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PARTICIPANTES

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A escala foi aplicada em 250 pessoas, no entanto, 30 questionários foram excluídos por terem mais do que 40% dos itens sem resposta ou dados ilegíveis.A tabulação e a análise dos dados foram feitas por intermédio do programa estatístico SPSS versão 19.0 (StatisticalPackage for the Social Science).Foram calculadas frequências, médias e desvios- padrão para caracterização da amostra exposta a seguir.

A amostra foi composta por 84,5% de mulheres e os outros 15,5% de homens. A idade variou entre 19 e 68 anos (Media=34,27; DP 9,83), sendo que a maioria (51,4%) dos participantes era casada. Verificou-se que 20 (9,1%) tinham o ensino médio, 142 (64,5%) o superior e 58 (26,4%) Pós-Graduação completos.

Constatou-se que apenas 4 participantes (1,8%) trabalhavam em ONG, 26 (11,8%) em empresas públicas e 190 (86,4%) em empresas particulares. Verificou-se que 115 (53,3%) participantes trabalhavam sozinhos e 105 (47,7%) em grupo, nesse caso também está incluídos os participantes que trabalhava com outra pessoa.A Tabela 5 apresenta os dados descritivos da amostra de forma mais detalhada.

Tabela 4 Descrição dos participantes (n= 220).

Dados de identificação Variações N %

Sexo Feminino 186 84,5

Masculino 34 15,5

Estado Civil Solteiro(a) 80 36,4

Casado(a) 113 51,4 Outros (as) 27 12,3

Escolaridade Ensino Médio 20 9,1

Ensino Superior 142 64,5 Pós-Graduação 58 26,4

Tipo de Empresa ONG 4 1,8 Pública 26 11,8 Particular 190 86,4 Com quem realiza o trabalho. Sozinho 105 47,7 Em Grupo 115 53,3

4.6 ANÁLISES DOS DADOS

A estrutura interna da EAT 35 foi investigada por meio de análise fatorial exploratória. Trata-se de uma análise multivaridada cujo objetivo é encontrar agrupamentos (componentes ou fatores) de variáveis que permitam descrever de forma sintética um conjunto maior de variáveis. Tabachnick e Fidell (2001) indicam para estas análises a necessidade de que a amostra contenha 5 sujeitos por item, pressuposto atendido pelo tamanho da amostra do estudo com 220 participantes que ultrapassou 215 (5sujeitos x 43itens = 215) exigidos.

Para a validação fatorial da EAT 35,seguiram-se os critérios propostos por Pasquali (2012), para isso foram realizadas análises fatoriais exploratórias com inclusão de análises descritivas preliminares, como os Testes de Kaiser-Meyer-Olikin (KMO) e de Bartlett, solicitando três fatores pelo método de extração denominado Principal AxisFactoring (PAF) e o screeplot, gráfico elaborado pelo SPSS com base nos autovalores extraídos. A rotação aplicada foi direct oblimin com delta igual a zero, e o critério para manter o item no fator foi a carga fatorial igual ou maior que 0,40 (positiva ou negativa).

Para verificar a precisão da escala, foi calculado o alfa de Cronbach, para cada fator e para o total da escala.Anastasi&Urbina (2000), citam que esse métodos é um dos mais utilizados e aceitos para verificar a precisão de um instrumento e pode ser definido como: “a consistência dos escores obtidos pelas mesmas pessoas quando elas são reexaminadas com o mesmo teste em diferentes ocasiões, ou com diferentes conjuntos de itens equivalentes” (p. 84).

5 RESULTADOS

Inicialmente serão apresentados os resultados da análise fatorial exploratória e posteriormente os resultados dos índices de precisão (Alfa de Cronbrach). Em seguida será exposta a discussão dos resultados apresentados.

5.1 ANÁLISE FATORIAL EXPLORATÓRIA

Para analisar a fatorabilidade da matriz de dados examinou-se o índice de Kaiser- Meyer-Olkin (KMO = 0,856), e os resultados do teste de esfericidade de Bartlett (χ²= 6176,003,282; p<0,001). Esses resultados confirmam a fatorabilidade da matriz. Nesta análise foram identificados 3 componentes, que explicaram 46% da variância total.

