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PARTICIPAÇÃO EM CONGRESSOS E REUNIÕES CIENTÍFICAS:

O contributo de Vitor Fontes

PARTICIPAÇÃO EM CONGRESSOS E REUNIÕES CIENTÍFICAS:

I Congrés International de Psychiatrie Infantile- Paris- 1937. II Congrés International de Psychiatrie Infantile- Londres- 1948.

- Congreso Internacional de Pedagogia de S.José de Calazana- S. Sebastian- 1949. I Congresso Inter- ibero- am ericano de Pedagogia - Madrid- 1949.

Congrés International de Pédiatrie- Zurich- 1950. Congrés International de Psychiatrie- Paris- 1950.

X Congresso Internacional de Psicotecnia- G u te rb u rg -1915. I Congresso Nacional de Protecção à Infância- Lisboa- 1952.

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Participou em actividades da O.M.S.- comité da Europa em 1953 e 1954. IV Congresso Internacional de Psiquiatria Infantil - Lisboa- 1958.

I Congresso Nacional de Saúde Mental- Lisboa- 1960. Seminário: A educação dos pais- UNESCO-.

Reunião internacional de pediatras, pedo- psiquiatras e juizes de menores- Suíça. Estes são os aspectos fundam entais a destacar da actividade científica do Prof. Vítor Fontes. Na bibliografia deste trabalho estão citados os trabalhos de sua autoria, dos quais procurámos fazer um levantam ento exaustivo.

Como dados biográficos destacam os os seguintes: nasceu em Lisboa a 15 de O utubro de 1893, frequentou o Liceu Camões. Neste Liceu foi discípulo do Dr. António Aurélio da Costa Ferreira, que o encaminhou no estudo das Ciências Naturais e na Antropometria. Além de participar em trabalhos de natureza médico- antropológica, começou também a interessar-se pelos estudos anatómicos. Posteriormente frequentou a Escola Politécnica, hoje Faculdade de Medicina. Terminou o curso com a defesa da tese em Julho de 1916.

Foi nomeado médico- inspector da Casa Pia de Lisboa em Abril de 1917, transitou em 1920 para o Instituto Médico- Pedagógico da Casa Pia de Lisboa, onde ocupou o lugar de m édico auxiliar. Em acum ulação de funções foi nomeado chefe de laboratório e da secção de Psicologia Experimental na escola de reeducação de mutilados de Arroios. Exerceu funções clínicas nos Hospitais Civis- Hospital de S. José- Curry Cabral - D. Estefânia- durante os anos de 1915 a 1921. Na Faculdade de Medicina, foi nomeado assistente de Anatomia em 1927, e professor auxiliar desta cadeira no ano de 1928. Em 1951 passa a professor catedrático.

No serviço de Psiquiatria da Faculdade de Medicina, colaborou na observação m orfológica dos doentes internados do Manicômio Bombarda- dirigido pelo Prof. Sobral Cid.

; Em 1924, visitou estabelecimentos para a- educação de crianças anorm ais em França, Bélgica e Suíça, em missão oficial. •

Em 1930, ministrou lições num curso de preparação de professores.de anorm ais no Instituto Médico- Pedagógico de António Aurélio da Costa Ferreira.

Em 1933, foi nomeado Inspector- Orientador para os serviços de m enores anormais da Direcção Geral do Ensino Primário.

Em 1939, assum iu a direcção do Instituto Médico- Pedagógico “ Florinhas da Rua"- mais tarde Condessa de Rilvas, até 1948.

Em 1951, após a jubilação do Prof. Henrique de Vilhena, assumiu o lugar de professor catedrático de Anatomia na Faculdade de Medicina de Lisboa.

Em 1949 fundou a Clínica Psicológica Infantil.

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Consultámos ainda o ficheiro da PIDE, porque tratando-se de uma personalidade científica desta envergadura que, frequentemente, se deslocava a outros países, estaria sob a vigilância desta Polícia.

Da sua ficha pessoal retirámos as seguintes informações:

A 29 de Maio de 1952: " Indivíduo de boa form ação moral, católica e afecto à política do Estado Novo” .

A 6 de Janeiro de 1959: “ Moral e politicamente nada se apurou em seu desabono.”

A primeira destas informações tinha como objectivo a sua provisão nos corpos gerentes da Caixa de Previdência dos Médicos Portugueses do Instituto Nacional do Trabalho e da Previdência. A segunda destinava-se à homologação da eleição dos corpos gerentes da Liga Portuguesa de Higiene Escolar. .

