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3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

3.3 PROCESSO DE COLETA DE DADOS

3.3.3 Participantes do Estudo

Segundo Bogdan e Biklen (1994), os critérios de construção sobre a amostragem nos estudos qualitativos se diferem daqueles utilizados nos trabalhos quantitativos. Conforme Minayo (1996), as pesquisas qualitativas preocupam-se mais com o aprofundamento e compreensão que com a generalização, seja de um indivíduo, um grupo, uma organização,

política ou uma instituição, o critério não é numérico, e pode-se considerar que a amostra ideal é quando a mesma consegue refletir a totalidade nas suas múltiplas dimensões.

A escolha dos participantes, segundo Mayan (2001) é compreender o fenômeno de interesse, onde as investigações qualitativas dependem de amostras selecionadas propositalmente, e o pesquisador escolhe indivíduos e contextos por meio das seguintes perguntas: (i) Quem pode me dar as melhores informações, referentes à pergunta de meu projeto de pesquisa? Definindo assim os sujeitos; e (ii) Em quais contextos eu conseguirei colher as melhores informações relativas à pergunta de meu projeto? Definindo assim o local da coleta (MAYAN, 2001).

Para Kuzel (1999) a natureza indutiva de pesquisa qualitativa requer a busca por informações até o ponto de saturação, o pesquisador continua a recrutar participantes enquanto novos dados emergem. Para o autor, cinco a oito participantes são geralmente suficientes para uma amostra homogênea e doze a vinte para uma amostra heterogênea, onde é importante para maximizar a variação entre a amostra. A expressão saturação teórica foi inicialmente utilizada por Glaser e Strauss (1967). O fechamento amostral por saturação teórica leva à suspensão da inclusão de participantes quando os dados passam a apresentar, na avaliação do pesquisador, certa redundância ou repetição (GLASER; STRAUSS, 1967; DENZIN; LINCOLN, 1994).

Estabeleceu-se, tanto nas entrevistas semiestruturadas como nas entrevistas narrativas coletivas, para a definição do término da coleta de dados o critério de saturação, sendo essa saturação atingida quando o pesquisador presume não obter mais informações que qualificam os dados existentes (BOWEN, 2008; GASKELL, 2004). Glaser e Straus (1967) definem a saturação teórica como a constatação do momento de interromper a captação de informações pertinentes à uma determinada categoria dentro de uma investigação qualitativa sociológica. Denzin e Lincoln (1994) afirmam que o fechamento amostral por saturação teórica é definido como o ato de suspender o adicionamento de novos participantes quando os dados obtidos passam a apresentar, na avaliação do pesquisador, repetição ou redundância.

Para os autores Strauss e Corbin (1990), os pesquisadores devem utilizar da sua "sensibilidade teórica", compreendida como a destreza para olhar os dados com perspicácia e imaginação com o objetivo de verificar a relevância dos dados e discernir o que é ou não é pertinente ao estudo. Minayo (1996) afirma que o critério de saturação é entendido como o conhecimento formado pelo pesquisador de que ele conseguiu entender a lógica interna do grupo ou da coletividade que está sendo estudada.

O Quadro 10 apresenta a caracterização dos sujeitos participantes, representando os indivíduos que serão entrevistados, o tempo que os mesmos possuem nas suas organizações, o

cargo que este assume dentro da organização, o tipo de entrevista que foi feita e também o tempo de cada entrevista (semiestruturada). Essas informações dizem respeito aos critérios adotados para a seleção dos respondentes da pesquisa, onde procura-se entrevistar gestores e empresários que atuam nas organizações há pelo menos 10 anos (podendo assim identificar perfils que já evidenciaram em suas organizações histórias e contadores de histórias), sendo estes participantes de setores distintos,desta maneira, pode-se identificar as praticas de Storytelling nos mais diversos contextos organizacionais, aumentando assim a diversidade de elementos que emergem nestes contextos. Segundo Rowley (2012) a consideração dos critérios de escolha aos potenciais entrevistados devem seguir dois fatores principais: (i) Sua vontade e disponibilidade; e (ii) Sua habilidade para visitar um local acordado para a entrevista, que muitas vezes pode ser selecionado de acordo com a conveniência do entrevistado.

