Download/Open
Texto
(2) LUCIANO FRANZIM NETO. CONSTRUÇÃO E VALIDAÇÃO DA ESCALA DE ANSIEDADE NO TRABALHO (EAT-35). Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação em Psicologia da Saúde da Universidade Metodista de São Paulo, como requisito parcial a obtenção do título de Mestre em Psicologia da Saúde.. Orientadora: Profa. Dra. Mirlene Maria Matias Siqueira. SÃO BERNARDO DO CAMPO 2014.
(3) FICHA CATALOGRÁFICA F859c. Franzim Neto, Luciano Construção e validação da escala de ansiedade no trabalho (EAT35) / Luciano Franzim Neto. 2014. 67 f. Dissertação (Mestrado em Psicologia da Saúde) --Faculdade da Saúde da Universidade Metodista de São Paulo, São Bernardo do Campo, 2014. Orientação de: Mirlene Maria Matias Siqueira. 1. Ansiedade 2. Escala - Validação 3. Psicologia do trabalho I. Título. CDD 157.9.
(4) A dissertação de mestrado sob o título: “Construção e validação da escala de ansiedade no trabalho (EAT-35)” Luciano Franzim Neto foi apresentada e aprovada em 12 de maio de. 2014, perante a banca examinadora composta por Profa. Dra. Marília Martins Vizzotto (Presidente/UMESP), Prof. Dr Manuel Morgado Rezende.(Titular/UMESP), Prof.Dr.Dinael Corrêa de Campos (Titular/Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho - UNESP,. SP).. ____________________________________ Profa. Dra. Mirlene Maria Matias Siqueira Orientadora. _____________________________________ Profa. Dra. Maria Geralda Viana Heleno Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Saúde. Programa: Pós- Graduação em Psicologia da Saúde Área de Concentração: Psicologia da Saúde Linha de Pesquisa: Processos Psicossociais.
(5) DEDICATÓRIA. Fale-nos sobre ansiedade: E ele respondeu: Não existe nada de errado com a ansiedade. Embora não possamos controlar o tempo de Deus, faz parte de a condição humana desejar receber o mais rápido possível aquilo que se espera, ou afastar imediatamente aquilo que causa pavor. Como dizer a um coração apaixonado que fique tranqüilo, contemplando os milagres da criação livres das tensões, dos medos e das perguntas sem respostas? Como dizer a alguém que investiu sua vida e seus bens não fique preocupado com uma possível crise financeira? Como pedir a um guerreiro que não fique ansioso antes de um combate? Portanto, a ansiedade está presente nos seres humanos e como não podemos dominá-la, teremos que aprender a conviver com ela – assim como o homem aprendeu a conviver com as tempestades.. Minha dedicatória vai para todos aqueles que estiverem lendo esse trabalho, pois acredito que o todo o conhecimento deve ser compartilhado..
(6) AGRADECIMENTOS. Agradeço pela oportunidade de estar vivo para escrever esse trabalho, mas dificilmente se constrói algo sozinho. Porém, foram muitas pessoas que me ajudaram e serei eternamente grato por isso, mas não vou correr o risco de não mencionar alguém. Portanto, agradeço todos meus amigos. Mas jamais poderia esquecer-se de mencionar o Dr.José Glauco Bardella, que quando todas as portasparecia estarem fechadas ele me deu apenas um voto de confiança e graças a essa oportunidade consegui chegar até aqui. Um dia ainda espero retribuir tudo que fizestes por mim, nessa vida ou na próxima..
(7) FRANZIM NETO, L. Construção e validação da escala de ansiedade no ambiente de trabalho (EAT-35). 2014. Dissertação (Mestrado em Psicologia da Saúde) – Faculdade da Universidade Metodista de São Paulo, São Bernardo do Campo, 2014.. RESUMO. Ansiedade é um conceito estudado desde a antiguidade sendo amplamente pesquisado em diversos ramos da ciência. A ansiedade pode ser compreendida como um sinal de alerta, um estado emocional que, por vezes, se torna desagradável, sendo vivenciada por todos os seres humanos. Uma forma de mensurar a ansiedade é por meio de escalas válidas e precisas. Por isso, o objetivo desse estudo foi construir e validar uma escala para avaliação de ansiedade no ambiente de trabalho. Com base em três dimensões da ansiedade contidas na literatura, foi construída a Escala de Ansiedade no Trabalho (EAT-35). Os dados foram coletados a partir das respostas dadas por 220 trabalhadores do Estado de São Paulo, com idade média de 34,27 (DP=9,83) sendo a maioria do sexo feminino (84,5%) e com ensino superior (64,5%). Foram calculadas estatísticas descritivas, análise fatorial e alfa de Cronbach. Os resultados revelaram um modelo de três dimensões da ansiedade e cujas dimensões obtiveram adequadas cargas fatoriais e índices de precisão. Com os resultados produzidos pelas análises deste estudo é possível concluir que a Escala de Ansiedade no Trabalho (EAT-35) pode ser utilizada como uma ferramenta para avaliar a ansiedade no trabalho. Novas pesquisas que realizem a aplicação de análises fatoriais confirmatórias são indicadas com o objetivo de se confirmar os resultados obtidos pelas análises fatoriais exploratórias durante a validação da EAT-35.. Palavras – chaves: Escala. Validação. Ansiedade. Trabalho..
(8) FRANZIM NETO , L. Development and validation of the scale of anxiety in the workplace. 2014. Dissertation (Masters in Health Psychology ) - Faculty, Methodist University of São Paulo , São Bernardo do Campo , 2014.. ABSTRACT. Anxiety is a concept studied since antiquity been widely researched in many branches of science. Anxiety can be understood as a warning sign, an emotional state that sometimes becomes annoying, being experienced by all humans. One way of measuring anxiety is through valid and accurate scales. Therefore, the aim of this study was to construct and validate a scale to assess anxiety in the workplace. Based on three dimensions of anxiety contained in the literature, was built at Work Anxiety Scale (EAT-35). Data were collected from the responses of 220 employees of the State of São Paulo, with a mean age of 34.27 (SD = 9.83) and most were female ( 84.5 % ) and higher education ( 64,5%). Descriptive statistics, factor analysis and Cronbach's alpha were calculated . The results revealed a model of three dimensions of anxiety and the dimensions obtained adequate factor loadings and reliability coefficients. With the results produced by the analyzes of this study it can be concluded that the Anxiety Scale at Work (EAT-35) can be used as a tool to assess anxiety at work. New research conducting the application of confirmatory factor analyzes are given in order to confirm the results obtained by exploratory factor analysis during validation of EAT-35.. Keywords: Scale. Validation. Anxiety. Work..
(9) LISTA DE QUADROS. Quadro 1. Dimensões, número de itens e exemplos de itens.. 34.
(10) LISTA DE FIGURAS. Figura 1. Gráfico de sedimentação dos autovalores com 43 itens.. 38. Figura 2. Gráfico de sedimentação dos autovalores com 35 itens.. 40.
(11) LISTA DE TABELAS. Tabela 1. Definições das dimensões da ansiedade.. 20. Tabela 2. Agrupamento dos sintomas de ansiedade de acordo com as dimensões.. 21. Tabela 3. Instrumentos disponíveis para avaliar ansiedade.. 24. Tabela 4. Descrição dos participantes. (n= 220). 36. Tabela 5. Cargas fatoriais e comunalidades dos 43 itens. (n = 220). 39. Tabela 6. Cargas fatoriais e comunalidades dos 35 itens (n = 220). 41. Tabela 7. Índices de precisão.. 42. Tabela 8. Itens correspondentes ao fator.. 46.