Da sua personalidade, pelos depoimentos recolhidos, destacamos “ o seu rigor científico, a sua aparência distante, mas afável e carinhoso para com as crianças, dava uma im agem de exigência a quem o rodeava, mas também era atencioso e muito organizado.” ( Entrevistas nc 1- I. Fialho e ne 7- C. Prudêncio ). Destes testemunhos também apurámos que não estava m uito integrado nas instâncias do Estado Novo e pesava contra a sua aceitação pública as suas possíveis ligações à Maçonaria, não obstante as informações favoráveis da PIDE.

Os esforços do Prof. Vítor Fontes, para im plem entar um programa de assistência e educação das crianças deficientes, foram relevantes durante os anos em que foi director do IAACF. Num artigo publicado em 1939, ( Revista Clinica, Higiene e Hidrologia- pp. 111), caracteriza a Médico- Pedagogia como a arte de tratar desenvolvendo as faculdades físico- psíquicas do indivíduo deficiente no sentido do seu aproveitamento profissional e social. Considerava esta ciência como um misto de Pedagogia e Medicina, arte de curar por processos pedagógicos, aplicação dos .conhecimentos m édicos ao tratamento de indivíduos com deficiências psíquicas ou orgânicas. A Médico- Pedagogia é terapia pedagógica ligada à Higiene Escolar e à Psiquiatria infantil, pressupõe a colaboração entre o professor e o pedo- psiquiatra.

Noutro artigo, já referido anteriormente " 28 anos na direcção do IAACF { Criança

Portuguesa, 1962), o autor reafirma que continuavam a faltar Instituições para crianças

epilépticas, idiotas, imbecis, psicopatas, assim com o diversas modalidades das classes especiais ( ortofonia, duros de ouvido, amblíopes, disléxicos). No seu entender, as crianças deficientes constituíam um peso morto para a sociedade, se não fossem encaminhadas profissionalmente, educadas e assistidas.

No 1a Congresso Nacional de Protecção à Infância, houve uma intervenção conjunta do Prof. Vítor Fontes, do Prof. Barahona Fernandes e do Dr. João dos Santos, subordinada ao tema: “ Estabelecimentos de índole médico- pedagógica que urge criar” , na qual se afirmava a necessidade de asilos para epilépticos e grandes anorm ais irrecuperáveis, clínicas psiquiátricas

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infantis do tipo " Child Guidance Clinics”, classes especiais, escolas de reeducação e lares para psicopatas.

Propunham também um plano de profilaxia da higiene mental infantil que devia desenvolver-se na família, na escola, no meio social, com a criação de estabelecimentos e preparação de pessoal especializado. Referiam ainda a necessidade do apoio extra- escolar do Patronato para uma melhor integração dos deficientes na vida social.

Foi criada uma comissão para o estudo da higiene mental infantil. Desta com issão faziam parte os seguintes elementos: Prof. Vítor Fontes, Dr. José Sebastião Silva Dias, Dr. Pedro de Campos Tavares, Dr. Manuel João dos Santos Farmhouse, Dr. João Augusto dos Santos. Este estudo foi elaborado no âm bito da Direcção Geral da Assistência, com o objectivo de estudar’ e propor um programa de higiene mental infantil, assistência e recuperação de menores m entalm ente irregulares. As instituições representadas na com issão eram: IAACF, Instituto de Assistência aos Menores, Casa Pia de Lisboa, Refúgio do Tribunal Central de Menores e Hospital Júlio de Matos.

No relatório elaborado e publicado na Criança Portuguesa ( 1959) considera-se que a recuperação social se devia processar através de técnicas médicas, psicológicas e pedagógicas, com vista à valorização do indivíduo e consequente aproveitam ento social. A criança anormal era considerada socialmente recuperável através de aprendizagem adequada, aquisição de habilitação para alcançar um rendimento mínimo, indispensável à sua manutenção.

A profilaxia mental da criança situava-se em dois campos: na fam ília e na escola. Na família im plicava a higiene mental dos pais, a análise de situações específicas tais como: separação precoce mãe- filho, orfandade, ilegitimidade, adopção, reacção dos irmãos, form ação dos pais. A fam ília era o meio ideal para a formação afectiva e educacional da criança.

O utro cam po é o da criança na escola, a higiene mental infantil na Escola, ligação à saúde escolar, programas, obrigatoriedade da frequência escolar, com petência psico- pedagógica dos professores, relação da escola com a família, serviços que deviarrr.funcionar em colaboração. Indicava-se ainda que na form ação de professores devia ser abordada a psicologia evolutiva e as técnicas pedagógicas. Devia também ser estimulada a participação dos pais na vida escolar.

