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3  O PROCESSO DA ASE – ETAPA 3: AVALIAÇÃO DOS IMPACTOS 50 

3.4  Impactos económicos 78 

3.4.2  Passo 3.1 Identificar os impactos económicos 81 

Uma forma prática de identificar e seleccionar os impactos reside na utilização de listas de verificação. A lista apresentada no Anexo G (lista de verificação inicial) inclui perguntas como: • Há alterações significativas nos custos operacionais?

• Há alterações significativas nos custos de investimento (por exemplo, custos da prevenção de riscos para a saúde humana, tais como o tratamento de resíduos sólidos e águas residuais)? • É provável a ocorrência de alterações significativas nos custos administrativos?

As listas de verificação constantes do presente Guia de orientação fornecem indicações sobre os tipos de efeitos passíveis de consideração, podendo também ser utilizadas para documentar a análise e incluídas no relatório da ASE para demonstrar que foram considerados todos os impactos relevantes.

O conjunto seguinte de exemplos específicos de custos ou economias de investimento, operacionais e de manutenção abrange alguns dos impactos económicos mais importantes. No contexto da consulta junto da cadeia de abastecimento, a consideração de cada exemplo permite a identificação dos impactos económicos.

Se um cenário de «não utilização» implicar a interrupção da oferta de um determinado bem de consumo por parte da cadeia de abastecimento em causa ou uma alteração da qualidade, os consumidores poderão enfrentar custos adicionais ou sofrer uma perda de bem-estar. Em certos, há um impacto financeiro directo, por exemplo, uma menor eficiência energética que aumenta as despesas do consumidor com a energia, podendo os custos adicionais para os consumidores ser estimados de forma análoga às alterações nos custos operacionais dos sectores de actividade. Se ocorrer uma perda de bem-estar com a substituição de um bem de consumo por outro, o impacto económico pode ser essa perda de bem-estar, que terá de ser estimada mediante a avaliação da disposição para pagar tanto pelo bem de consumo já não disponível como pelo produto de substituição mais provável. Esta valoração é uma análise especializada. Ver o Anexo C, que inclui orientações sobre as técnicas de valoração aplicáveis.

Diferentes tipos de custo e economias Exemplos de custos de investimento

 Alteração dos custos de inovação e investigação & desenvolvimento  Alteração dos custos de ensaios de desempenho

 Alteração dos custos dos direitos de propriedade  Alteração dos custos de equipamento

 Alteração dos custos de modificação  Alteração dos custos de desactivação

 Custos de indisponibilidade do equipamento

 Alteração do valor do equipamento de produção (máquinas, edifícios, etc., em resultado do cenário de «não utilização»)

Tipos de custos e economias operacionais

Custos de energia

 Alteração dos custos da energia eléctrica  Alteração dos custos dos combustíveis Custos de materiais e serviços:

 Alteração dos custos de transporte

 Alteração dos custos de armazenagem e distribuição  Alteração dos custos de peças sobresselentes

 Alteração dos custos auxiliares, tais como produtos químicos, água

 Alteração dos custos de serviços ambientais, tais como o tratamento e a eliminação de resíduos Custos de mão-de-obra:

 Alteração dos custos operacionais, de supervisão e com pessoal de manutenção  Alteração dos custos da formação do pessoal acima referido.

Custos de manutenção

 Alteração dos custos de amostras, ensaios e monitorização  Alteração dos custos com prémios de seguros

 Alteração dos custos de marketing, licenças e de conformidade com a legislação  Alteração de outros custos gerais (por exemplo, administrativos)

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E quanto aos custos de outras cadeias de abastecimento?

Caso se preveja que um utilizador a jusante transite para uma tecnologia alternativa como resposta ao cenário de «não utilização», a diferença ao nível dos custos de produção é medida a partir do utilizador a jusante. O fornecedor da tecnologia alternativa obterá um rendimento com a venda dessa tecnologia, ao passo que o antigo fornecedor regista uma perda de rendimento. Os custos de cada fornecedor representam um importante efeito de distribuição, mas não há qualquer custo líquido para a sociedade (partindo do princípio de que todos os outros factores permanecem inalterados, por exemplo, os clientes pagam o mesmo preço e a qualidade do produto é a mesma), tão-só uma redistribuição do rendimento.

No entanto, a resposta da cadeia de abastecimento ao cenário de «não utilização» pode fazer com que os recursos relevantes de algumas empresas da cadeia de abastecimento inicial se tornem supérfluos (por exemplo, capital - equipamento e trabalho -, competências e experiência), o que impedirá a recuperação de parte do investimento inicial. Esta situação trará um custo para a cadeia de abastecimento inicial, mesmo que os rendimentos do abastecimento da alternativa permitam equilibrar a perda de rendimentos derivada da proibição da substância inicial. Poderá ser necessário consultar os fornecedores para obter uma estimativa do preço da tecnologia alternativa. Assim, é aconselhável considerar e indicar tanto os custos económicos líquidos para a sociedade como os efeitos de distribuição para os diferentes agentes de todas as cadeias de abastecimento afectadas. Normalmente, numa análise económica deste tipo, presume-se que as alterações na actividade de um sector não afectarão os preços da economia em geral. Assim, num cenário de «não utilização», se o utilizador a jusante adquirir uma substância/tecnologia alternativa, presume-se que o faz ao preço de mercado «normal», sendo por isso presumível que, em termos gerais, as alterações na cadeia de abastecimento em causa não afectarão os preços dos factores de produção (por exemplo, matérias-primas), logo, não resultarão em custos ou economias noutras cadeias de abastecimento25. O Anexo I apresenta informações práticas e orientações sobre o cálculo dos custos de conformidade no pedido de autorização.