(12) SUMÁRIO. 1 INTRODUÇÃO.......................................................................................................................... 11. 2 REVISÃO DA LITERATURA................................................................................................. 13. 2.1 ANSIEDADE............................................................................................................................ 13. 2.2 DIMENSÕES DA ANSIEDADE............................................................................................. 18. 2.3 AVALIAÇÃO DA ANSIEDADE............................................................................................ 22. 2.4 ESCALAS DISPONÍVEIS PARA AVALIAR A ANSIEDADE............................................. 24. 2.5 ANSIEDADE E TRABALHO................................................................................................. 26. 2.6 PESQUISAS SOBRE ANSIEDADE E TRABALHO............................................................. 29. 3 OBJETIVOS........................................................................................................................ 32. 4 MÉTODO.................................................................................................................................. 33. 4.1 PROCEDIMENTOS ................................................................................................ 33. 4.2 CONSTRUÇÃO DOS ITENS.................................................................................................. 33. 4.3 VALIDADE TEÓRICA........................................................................................................... 34 4.4 ASPECTOS ÉTICOS E COLETA DE DADOS...................................................................... 35. 4.5 PARTICIPANTES....................................................................................................... 36. 4.6 ANÁLISE DE DADOS............................................................................................................ 37. 5 RESULTADOS......................................................................................................................... 5.1 ANÁLISE FATORIAL............................................................................................................. 38 38. 5.2 ÍNDICE DE PRECISÃO.......................................................................................................... 42. 6 DISCUSSÃO............................................................................................................................... 43. 6.1 LIMITAÇÕES DO ESTUDO................................................................................................... 45. 6.2 APLICAÇÃO E APURAÇÃO DOS RESULTADOS............................................................. 46. 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS.................................................................................................... 48. REFERÊNCIAS ........................................................................................................................... 49. ANEXOS........................................................................................................................................ 55.
(13) 11. 1 INTRODUÇÃO. Apesar de a ansiedade ser um estado emocional altamente desagradável, ela faz parte da natureza humana, funcionando como um sinal de alerta, isto é, avisando sobre um perigo iminente e possibilitando que a pessoa tome medidas para lidar com a ameaça subjacente à situação de perigo. Na condição de alerta, a ansiedade tem qualidades de preservação da vida e é, muitas vezes, propulsora do desempenho, preparando o indivíduo para assumir as ações necessárias para evitar a ameaça ou atenuar suas conseqüências. Desse modo, a ansiedade alerta o indivíduo para que este realize certos atos que visem remover ou reduzir o perigo (KAPLAN; SADCOK; GREBB, 1997). Bonica e Loeser (2001) afirmam que no século XX a ansiedade passou a fazer parte do cotidiano das pessoas, e nem sempre ela é benéfica, passando a ser patológica e prejudicial à vida do indivíduo quando é desproporcional à situação que a desencadeia ou quando não existe um motivo específico para seu aparecimento, afetando a saúde. O indivíduo ansioso apresenta diversos sintomas como inquietação, cansaço, dificuldade de se concentrar, falta de ar, sudorese, taquicardia, náuseas, tremores, tontura e insônia, entre outros. Segundo Sadock (2007) a ansiedade é um tema que desperta interesse tanto na comunidade científica como na população em geral. Todas as pessoas vivenciam a ansiedade, sendo que em determinadas ocasiões ela pode ser benéfica, pois de certa forma, favorece a adaptação do ser humano a novas situações ou pode sertambém é compreendida como um sinal de alerta, podendoindicar um perigo iminente, desta maneira a pessoa torna-se capacitada a tomar uma decisão frente à ameaça que é desconhecida ou conflituosa o autorconsidera que a ansiedade tem um importante papel para advertir o organismo sobre uma ameaça interna ou externa e pode alertar sobre possíveis dores, lesões, punições, frustrações ou ameaças. Além disso, conduz o indivíduo a adotar medidas necessárias para evitar perigos e reduzir as suasconsequências. Assim, pode-se entender que o processo de ansiedade tem um papel fundamental na vida diária das pessoas, uma vez que torna o organismo mais apto a enfrentar uma situação interpretada como perigosa ou desconhecida. Ao falar de ansiedade, é importante ressaltar que o ser humano em geral passa a maior parte de seu tempo trabalhando, e alguns ambientes de trabalho geram ansiedade no trabalhador, pois o expõem a diversos fatores que afetam sua saúde, como más condições de trabalho, número excessivo de horas extras, ambiente físico inadequado (higiene, temperatura,.
(14) 12. barulho) e relacionamentos difíceis com colegas de trabalho, ou seja, fatores que podem produzir pressão nociva ao corpo e à mente do trabalhador (DEJOURS, 1992). Dessa forma, as várias situações presentes no ambiente laboral supracitadas podem tornar-se nocivas aos trabalhadores, dependendo de sua intensidade e, também, do tempo de contato dos indivíduos com as mesmas (LOPES; SPINDOLA; MARTINS,1996). Portanto, nesses locais de trabalho há uma multiplicidade de fatores/agentes de riscos psicossociais que podem favorecer a ocorrência de acidentes de trabalho e adoecimentos entre os trabalhadores (CARAN, 2007). Assim, o presente estudo propôs-se a elaboração e validação fatorial de uma Escala de Ansiedade no Trabalho (EAT-35). O instrumento foi denominado EAT-35 por conter trinta e cinco itens que tem o objetivo de avaliar a ansiedade no ambiente de trabalho. Este trabalho iniciou-se a partir de observações empíricas sobre ansiedade no ambiente de trabalho, pois se percebeu que habitualmente as pessoas conversam sobre suas profissões e, consequentemente, sobre sua rotina laboral, relatando que ficam ansiosas durante a jornada de trabalho, fator que afeta diretamente sua saúde. Também foi observada a dificuldade por parte das organizações em avaliar a ansiedade no contexto do trabalho. Para melhor investigar o fenômeno, foi feito um breve levantamento sobre as escalas existentes que tenham como objetivo avaliar a ansiedade. Constatou-se que existem diversas escalas que buscam avaliar a ansiedade, porém, não foi encontrada nenhuma escala que tenha como objetivo avaliar a ansiedade no ambiente de trabalho, o que dificulta às organizações verificar se seus funcionários estão vivenciando ansiedade durante a jornada de trabalho. Diante do exposto, o presente estudo é justificado, uma vez que poderá contribuir com a avaliação da ansiedade em trabalhadores, ou seja, permitir a identificação de quais são os indivíduos que estão se sentindo ansiosos no ambiente de trabalho. Dessa forma, a construção e validação dessa escala possibilitarão aos futuros pesquisadores um instrumento que reunirá os principais atributos que caracterizam a ansiedade no trabalho, o que poderá facilitar o andamento das pesquisas com esse objetivo. Espera-se que, com a construção dessa escala, os profissionais preocupados com a saúde do trabalhador possam verificar quais são os ambientes de trabalho que tendem a gerar mais ansiedade no trabalhador, assim como constatar quais os indivíduos que estão mais ansiosos no ambiente de trabalho, visto que a ansiedade afeta diretamente a saúde do trabalhador. Nesse contexto, percebe-se a importância de construir um instrumento que apresente evidências de validade e precisão paraavaliar a ansiedade no ambiente de trabalho..
(15) 13. 2 REVISÃO DA LITERATURA. Na presente seção estarão descritas concepções de ansiedade, suas definições e algumas dimensões propostas por pesquisadores para estruturar o construto, um breve relato sobre o que sugerem os especialistas sobre sua avaliação, bem como algumas escalas consideradas importantes para realizar sua aferição. Nos domínios do ambiente de trabalho ansiedade será descrita destacando-se algumas pesquisas sobre o tema neste contexto.. 2.1 ANSIEDADE. Desde a Antiguidade até os dias atuais o homem demonstra interesse em entender, estudar e pesquisar sobre o constructo ansiedade (MAY, 1980). A palavra ansiedade vem do grego anshein, que tem como significado “estrangular, sufocar, oprimir”. Outro termo semelhante provém do latim angor, que significa “opressão” ou “falta de ar”. O dicionário da língua portuguesa (HOUAISS, 2004, p. 228) define ansiedade como; “1-Grande mal-estar físico e psíquico; aflição, agonia. 2-desejo veemente e impaciente 3-falta de tranquilidade, receio 4- estado afetivo penoso, caracterizado pela expectativa de algum perigo que se revela indeterminado ou impreciso e diante o qual o indivíduo sente-se indefeso”. Para o Dictionaryof Psychology and Psychiatry (1984 apud DRATCU; LADER, 1993), ansiedade refere-se a um conjunto de manifestações física e psicológicas que podem ocorrer em qualquer indivíduo. Ao pesquisar outras definições de ansiedade, verificou-se que existe uma grande diversidade entre as acepções existentes, sendo objeto de estudo de várias áreas do conhecimento, como Filosofia, Biologia/Psiquiatria, Psicologia, entre outras. Apesar de ser um fenômeno universal presente em todos os seres humanos, existe pouca concordância quanto a sua definição, não existindo, assim, um consenso sobre o assunto (GRAEFF; BRANDÃO, 1999). Por ser um constructo complexo, não há uma definição única e não é possível definir o conceito de ansiedade sem se apoiar em um referencial teórico. Para melhor compreensão do constructo, serão apresentadas as definições de ansiedade de acordo com as diferentes áreas do conhecimento: filosófica, biológica/psiquiátrica e psicológica. De acordo com a perspectiva filosófica, as primeiras reflexões sobre a ansiedade foram registradas na Grécia Clássica, quando filósofos como Platão e Hipócrates apresentaram.
