gra- tuitos. Mecanismos esses, tais como as plataformas e mídias digitais, largamente utilizadas em diversas aplicações. Assim, o fato da informação não ser hoje centralizada e estática, mas gerada e disseminada de modo rápido e em alguns casos, instantânea, justifica-se por essa ser transferida em função do âmbito tecnológico e experimentada com base na cultura digital.
Por se tratar de uma obra gratuita buscamos ao máximo aderir a softwares livres20 e
se possível, gratuitos, como sendo uma maneira de incentivar e apoiar a democratização do acesso à informação, ao conhecimento e à tecnologia. Entretanto, não nos foi permitido em todo o tempo fazer uso deste tipo de suporte, pois, algumas vezes foi necessário utilizarmos
softwares proprietários específicos, nos restando experimentar as versões de teste, por serem
19 Restringe o uso e a manipulação de conteúdos digitais enquanto são assegurados e administrados os direitos de autores e marcas registradas. Mais informações: <http://www.vidasempapel.com.br/drm/>.
gratuitas. Assim, por um determinado período de tempo, utilizamos grande parte dos recur- sos disponíveis em algumas das ferramentas, não nos interessando, porém, adquirir a licença.
E-book: como disponibilizá-lo?
O êxito na leitura de livros eletrônicos gratuitos depende, necessariamente, do formato utilizado para dispor o conteúdo em tela. Para isso, buscamos experimentar a utilização de algumas linguagens de marcação e estilo, tais como o HyperText Markup Language (HTML) e o Cascading Style Sheets (CSS), respectivamente - base para a utilização de alguns formatos.
O HTML é responsável pela significação e interpretação do conteúdo do texto – com o uso de tags - por parte de navegadores e sistemas interoperáveis (FLATSCHART, 2014, p.37). A partir do HTML pudemos estabelecer algumas possibilidades dentre os quais seria definido o formato da obra e, assim, o conteúdo do e-book a ser exibido, seria construído a partir de codificações, marcadas como parágrafos, imagens, corpo do texto e citações, entre outras. Já o CSS, como o nome sugere, é o mecanismo responsável pelo leiaute e recursos tipográficos do texto, sendo inclusive, uma linguagem utilizada junto ao HTML.
Ao buscarmos definir o formato a ser utilizado para a disponibilização do e-book, expe- rimentamos formatos livres e proprietários, com padrão aberto ou não. Como proprietário, vimos os formatos AZW, AZW3 (adaptação do anterior), MOBI e o iBooks, os quais só podem ser decodificados a partir de dispositivos eletrônicos específicos. Por essa razão, não foram candidatos ao fazermos a disponibilização desta obra, enfatizando a gratuidade e, consequen- temente, o seu compartilhamento.
Experimentamos um outro formato neste trabalho, o Eletronic Publication (ePub), por ser de código aberto e multiplataforma e bastante utilizado para a publicação de e-books gra- tuitos. Além disso, outros formatos utilizados foram o Portable Document Format (PDF) e o DOCX, sendo esse último, na verdade, o formato no qual a versão alpha21 do e-book estava
disposta. Assim, as conversões entre os formatos utilizados foram experimentadas por meio de notebooks com Sistema Operacional (SO) Windows (64 bits) e smartphones com SO Android e Windows Phone através dos seguintes softwares: Calibre, versão 2.77.0; Sigil, versão 0.9.3; Word 2013; Word 2016 e o Adobe Reader XI, versão 11.0.20.
Disponibilizamos este e-book em PDF, por ser de padrão aberto e utilizado através de diversos dispositivos eletrônicos e plataformas, apresentando também padrões para finalida- des especificas (FLATSCHART, 2014, p.36). É um excelente formato para inúmeras utilidades, como a produção de livros eletrônicos, permitindo, caso necessário, a utilização de hiperlinks e recursos hipermidiáticos, como imagens e tabelas, podendo também, oferecer uma maior liberdade de posse por parte dos leitores.
No contexto editorial, a produção de e-books requer um alto grau de investimento em testes e aperfeiçoamentos, pois, a conversão entre formatos não se dá de maneira extrema- mente fácil, sendo necessário grande conhecimento em ferramentas adequadas a fim de a qualidade dos e-books, produzidos profissionalmente, ser garantida (SIMPLISSIMO, 2010).
Outro importante fator para a realização da leitura de e-books, são os dispositivos ele- trônicos a serem utilizados. Desta forma, durante o desenvolvimento deste e-book, como já mencionado, utilizamos alguns desses dispositivos com o intuito de experimentarmos alguns
livros eletrônicos nos seus mais diferentes formatos e assim, vivenciarmos possibilidades que poderiam se dar aos leitores desta obra.
Como exemplos de dispositivos eletrônicos utilizados como suporte físico para a leitura de e-books, citamos computadores, e-readers, tablets e smartphones. Porém, quanto a esses dis- positivos, é imprescindível a utilização de um leitor (software) compatível tanto com o sistema operacional do dispositivo quanto com o formato do e-book utilizados.
Quanto ao processo de edição e atualização do conteúdo da obra impressa - para o de- senvolvimento deste e-book -, definimos, inicialmente, quais seções seriam reescritas e/ou atualizadas. Foram desenvolvidas revisões semântica, gramatical e biobliográfica do conteúdo da mídia impressa com base na versão alpha, além da composição de novos conteúdos.
Ao final da mídia impressa – O espólio incomensurável de Godofredo Filho: resgate de memória e estudo arquivístico - já mencionada, há uma amostra iconográfica, a qual faz a re- presentação de momentos, pessoas, locais e objetos importantes da vida e obra de Godofredo Filho. Assim, considerando as características de um livro eletrônico qualquer, decidimos por distribuir todas as imagens contidas na amostra ao longo desse e-book, conforme passagens referentes a cada uma das imagens.
Realizamos consultas ao arquivo pessoal de Godofredo Filho e a partir dele, alguns invó- lucros e séries foram manuseados, sendo desenvolvida uma seleção de conteúdos em jornais utilizados, de modo específico, como matéria para a composição dos novos conteúdos deste
e-book. Assim, a partir desta seleção foram produzidas ao todo 104 fotos (4128x2322) no
formato JPEG, com representação de cores em sRBG, resoluções verticais e horizontais de 72 Dots Per Inch (dpi), com arquivos variando entre 1326 e 4167 KB. Foram armazenadas em suportes físicos, como discos rígidos, por exemplo, e na cloud (nuvem) em diferentes platafor- mas, como o Google Drive, a fim de serem utilizadas para eventuais consultas.