O utro vector era o patronato extra- escolar para apoiar os m enores na adaptação à vida social e profissional. Propunha-se dois anos de aprendizagem laborai para os que não seguissem o ensino técnico ou liceal.

Em sum a a profilaxia mental infantil implicava a observação de todos os desvios de conduta, atitude educativa na formação física e mental, integrando a higiene mental na higiene geral. Abrangia a educação familiar e escolar, a acção social, os serviços integrados nos serviços m édico- psicológicos e assistenciais. Tudo de molde a permitir à criança condições de vida para um desenvolvim ento normal físico e psíquico e garantir a protecção e o apoio familiar.

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Outros documentos por nós analisados, emanados do Prof. Vítor Fontes, enquanto director do IAACF, fazem -nos sentir as dificuldades permanentemente verificadas na assistência e educação de crianças deficientes. Citarem os só alguns que nos parecem mais significativos.

Num ofício, datado de 2 de Fevereiro de 1959, dirigido ao D irector do Instituto de Assistência Psiquiátrica- Hospital Júlio de Matos, o Prof Vítor Fontes refere a necessidade da criação dum Dispensário de Higiene Mental Infantil no País,' (cit. pp.2)- “ certam ente não é nos Dispensários já existentes e aos cuja criação é proposta que se devem atribuir as funções mistas para adultos e crianças”. Nesse docum ento refere também a necessidade da criação da especialidade de Psiquiatria Infantil na Ordem dos Médicos. Propunha estudar a. possibilidade da especialização de enfermeiros e assistentes sociais em Psiquiatria Infantil. Salientava a necessidade da criação de mais Dispensários de Higiene Mental Infantil.

Apontava a necessidade destas novas Instituições se situarem no Porto, Coim bra.e Faro. No Porto poderiam ser reorganizados com este objectivo os serviços do Instituto Dias de Almeida na Misericórdia. Em Coimbra podia ser inserido no Hospital Sobral Cid.

Esta situação implicaria a reorganização do IAACF que “ pela sua tradição e maior experiência constituiria o Centro Coordenador da Higiene Mental Infantil no País e o Centro de preparação de técnicos" ( cit. pp. 6).

Neste docum ento encontramos, mais uma vez, a proposta de criação de estabelecimentos para menores anorm ais recuperáveis: novas escolas de reeducação. No Norte devia ser criada uma para 300 leitos . Em Lisboa além do Instituto Adolfo Coelho que devia aum entar a sua população para 200 rapazes, deviam surgir duas: uma para rapazes e outra para 100 raparigas. ~ No Sul do País deviam surgir para rapazes e raparigas num total de 300 lugares.

No Norte, Centro e Sul do País deviam ainda ser criadas escolas para m enores anormais irrecuperáveis tipo asilo.

Devia haver uma permanente colaboração com os serviços de Saúde Pública e com os Serviços de Saúde Escolar que deviam intervir nas escolas do ensino elem entar. Terminava afirmando " Acrescentei considerações... ajudei a esclarecer o problem a da higiene e profilaxia mentais, referindo-me à parte infantil e juvenil tão desprezada entre nós e de tão alto significado na saúde mental do nosso povo” ( cit. pp. 7).

Poderíamos ainda referir outras situações, em que o prof. Vítor Fontes interveio publicamente, em favor das crianças deficientes, da sua educação e assistência, mas tornar-se- ia repetitivo. No entanto, importa destacar que o director do IAACF nunca teve receio de expressar publicamente as suas opiniões, de manifestar aos poderes públicos “ que não existiam as respostas necessárias e adequadas para estas crianças e que isso se sentiria na sociedade como um peso morto e com efeitos socialmente negativos “.

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Cremos que o Prof. Vítor Fontes nunca considerou que a sua obra estivesse com pleta. A sua vasta experiência e o contributo do IAACF neste sector educacional, não o im pedem de referir inúmeras vezes as dificuldades existentes por falta de outras instituições com plem entares. Sentimos também que com eçavam a ser notadas as dificuldades que a legislação regulamentadora do IAACF trazia ao seu normal funcionamento. Tratava-se duma Instituição do Ministério da Educação que exercia funções da competência do Ministério da Saúde e Assistência.

Além disso, a m ultiplicidade das suas funções acarretava problemas para o seu normal funcionamento, o que trouxe dificuldades acrescidas. No entanto, os números falam por si e, como pudémos observar os diversos serviços do IAACF funcionaram até certa altura de acordo com os objectivos do seu .director.