(16) 14. interesse sobre o assunto e relacionaram o conceito com o medo e sintomas corporais. Na Antiguidade, bem como durante a Idade Média, a ansiedade raramente era tida como doença, embora Hipócrates já tivesse descrito casos de fobia relacionada ao conceito de ansiedade. Segundo o pensamento filosófico do século XVII, a ansiedade era tratada basicamente como um aspecto das limitações humanas, relacionada ao medo da morte ou medo das privações (BORINE, 2011). Outro estudioso que compartilhou da mesma definição de ansiedade foi Wolpe (1956), ao afirmar que o termo é considerado um sinônimo de medo e como um estado emocional. Posteriormente Ausubel (1968) propôs uma diferenciação dos dois conceitos (ansiedade e medo), afirmando que a ansiedade seria uma resposta fóbica a determinado estímulo ou uma tendência a responder com medo a alguma ocorrência ou situação que é percebida como ameaça em potencial. Já no século XX, LêDoux (1998) propõe outra diferenciação dos dois conceitos. De modo geral, o autor descreve que a ansiedade se diferencia do medo pela ausência de um estímulo externo que produz a reação, porque a ansiedade provém do íntimo da subjetividade, o medo, de estímulos do mundo externo. Ainda assim, o autor concorda que são conceitos que se relacionam entre si. Outra área que busca compreender e definir o constructo ansiedade é a biológica, que, dentro dessa perspectiva, enquadra o constructo dentro do paradigma evolucionário. DARWIN, em sua obra The Expression of Emotion in Man and in Animals, publicada em 1872, apontou que a ansiedade tem suas raízes nas reações de defesa dos animais, verificadas em resposta a perigos encontrados no meio ambiente. Quando um animal é confrontado com uma ameaça ao bem-estar, à integridade física ou à própria sobrevivência, ele apresenta um conjunto de respostas comportamentais e fisiológicas que caracterizam a reação de medo e ansiedade. O ser humano também apresenta reações semelhantes diante de situações de perigo que são acompanhadas de experiência subjetiva desagradável (BONICA; LOESER, 2001). Definições de ansiedade na Biologia ena Psiquiatria demonstram concordarem entre si. De acordo com a American Psychiatric Association(1999), a ansiedade é definida como um estado emocional com alterações dos componentes psicológicos e fisiológicos, sendo considerada uma emoção normal do ser humano. Dractu e Lader (1993) definem ansiedade como uma resposta do organismo a certos estímulos ambientais, afirmando que mudanças fisiológicas e comportamentais ocorrem simultaneamente nos indivíduos, como tentativa de.
(17) 15. um processo de adaptação. A Biologia e a Psiquiatria referem-se, ainda, ao papel do sistema límbico 1 no desencadeamento da ansiedade (GUYTON, 1988). Dentro dessas perspectivas, a ansiedade pode ser apresentada de duas formas: normal ou patológica. Kaplan, Sadock e Grebb (1997) consideram a ansiedade normal quando esta é uma resposta adaptativa do ser humano diante de situações ameaçadoras, preparando o indivíduo para evitar uma ameaça ou atenuar suas possíveis consequências. A ansiedade passa a ser patológica na medida em que ela aparece sem que haja um estímulo ou quando o grau de sofrimento é intenso o suficiente para levar a uma desadaptação do indivíduo. É difícil estabelecer o limite entre ansiedade normal e patológica, e sabe-se que certo grau de ansiedade é necessário para um bom desempenho na execução de tarefas. Contudo, uma ansiedade exagerada pode ser inadequada, perturbando acentuadamente o desempenho; neste caso, pode-se falar de ansiedade patológica (GRAEFF; BRANDÃO,1999). A ansiedade é compreendida como quadro patológico, quando: a função adaptativa original do indivíduo passa a se perder; sua intensidade ou duração ultrapassam o nível necessário de resposta ao estímulo gerador, podendo chegar a um ponto de total desequilíbrio da homeostase (KAPLAN; SADOCK; GREBB, 1997). Além das reações motoras e viscerais, existem os efeitos da ansiedade sobre o pensamento, percepção e o aprendizado, os quais podem levar o indivíduo a desenvolver quadros confusionais e de distorção perceptiva em relação a tempo e espaço, a pessoas e ao significado de eventos. Esses agravos podem comprometer o aprendizado, diminuir a concentração, a memória e alterar a capacidade de associação de eventos (DRACTU; LADER, 1993). No que tange à ansiedade enquanto conceito psicológico, Pessotti (1978) afirma que divergências são comuns e existem em virtude do fato de diferentes autores utilizarem-no em diferentes contextos e épocas. De acordo com o autor, a evolução cultural impõe a cada período histórico um dado conceito dominante de ansiedade, seja ele clínico ou filosófico ou filosófico-clínico. Dentro da perspectiva psicanalítica, Freud (1926/2009) ao retratar a neurose de angustiatambém contribuiu para o estudo da ansiedade, pois afirmou que a ansiedade tinha uma base biológica herdada, tanto nos homens como nos animais. Ao criar o conceito de neuroses de angústia, o autor possibilitou ao constructo ansiedade fazer parte da nomenclatura psicológica e psiquiátrica nos séculos XIX e XX, assim como considerou a ansiedade um 1. O sistema límbico é responsável pelo processo subjetivo da ansiedade e está relacionado aos fenômenos de emoção, comportamento e controle do sistema nervoso autônomo. Também é o responsável por comportamentos instintivos como reações de luta e fuga, respostas sexuais e maternais, sendo considerado o responsável pelo elo essencial entre a mente e o corpo (GUYTON, 1981)..
(18) 16. estado ou condição emocional desagradável, incluindo componentes fisiológicos e comportamentais. Além disso, para o autor, o constructo tem relação com a expectativa. Seu desenvolvimento teria início a partir do momento em que a psique fosse assaltada por estímulos, externos ou internos, que dificultassem ou impedissem seu domínio ou descarga. Dessa forma para a Psicanálise, a função da ansiedade é possibilitar ao ego o controle ou domínio dos desejos dos impulsos instintivos que lhe pareçam perigosos. Essa função é muito importante e necessária à vida psíquica e ao desenvolvimento normal do indivíduo; a ansiedade funciona como um alerta das ameaças contra o ego (BORINE, 2011). Diversas definições do constructo são encontradas nas teorias psicológicas. Para as teorias comportamentais, de acordo com Skinner (1974), o medo e a ansiedade seriam formas de defesa do organismo contra uma ameaça de perigo. Entretanto, enquanto o medo sempre se instalaria ante uma ameaça concreta, a ansiedade seria um estado emocional motivado por um estímulo ameaçador antecipado. Dentro da perspectiva comportamental, a ansiedade também é definida como uma resposta condicionada a estímulos ambientais específicos. Neste caso, a ansiedade seria uma resposta emocional resultante da apresentação de um estímulo que antecede um evento aversivo que influenciaria o comportamento. Segundo Skinner (1974), os efeitos emocionais podem ocorrer apenas quando um estímulo precede uma situação percebida como aversiva, sendo possível observar uma mudança de comportamento. Portanto, parao autor, a ansiedade seria entendida enquanto uma resposta do organismo mediante uma contingência que envolva um estímulo (pré-aversivo) antecedendo a apresentação de um evento aversivo. De acordo com a abordagem humanista, Araujo e Vieira (2013) afirmam que a ansiedade é vivenciada quando o indivíduo percebe uma ameaça a sua autoestima. Segundo os autores, sempre que a pessoa apresenta um desequilíbrio entre a experiência real e o simbólico, surge um comportamento desajustado, gerando, assim, estados de ansiedade, angústia e depressão, os quais, por sua vez, afetam a personalidade e seu respectivo desenvolvimento. Outra definição acerca do conceito de ansiedade foi proposta por May (1980), que a definiu como um estado ou condição emocional desagradável que inclui componentes comportamentais e fisiológicos, acompanhados por descargas motoras, consequentes à percepção de situação de perigo, seja em nível biológico ou psicológico. Já para Menon e Custodio (2005), a ansiedade é um estado de humor desconfortável que muitas vezes é.
