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CAPÍTULO III METODOLOGIA

3.4. O Contexto e seus Participantes

3.4.2 Participantes

todos os comandos e interações devem ser em língua estrangeira.

A questão aqui é que esses professores em formação passam por um processo de avaliação de atividades da prática, em que devem usar a língua por meio de comandos e expressões específicos da linguagem do professor e apesar de já os terem escutado em sala de aula enquanto aprendizes, nunca precisaram usá-las em situações de comunicação.

Compreendemos que antes de passarmos por qualquer avaliação, existe a necessidade de uma preparação prévia por meio da execução de atividades que envolvam elementos daquela tarefa para que haja intimidade com ela por meio da prática. No caso do ensino de línguas, não basta só a observação da gestão de aulas passivamente para que seja possível se dar uma boa aula, é preciso que haja a vivência naquela situação previamente. Caso contrário, será gerado um clima de ansiedade e insegurança nos participantes. É o que podemos notar, por meio de conversas informais com os estudantes em situação de pré-estágio, uma vez que, mesmo os alunos que possuem maior competência linguístico-comunicativa na língua-alvo relatam ansiedade e muita insegurança antes e durante as microaulas, o que, de alguma forma, prejudica o seu desempenho nessas atividades.

Por fim, a escolha desta Universidade como lugar de pesquisa se deu pelo meu desejo de retribuir a essa intuição os benefícios que tenho recebido durante meu processo educacional e meu crescimento profissional durante todos esses anos, além da relação de amizade e carinho que tenho com meus alunos e colegas que desempenharam um papel importante na minha vida acadêmica durante o período do mestrado. A seguir, apresento os participantes da pesquisa e o motivo pelo qual foram selecionados para ela.

3.4.2 Participantes

3.4.2.1 Alunos

O grupo selecionado para implementação da disciplina é o 5º semestre de Letras (1s2017), de acordo com a matriz curricular de 2015, que foi escolhido

por ser um semestre antes do Estágio Supervisionado. Ele é composto em grande parte por estudantes oriundos de escolas públicas, com idades entre 19 e 24 anos. Essa turma foi entrevistada no segundo de semestre de 2017, já em situação de estágio.

Para proporcionar um ensino que atenda aos diferentes níveis de conhecimento da língua-alvo, a turma dos alunos ingressantes é dividida entre o que chamamos de inglês básico e intermediário, por meio de um teste de proficiência15. A responsabilidade da divisão cabe às duas professoras da disciplina. Em anos anteriores, aplicávamos uma prova de nivelamento e dividíamos as turmas com o intuito de equilibrar o nível de proficiência dos aprendizes. Porém, notamos uma certa resistência por parte de alguns deles que por diversas razões não se sentiam confortáveis no grupo ao qual foram designados. Decidimos então, manter os níveis das aulas, mas permitir que escolhessem em qual turma gostariam de cursar a disciplina de Língua Inglesa. Isso gerou um ambiente de maior motivação para os aprendizes que se sentiram responsáveis por sua escolha e se dedicaram melhor às atividades.

Portanto, no início das aulas, alguns alunos que tinham nível iniciante optaram de livre e espontânea vontade por ficar na turma de nível intermediário. Essa liberdade de escolha gerou nos alunos uma maior responsabilidade quanto ao processo de aprendizagem, levando aqueles mais empenhados a evoluírem consideravelmente quanto ao nível de proficiência adquirido durante as aulas. Outros acabam optando por voltar à turma iniciante por diversos motivos. Além disso, apesar da maior parte da turma se encaixar no nível intermediário, alguns já estão mais avançados em seus conhecimentos linguísticos. Assim, o grupo é predominantemente heterogêneo quanto à competência linguístico- comunicativa.

Os alunos decidiram usar os seus verdadeiros nomes nesta pesquisa (Apêndice 1)

15 O Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza (CEETEPS), em seu Projeto

de Língua Inglesa, aplica semestralmente exame de nivelamento de inglês aos alunos ingressantes nas Faculdades de Tecnologia (FATECs) distribuídas geograficamente no Estado de São Paulo. O exame é elaborado e mantido pela Comissão de Elaboração de Teste de Nivelamento (CETEN) (http://neple.cps.sp.gov.br).

3.4.2.2 A Professora Pesquisadora

Tenho formação em Letras Português/Inglês pela Universidade Estadual, onde atuo como professora, e Especialização em Ensino de Língua Inglesa pela Faculdade Fortium. A partir de 2007 comecei a trabalhar como professora de inglês em cursos de idiomas e escolas de ensino regular. Desde 2011 atuo como docente temporária de Língua Inglesa nesta Universidade e, em 2016, iniciei como professora supervisora de Estágio Supervisionado de Língua Inglesa I nessa instituição. Também oriento trabalhos de conclusão de curso na área de ensino-aprendizagem de Língua Inglesa. Além disso, sou membro do Núcleo Docente Estruturante (NDE), grupo responsável pela reformulação do Projeto Político Pedagógico do Curso (PPC) e mudanças na matriz curricular do curso.

No ano de 2014, cursei, como aluna especial, a disciplina Tópicos Especiais em Linguística Aplicada I: Ensino e Aprendizagem de Línguas Estrangeiras em Contexto Superior Tecnológico: Competências e Especificidades, ministrada pela professora Dra. Magali Barçante, no Programa de Mestrado em Linguística Aplicada (PGLA), na Universidade de Brasília (UnB), que me fez refletir sobre a importância do ELFE, tanto em contexto técnico e tecnológico, como para a formação de professores.

Em setembro de 2016, juntamente com a professora Magali Barçante, apresentei o resultado do primeiro questionário para o levantamento de necessidades do curso de Letras no III Congresso Brasileiro de Língua Estrangeira na Formação Técnica e Tecnológica (III CBTecLE), na cidade de São Paulo.

O interesse sobre o tema desta pesquisa surgiu pela leitura de textos da área da LA que aumentaram em mim o desejo de desenvolver um trabalho que pudesse contribuir de alguma forma com o ensino de inglês na instituição que me acolheu como aluna e professora. Vejo em meus alunos a mesma inquietação que senti em meu processo de formação em relação ao que se é esperado de um professor de línguas, suas tarefas em sala de aula e como se dá o uso comunicativo da língua-alvo nesse contexto. Esta pesquisa é uma tentativa de proporcionar a eles um pouco do prazer que tive, por meio dos textos de LA, de poder compreender o diálogo tão íntimo que existe entre a teoria e a prática. Paralelamente a isso, vislumbrei a possibilidade de implementar

contornos de ELFE na formação inicial de professores, o que se constituiria específico para esse profissional.

Na sessão a seguir, apresento os instrumentos de coletas de dados.