O parâmetro utilizado para retenção dos componentes foi de autovalores, também chamado de eigenvalues, iguais ou maiores que 1. Pasquali (2012) fala que esse critério se refere à variância explicada do componente ou fator. Sendo assim, valores abaixo de 1 explicariam menos que a variância total de uma única variável, por isso não é relevante reter o componente nesses casos. No entanto, o ScreePlot revelou três fatores mais claramente definidos. Esse detalhe é percebido ao se observar com maior cuidado uma pequena separação após o 3º fator (Figura 1). Os fatores que se seguem a ele estão distribuídos em uma linha contínua. De acordo com Pasquali (2012), uma das maneiras de se decidir sobre o número de fatores de uma medida em construção, tendo-se por base os resultados doScreePloté buscar onde está o “cotovelo” no gráfico, ou seja, todos os fatores que estiverem acima desse ponto são importantes.

A análise foi feita a partir da fatoração dos eixos principais (PAF), por se tratar de um método que conduz a estimativas precisas de cargas fatoriais e correlações entre fatores (PASQUALI, 2003). Para testar a rotação optou-se pelo método Oblimin, para analisar a matriz de correlações entre os fatores, pois esse método pressupõe correlações significativas entre os fatores (Tabela 6).

Tabela 5 Cargas fatoriais e comunalidades dos 43 itens (n = 220)

Item / Fator 1 2 3 25 0,80 0,52 36 0,71 0,41 9 0,63 0,47 32 0,58 0,46 29 0,58 0,51 28 0,57 0,39 31 0,56 0,64 23 0,56 0,45 1 0,51 0,31 2 0,50 0,39 30 0,47 0,56 24 0,46 0,51 13 0,45 0,36 14 0,43 0,42 18 0,40 0,45 20 0,63 0,43 21 0,60 0,38 37 0,57 0,34 40 0,56 0,53 15 0,54 0,35 16 0,53 0,37 33 0,52 0,46 41 0,45 0,55 39 0,42 0,50 4 0,40 0,36 12 0,79 0,59 19 0,75 0,54 6 0,73 0,55 11 0,73 0,57 7 0,61 0,43 5 0,49 0,33 10 0,47 0,36 22 0,46 0,48 8 0,43 0,31 43 0,41 0,46

3 0,34 17 0,27 26 0,23 27 0,37 34 0,28 35 0,24 38 0,10 42 0,46 Número de Itens 15 10 10 43 Método de extração: Principal AxisFactoring. Método de rotação: Oblimin.

Observa-se na Tabela 6 que, ao se considerar todos os fatores, as cargas fatoriais variaram entre 0,80 e 0,40, valores estes adequados, segundo Tabachnick e Fidell (2001). Ao todo 8 itens não carregaram no fator correspondente ou obtiveram cargas fatoriais em mais de um fator, portanto, foram excluídos da escala, a saber: 3, 17, 26, 27, 34, 35, 38, 42.

Com o objetivo de verificar o resultado da escala em seu formato final, excluíram-se os itens que não obtiveram cargas fatoriais satisfatórias e calculou-se novamente a análise fatorial. O critério utilizado nessa análise foram os mesmos adotados anteriormente. Foram obtidos os seguintes resultados:

O índice de Kaiser-Meyer-Olkin (KMO = 0,861), e os resultados do teste de esfericidade de Bartlett (x²= 4704,262, significativo a p < 0,001). Esses resultados confirmam a fatorabilidade da matriz. Nesta análise também foram identificados 3 componentes, que explicaram 49,2% da variância total.

OScreePlot também continuou a indicar três fatores mais claramente definidos. É possível verificar esse resultado após uma pequena separação após o 3º fator (Figura 2).

Constatou-se que ao excluir os itens que não obtiveram cargas fatoriais satisfatórias, os resultados da estrutura interna da escala aumentaram. Em relação a cargas fatoriais de cada item, foi possível observar que tiveram pouca diferença em relação à primeira analise fatorial, como pode-se observar na Tabela 7 .

Tabela 6- Cargas fatoriais e comunalidades dos 35 itens (n = 220)

Item / Fator 1 2 3 25 0,74 0,45 36 0,69 0,36 9 0,66 0,48 31 0,59 0,63 2 0,59 0,63 32 0,58 0,44 23 0,58 0,46 30 0,55 0,57 28 0,55 0,37 24 0,54 0,53 29 0,52 0,52 1 0,52 0,31 14 0,51 0,44 13 0,46 0,36 18 0,41 0,44 20 0,62 0,42 21 0,62 0,41 40 0,59 0,53 15 0,55 0,36 33 0,53 0,48 37 0,53 0,31 41 0,49 0,57 16 0,47 0,32 4 0,43 0,31 39 0,41 0,49 12 0,79 0,59 19 0,78 0,57 11 0,76 0,51 6 0,75 0,57 7 0,62 0,45 10 0,49 0,34 5 0,49 0,31 22 0,46 0,47 8 0,45 0,30 43 0,40 0,43 Número de Itens 15 10 10 35

Com o resultado foi possível definir o formato final da EAT 35. A escala ficou composta por 35 itens no total, sendo que 15 correspondem à dimensão de humor, 10 para cognição e 10 para comportamento. Todos os itens obtiveram cargas fatoriais acima de 0,40. Após a análise fatorial iniciou-se o estudo de precisão da escala (ANEXO D).