(19) 17. representada pela inquietação interna desagradável por uma apreensão negativa em relação ao futuro. Segundo Muris et al. (2003), a experiência daansiedade é constituídapela percepção das alterações motores e viscerais, bem como por um componente cognitivo que seria a preocupação ou antecipação do medo. Nessa perspectiva, ressalta-se que a ansiedade é uma reação comum a todos os sujeitos, com potencial adaptativo de autopreservação, pois, à medida que funciona como um sinal de alerta para ameaças iminentes, prepara o indivíduo para se esquivar dos riscos e/ou minimizar situações que podem ser percebidas como conflitosas. Percebe-se que vários autores buscaram definir o conceito de ansiedade, dentro da perspectiva cognitivista a ansiedade foi pesquisada em diferentes períodos por Spielberger. Inicialmente (1966) o autor definiu a ansiedadecomo sentimentos subjetivos, como a tensão e a apreensão, que são acompanhados de estimulação do sistema nervoso autônomo como uma resposta a uma ameaça à autoimagem, fator que leva o sistema nervoso central (SNC) a corresponder com um grande aumento de sua atividade. Posteriormente Spielberger (1972), afirmou a avaliação cognitiva tem um importante papel em relação à manifestação da ansiedade, pois o aumento da ansiedadecompreende um processo de eventos que se iniciam por estímulos externos ou internos e que são percebidos como perigosos pelo sujeito. Segundo Spielberger (1981), quando o indivíduo interpreta uma situação tensa ou perigosa, há uma mudança fisiológica e comportamental que resulta na ativação do sistema nervoso autônomo, produzindo uma perturbação no indivíduo. Para o autor, a ansiedade é um complexo estado ou condição psicológica do organismo humano que se diferencia de estados emocionais como o estresse, a ameaça e o medo, pois tais eventos apresentam-se como possíveis causadores do estado de ansiedade. Spielberger (1966) definiu que a ansiedade pode ser diferenciada entre estado e traço. A ansiedade-estado deve variar com as fases pelas quais o sujeito passa durante a vida, ao passo que a ansiedade-traço se mantém invariável. O autor definiu estado de ansiedade como reações emocionais a uma tensão específica que é constituída por reações emocionais caracterizadas por sentimentos conscientes e subjetivos de tensão, apreensão, nervosismo e preocupação. A ansiedade como traço refere-se a diferenças individuais em relação à propensão à ansiedade, isto é, quanto à tendência a encarar o mundo como sendo perigoso ou ameaçador e quanto à frequência com que estados de ansiedade são experimentados..
(20) 18. O estado de ansiedade pode variar de intensidade conforme o momento pelo qual o indivíduo está passando, é limitado a uma ocasião ou situação específica, sendo que os indivíduos tendem a ficar ansiosos apenas em situações particulares (HOLMES, 1997). O estado de ansiedade caracteriza-se por sentimentos desagradáveis, gerando reações psicofisiológicas (tensão, taquicardia, apreensão etc.), e são percebidos conscientemente, sendo que podem variar em intensidade, de acordo com o perigo percebido pela pessoa, sendo ele real ou não (ANDRADE; GORENSTEIN, 2000). Por outro lado, o traço de ansiedade está relacionado com as diferenças individuais relativamente estáveis, pois tem características douradoras na pessoa, estando associado ao traço de personalidade, que é menos suscetível a mudanças ambientais e permanece relativamente constante ao longo do tempo (ANDRADE; GORENSTEIN, 2000; HOMES, 1997). Em síntese, a ansiedade-estado refere-se a uma situação específica, algum evento, real ou não, que o indivíduo vivencia em determinado momento. Já ansiedade-traço seria o quanto o indivíduo está propenso a sentir-se ansioso ao longo de sua vida. Spielberger (1981) classifica a ansiedade em vários níveis, a saber: “calma” e “serenidade” como ausência de ansiedade; “tensionamento”, “apreensão” e “nervosismo” como nível moderado de ansiedade; e “sentimentos intensos de medo”, “pavor” e o “comportamento associado ao pânico” como um nível muito alto de ansiedade. Afirma, também, que intensidade e duração de um estado de ansiedade dependerão dos tensores que agem sobre a pessoa e sobre a interpretação que ela dá a esses tensores como sendo pessoalmente perigosos e ameaçadores.. 2.2 DIMENSÕES DA ANSIEDADE. Ao longo do tempo, diversos autores buscam definir as dimensões da ansiedade, Wolpe (1958) chamou a atenção sobre as somatizações das respostas ansiosas que se situam, principalmente, no sistema nervoso autônomo, cujo as manifestações, são: elevação da pressão sanguínea, taquicardia, secura da boca, suor nas mãos, aumento da frequência urinaria. Buss (1966) classificou as reações provocadas pela ansiedade, mostrando a existência de outras respostas, além das somáticas, tais como:. a) sistema afetivo: agitação, pânico, depressão; b) sistema cognitivo: distração, receio, esquecimento;.
(21) 19. c) sistema somático: ruborização, suor, dor de cabeça; d) sistema motor: tensão muscular, tremores, reações de alarme etc.. Até o final do século XIX as perturbações de ansiedade não se separavam de outras perturbações do humor, porém, com o passar do tempo o conceito de ansiedade foi adquirindo novas dimensões (GELDER et al., 1996). Dessa forma o conceito sobre as dimensões de ansiedade modificou-se ao longo dos anos. Brown, Chorpita e Barlow (1998) explicam que, no que se diz respeito às patologias de ansiedade, o DSM II (1968) incluía apenas três categorias relevantes de transtornos ansiosos, enquanto a versão do DSM-IV (1994) inclui 12 categorias. Se por um lado tal multiplicação pode expressar uma maior precisão para definir transtornos ansiosos, por outro, pode contribuir para distinguir erroneamente sintomas de uma mesma síndrome (BROWN; CHORPITA; BARLOW, 1998). Nesse sentindo percebe-se a importância de se estudar e pesquisar sobre as manifestações da ansiedade, pois quanto mais se pesquisa sobre o assunto novas definições e manifestações do construto são estabelecidas, o que pode permitir investigar com mais precisão a ansiedade e suas formas de manifestações. A ansiedade é um fenômeno complexo, que desafia uma definição uniforme. No entanto, algumasdefinições desse construto parecem coincidir num aspecto, a ênfase na ansiedade como uma reação a estímulos estressantes, que consiste numa resposta vivencial, fisiológica, comportamental e cognitiva caracterizada por um estado de alerta e uma ativação generalizada que podem emergir em circunstâncias diversas (VIEGAS; OLIVEIRA, 2001). Segundo Matos (1991), a ansiedade manifesta-se de várias formas, e o número e a intensidade dessas manifestações podem variar. A ansiedade é caracterizada principalmente no plano cognitivo, por sentimentos de tensão emocional, inquietação, preocupação, apreensão ou medo, vivências que trazem, progressivamente, dificuldades de concentração, irritabilidade e sensação de perda de controle. Essas manifestações podem afetar a vida diária do sujeito. As características da ansiedade propostas por Andrade e Gorenstein (2000) abrangem: sensações de medo, sentimentos de insegurança e antecipação apreensiva, conteúdo de pensamento dominado por catástrofe ou incompetência pessoal, aumento de vigília ou alerta, um sentimento de constrição respiratória levando à hiperventilação e suas consequências, tensão muscular causando dor, tremor, inquietação e uma variedade de desconfortos somáticos consequentes à hiperatividade do sistema nervoso autônomo..
