4.1 Descrição da base de Dados
4.1.4 Parte 4 – Contexto de negócio
Nesta última parte apresenta-se o contexto do negócio no qual a operadora de telecomunicações está inserida.
Os respondentes apontam a Yahsat como atuando num negócio de uma “Família de produto única, incorporando tecnologia complexa ou de evolução rápida” (43,48%), e como sendo “Famílias de produtos múltiplas incorporando tecnologia complexa ou de evolução rápida” (30,43%). Percebemos se tratar de um negócio com alta dependência de tecnologia e de rápida evolução.
Para 55,32% dos respondentes a organização cresceu nos últimos anos através do “Desenvolvimento de parcerias ou joint ventures”.
A seguir apresenta-se a interpretação dos resultados feita através de uma exploração dos significados expressos nas categorias da análise em contraste com o referencial teórico, se baseando nos dados coletados.
5 CONCLUSÕES
Este estudo permitiu concluir com a aplicação da survey (i) a importância da atividade de planejamento de tecnologia direcionado pela competição crescente, requerimentos do negócio, regulação, mudança de tecnologia, estratégia da empresa e inovação de produto/serviço; (ii) a necessidade de frameworks e ferramentas, com desejo de serem simples, estruturadas, robustas, flexíveis e integradas com processos; (iii) que o roadmapping de tecnologia pode ser usado com sucesso para suportar estratégia e planejamento de tecnologia, apesar do desafio de iniciar e manter o processo.
O desenvolvimento de uma organização pode estar diretamente ligado à maneira como ela lida com a inovação e os processos internos que dizem respeito às competências e habilidades em inovar de maneira eficiente.
Ao adotar o roadmapping de tecnologia se torna possível ter maior entendimento do processo de inovação realizado para obtenção de um desempenho de entrega superior. A implantação desta ferramenta para gerenciamento do processo de inovação pode auxiliar no alcance de um desempenho satisfatório de entrega ao cliente, no entanto observam-se algumas lacunas e oportunidades de pesquisa.
Para auxiliar nesta investigação, a metodologia de pesquisa empreendida se compreendeu de uma abordagem qualitativa e descritiva quanto aos fins. Quanto aos procedimentos, foi realizado por intermédio de um levantamento (survey) transversal auto- administrado on-line, aplicado a um grupo de profissionais atuantes nesta empresa de telecomunicações estudada.
Foi elaborado um questionário no intuito de identificar os aspectos da pesquisa, junto aos respondentes. As questões foram baseadas na survey de Phaal & Farrukh (2000).
Após os ajustes necessários, o instrumento foi aplicado aos respondentes, alvos desta pesquisa, por meio do endereço eletrônico e formulário online, iniciando-se, assim, a coleta de dados no mês de julho de 2019. Das 49 solicitações de respostas foram obtidos 48 questionários respondidos no curso do mesmo mês, se traduzindo em uma taxa de conclusão de 97,96% desta amostra. Foram utilizados todos os registros para o tratamento e análise dos resultados.
Seguiu-se à tabulação das respostas e análise. Os resultados demonstram que 77,08% dos respondentes possuem entre 30 e 50 anos, 64,58% possuem um nível de escolaridade de no mínimo pós-graduação; 83,33% são gestores – coordenadores/supervisores, gerentes ou diretores – e 91,67% atuam há mais de 5 anos na área. Dessa maneira, pode-se inferir que são
profissionais com maturidade profissional e acadêmica, conhecedores do negócio que administram, o que possibilita respostas com viés prático ao instrumento de pesquisa.
Também é importante registrar que a atuação dos respondentes corresponde a diversas áreas, como: Logística/campo; TI/Engenharia; Marketing; Atendimento; Vendas; Finanças; Gestão do Negócio; setor Administrativo; Telecomunicações; Ciclo da Receita; Jurídico e Regulatório; Gestão de Projeto e Direção Geral. De acordo com os respondentes, as amostras coletadas estão dispersas por 18 Estados brasileiros, com presença em todas as regiões do país. Vale ressaltar ainda, que o construto teórico da aplicação do roadmapping foi significante para análise de conteúdo dos dados coletados.
A resposta fornecida por 60% das pessoas (Pergunta 12) de que não há um processo estruturado de planejamento na empresa nos permite considerar esta ser uma das razões de algumas respostas terem pouco alinhamento entre os respondentes. Como exemplo disto temos o horizonte de planejamento (Pergunta 9) que é uma questão básica e notória de um planejamento mas teve respostas dispersas (40,43% entre 2 e 5 anos, 23,40% menos de 1 ano, 19,15% entre 1 e 2 anos, e 10,64% entre 5 e 10 anos), e quais as ferramentas utlizadas para suportar o planejamento de tecnologia (Pergunta 15), que tiveram poucas equivalências e tiveram apenas duas menções a roadmap.
Por outro lado, ao se questionar a necessidade de ferramentas para apoio a planejamento de tecnologia (Pergunta 16), há um grande número de respostas ressaltando a necessidade de uma ferramenta ou método em muitas áreas da empresa e até apontando para todas. Isto ressalta a importância de um processo de planejamento de tecnologia em uma empresa como a estudada. A resposta à Pergunta 17 sobre conhecimento de TRM nos aponta uma inconsistência nas respostas. Apenas um respondente informa conhecer TRM, porém há 5 respondentes que respondem à seção seguinte, Parte 3, especificamente sobre Roadmapping de Tecnologia. Mesmo com um pouco mais de respondentes além de um indivíduo, esta parte do questionário fica com uma análise prejudicada devido à baixa amostra de respostas. Ainda assim, as respostas obtidas aos fatores de sucesso (Pergunta 28) como necessidade de negócio clara, engajamento e facilitação adequada para o processo, encontram coerência com a literatura estudada (Phaal et a. 2004, 2007; Vishnevskiy et al. 2016; Milshina & Vishnevskiy 2017; entre outros).
Podemos pontuar que as respostas à Pergunta 37 evidenciam que a empresa estudada possui uma grande dependência de tecnologia e de rápida evolução (73,91% das respostas), o que mesmo para uma empresa ainda pequena, num momento de start-up e incertezas, possui uma grande aptidão para a adoção de TRM no seu planejamento de tecnologia.
Foi apontado na pesquisa (Pergunta 38) por 72,34% dos respondentes que nos últimos 10 anos a empresa se desenvolveu através de parcerias ou fusões. Neste momento, em agosto de 2019, existe a publicidade no mercado de que esta empresa aguarda uma aprovação do CADE/ANATEL para realizar uma nova joint venture com a principal concorrente dela no mercado de internet via satélite no Brasil. Isto pode impactar nas ações de planejamento da empresa até que esta situação seja definida.
Diante de toda esta análise, pode-se afirmar que os resultados da pesquisa apresentados respondem à questão norteadora da pesquisa considerando a percepção dos respondentes, de que a empresa ainda não adota um planejamento estruturado de Tecnologia e nem mesmo o
roadmapping.
Acerca da viabilidade da pesquisa, o presente estudo possui base teórica sustentada pelas teorias que abrangem os construtos pesquisados. Também foi viável do ponto de vista de cumprimento de prazo, da obtenção e da disponibilidade de dados e de recursos.
Nos próximos tópicos são apresentadas as contribuições e limitações da pesquisa, assim como, as sugestões para trabalhos futuros.