Quadro 10 – Caracterização dos sujeitos da pesquisa

Indivíduo Cargo Tempo na Organiza- ção Setor Tipo de Entrevista Tempo de Entrevista*

Entrevistado BA Empresário Mais de 25

anos

Comércio (rede de

franquias de lojas) Semiestruturada 1:21

Entrevistado CC Empresário 11 anos Serviços (Consultoria) Semiestruturada

e Narrativa 1:36

Entrevistado ET Empresário Mais de 25

anos

Indústria/Serviços (Presidente Cooperativa)

Semiestruturada 1:48

Entrevistado TG Empresário 10 anos Serviços (Rede de

Academia) Semiestruturada 1:39

Entrevistado HV Empresário 15 anos Indústria (Tintas) Semiestruturada 1:34

Entrevistado LH Empresário Mais de 25

anos

Poder público (Secretário da Educação)

Semiestruturada 1:55

Entrevistado MC Empresário 19 anos Indústria (Metal

mecânico) Semiestruturada 1:23

Entrevistado RJ Empresário Mais de 25

anos Indústria (Moveleira) Semiestruturada 1:44

Entrevistado PB Empresário 17 anos Indústria (Software) Semiestruturada

e narrativa 2:03

Entrevistado LM Empresário Mais de 25

anos Serviços (Hospital)

Semiestruturada

e narrativa 1:52

Entrevistado TF Empresário 12 anos Indústria (Carrocerias) Semiestruturada 1:57

Entrevistado CO Empresário Mais de 25

anos Serviços (Consultoria)

Semiestruturada

e narrativa 1:51

Fonte: Elaborado pelo autor (2016).

*O tempo de entrevista é referente a entrevista semiestruturada, que ocorreu de forma individual, a entrevista narrativa aconteceu de forma coletiva e teve duração de 2:57 (duras horas e cinquenta e sete minutos)

Conforme Dutra (2009), ao se desenvolver a empresa desenvolvem-se as pessoas, e estas, ao se desenvolverem, fazem o mesmo pela organização. Os profissionais que compõem a empresa são diretamente responsáveis pelo desempenho da mesma. Segundo Cardoso (2009)

no ambiente organizacional, os gestores são um elemento importante, pois, enfrentam desafios utilizando-se das experiências anteriores, dos resultados produzidos na solução de outros problemas para agir e tomar suas decisões. Essa forma cíclica de aprendizagem refere-se ao poder de reflexão dos profissionais, (CARDOSO, 2009). Melo (2014) ressalta a importância e o impacto que representam as ações dos empresários para a sobrevivência ou mortalidade das suas organizações. As diversas causas apontadas nas pesquisas como fatores que contribuem para a elevada taxa de mortalidade das empresas têm origem, em sua maioria, nas decisões ou indecisões desses empresários (SILVA; SILVA, 2011). Diante deste contexto, entende-se que os gestores e empresários, influenciam e atuam diretamente nas mudanças organizacionais e no desempenho das organizações.

Após as entrevistas e a saturação da amostra, ocorrerá a transcrição das entrevistas, que segundo Miles e Huberman (1984;1994) se resumem da seguinte forma: (i) A redução de dados, o pesquisador deve ler de forma independente e reler as transcrições (manter a consciência de suas ideias preconcebidas); (ii) Identificar de forma independente categorias- chave que podem ser mapeados de forma adequada; (iii) Tirar conclusões, identificando grupos de categorias e anotando as relações dentro dos dados. Isto irá permitir o desenvolvimento de temas abrangentes e subtemas; e (iv) Confirmar os resultados ponderando as provas e fazendo contrastes e comparações.