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Paredes do 3º Ventrículo

No documento sebenta (páginas 30-36)

1. PAREDES EXTERNAS, TÁLAMO E REGIÃO SUB-TALÃMICA

Formadas pelos tálamos e regiões sub-talâmicas, que se encontram separadas pelo sulco hipotalâmico ou sulco de Monro.

a) TÁLAMOS – são 2 núcleos volumosos de substância cinzenta situados de um lado e doutro do 3º ventrículo. Cada um tem uma forma ovóide, ligeiramente oblíqua de trás para a frente e de fora para dentro. Possuem 4 faces (superior, inferior, externa e interna) e duas extremidades (anterior e posterior).

Face superior

Convexa, de cor branca acinzentada e forma triangular de vértice anterior. É limitada:

externamente pelo sulco opto-estriado que separa o tálamo do núcleo estriado e internamente por um cordão branco, o pedúnculo anterior da epífise ou habénula.

È percorrida pelo sulco coroideu do tálamo, sobre qual assenta o plexo coroide externo, o qual divide o tálamo em dois sectores: externo e interno. O sector externo faz parte do pavimento do ventrículo lateral e apresenta à frente o tubérculo anterior do tálamo. O sector interno corresponde à tela coroideia do 3º ventrículo e ao trígono. Na região postero-interna da face superior observa-se uma zona triangular branca, o trígono habenular, limitado internamente

pela habénula, externamente pelo sulco habenular, posteriormente pelo tubérculo quadrigémio anterior. O triângulo da habenula é ocupado atrás pelo núcleo habenular constituído por substância cinzenta.

Face inferior

Unida à calote do pedúnculo cerebral que a este nível tem o nome de região sub-talâmica.

Face externa

Convexa, está unida ao núcleo caudado em cima, ao segmento posterior da cápsula interna, em baixo.

Face interna

Relaciona-se atrás com os tubérculos quadrigémios. Nos seus dois terços anteriores é livre e forma a parede externa do 3º ventrículo, sendo limitada em cima pela habénula e em baixo pelo sulco hipotalâmico ou de Monro que se estende da extremidade anterior do aqueduto de Sylvius ao buraco de Monro. O sulco de Monro determina na parede externa do 3º ventrículo o limite entre o tálamo e a região sub-talâmica. Frequentemente, a face interna do tálamo está unida à do tálamo oposto por uma lamela transversal de substância cinzenta, a comissura cinzenta, a qual contém um núcleo vegetativo, o núcleo de Renvieus.

Extremidade anterior

É em parte livre e limita posteriormente o buraco de Monro, o qual separa o tálamo da coluna do trígono.

Extremidade posterior

Forma uma saliência larga, o pulvinar. Na face inferior do pulvinar o tálamo apresenta duas saliências, os corpos geniculados (interno e externo). O externo situa-se acima e para fora do interno.

Os corpos geniculados estão unidos aos tubérculos quadrigémios pelos braços conjuntivais1:

Tubérculos quadrigémio anterior- corpo geniculado externo Tubérculos quadrigémio posterior- corpo geniculado interno

b) REGIÃO SUB-TALÂMICA – situa-se abaixo do tálamo e prolonga abaixo desse núcleo a calota do pedúnculo cerebral. Dos elementos que constituem a região sub-talâmica distinguem-se:

1º Extremidade superior do núcleo rubro

2º Várias massas de substância cinzenta entre as quais se encontram (de cima para baixo) uma lâmina cinzenta, a zona incerta, um núcleo de forma lenticular, o núcleo subtalâmico (corpo de Lyus) e a parte mais elevada da substância nigra (locus níger)

3º Diversos feixes de fibras que separam umas das outras as massas de substância cinzenta:

- Feixe mamilo-talâmico de Vicq d'Azyr

- Feixe da calota de Gudden ou mamilo-tegumentário - Fita de reil mediana

4º Um feixe branco, aplanado e largo, situado sob a substãncia nigra e que ocupa a parte inferior da região constituído pelos feixes motores do pé do pedúnculo cerebral.