(22) 20. A ansiedade é vista nessas posições teóricas como um termo adequado para caracterizar situações e reações desagradáveis para a pessoa. A American Psychiatric Association (2003) traz as seguintes manifestações da ansiedade: irritabilidade, perturbação de sono ou sono insatisfatório, fatigabilidade, inquietude, tensão muscular e dificuldade em concentrar-se ou sensação de branco na mente. Sugere, ainda, que os sintomas de ansiedade causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo. Assim como não existe uma definição uniforme sobre ansiedade, também não há um consenso a respeito de seus indicadores. De acordo com Reppold (2005) a ansiedade apresenta os seguintes indicadores: humor, somáticos, cognitivos e comportamentais. As definições de ansiedade e de seus sintomas indicam concordância entre si, pois as manifestações da ansiedade podem ser agrupadas em categorias como humor, cognição, comportamento, estado de hiperalerta, sintomas somáticos e “outros”. Essas dimensões foram proposta por Keedwell e Snaith (1996), ao afirmarem que as escalas de ansiedade tendem a medir um ou outro aspecto dessas dimensões, mas nenhuma avalia todos esses aspectos. Numerosos esforços têm sido feitos para definir e avaliar a ansiedade e suas dimensões. Segundo Keedwell e Snaith (1996), os indicadores para avaliar ansiedade podem ser agrupados de acordo com os tópicos expostos na Tabela 1.. Tabela 1: Definições das dimensões da ansiedade Dimensões da ansiedade Humor. Cognição. Comportamento. Estado de hiperalerta. Sintomas somáticos. “Outros”. Definições Experiência de uma sensação de medo não associado a nenhuma situação ou circunstância específica; a apreensão em relação a alguma catástrofe possível ou não identificada Preocupação com a possibilidade de ocorrência de algum evento adverso a si próprio ou a outros; pensamentos persistentes de inadequação ou de incapacidade de executar adequadamente suas tarefas Inquietação, ou seja, incapacidade de manter-se quieto e relaxado mais do que alguns minutos, andando de um lado para o outro, apertando as mãos ou realizando outros movimentos repetitivos sem finalidade Aumento da vigilância, exploração do ambiente, resposta aumentada a estímulos (sustos), dificuldade de adormecer (não devida à inquietação ou à preocupação) Sensação de constrição respiratória, hiperventilação, espasmo muscular e dor (sem outra causa conhecida), tremor e manifestações somáticas (hiperatividade do sistema nervoso autônomo taquicardia, sudorese, aumento da frequência urinária) Esta categoria residual pode incluir estados como despersonalização, bem como sintomas que se referem a um desconforto, não necessariamente específico de ansiedade.
(23) 21. Ainda que a dimensão “outros” proposta pelos autores essa dimensão se referem a manifestações que podem não estar diretamente relacionado com as manifestações de ansiedade, mas sim com outros fatores, como: comorbidades, patologias, situações especificas, entre outros. Nesse caso essa dimensão “outros” foi desconsiderada para definir as dimensões da ansiedade nesse estudo por não se tratar de características exclusivas da ansiedade. Para verificar se as dimensões proposta por Keedwell e Snaith (1996) estão de acordo com as demais definições de ansiedade encontradas na literatura, foram selecionados os sintomas de ansiedade propostas pela American PsychiatricAssociation(2003), por se tratar de uma obra de referência na literatura da saúde mental, e as definições propostas por Andrade e Gorenstein (2000), por se tratarem de autores de referência sobre o conceito de ansiedade. Tais definições foram agrupadas em categorias e selecionadas de acordo com as dimensões proposta por Keedwell e Snaith (1996), em que cada sintoma agrupou-se em uma das dimensões, conforme mostra a Tabela 2.. Tabela 2: Agrupamento dos sintomas de ansiedade de acordo com as dimensões. Dimensões da ansiedade. American PsychiatricAssociation (2003) Irritabilidade. Humor Cognição. Dificuldade em concentrar-se; sensação de branco na mente Inquietude Perturbação de sono Tensão muscular. Comportamento Estado de hiperalerta Sintomas somáticos. Percebe-se. Andrade e Gorenstein (2000). que. cada. um. dos. Sensações de medo, sentimentos de insegurança Conteúdo de pensamento dominado por catástrofe Inquietação Aumento de vigília ou alerta Constrição respiratória; hiperventilação; tensão muscular causando dor, tremor. sintomas. propostos. pela. American. PsychiatricAssociation(2003) e por Andrade e Gorenstein (2000) agruparam-se nas dimensões de ansiedade, indicando, assim, mais uma evidência na literatura de que as dimensões de ansiedade podem ser definidas por: humor, comportamento, cognição, estado de hiperalerta e sintomas somáticos. Outras definições propostas na literatura (VIEGAS; OLIVEIRA, 2001; MATOS, 1991) também seenquadramnessa definição dos indicadores de ansiedade.Por se tratar de um conceito dinâmico que está sendo constantementepesquisado, as escalas disponíveis não conseguem avaliar todas as dimensões de ansiedade. Quando determinada escala for escolhida.
(24) 22. para medir a ansiedade e suas dimensões, deve-se ter em conta quais aspectos a escala em questão estará medindo, pois a interpretação dos resultados pode ser muito diferente de uma escala para outra (KEEDWELL; SNAITH, 1996).. 2.3 AVALIAÇÃO DA ANSIEDADE. Seja a cultura, a personalidade, a forma de resolver problemas ou de reagir a determinadas situações, é fato que as diferenças individuais chamam a atenção tanto de leigos quanto de pesquisadores. Tal curiosidade não ocorre apenas em relação ao que é palpável, visível, como também se estende, talvez em maior grau, àquilo que se pode medir, ainda que não esteja visível aos olhos. Nessa perspectiva, o homem, desde o início da humanidade, busca entender e medir diferenças individuais. Segundo Anastasi (1977), os primeiros relatos de testesdatam de 3000 a.C.,na China, onde o império buscava selecionar os melhores trabalhadores para o serviço civil. Entre os antigos gregos, os testes eram utilizados para auxiliar no processo educacional e, também, para verificar o domínio de habilidades tanto físicas como intelectuais. Na Idade Média, as universidades européias se utilizavam de exames formais para conferir os títulos de honraria. A partir do século XIX surgiu um grande interesse pelos chamados doentes mentais. Com o crescente interesse pelo tratamento adequado para algumas enfermidades, também surgiu a necessidade de compreender e estabelecer critérios uniformes para a classificação e identificação desses casos (ANASTASI, 1977). Nesse contexto, a área da avaliação psicológica surgiu para contribuir e aprimorar a compressão dos processos psicológicos dos seres humanos. A proposição de novos instrumentos de avaliação psicológica é um dos temas de grande interesse da Psicologia nos últimos anos, em especial pela desatualização e falta de referências sobre os atributos teóricos e psicométricos de muitos instrumentos disponíveis no País. Pasquali (1999) afirma que cada vez mais instrumentos de avaliação psicológica e de desempenho vêm sendo empregados no Brasil nas mais variadas áreas de atuação profissional. Para o psicólogo, os instrumentos são essenciais para o avanço de conhecimento psicológico no País. Anastasie Urbina (2000) argumentam que, para a credibilidade de um instrumento, avalidade é um aspecto fundamental na construção do instrumento ou teste psicológico, sendo.
