ENTREVISTAS ENTREVISTA
B. R Nos EUA, anos 10, 20 as pessoas eram institucionalizadas através da avaliação do Q.I.,
I. S.S Quando fiz o curso ainda existiam as classes especiais Eram crianças dos dois tipos,
era uma estrutura muito exigente e dem asiado rígida. O curso de
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ano era com posto por três ou quatro cadeiras e estágio, entrámos quarenta e oito para o curso e saímos doze, todas as semanas algumas pessoas eram convidadas a sair, o estágio era feito nas classes especiais, ou nas classes do Instituto. As crianças tinham problemas de com portamento, de aprendizagem, problemas sociais, eram filtradas pelo IAACF, as classes do Instituto tinham casos mais pesados, com postas por crianças com deficiência, problemas m entais ou problemas de comportamento.No estágio passávamos pelas classes especiais e pelas classes do Instituto,-no final havia um júri composto pelos professores do IAACF, a decisão da avaliação era publicam ente anunciada, as pessoas eram confrontadas com as dificuldades de lidar com as crianças, porque no estágio o mais im portante era ser capaz de lidar com o grupo de crianças.
Fiz a licenciatura em Psicologia, porque gostei muito da cadeira de Psicologia do IAACF, a cadeira de Linguagem era leccionada pela Dra Isabel Fialho, muito interessante, o que influenciou a minha carreira científica numa fase posterior.
Q. - O COOMP também nasce na Segurança Social. Pode afirmar-se que a Segurança Social
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1.5. - A inovação veio da Segurança Social, donde vieram a Dra Ana Mâ Bénard da Costa, o Dr. Sérgio Niza, donde veio o primeiro esboço de integração das crianças cegas numa Escola Secundária. Mas o melhor que se fazia, ao nível do diagnóstico, era no COOMP. Havia reuniões de síntese com Psicólogos, Psiquiatras, Professores, Educadores, Assistentes Sociais, bastante enriquecedoras, numa perspectiva multidisciplinar.
No entanto, a Educação Especial deve um grande impulso a Vítor Fontes, a sua saída da direcção do Instituto transforma o IAACF num período de águas mortas. O IAACF foi inovador, os trabalhos de Víctor Fontes são o melhor que há em Pedagogia, embrião que remonta à Casa Pia. Entra depois numa fase ambígua por causa de estar ligado à Direcção Geral do Ensino Superior. Quando venho para o IAACF como professora, a Escola não se regia como outras Instituições do Ensino Superior, o que lhe acarretou sempre problem as.de • pessoal, de estatuto e também do ponto de vista administrativo.
Q. - No que se refere ao modelo de formação do Prof. Vítor Fontes- modelo m édico- pedagógico, sei que tentou mudar para o primado da educação, pode fazer uma comparação entre os dois modelos de formação: do IAACF e da ESE?
1.5.5. - NO IAACF fiz o curso em 1968/69, sendo o modelo médico que predominava. Havia uma categorização das dificuldades ou das deficiências baseada no modelo médico, mas a intervenção era baseada no modelo pedagógico: uma dualidade observação clínica/ intervenção pedagógica. Em 1965 há a entrada da Psicologia, o ISPA nasceu nos finais dos anos 70, já se sentia a influência da Psicologia. Os formandos aprendiam a aplicar testes às crianças, sobretudo a escala de Binet- Simon. Os professores tinham de avaliar as crianças, fazia parte do exame final a observação'-psicológica de uma criança e estabelecer as respectivas orientações pedagógicas. Havia no plano de estudos a preocupação de integração da formação em vários domínios. No plano de estudos de 1964, aplicávamos o teste de Terman (versão espanhola), o que era inovador, ao nível da observação de crianças. Os testes eram versões espanholas, porque não existiam em Portugal as versões utilizadas.
Q. - Qual a sua opinião sobre classes especiais e Institutos de Reeducação, as crianças estavam segregadas?
1.5.5. - As questões de Segregação, Integração, Inclusão são contínuos, não são dicotômicos. As classes especiais eram unidades diferentes das classes regulares, mas as crianças estavam nas escolas. Desvantagens: nem os intervalos eram juntos, os professores tinham horários diferentes do horário normal, funcionava só de manhã, as crianças não brincavam com
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as outras. Ao nível das estratégias pedagógicas de ensino os meninos tinham muito mais material do que os das classes regulares.
Os Institutos da Segurança Social eram verdadeiros colégios, muitos com ginásios, salas de música, bonitos edifícios, grupos de dez, onze meninos. Tinham oficinas equipadas para form ação profissional dos jovens, estes tinham direito a semanada, os professores almoçavam e lanchavam com as crianças. Nalguns casos as crianças não queriam ir de férias porque eram de estratos sociais muito baixos e a sua vida nos colégios tinha melhores condições. Era segregador, pois existiam poucos pontos de contacto com outros jovens. No tempo, houve um grande investimento da Segurança Social, claro não abrangia todas as crianças, mas também nem todas estavam na Escola.
Q. - Qual o cam inho percorrido a partir do IAACF?
1.5.5. - O IAACF atendeu sem pre uma população minoritária, praticam ente só de Lisboa, daí a Segurança Social ter avançado com a proposta de criação de Institutos nas sedes de distrito, e que abrangessem outras deficiências. Isto era uma melhoria, ocorreu a primeira cobertura nos Açores e Madeira do Ensino Especial no âmbito da Segurança Social, mas claro seguindo o modelo dos Colégios de Reeducação com Internato.