5.2 ÍNDICE DE PRECISÃO

Para verificar a precisão da escala foi calculado o alfa de Cronbach, para cada fator separadamente e para o total da escala. No que se refere à precisão, Anastasi e Urbina (2000, p. 84) defendem que “a fidedignidade do teste indica a extensão em que as diferenças individuais nos escores de teste são atribuíveis a diferenças verdadeiras nas características sob consideração e a extensão em que elas são atribuíveis a erros casuais”. As autoras ainda afirmam que o alfa de Cronbach é muitas vezes referido como um dos principais estimadores de precisão de uma escala. Os resultados obtidos são apresentados na Tabela 8.

Tabela 7 – Índices de precisão

Fatores Alfa de Cronbach

Nº de itens α

1 – Humor 15 0,91

2 – Cognição 10 0,85

3 - Comportamento 10 0,86

Total da EAT 35 35 0,93

A Tabela 8 mostra que os coeficientes variaram entre 0,91 e 0,86 entre os fatores e 0,93 ao considerar o total da escala. Anastasi e Urbina (2000), afirmam que valores iguais ou acima de 0,70 são considerados aceitáveis índices de precisão. Os resultados indicaram que todos os fatores, assim como o total da escala, apresentam índices de confiabilidade aceitáveis. O Anexo D mostra a Escala de Ansiedade no Trabalho (EAT 35) em seu formato final.

6 DISCUSSÃO

Nesta seção, pretende-se integrar os resultados obtidos no presente estudo com o referencial teórico. Para tanto, de modo a facilitar a leitura, primeiramente será discutido o modelo teórico utilizado nessa pesquisa, em seguida os resultados encontrados, posteriormente a comparação da EAT 35 com outras escalas e por fim as limitações desse estudo.

Para definir as dimensões de ansiedade que foi utilizada nesse estudo inicialmente realizou-se um levantamento teórico sobre o tema que permitiu relacionar uma série de estudos sobre a ansiedade e suas dimensões na perspectiva de diferentes autores, entre eles: American Psychiatric Association (2003); Andrade e Gorenstein (2000); Kaplan, Sadock e Grebb (1997); Keedwell e Snaith (1996).

Constatou-se que entre as dimensões mais citadas foram: humor, somáticos, cognitivos e comportamentais. Por se tratar de um estudo com ênfase no aspecto psicológico da ansiedade, optou-se em trabalhar com as dimensões humor, cognição e comportamento, pois se referem a conceitos estudados dentro do campo da psicologia. A definição dos fatores também foi definida com base no conteúdo dos próprios itens de acordo com o referencial pesquisado.

Ainda que para esse estudo tenha buscado definir as dimensões da ansiedade a ser pesquisada, pode-se afirmar que a definição do construto e suas dimensões ainda estão em aberto, pois a falta de consenso entre os pesquisadores sobre os atributos que fazem parte da ansiedade é grande. Constatou-se também que outros termos como manifestações, características e sintomas por vezes são utilizados como sinônimos de dimensões da ansiedade. Isso confirmou também a necessidade que havia de se fazer um levantamento, como o realizado na presente pesquisa, que agrupasse e sintetizasse o que foi publicado sobre o tema até o momento.

Para verificar se os itens elaborados e que deveriam representar as dimensões de ansiedade propostas para integrar a EAT 35 (humor, cognição e comportamento) seriam confirmados, foi realizada a analise fatorial exploratória. O propósito essencial da análise fatorial é descrever, se possível, a estrutura de covariâncias entre as variáveis, ou seja, em termos de um número menor de variáveis (não observáveis) chamadas fatores (PASQUALI, 2003). Segundo Laros (2005), é essencial realizar análises fatoriais na construção de

instrumentos psicológicos, pois torna os resultados mais evidentes quanto à sua estrutura interna.

Quanto às análises da estrutura interna da escala, a primeira análise fatorial buscou identificar se a matriz era possível extrair fatores e qual era o método mais adequado de rotação a ser utilizado, nesse caso conforme sugere Pasquali (2012) utilizou-se a rotação Oblimin, pois se identificou que houve correlações significantes entre os fatores, o que já era esperado, uma vez que o conteúdo teórico dos atributos em questão demonstra familiaridade entre si. Analisou-se ainda oScreePlot e o KMO para verificar se a fatoração dos itens estavam de acordo com o referencial teórico proposto. Os itens que não carregaram no fator correspondente ou tiveram carga dupla foram excluído da escala.