(25) 23. definida como “aquilo que o teste mede e quão bom ele faz isso” (p. 107). Ainda segundoas autoras, a validade deve comprovar os objetivos do teste, e nesse contexto a validade estabelece alguns princípios básicos, como a orientação teórica sustentável e a ligação entre a teoria psicológica e sua averiguação por meio de testagem de hipóteses empíricas experimentais. A validade é constituída por um conjunto de fontes de evidências que possa assegurar as interpretações dos testes e é classificada em evidência de validade com base no conteúdo, no processo de resposta, na estrutura interna, na relação com outras variáveis e na consequência da testagem. Outra característica fundamental de um instrumento psicológico é a precisão, que, de acordo com Urbina (2007),é definida como o nível de confiabilidade do resultado dos testes a partir da verificação de sua consistência interna e estabilidade. A precisão é caracterizada como estratégia para minimizar o erro de mensuração; sendo assim, uma escala com uma precisão considerada alta pressupõe os erros que podem ocorrer em uma testagem psicológica. Por outro lado, a baixa precisão de um instrumento caracteriza que este não está conseguindo estimar os erros com eficácia. Além disso, a precisão se refere à consistência dos escores obtidos pelos mesmos sujeitos quando eles são novamente examinados com o mesmo teste em diferentes ocasiões, com diferentes conjuntos de itens equivalentes e/ou sob outras condições variáveis de exame (URBINA, 2007). Os instrumentos psicológicos representam a expressão cientificamente sofisticada de um procedimento sistemático de qualquer organismo, biológico ou social, a saber, ao avaliar as situações para tomar decisões que garantam a sobrevivência do próprio organismo, bem como seu desenvolvimento (PASQUALI, 1999). Os instrumentos sejam eles testes, questionários ou escalas, são de extrema importância para o processo de avaliação psicológica (ALCHIERI; CRUZ, 2003). Alguns dos instrumentos vastamente utilizados no contexto da avaliação psicológica são as escalas psicométricas. As medidas escalares são mais utilizadas na Psicologia Social, especificamente no estudo das atitudes, e também no campo da personalidade (PASQUALI, 1999). De acordo com Pasquali (1999) as escalas distinguem-se dos testes e inventários, porque estes são de mais uso da área da avaliação das aptidões em que há respostas certas e erradas e no campo da personalidade e da psicopatologia, além disso, os testes e inventários, em confronto com as escalas, apresentam-se como medidas para quais existem normas de interpretação, ao passo que para as escalas comumente não são elaboradas normas..
(26) 24. A expressão escala é utilizada de múltiplas formas: para designar o nível métrico da medida (escala, ordinal, intervalar etc.), para designar um contínuo de números, como, por exemplo, uma escala numérica de 5 pontos para designar os próprios itens de um instrumento. Escalasreferem-se a instrumentos de medida em Psicologia e caracterizam-se por ser compostas por uma sequência de números que pode ser crescente ou decrescente. Como se trata de medida, consequentemente eles dizem respeito a algum aspecto da realidade, seja física ou mental, que indica diferentes magnitudes de uma propriedade dessa realidade (PASQUALI, 1999).. 2.4 ESCALAS DISPONÍVEIS PARA AVALIAR A ANSIEDADE. No ano de 2014 verificou-se que vários instrumentos foram criados para avaliar o constructo. Os instrumentos mais conhecidos e utilizados estão expostos na Tabela 3.. Tabela 3: Instrumentos disponíveis para avaliar ansiedade. Siglas. Nomes dos instrumentos. MASK. Mod and Anxiety Symptom Questionnaire. DASS. Depression Anxiety Stress Scales. EMAS. EndlerMultidimentionalAnxitety Scales. BAI. Beck Anxiety Inventory. SCL-90. Symptom Checklist-90. MMPI. Minnesota Mutltiphasic Personality Inventory. SAS. Taylor Manifest Anxiety Scale, Self-raeing Anxiety Scale. CC-A. Costello-Comrey Anxiety, Scale. STAI. State-trait Anxiety Inventory.. POMS. Profile ofMoodStates. HAM-A. Escala de Ansiedade de Hamilton. BAI. Escala de Ansiedade de Beck. CAS. Escala Clínica de Ansiedade. BAS. Escala Breve de Ansiedade.
(27) 25. BPRS. Escala Breve de Avaliação Psiquiátrica. IDATE. Inventário de Ansiedade Traço Estado. HADS. Escala Hospitalar de Ansiedade e Depressão. ZUNG. Escala de Ansiedade de Zung. Um levantamento feito por Borine (2011) constatou que existem, aproximadamente, 20 instrumentos, nacionais e internacionais, que se propõem a avaliar a ansiedade. Os primeiros instrumentos criados para avaliar o constructo foram: Modand Anxiety Symptom Questionnaire (MASK) (WATSON et al., 1985), Depression Anxiety Stress Scales (DASS) (LOVIBON S.H; LOVIBON P.F, 1995) e Endler Multidimentional Anxitety Scales (EMAS) (ENDLER; EDWARDS; VITELLI, 1991). Em relação aos instrumentos mais utilizados para avaliar a ansiedade Keedwell e Snaith (1996) fizeram um levantamento e chegaram à conclusão de que as escalas de Hamilton (1959), a BAI (BECK; STEER; BROWN, 1985) e o IDATE, (SPIELBERGER, 1979) estão entre as mais utilizadas nos últimos anos. As três escalas serão descritas separadamente a seguir. A Escala de Ansiedade de Hamilton é composta por 14 itens subdivididos em dois grupos, sete relacionados a sintomas de humor ansioso e sete relacionados a sintomas físicos de ansiedade. Cada item é avaliado segundo uma escala que varia de 0 a 4 de intensidade (0= ausente; 2= leve; 3 = média; 4 = máxima). A soma dos escores obtidos em cada item resulta em um escore total, que varia de 0 a 56, quanto maior o escore obtido maior será as manifestações de ansiedade (HAMILTON, 1959). Para a construção dessa escala o autor se baseou em variáveis clínicas, ou seja, sintomas físicos e psicológicos da ansiedade. A BAI é utilizada para medir a gravidade do nível de ansiedade do paciente. A escala consta de 21 itens, sendo a pontuação mínima 0 e a máxima 63. As indicações para interpretar a ansiedade de acordo com a adaptação brasileira são: dentro do limite mínimo 0-10; ansiedade leve 11-19; ansiedade moderada 20-30; ansiedade severa 31-63 (BECK; STEER; BROWN, 1985). O IDATE é um instrumento de autorrelato composto por duas escalas paralelas, uma para medir ansiedade estado (IDATE-E) e outra para medir ansiedade traço (IDATE-T). O IDATE-E se refere a um estado emocional transitório, e o IDATE-T, que se refere a diferenças individuais relativamente estáveis na tendência a reagir a situações percebidas.
(28) 26. como ameaçadoras com elevações de intensidade no estado de ansiedade. Cada uma das escalas é constituída por 20 itens. As opções de resposta varia de 1 (quase nunca) e 4 (quase sempre)o escore total pode variar entre 20 a 80 pontos para cada escala.(SPIELBERGER, 1979) Ainda que as escalas disponíveis busquem abranger diferentes aspectos da ansiedade, não se encontraram na literatura instrumentos que tenham como objetivo avaliar a ansiedade no ambiente de trabalho, ou seja, pouco se fala de níveis de ansiedade no ambiente de trabalho, pois ao estabelecer o grau de ansiedade que o ambiente de trabalho proporciona, fica mais viável elaborar melhores estratégias de prevenção e intervenção para a saúde do trabalhador. Nesse contexto, percebe-se a importância de construir um instrumento que apresente evidências de validade e fidedignidade e que auxilie na identificação de características de ansiedade no ambiente de trabalho.. 2.5 ANSIEDADE E AMBIENTE DE TRABALHO. O trabalho sempre foi importante na vida das pessoas, seja como fator de crescimento e realização pessoal ou, em uma visão menos idealizada, como meio de sobrevivência. Por suas determinações históricas e econômicas, pode ser compreendido como organizador da vida social, embora estabeleça caminhos para a dominação cultural, social e econômica e para a submissão do trabalhador ao capital (ALVES, 1996). Segundo Wada (1990) define o conceito de ambiente de trabalho comum local em que o individuo desenvolve ações de trabalho, permanência e convivência com outros indivíduos durante o exercício de suas atividades laborais. O ambiente de trabalho também possui fatores independentes, materiais e abstratos que atua diretamente na saúde do trabalhador. Nas últimas décadas do século XX, em algumas organizações o trabalhador deixou de ser meramente operacional e também passou a ser valorizado por sua capacidade intelectual, visando maior contribuição ao ambiente laboral e ao fortalecimento das organizações. Com essa nova visão, o trabalhador também passou a ser reconhecido por seu potencial de agregar valor às organizações, e com isso algumas organizações passaram a buscar estratégias de melhorar a saúde do trabalhador (PEREIRA, 2009). Tal interesse é consequência, em parte, do número crescente de transtornos mentais e do comportamento associados ao trabalho que se verifica nas estatísticas oficiais e não oficiais. No Brasil, segundo estatísticas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS),.
