4. EXPERIMENTOS E ANÁLISE DOS RESULTADOS
4.3 Experimentos 2018
4.3.3 Participação dos Alunos
Nesse mesmo questionário, entregue aos estudantes, em que foram coletadas as opiniões de cada grupo experimental, foi também solicitado que os alunos fizessem uma autoavaliação da sua participação em aula. Essa autoavaliação foi feita em dois momentos, um antes dos experimentos começarem nas duas turmas da disciplina de Química e outra no final, com objetivo de verificar a percepção dos alunos em relação à sua participação nas aulas, comparando com a metodologia tradicional do professor e as aulas com os métodos investigados. Na disciplina de Programação, os experimentos foram cruzados, sendo possível a divisão de mais grupos experimentais, o que possibilitou que a mensuração fosse realizada no final juntamente com a pesquisa de avalição dos métodos. Essa investigação proporcionou comparar as diferentes percepções em cada grupo experimental com o de controle, que seguiu a metodologia tradicional do professor. Ressalta-se que foi importante deixar claro aos alunos que a participação não é a soma de quantas vezes o aluno ergue a mão para perguntar para o professor, mas, sim, o quanto ele está engajado se preparando, contribuindo e se comunicando durante a aula. Sendo assim, para possibilitar a mensuração do grau de participação do aluno foram definidos sete critérios que abrangem as três ações ativas necessárias que caracterizam a participação do estudante: preparação (p), contribuição (c) e comunicação (cm), conforme tabela 4.11.
Tabela 4.11 – Critérios para determinar o nível de participação em aula
C1. Esforço-me para concluir totalmente as atividades em sala de aula (c)
C2. Acesso os materiais disponibilizados pelo professor (p)
C3. Preparo-me para aula (por exemplo, fazendo leituras prévias do material, visualizando vídeos, trabalhos de casa (se fornecidos) (p ou c)
C4. Contribuo nas discussões em grupo e na resolução de atividades colaborativas (c ou cm)
C5. Pergunto ao professor de forma voluntária sobre o conteúdo (c ou cm)
C6. Sou assíduo em aula (c)
C7. Tomo nota sobre o conteúdo da aula (p ou c)
Fonte: adaptado de Crosthwaite, Bailey e Meeker (2015, p. 3).
Os sete critérios foram apresentados juntamente com uma escala likert (1932) de cinco pontos, que varia de 1-péssimo até 5-ótimo, com objetivo de mensurar o grau de participação percebido pelos alunos. Foi aplicada essa autoavaliação nas duas disciplinas, visto que o grau de participação pode mudar de uma para outra. Os Gráficos que serão mostrados na sequência apresentam os valores médios de cada critério por turma.
A primeira sequência, representada pelos gráficos 4.39 e 4.40, mostra os resultados das percepções dos alunos da primeira turma (T1) da disciplina de Química. Percebe-se que, no gráfico 4.38, o destaque é para o critério C6, que apresenta a maior média na turma, deixando claro que assiduidade é um ponto positivo entre a turma. Já no gráfico 4.39, que apresenta os resultados do grau de participação com as aulas mediadas pelo método PI, o destaque é para o critério C4, em que se constatou o valor médio mais acentuado, comparado com a primeira avaliação. Essa percepção atesta que os estudantes perceberam uma maior participação por meio das discussões com os colegas. O critério C2 também apresentou melhorias, decorrentes de uma maior interação aluno - professor, o que possibilitou um espaço maior para perguntas. Os demais critérios permaneceram sem alterações evidentes, sendo que o critério C3, preparação para aula, se mantém com uma média baixa de participação.
Gráfico 4.39– Participação Alunos MT (T1) Gráfico 4.40– Participação Alunos PI (T1)
Na segunda turma da disciplina, os resultados são ilustrados nos gráficos 4.41 e 4.42. Na primeira autoavaliação, gráfico 4.41, a média mais acentuada é novamente para o critério C6, o que mostra que os estudantes se consideram assíduos nas aulas de Química.
A autoavaliação da segunda turma, no geral, teve uma média maior em relação à primeira, analisando a participação na metodologia tradicionalmente usada pelo professor. No entanto, o que se percebe com a Estratégia Híbrida são melhorias evidentes nos critérios C4 e C2, apresentando as médias mais acentuadas em comparação com o cenário anterior da turma.
Esses dados mostram que a percepção de participação dos estudantes foi mais notória nas atividades de discussões em pares e contribuição nos trabalhos colaborativos, além da melhoria no acesso aos materiais disponibilizados pelos professores (C3), sendo uma atividade rotacionada durante a aula.
Em uma análise geral, a participação foi mais evidente entre os estudantes que tiveram aulas mediadas pela Estratégia Híbrida. Acredita-se que essa percepção é decorrente da postura ativa que foi exigida dos alunos, o que promoveu um maior envolvimento nas atividades, sobretudo durante a aula.