1 a separar os braços conjuntivais encontra-se o sulco interbranquial que prolonga o sulco transverso que separa os tuberculos quadrigémios superiores dos inferiores.

c) HIPOTÁLAMO OU REGIÃO INFUNDÍBULO-TUBERIANA – estende-se da região do quiasma óptico ao bordo caudal dos tubérculos mamilares. Situa-se inferiormente ao tálamo, um pouco acima e para dentro da região sub-talamica. Inferiormente parece estar relacionado com o quiasma óptico, tuber cinereum e infundíbulo e tubérculos mamilares. È uma região muito importante do Sistema Nervoso Central que controla o Sistema nervoso Autónomo e Endócrino, logo controla a homeostasia corporal.

2.PAREDE SUPERIOR OU TECTO: GLÂNDULA PINEAL E TELA COROIDEIA DO 3º VENTRÍCULO

Esta parede é convexa da frente para trás e concava transversalmente. Apresenta atrás na sua junção com a parede posterior, a glândula pineal ou epífise, a qual se dirige da frente para trás e repousa sobre o sulco médio que separa os tubérculos quadrigémios anteriores. O seu vértice é livre e olha para trás. A base que corresponde ao 3º ventrículo é atravessada por um divertículo ventricular, o recessus pineal, compreendido entre duas pregas (superior e inferior).

Das extremidades externas da prega superior nascem os pedúnculos anteriores do tubérculo pineal ou habénulas, as quais se dirigem primeiro para fora, depois de trás para a frente até aos pilares anteriores do trígono e finalmente sobre o tálamo, a linha de separação entre as paredes superior e externa do 3º ventrículo.

Na espessura da prega inferior observa-se um espessamento devido à presença de um cordão branco com direcção transversal, a comissura branca posterior.

À frente da glândula pineal, a parede superior é formada por uma lâmina epitelial simples, a membrana tectórica do 3º ventrículo. Esta fixa-se de cada lado sobre a habénula. À frente, une-se aos pilares anteriores do trígono, atrás reflecte-une-se sobre a parte média da face superior da glândula pineal para se continuar com o epitélio ependimal que reveste a base da epífise.

A parte posterior da tela coroideia limita assim com a metade anterior da face superior da epífise, um divertículo do 3º ventrículo denominado recessus supra-pineal.

A membrana tectórica é directamente recoberta por uma expansão da pia-mater, a tela coroideia superior.

O tecto do ventriculo relaciona-se superiormente com o fórnix e com o corpo caloso.

3.PAREDE PÓSTERO-INFERIOR OU PAVIMENTO

Esta parede é fortemente inclinada para a frente e para baixo. Começa em cima e atrás na base da epífise. Abaixo da epífise encontra-se a abertura do aquedutode Sylvius, denominada anus, abaixo e à frente do qual o pavimento do 3º ventrículo compreende uma lâmina de substância branca formada pela extremidade anterior dos pedúnculos cerebrais (região interpeduncular). À frente da substância branca pedúncular o pavimento é constituído por uma lâmina fina de substância cinzenta que se estende até uma depressão da cavidade ventricular em forma de funil, denominada infundibulum.

A face superior é lisa e ligeiramente deprimida na linha média. A face inferior é, pelo contrário, muito irregular e apresenta de trás para a frente:

- o espaço perfurado posterior ou espaço inter-pedúncular, onde a parede ventricular adquire o nome de lâmina perfurada posterior;

- duas saliências piriformes ou tubérculos mamilares, formados por uma massa cinzenta central recoberta por uma fina camada branca superficial;

- uma superfície convexa sobre a qual o pavimento ventricular é formado por uma lamela fina, cinzenta e branca

- quiasma óptico, uma lâmina nervosa horizontal e espessa (à frente do tuber cinereum) , que termina à frente o pavimento do ventrículo.

a) TUBER CINEREUM E HASTE PITUITÁRIA – Ocupa o espaço compreendido entre os corpos mamilares (atrás) e o quiasma óptico (à frente). A sua parte posterior desenha uma saliência irregular, a eminência sacular. A parte mais saliente do tuber cinereum prolonga-se em baixo por um tubo cónico de substância cinzenta, o infundíbulo que suspende na sua extremidade a Hipófise.

b) HIPÓFISE – É uma glândula endócrina, ovóide, situada na sela turca entre os dois seios cavernosos. Ela compreende dois lobos de origem diferente: um posterior ou nervoso ligado pela haste pituitária ao cérebro, do qual é uma dependência; e um anterior proveniente do epitélio da faringe.