Com os resultados obtidos, verificou-se que os itens se agruparam em três fatores com cargas fatoriais acima de 0,40 (Tabela 7). Com esse resultado foi possível confirmar as três dimensões que a escala se propôs a avaliar (Humor, Cognição e Comportamento).

Além da estrutura interna da escala, verificou-se também à precisão da EAT 35, calculando-se o alfa de Cronbach para os três fatores assim como para o total da escala. Todos os fatores apresentaram boas qualidades psicométricas e com bons índices de precisão (Tabela 9) uma vez que Nunnally (1978), afirma que valores ideais são aqueles maiores que 0,70.

Ao examinar outras escalas que buscam avaliar o mesmo construto, contatou-se que as escalas existentes buscam avaliar diferentes aspectos da ansiedade. Verificou-se que as escalas Hama (HAMILTON 1959), Escala de Ansiedade de Zung (ZUNG, 1971) e a de Bai (BECK; STEER; BROWN, 1985) têm construtos semelhantes, com ênfase nos aspectos somáticos da ansiedade, a IDATE (SPIELBERGER, 1979) tem objetivo de avaliar o Traço- Estado da ansiedade. Já a BPRS (OVERALL et al., 1962) enfatiza os aspectos cognitivos da ansiedade.Cabe ressaltar que os autores que trabalham com essa distinção consideram o construto ansiedade unidimensional,ou seja, trabalham com apenas uma das dimensões de ansiedade.

Essas constatações vêm ao encontro dasidéias de Keedwell e Snaith (1996), ao afirmarem que nenhuma das escalas disponíveis avalia todas as dimensões da ansiedade, pois tendem a medir uma ou outra dimensão de acordo com o objetivo proposto. Os autores ainda ressaltam que quando determinada escala for escolhida para medir a ansiedade, deve-se ter em conta qual dimensão que a escala em questão está se propondo a medir, pois a interpretação dos resultados pode ser muito diferente entre as escalas.

Nesse sentido a EAT 35 poderia ser aplicada quando o objetivo for avaliar as dimensões psicológicas da ansiedade – humor, cognição e comportamento, - voltada para o ambiente de trabalho. Seu modelo multifatorial é baseado no referencial teórico apresentado, assim como nos resultados dos resultados advindo das análises contidas neste estudo.

6.1 LIMITAÇÕES DO ESTUDO

A presente pesquisa apresentou algumas limitações. A revisão teórica realizada para este trabalho tornou evidente a falta de consenso quanto à definição do construto de ansiedade, assim como suas dimensões. O construto é objeto de estudo de diversas áreas do conhecimento, o que dificulta obter uma única definição sobre o conceito de ansiedade.

No meio científico, diversas tentativas de conceituação de modelos teóricos são pesquisados e pospostos de acordo com respectiva área do conhecimento em que é estudado, cada um com suas contribuições e críticas. Não é raro pesquisadores encontrarem dificuldade de definir seus limites conceituais, o que pode ocasionar discussões teóricas e falta de concordância conceitual entre os pesquisadores. Dentre os autores que buscaram definir o conceito, pode-se citar: Sadock (2007), Bonica e Loeser (2001), Kaplan, Sadock e Grebb (1997),Spielberger (1966, 1981), Keedwell e Snaith (1996) American PsychiatricAssociation (2003), entre outros.

Entre as limitações deste trabalho pode-se citar a não realização de estudos comparativos entre as variáveis sociodemográficas, como: as médias entre idade, sexo, escolaridade, dentre outras características dos participantes. Tais estudos não foram incluídos nos objetivos, pois já se havia identificado a falta de tempo hábil para concretizá-los, pois o objetivo principal era a validação da escala. Ainda assim, pretende-se realizar tais estudos, pois além dos dados estarem disponíveis irá contribuir com estudos sobre ansiedade.

Outro estudo que poderá contribuir com as pesquisas sobre a EAT 35 é a realização da análise fatorial confirmatória (AFC), já que este estudo constituiu um primeiro teste da validade da escala, a análise fatorial exploratória (AFE). Cabe ressaltar que isso não limita a utilização de um instrumento, pois a AFE é considerada um estudo de validade (PASQUALI, 2012). Ainda que não tenha sido o objetivo dessa pesquisa fazer tais estudos, considerou-se relevante mencionar por se tratar de um estudo importante para confirmar o modelo de três fatores resultante dessa pesquisa.

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