Q. - A Dra Inês Sim- Sim fez a transição para a ESE, foi uma etapa difícil?
1.5.5. - Essa etapa implicou a reestruturação do IAACF, im plicou ainda a form ação de professores ao nível do Ensino Superior. Funcionavam ainda classes especiais que eram da responsabilidade do IAACF e as equipas técnicas. O curso de form ação de professores foi reconvertido e passou a funcionar na ESE.
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ENTREVISTA 6
E n tre v is ta d o : Dr. Sérgio Niza
Fun ção: Movim ento da Escola Moderna, Técnico Superior da Segurança Social.
D ata da e n tre v is ta : Abril de 2000.
Questão (Q.) - Pode fazer-nos uma retrospectiva do atendimento a crianças com deficiência
mental em Portugal, tendo como pano de fundo o seu artigo: " Da m édico- Pedagogia à Psicologia Educacional"?
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Dr. Sérgio Niza (S.N.) - O COOMP, Centro de Observação Médico- Pedagógico, surge ligado
ao Instituto de Assistência aos Menores da Direcção Geral de Saúde e Assistência. As necessidades de atendim ento a estas crianças deram origem ao COOMP. Existia um conjunto de Institutos de Assistência a Menores e à Família, teve como seus prim eiros directores de serviços: Ana Maria Bénard da Costa do Centro Hellen Keller, Dr. Antonino Arm ando que vinha do Instituto Jacob Rodrigues Pereira, um professor que tinha sido director do Instituto Adolfo Coelho ( área da Deficiência Mental), directores de outros serviços que passaram a directores de serviço no Instituto. Foi criado o Centro de Observação Médico- Pedagógico paralelamente ao IAACF, era seu objectivo fazer a observação, triagem e acom panham ento das crianças que recorriam à Direcção Geral de Saúde e Assistência, que estavam sob a alçada do M inistério do
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Interior. ...
Estes serviços foram criados nos anos 60 com o apoio das verbas dos Jogos Totobola, os seus lucros destinavam -se a apoiar este Instituto, havia dinheiro para criar .novos estabelecim entos.'
O IAACF tinha o único serviço de observação e a certa altura, foi declarado o único sen/iço quase universal de Higiene Mental, não tinha estruturas para desem penhar as suas funções: observação das crianças que eram enviadas para as classes especiais, que também eram poucas para as necessidades. Verificava-se que muitos diagnósticos não correspondiam a verdadeiros défices. Alguns eram débeis mentais ou pseudo- mentais, tinham algumas dificuldades mas ao serem colocados nas classes especiais porque ficavam marginalizados, em vez de progredirem as suas dificuldades agravavam-se. A situação tornava-se insustentável, porque não havia classes especiais suficientes. Os pais iam bater à porta da Assistência, das suas Instituições, ou do COOMP, quando este foi criado.
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Os pontos de vista de abordagem entre o COOMP e o IAACF eram diferentes, gerava- se uma certa conflitualidade, Ministérios diferentes, estavam de costas voltadas, o IAACF ia fragilizando a sua acção médico- pedagógica, m antinha com alguma qualidade a form ação de professores, mas muito assente no m odelo sensorialista, onde as ideias de Condillac estavam muito presentes. Existiam ainda os aspectos mais retrógados da Maria Montessori, daí o existirem as classes sensoriais ( Sensorial 1; Sensorial 2), o que já não era sustentável do ponto de vista científico, mas este modelo manteve-se quase até ao 25 de Abril. O currículo não foi actualizado, o que só foi feito com o Prof. Albano Estrela nos anos 80.
Q. - Pode agora fazer-nos uma síntese dos movim entos que emergiram a seguir à Revolução?
S.N. - A seguir à Revolução chegou-se à conclusão que as classes especiais deviam desaparecer, para que os professores passassem a apoiar crianças no círculo interno das Escolas, perspectiva que eu defendi. Na equipa de A- da- Beja, fizemos a actualização ou reciclagem desses professores desde a prim eira geração que acabavam por ser cerca de quatrocentos no país todo. Fizerrios a prim eira experiência de serviços de apoio a dificuldades de aprendizagem- SADAS, adm inistrativamente suportados pelo gabinete da Dra Elizete Alves do Ministério da educação. Os SADAS transform aram -se em UOES- Unidades de O rientação Educativa e vêm a integrar-se nas EEES que eram coordenadas pela Dra Ana Maria Bénard da Costa, para apoio a Dificuldades de Aprendizagem . Existia por outro lado o Ensino Especial para as crianças com deficiências, ideia que vem de Kirk, o seu conceito é de que há uma discrepância entre as potencialidades dum a criança e a sua realização escolar (perfomance no plano do currículo), pressupostos que eram crianças com potencialidades mentais. Baseava-se na medição da inteligência, as crianças tinham potencial normal. Daí a criação destas duas respostas no sistema, a Dra Ana Maria Bénard da Costa tentou fundir e trazer as pessoas formadas em A- da- Beja que promoviam a form ação contínua de todos os professores de apoio a dificuldades de aprendizagem, havendo ligação ao Movimento da Escola Moderna, tratou-se de uma ruptura com o modelo e a tradição do IAACF.
O COOMP criou a divisão de serviços para acolher situações intermédias (border-line), com a marca ainda de tradição médica. Criou-se assim uma alternativa médico- psico- pedagógica- o COOMP foi dirigido por um psicólogo, quando ainda não existiam psicólogos em Portugal. O IAACF foi dirigido por m édicos com componente forte de Medicina Psico- Pedagógica. A equipa de A- da- Beja introduziu ruptura pela sua com ponente educativa. O IAACF teve sem pre um modelo curricular pouco dinâmico.
Q. - Qual a sua opinião sobre o currículo do IAACF, no que se refere ao primado de duas cadeiras: Psicologia e Pedagogia dos Anorm ais e componente forte de estágio?