Cada encontro de que participar
Para expressar suas crenças básicas e seus sonhos, Para afirmar aos outros a visão de mundo que você almeja. Conecte-se através do pensamento. Conecte-se através da ação. Conecte-se através do amor. Conecte-se através do espírito.
Você é o centro de uma rede de conexões. Você é o centro do mundo. Você é uma fonte livre e imensamente poderosa de vida e de bondade. Afirme-a. Expanda-a. Irradie-a. Pense nela noite e dia...
E um milagre acontecerá: a grandeza da sua própria vida.
Num mundo de grandes poderes, grandes mídias e grandes monopólios, Com mais de (cinco) seis bilhões de pessoas,
Participar de redes de conexões é a nossa liberdade, A nova democracia, uma nova forma de felicidade.
3. Atores Sociais e Redes de Conexões como Temas de
Formação
Quando um Coletivo Educador compõem seu Cardápio de Apren- dizagem torna-se imprescindível incluir estes dois temas que perpassam todos os demais relativos à realidade ecológica de sua região. A título de exemplo, lembramos um Programa de Formação de Educadores e Educa- doras Ambientais/ProFEA, concebido a partir de dois universos eco-sistê- micos: Bacia do Paraná III e entorno do Parque Nacional do Iguaçu.
Em ambos os casos, abordar o tema dos Atores Sociais que interfe- rem na qualidade do ambiente e de vida significou apreender a importância de verificar, em qualquer “iniciativa-programa-projeto-política” pública “quem é quem” neste pedaço do planeta em que vivemos, marcado pela
intervenção das sociedades que nele vivem e/ou com ele convivem por razões bio-regionais e históricas especiais.
A Bacia do Paraná III, por exemplo: desde as nascentes dos rios que se agrupam para formá-la, só pode ser pensada levando em consideração, ambas as margens do Rio Paraná – uma no Brasil, outra no Paraguai - e sua conexão com os demais rios que a ele se interligam ao longo do percurso. O Planejamento territorial e ambiental leva e traz implícita a necessidade de uma visão sistêmica desta Bacia que remete, inclusive, aos necessá- rios “Diálogos da Bacia do Prata” reunindo comunidades de cinco países: Brasil, Paraguai, Bolívia, Argentina e Uruguai, onde a Bacia do Paraná III encontra as demais que compõem a Bacia.
Por sua vez, o Parque Nacional do Iguaçu, o outro eixo bio-regional do ProFEA na região, além de constituir-se num ecossistema que extrapola as fronteiras criadas entre Brasil e Argentina, tem uma variável importante em relação ao tema que nos interessa: por suas características particulares, foi declarado “Patrimônio Natural da Humanidade” pela UNESCO, que lhe dá um status particular a ser constantemente lembrado nas políticas, es- tratégias, iniciativas e programas que ali se estabelecem, lembrando sem- pre que o que ocorre no Parque reflete-se nas populações que vivem em seu entorno e vice-versa.
Assim, no contexto dos processos educativos sobre a realidade eco- lógica da região e a legislação em vigor que nela interfere, o tema dos Atores Sociais que interferem na qualidade do ambiente e de vida no Par- que Nacional do Iguaçu e seu entorno e na Bacia de Paraná III permeiam necessariamente todas as reflexões que marcam as paradas mensais do Coletivo Educador na “trilha” traçada para o Programa de Formação de Educadores e Educadoras na região. Cada vez que nosso olhar se debruça sobre algum aspecto da realidade ecológica da região, naturalmente ele se volta para visualizar: de quem depende a denúncia dos problemas encon- trados? De quem depende a solução das questões diagnosticadas? De quem depende o anúncio e a divulgação de soluções encontradas que merecem ser partilhadas e multiplicadas nos níveis local, estadual, nacional e, inclu- sive, internacional?
Esta forma de trabalhar convoca a todos e todas para a aprendiza- gem do diálogo na perspectiva do encontro de saberes – acadêmicos ou não – e para a necessária criação de sinergia de interesses, sem a qual os Atores Sociais não podem lograr uma efetiva conectividade com a realidade eco- lógica da região.
Conclusão
Todo e qualquer envolvimento de educadores e educadoras ambien- tais traz à tona o tema das Redes de Conexões e dos Atores Sociais que interferem na qualidade do ambiente e de vida, independentemente do eixo escolhido para a aprendizagem e ação. Pode ser alguma questão específica como: a poluição sonora ou dos mares, o câncer de pele provocado pela camada de ozônio ou o envenenamento do leite materno ocasionado pela ingestão de agrotóxicos. Pode ser um universo específico como uma bacia hidrográfica, uma unidade de conservação ou um oleoduto que atravessa diversos municípios.
Em todos os casos, a educação ambiental para a sustentabilidade só adquire seu pleno significado quando atinge os diferentes Atores Sociais que interferem na qualidade do ambiente e de vida: pensadores, pesquisa- dores, estrategistas, planejadores, fiscalizadores, legisladores, empresários, lideranças, formadores de opinião, educadores e educadoras ambientais. Todos são convidados a constituir-se em comunidades de aprendizagem e de diálogo para encontro de saberes e fazeres na perspectiva da formação para a cultura da ética do cuidado.
“Depende de nós”, diz o músico-poeta. Mas não somente de nós, educadoras e educadores ambientais depende “se este mundo ainda tem jeito e, apesar do que o homem tem feito, se a vida sobreviverá”. Depende de todos nós, indivíduos e Atores Sociais que interferimos na Comunidade de Vida, interiorizar que “somos todos aprendizes” como lembra o Tratado de Educação Ambiental e criar sinergia de interesses para aprender a “sa- ber cuidar” de nós mesmos e de todos os seres com os quais partilhamos nossa passagem por Gaia, nossa Mãe Terra.