Apresentar os impactos económicos identificados

Os resultados da identificação dos impactos económicos podem ser apresentados num quadro que descreva os possíveis impactos económicos ao longo da cadeia de abastecimento e por cenário de «não utilização» (a diferença entre cada cenário de «não utilização» e o cenário de «utilização»). Caso os resultados sejam apresentados sob a forma de quadros, os dados deles constantes devem ser fundamentados pela documentação adequada da análise e das conclusões.

O exemplo do Quadro 5 serve apenas para ilustrar como se processam a identificação e a descrição dos impactos. Está relacionado com o exemplo do Quadro 3.

25 Este pressuposto precisa de ser confirmado caso a caso, pois, em certos casos, as alterações da procura podem afectar

outras cadeias de abastecimento. Por exemplo, se a recusa da autorização resultar na utilização de uma substância alternativa, e a procura acrescida dessa substância não puder ser satisfeita através de um aumento da oferta, os preços mais elevados da alternativa podem produzir impactos nos utilizadores actuais da alternativa (por exemplo, não podem pagar esse preço mais elevado e deixam de fabricar os seus produtos). Existe também a possibilidade de uma descida do preço da alternativa, visto que o acréscimo da procura viabiliza o aproveitamento de «economias de escala» por parte dos fabricantes (por exemplo, economias de custos da produção em massa, compras por grosso de matérias-primas, etc.). No entanto, na maior parte da análise custo-benefício, é válido o pressuposto do preço normal de mercado.

Quadro 5 Exemplo de apresentação para identificação dos impactos económicos

Cenário 1:

Deslocalização (para fora da UE) Utilização de outro produto final Cenário 2: Cadeia de

abastecimento

Descrição do cenário de «utilização»

Impactos na UE Impactos fora da UE Impactos na UE Impactos fora da UE Utilizações que não necessitam de autorização

Fornecedores Fornecedores de matérias-primas e produtos intermédios Possível efeito de distribuição devido a aumento das receitas

operacionais Possível efeito de distribuição devido a diminuição das receitas operacionais Possíveis impactos de distribuição (certos fornecedores registarão um aumento das receitas

operacionais, enquanto outros uma diminuição)

Sem alteração F/I26 Fabrico de x toneladas/ano da substância A Diminuição das receitas operacionais (efeito de distribuição); custos possíveis devido ao baixo valor de reutilização dos bens

de capital para os fabricantes da substância A da UE

Aumento das receitas operacionais dos

fabricantes da substância A exteriores

à UE

Diminuição das receitas operacionais dos

fabricantes e importadores da substância A (caso não fabriquem a alternativa);

custos possíveis devido ao baixo valor de reutilização dos bens de

capital Sem alteração Montador de artigo Utilização de q unidades do artigo P1 para produzir q2 unidades do artigo P2 Sem alteração Custos adicionais da substituição do artigo P1

pelo artigo Px para produzir o artigo P2

Sem alteração

Montador de

artigo Produz o artigo Px Sem alteração

Aumento das receitas operacionais devido às

vendas do artigo Px Sem alteração

Montador de artigo Utilização de q2 unidades do artigo P2 para produzir o artigo P3, que é um bem de consumo

Sem alteração Sem alteração

Utilizações que necessitam de autorização

UJ 1 Utilização da substância A na formulação F1 Diminuição das receitas operacionais; custos possíveis devido ao baixo valor

de reutilização dos bens de capital

Aumento das receitas operacionais dos UJ

exteriores à UE

Diminuição das receitas operacionais; custos possíveis devido ao baixo

valor de reutilização dos bens de capital Aumento das receitas operacionais dos UJ exteriores à UE UJ 2 Utilização de z kg da formulação F1 para produzir v kg da Diminuição das receitas operacionais; custos possíveis devido ao baixo valor

de reutilização dos

Aumento das receitas operacionais dos UJ

exteriores à UE

Diminuição das receitas operacionais; custos possíveis devido ao baixo

valor de reutilização dos

Aumento das receitas operacionais

dos UJ

26 Convém referir que, por vezes, o F/I poderá/deve pedir uma autorização das utilizações para as quais a substância é

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formulação F2 bens de capital bens de capital exteriores à UE

UJ 3 (utilizador final) Utilização de w kg da formulação F2 como revestimento para prolongar a vida útil do componente C1 do artigo P1 no fabrico de q unidades do artigo P1 Custos adicionais da importação do componente C1, que poderão ser (parcialmente) transferidos Não aplicável (utilizadores finais presumivelmente instalados na UE)

Diminuição das receitas operacionais; custos possíveis devido ao baixo

valor de reutilização dos bens de capital Aumento das receitas operacionais dos UJ exteriores à UE

No exemplo mostrado no Quadro 5, o F/I e vários utilizadores a jusante perderão parte dos seus negócios (diminuição das receitas operacionais), pois a substância incluída no Anexo XIV deixará de ser utilizada e as alternativas são fornecidas por outras cadeias de abastecimento. Assim, neste exemplo, a cadeia de abastecimento da alternativa ganhará mais com a recusa da autorização. Os custos e benefícios registados dentro e fora da UE devem ser apresentados separadamente.

Os custos relevantes decorrem da pouca ou nenhuma utilização dos factores de produção anteriormente utilizados na produção da substância ou nas formulações em que a substância era um componente-chave. Se houver empregados a cair no desemprego em consequência da decisão sobre o pedido, está-se perante um custo para a sociedade. Este aspecto é tratado no âmbito dos impactos sociais. O impacto económico para as empresas em causa respeitará à utilização das suas instalações de produção. Os custos relevantes a incluir na ASE são as perdas no valor do activo, calculadas como o valor anterior menos o valor da melhor utilização alternativa.

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