(29) 27. referente apenas aos trabalhadores com registro formal, os transtornos mentais ocupam a terceira posição entre as causas de concessão de benefícios previdenciários como auxíliodoença, afastamento do trabalho por mais de 15 dias e aposentadorias por invalidez (BRASIL, 2005). Para Wisner (1994), o trabalho tem três aspectos: o físico, o cognitivo e o psíquico, e cada um destes pode gerar uma sobrecarga. Essa dimensão ora está oculta, ora está presente, e ela leva o indivíduo a certo grau de sofrimento mental. Os sinais de sofrimento psíquico estão presentes na expressão verbal, no comportamento, e podem levar a uma enfermidade psicossomática. Também é fundamental a compreensão do termo saúde do trabalhador, que, em seu conceito mais amplo, envolve aspectos físicos, mentais e sociais (OLIVEIRA, 1997). O trabalho pode ser gerador de fatores desgastantes e potencializadores e que são determinantes dos processos saúde-doença vivenciados pelos trabalhadores (MASETTO, 2001). Assim, ressalta-se que o trabalho profissional é algo tão significativo que é considerado uma atividade que pode interferir em outros aspectos da vida do indivíduo, de tal modo que as relações laborais influenciam no comportamento, nas expectativas, nos projetos para o futuro, na linguagem e, até mesmo, no afeto dos indivíduos (CODO, 1993). O excesso de trabalho poder ser uma resposta para a desarmonia entre os indivíduos e seu emprego, já que ele deve realizar o maior número de tarefas no menor tempo possível e com o mínimo de recursos. Além da falta de controle sobre o trabalho e a ausência de valorização da pessoa, a atividade laboral pode gerar um desencanto pelo trabalho, acrescida da falta de união entre os trabalhadores e do desrespeito pela pessoa. Esses elementos são fatores que contribuem para a ocorrência de conflitos de valores, quando ocorre desarmonia entre os princípios pessoais do trabalhador e as exigências do trabalho (MASLACH; LEITER, 1999). Maslach e Leiter (1999) afirmam que o desgaste físico e emocional pode ter um impacto fatal e ser prejudicial à saúde, à capacidade de lutar e ao estilo de vida de cada um, além de contribuir para uma grave deterioração do desempenho laboral, ocorrendo uma queda na qualidade e na quantidade de trabalho produzido. No que diz respeito ao funcionamento pessoal, o desgaste físico e emocional pode causar problemas físicos como dores de cabeça, doenças gastrintestinais, pressão alta, tensão muscular e fadiga crônica. Também pode levar ao esgotamento mental, na forma de ansiedade, depressão e distúrbios dosono e, caso esses.
(30) 28. sentimentos permeiem o âmbito doméstico, sua exaustão e seus sentimentos negativos começam a afetar o relacionamento com a família e com os amigos. O ambiente de trabalho tem um papel essencial na saúde do indivíduo, pois auxilia na construção da identidade do trabalhador, no sentimento de participar de um grupo ou de uma cultura, além disso, proporciona o estabelecimento vínculos afetivos entre as pessoas. Entretanto, experiências negativas com o trabalho podem levar o indivíduo a sofrer de ansiedade, estresse, síndrome de burnout, entre outras (ALMEIDA, 2012). Determinados ambientes de trabalho elevam o desgaste ao trabalhador, em geral esses ambientes exigem altas demandas de trabalho com pouca valorização do trabalhador. Nesses locais, são esperadas, acima da média, manifestações de desgaste mental, que incluem a fadiga, a ansiedade, a depressão, além de manifestações de desgaste físico. Seriam expressões da autonomia limitada ou restringida diante dos estressores do trabalho (MENDES, 2003). Atualmente as organizações exigem dedicação quase exclusiva do trabalhador e isso reflete em menos tempo para o individuo se dedicar à sua vida e aos cuidados com a saúde (FARIAS, 2004). Segundo Dejours (1992), o sofrimento começa quando a relação homemorganização do trabalho está bloqueada, ou seja, quando o trabalhador usou o máximo de suas faculdades intelectuais, psicoafetivas, de aprendizagem e adaptação, sem conseguir mudar sua tarefa. Quanto mais a organização é rígida, mais a divisão do trabalho é acentuada, menor é o conteúdo significativo do trabalho e menores são as possibilidades de mudá-los. A insatisfação invoca um sofrimento que antes de tudo é mental, resultado de uma frustração, por exemplo, o qual pode levar ao desenvolvimento de doenças somáticas. Ao executar uma tarefa sem envolvimento afetivo; Somente o salário não pode atender às necessidades básicas do trabalhador, e não reconhecimento por parte dos colegas, chefias ou a exposição a situações ameaçadores podem gerar ansiedade no trabalhador , o que é comum em ambientes insalubres, pois produz insatisfação e exige do trabalhador uma adaptação física e mental para continuar atuando em tal ambiente (DEJOURS, 1992). Essas condições insalubres, além de conduzir o profissional à frustração, à ansiedade e à depressão, podem desencadear respostas inadequadas, tais como agressividade com os familiares, com o grupo de trabalho ou pessoas de seu convívio. Esse comportamento é reforçado principalmente pelo fato de tais indivíduos não poderem canalizar sua agressividade com atividades recreativas ou aprendizagem, sobretudo porque a jornada de trabalho não lhes permite (ORTIZ; PATIÑO, 1991)..
(31) 29. É relevante mencionar que, muitas vezes, esses trabalhadores com alterações na saúde, quer físicas e/ou mentais, transferem seus problemas para o trabalho, podendo ocasionar atrasos, faltas, descuido com o material e queda na qualidade do produto executado. Com isso, ressalta-se que a carga psíquica do trabalho está articulada principalmente às exigências ou pressões laborais cotidianas (MOURA, 1992; INOUEI et al., 2008). Em virtude das condições desfavoráveis presentes no ambiente laboral, os trabalhadores acabam por buscar meios de compensar o sofrimento, tornando-se resistentes e adotando posturas defensivas. Tornam-se indiferentes ao processo laboral, optando pela fuga ao trabalho, que pode ocorrer por meio de atestados, licenças médicas ou, simplesmente, por faltas injustificadas que afetam os próprios trabalhadores, bem com as organizações, comprometendo os resultados finais dos serviços (ALVES, 1996). Por sua vez, programas focados na saúde do trabalhador procuram compreender o homem não na condição de objeto, mas de sujeito na atenção a sua saúde, privilegiando as ações de promoção da saúde sem, entretanto, negar a necessidade de prevenir novas doenças e de tratar os que estão doentes; entendem que há uma hierarquia entre as múltiplas causas das doenças, umas determinando as outras. Assim, programas de saúde do trabalhador propõem ações direcionadas à proteção, recuperação e promoção da saúde de forma integrada, diferentemente de outras abordagens organizacionais, bem como visa o aumento de produtividade (MENDES; OLIVEIRA, 1995). Conforme o exposto acima, a ansiedade afeta diretamente o desenvolvimento das atividades profissionais e gera experiências negativas, com consequências graves para a saúde e o bem-estar biopsicossocial e saúde organizacional, uma vez que organizações são feitas de pessoas. Com essa constatação, pode-se afirmar que o ambiente de trabalho interfere na vida do trabalhador e de sua família, sendo que qualquer mudança na organização de trabalho implica mudanças também na vida do indivíduo.. 2.6 PESQUISAS SOBRE ANSIEDADE E TRABALHO. Segundo Andrade e Gorenstein (2000), os transtornos de ansiedade estão entre os transtornos psiquiátricos mais frequentes, podendo ser encontrados em 12,5 % da população geral, e os sintomas ansiosos também estão entre os mais comuns, sendo constatados em qualquer pessoa, em qualquer período de sua vida..