O lobo anterior compreende 2 porções: um lobo anterior propriamente dito e a pars intermédia. O primeiro é derivado da parede anterior da bolsa hipofisária (o seu leito anterior ou superficial prolonga-se para cima sobre a parte anterior do tuber cinereum e forma o lobo tuberal). No lobo anterior propriamente dito podem ainda distinguir-se uma parte mediana e duas laterais, as quais se prolongam atrás e se enrolam da cada lado em torno da parte superior do lobo nervoso. O lobo tuberal é na realidade um prolongamento da parte mediana. A pars

intermédia é formada pela parede posterior da bolsa hipofisária e está aplicada sobre a face anterior do lobo nervoso.

c) QUIASMA ÓPTICO – é uma lâmina de substância branca, quadrilátera, aplanada de cima para baixo e alongada transversalmente.

Continua-se: atrás com o tuber cinereum e em cima com a lamina supra-óptica. Dos seus ângulos anteriores partem os nervos ópticos e dos posteriores as fitas ópticas. As fitas ópticas são dois cordões brancos, aplanados de cima para baixo que se dirigem para trás e para fora, contornam a face inferior do pedúnculo cerebral e se dividem atrás do tálamo em duas raízes: uma externa que se perde no corpo geniculado externo e no pulvinar e outra interna que termina no corpo geniculado interno.

4.PAREDE ANTERIOR

É aproximadamente vertical. Constituída em cima pelos pilares anteriores do trígono. Cada um deles limita com a extremidade anterior do tálamo o buraco de Monro. No ângulo de afastamento dos dois pilares observa-se um cordão branco transversal, a comissura branca anterior, a qual cruza a face anterior dos pilares do trígono e limita com eles um espaço triangular denominado vulva ou fossa triangular.

Abaixo da comissura anterior, a parede anterior é simplesmente constituída por uma fina lamela cinzenta, a lamina terminalis ou lâmina supra-óptica, a qual se continua acima da comissura branca anterior com o bico do corpo caloso e com o septum pellucidum. Dos lados confunde-se com o espaço perfurado anterior.

Por fim, em baixo, ela une-se ao quiasma óptico e limita com ele um divertículo da cavidade ventricular, aberto atrás e em cima, denominado recessus óptico.

C

AVIDADE DO

3

º

V

ENTRÍCULO

Tem a forma de uma pirâmide quadrangular e apresenta:

- 2 paredes externas - 1 parede anterior vertical

- 1 parede posterior oblíqua para baixo/frente

- 1 base superior ou tecto do ventrículo e um vértice inferior que corresponde ao infundíbulo.

As paredes do 3º ventrículo já foram descritas.

A cavidade ventricular é atravessada pela comissura cinzenta. Ela comunica de cada lado com os ventrículos externos por um orifício, o buraco de Monro o qual se situa na parte antero-superior da parede externa. Ele é limitado posteriormente pela extremidade anterior do tálamo,

anteriormente pelo pilar anterior correspondente do trígono, superiormente pela membrana tectórica do 3º ventrículo, aderente aos plexos coroides.

O 3º ventrículo projecta-se sobre a parte mediana da abóbada craniana de tal forma que uma linha vertical do ponto de cruzamento da linha biauricular com a sutura sagital passa um pouco à frente do centro do ventrículo.

(Buraco de Monro, limites: posterior, extremidade anterior do tálamo; anterior, pilares anteriores do trígono; superior, membrana tectórica do 3º ventrículo.)

Parede superior

Parede póstero-inferior

Parede anterior Parede lateral

C C ON O NF F IG I GU U RA R AÇ ÇÃ ÃO O I I N N TE T ER RI IO OR R

No documento sebenta (páginas 30-36)