Gráfico 4.41– Participação Alunos MT (T2) Gráfico 4.42– Participação Alunos II EH (T2)
Fonte: elaborado pela autora. Fonte: elaborado pela autora.
No que tange aos alunos da disciplina de Programação I, o gráfico 4.43 mostra a percepção quanto ao nível de participação no grupo experimental E1, com as aulas mediadas pela Estratégia Híbrida.
Gráfico 4.43– Participação dos Alunos de Programação grupo E1
Fonte: elaborado pela autora.
Percebe-se no gráfico que a autoavaliação foi positiva de maneira geral, sendo que as maiores médias estão concentradas nos critérios C3 e C4, seguidas de C6. Isso mostra que a preparação para aula, contribuição nas discussões e trabalhos colaborativos foram mais percebidos durante o experimento e consequentemente mais bem avaliados pelos estudantes. Existe um ponto em comum entre a avaliação da participação na disciplina de Química e Programação, o destaque sobre o critério C4 evidencia a ação que mais impacto provoca na turma. Esse tipo de dinâmica não é costumeiramente usado pelos professores de ambas as disciplinas, nesse sentido percebe-se que a avaliação para esse critério revela um entendimento de maior participação. Com relação ao grupo experimental E2, em que as aulas foram mediadas pelo método PI, percebe-se de modo geral uma avaliação regular, com destaque para os critérios C4 e C6, ou seja, assiduidade, contribuição nas discussões e trabalhos colaborativos foram mais bem avaliados pelos alunos, conforme gráfico 4.44. Esse resultado vai ao encontro das percepções que os estudantes tiveram durante as aulas mediadas pela PI na disciplina de Química. Chama atenção que o critério C1, no qual é atribuído o esforço para a conclusão das atividades em sala de aula, também teve uma média mais acentuada, próxima da escala 4, sendo o critério que obteve a maior variância entre os estudantes.
Gráfico 4.44– Participação dos Alunos de Programação grupo E2
No que se refere ao grupo experimental E3, percebe-se uma avaliação positiva na maioria dos critérios, com destaque para C2 e C3, que caracterizam a preparação para a aula, também destaque no grupo E1, e o acesso aos materiais disponibilizados pelo professor, conforme gráfico 4.45.
Gráfico 4.45– Participação dos Alunos de Programação grupo E3
Fonte: elaborado pela autora.
Notou-se que o critério C5 teve uma baixa avaliação pelos alunos, divergindo dos demais. Supõe-se que essa avaliação regular seja decorrente da dinâmica vivenciada por esse grupo experimental, na qual foi observada uma permanência maior dos alunos nas atividades da estação individual, restando pouco tempo para interagirem na estação colaborativa, momento esse em que o professor orienta diretamente os pares. No que tange ao grupo de controle, gráfico 4.46, no qual as aulas foram conduzidas pela metodologia tradicionalmente usada pelo professor, percebeu-se de maneira geral uma avaliação regular, com destaque para o critério C6, assiduidade, seguindo uma tendência das demais avaliações, e para o critério C5, que aparece com uma média um pouco mais acentuada, demonstrando uma percepção positiva associada à comunicação com o professor.
Gráfico 4.46– Participação dos Alunos de Programação grupo C1
Acredita-se que o tamanho da turma tenha relação direta com essa percepção dos alunos, visto que a aproximação do professor é maior em turmas com poucos integrantes, facilitando a comunicação e interação entre todos. Entretanto a baixa avaliação do critério C3 chama a atenção para um item importante, atribuído à preparação para a aula, ação essa considerada necessária e que pode ter refletido nos resultados do grupo, já que foi a turma que apresentou o desempenho mais fraco.
Ressalta-se que essa autoavaliação, mesmo sendo uma medida subjetiva feita a partir de um ponto de vista, foi considerada como um indicador importante ao professor, à turma e ao pesquisador, permitindo confrontar os resultados com as demais análises realizadas.
A aprendizagem depende diretamente do envolvimento ativo do estudante e nessa percepção por meio da autoavaliação foi possível entender o quanto algumas ações interferem no bom desempenho do aluno, seja pela ausência ou presença destas, como já analisado em cada resultado. Nesse contexto, percebeu-se que os critérios mais bem avaliados foram ações que abrangem a comunicação e a contribuição dos estudantes em sala de aula. Ações que envolvem a preparação são práticas que ainda precisam ser mais desenvolvidas e isso vai ao encontro dos resultados gerados ao longo da pesquisa, sendo uma das motivações que fundamentaram a Estratégia Híbrida. Orientar o aluno a gerenciar seu tempo, aprender a estudar, participar ativamente das atividades individuais e colaborativas são práticas norteadoras da Estratégia validada e que podem com o tempo promover cada vez mais a consciência coletiva nos alunos.