(32) 30. Ao fazer uma consulta em bancos de dados pela internet, pôde-se perceber o quanto o tema ansiedade é objeto de interesse em pesquisa nas ciências da Saúde. O banco de dados consultado foi o PsycoInfo, em virtude de sua abrangência internacional e por ser um banco de dados exclusivos para pesquisas da área de Psicologia. A consulta foi realizada em 9 de março 2013, e foram computados 275 resultados para a palavra-chave “ansiedade” (anxiety). Utilizou-se o termo em inglês, dada a amplitude desse idioma, que conta com o maior número de pesquisas publicadas dentro do contexto da Psicologia. O portal contém um dispositivo que relaciona a palavra-chave com outros assuntos relacionados ao tema a ser pesquisado. Pesquisou-se também os termos “trabalho” (work) e “ansiedade e trabalho” (anxietyandwork). Constatou-se que para o termo “ansiedade” foram encontradas 275 publicações, sendo que 99 foram feitas nos últimos cinco anos, 176 são anteriores a cinco anos e o ano da primeira publicação sobre o conceito data de 1872. Para o termo “trabalho” resultaram 1.134 publicações, sendo que 362 pesquisas foram feitas nos últimos cinco anos, 772 são anteriores a cinco anos e a primeira pesquisa publicada com o tema nesse banco de dados foi no ano de 1806. Ao relacionar os dois temas ansiedade e trabalho contatou-se que foram publicadas 165 pesquisa no banco, sendo que 61 foram feitas nos últimos cinco anos, 104 são anteriores a cinco anos e o ano da primeira publicação foi 1931. É importante ressaltar que o banco de dados consultado refere-se somente a assuntos da área da Psicologia. Conforme constatado, existem diversas pesquisas sobre o conceito de ansiedade. Dentre as pesquisas realizadas com o tema pode-se citar o estudo feito por Lepine (2002), que relata que aproximadamente um em cada quatro indivíduos nos Estados Unidos cita o histórico de pelo menos um transtorno de ansiedade durante a vida. Tais transtornos geralmente se concentram em jovens (com prevalência entre 25 e 44 anos), mulheres, indivíduos com pouca escolaridade, não casados e sem filhos. O mesmo autor afirma que os transtornos de ansiedade são os transtornos psiquiátricos mais prevalentes nos Estados Unidos, porém, menos de 30% dos indivíduos procuram tratamento. Tendo os transtornos de ansiedade uma prevalência significativa na sociedade e considerando que causam sofrimentos pessoais e encargos sociais, é de fundamental importância identificá-los. Já no Brasil a prevalência de transtornos mentais pela CID-10, em São Paulo, avaliou 1.464 indivíduos. Nesse estudo, verificou-se que o transtorno de ansiedade generalizada (TAG) correspondeu a 4,2% da população pesquisada; transtorno de pânico, 1,6%;.
(33) 31. agorafobia, 2,1%; fobia simples, 4,8%; fobia social, 3,5%; e transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), 0,3% (ANDRADEet al., 2002). O curso dos diferentes subtipos de ansiedade tende a variar. Fobias específicas são preditoras desse mesmo diagnóstico na vida adulta, mas o mesmo não ocorre na ansiedade generalizada (MANFRO et al., 2003; MANFRO et al., 2002) e no transtorno de pânico, os quais apresentam um curso inespecífico. Ao investigar o histórico de pacientes com diagnóstico de fobia social, Manfro (2002) observou que 75% de sua amostra apresentavam um nível de ansiedade exacerbada na infância. Goodwin et al. (2004) também mostra essa evolução ao apontar que a ocorrência de ataques de pânico na adolescência pode ser um fator de risco para incidência tanto de um outro transtorno de ansiedade (ansiedade generalizada, fobia social ou fobia específica) (54,6% de risco) quanto de um abuso de substâncias psicoativas (60,4% de risco) na vida adulta. A persistência da ansiedade disfuncional parece estar relacionada ao avanço da idade, à manifestação paralela de somatizações ou abuso de substância e à experiência prévia de eventos de vida negativos. Em relação à ansiedade no ambiente de trabalho, contatou que no Brasil existem poucas pesquisas especificas sobre o tema, as pesquisas existentes geralmente retratam uma única profissão ou um ambiente de trabalhoespecífico. Como é o caso da pesquisa feita por Campos e Martino (2004) que comparou a diferença de ansiedade de enfermeiros de diferentes turnos de trabalho, os autores constataram que para a amostra pesquisada o nível de ansiedade variou entre baixo e moderado, sendo que os enfermeiros que trabalhavam no período noturno apresentaram maiores níveis de ansiedade. Observa-se que apesar dos temas ansiedade e trabalho serem amplamente investigados pela psicologia e ciências afins, ao relacionar os dois assuntos percebe-se uma carência de estudos com os abranjam em conjunto. Diante dessa constatação percebe-se a relevância de se pesquisar o tema..
(34) 32. 3 OBJETIVOS. Assim, diante do conteúdo apresentado, os Objetivos do presente estudo são: Objetivo geral: construir e validar fatorialmente a Escala de Ansiedade no Trabalho (EAT 35). Objetivos específicos: 1. Construir a EAT 35. 2. Validar a EAT 35. 3. Calcular os índices de precisão da EAT 35..
(35) 33. 4 MÉTODO. Para a construção da EAT 35 foram seguidas as seguintes etapas: revisão da literatura, construção dos itens, validação teórica e semântica, coleta de dados, validação fatorial e cálculo dos índices de precisão. Essas etapas foram propostas por Pasquali (1999) como importantes para se construir um instrumento de medida psicológica. As etapas citadas serão expostas de forma detalhada a seguir.. 4.1 PROCEDIMENTOS. Inicialmente, foi feita uma revisão da literatura, a partir de pesquisas e conceitos teóricos publicados em periódicos científicos, anais de congressos e livros que fizeram menção aos conceitos de ansiedade. Para isso diversos bancos de dados foram consultados tais como: Scientific Eletronic Library Online (Scielo), American Psychological Association (APA), Biblioteca Virtual de Psicologia (BVS – Psi) e Google Acadêmico, assim como o levantamento de livros citados nos artigos científicos. Em seguida foi um levantamento sobre as escalas existentes que tinham como objetivo avaliar a ansiedade. Constatou-se que existiam diversas escalas que buscavam avaliar a ansiedade, porém, não foi encontrada nenhuma que tinha como objetivo avaliar a ansiedade no ambiente de trabalho. A próxima etapa foi fazer um levantamento sobre os indicadores de ansiedade. Utilizaram-se como base as dimensões propostas por Keedwell e Snaith (1996), as quais podem ser agrupadas em categorias como humor, cognição, comportamento, estado de hiperalerta e sintomas somáticos e “outros”. Dentre os indicadores encontrados na literatura, optou-se por excluir aqueles que estão relacionados a outras áreas do conhecimento, ou seja, para este estudo optou-se por pesquisar as dimensões relacionadas à área da Psicologia, sendo elas: humor, cognição e comportamento.. 4.2 CONSTRUÇÃO DOS ITENS. Após feita a revisão da literatura deu-se início à construção dos itens da EAT 35. Anastasi (1977) definiu itens como frases curtas e de redação simples que façam referência ao atributo pesquisado. Primeiramente, pesquisaram-se frases que enfatizassem as definições encontradas na American Psychiatric Association (2003) e em Andrade e Gorenstein (2000).
Documentos relacionados
albopictus representa um vetor potencial para diversas arboviroses, sendo de suma importância o seu controle, já que muitas destas doenças podem ser consi- deradas emergentes
Autor: Pedro Bandeira O SANDUÍCHE DA MARICOTA Autor: Avelino Guedes A ONÇA E O SACI Autora: Eva Furnari O BOLO DE NATAL Autora: Elza Fiúza ROSAURA DE BICICLETA Autora:
regulamentares ou regimentais do cargo, no caso de cargo técnico ou científico. 279 - Para os efeitos deste Capítulo, a expressão “cargo” compreende os cargos, funções ou empregos
Trata-se de um relato de pesquisa e experiência prática, de natureza descritiva, sobre a vivência em um projeto de extensão universitário multidisciplinar realizado na
A solução da estrutura urbana é caracterizada pela existência de uma Alameda Central, que se configura como uma “espinha dorsal” de orientação Norte/Sul,
Em janeiro de 2007 a RNI torna-se a primeira das Empresas Rodobens a ser negociada em bolsa, captando R$448 milhões através de Oferta Pública Inicial (IPO) de ações, 100%
Estudos em Design | Revista (online). 15) definem gema como “todo mineral que se caracteriza por alta dureza, raridade e beleza única. Beleza tal que pode ser percebida em
• A simplificação e desburocratização da transmissão entre vivos, de prédios rusticos nas zonas rurais, implica repensar a necessidade ou utilidade do