Capítulo 5 – Programa Lumine V4

5.2 Passo a passo do Lumine V4

Depois de inicializado o programa e selecionado a opção Novo projeto, a interface que surgirá é a apresentada na figura 5.1. Nesta se deve inserir os pavimentos (nome) com as seguintes informações: altura (pé direito em cm), nível (cm) e lance. Na interface há ainda um espaço rotulado como Título, no qual se pode inserir uma breve descrição do projeto.

Figura 5.1: Interface Projeto novo.

Ao clicar em OK na interface Projeto novo, após inserção das informações do pavimento “Térreo” (exemplo considerado - figura 5.1) abrirá uma janela conforme mostrada na figura 5.2. Nesta é possível visualizar e modificar as configurações do projeto (pastas).

Figura 5.2: Interface com a disponibilidade das configurações de projeto.

Clicando em “Térreo” e, em seguida, selecionando no menu Ferramentas a opção LER DWG/DXF (figura 5.3), pode-se realizar a importação de um arquivo de extensão DWG ou DXF(arquivos do programa AUTOCAD). Isso possibilita então utilizar a planta baixa da edificação, cuja instalação elétrica se pretende projetar.

É importante comentar que a janela de CAD no ambiente do Lumine, seja esta uma entrada gráfica ou um detalhamento, é tipicamente uma janela de CAD do AUTOCAD. Logo, existem diversos elementos comuns entre os programas a serem utilizados pelo usuário.

A figura 5.4 ilustra a janela do CAD Lumine com algumas de suas funções destacadas.

Figura 5.4: Janela CAD do Lumine.

A manipulação da janela é feita por uma série de ferramentas de zoom, contidas no menu “Visualizar” e na Barra de ferramentas “visualização”. A tabela 5.1 apresenta um resumo de algumas destas ferramentas.

Tabela 5.1: Principais funções de manipulação das janelas. Fonte: [27].

A janela do CAD do Lumine possui barras de ferramentas próprias, além da barra principal do programa, que são as barras (figura 5.4) que contêm os ícones que adicionam os elementos das instalações (luminárias, tomadas, interruptores e etc.).

Através das ferramentas CAD do programa é possível, construir, extender e rotacionar linhas ou objetos da planta importada, medir distâncias e cotá-las, o que posssibilta até mesmo construir uma planta baixa na própria janela do programa.

A figura 5.5 ilustra a janela CAD do Lumine com destaque para as barra de ferramenta CAD do programa.

Figura 5.5: Janela CAD, em destaque as ferramentas CAD do Lumine.

O Lumine possui os seus níveis (chamados de layers no AUTOCAD) que diferenciam os desenhos através de cores, espessura de linha, formato de linha (contínuo, tracejado, etc.). Estas funções são apresentadas na figura 5.6 e definem as propriedades de desenho corrente para o CAD (pode ser visualizado em propriedades de desenho, menu “Manipular”).

Na parte inferior da janela de CAD, esta situada o comando escala do desenho. Esta define a escala do atual desenho (figura 5.7). Dependendo do tipo de CAD, pode ser uma caixa de seleção ou uma informação fixa.

Figura 5.7: Menu de escala do programa. Fonte: [27].

Ao realizar o procedimento da importação da planta baixa para o Lumine (figura 5.8), o projeto de instalação elétrica pode ser inicializado. Para isto, faz necessário à utilização de ferramentas de inserção de luminárias, tomadas, eletrodutos entre outras. Não existe uma ordem a ser seguida, uma vez que o programa possibilita começar tanto inserindo as luminárias como até mesmo os pontos de tomada.

Na exemplificação do projeto de instalação elétrica aqui tratada, a seguinte ordem de inserção é utilizada:

 Luminárias;  Interruptores;  Tomadas;  Quadros;  Eletrodutos.  Inserindo luminárias

Para inserir as luminárias é necessário clicar no ícone distribuir lâmpadas e, em seguida, selecionar a área desejada para conter a iluminação. Para a melhor distribuição das luminárias na área, com a função ortogonal ligada, deve-se marcar pontos superior à esquerda e o ponto inferior à direita de modo a contemplar toda área retangular. No exemplo da figura 5.9 mostra o ambiente denominado Consultório 01 e os pontos que deverão ser selecionados para a distribuição das luminárias.

Figura 5.9: Seleção da área para a inserção das luminárias.

A caixa de menu de escolha de luminárias pelo método de lumens apresentada na figura 5.10, ilustra todos os fatores que contribuem para os

cálculos de luminárias. Ela fornece dados como largura, comprimento, altura, posição, além, de termos técnicos como índice do local, o fluxo luminoso, o coeficiente de utilização e o fluxo total. Fornece ainda os valores de refletâncias, fator de manutenção e Iluminância. Alguns destes parâmetros podem ser modificados pelo usuário, conforme as características do ambiente.

Figura 5.10: Menu de seleção de luminárias baseada no método de lúmens.

Este método (Lúmens) propicia também ao usuário visualizar a simbologia aplicada ao projeto e o tipo de iluminação (direta, semidireta, indireta e etc.). Após a escolha de todos os parâmetros necessários (lâmpadas, peça, iluminância e etc.) o programa realiza o cálculo das luminárias e dispõe sua distribuição em linhas e colunas conforme a figura 5.11.

Figura 5.11: Luminárias distribuídas na área escolhida pelo usuário.

O programa dispõe de uma ferramenta que gera um relatório sobre o cálculo luminotécnico da área selecionada. A tabela 5.2 mostra um exemplo deste relatório.

Tabela 5.2: Cálculo luminotécnico. Fonte: [27].

Luminária

Grupo Subgrupo Peça

Lâmpada fluorescente Tubular comum - diam. 33mm -

embutir 2x40 W

Fluxo luminoso

(lumens) Tipo C2

5.400,00 Luminária sobrepor com plafonier para lâmpada fluorescente –

teto Dados do local (cm) Índice do local Área do recinto (m²) Tipo de Iluminação

Largura Comprimento Altura útil

340,00 300,00 270,00 0,590 10,20 Direta

Manutenção Refletâncias

Ambiente Período (h) Fator Teto Parede Piso

Normal 5.000 0,85 80% 50% 30%

Fluxo total Resultados

Nível de iluminamento (lx) Coeficiente de Utilização Fluxo total (lumens) Nº de

luminárias Linhas Colunas

750,00 0,27 33333,27 6 3 2

 Inserindo Interruptores

Com o lançamento das luminárias, faz-se necessário incluir no projeto os interruptores de comando, que são os responsáveis pelo acionamento das

lâmpadas. Para tal ação pode-se utilizar o ícone interruptor simples , selecionando-se na caixa de dialogo o tipo de interruptor, a posição do mesmo e a(s) luminária(s) a ser comandada(s). Após esse procedimento, é visualizado o interruptor e a luminária comandada com a simbologia adequada (figura 5.12).

Figura 5.12: Inserção de interruptores.

É importante saber que há diversos dispositivos de comandos, desde os interruptores simples até os paralelos (three-way), no entanto, o procedimento para inseri-los é semelhante ao apresentado anteriormente.

 Inserindo Tomadas de uso Geral (TUG’s)

De posse das informações de número de tomadas mínimas a serem inseridas e dos tipos de tomadas que será utilizada, a maneira de inseri-las, ocorre através do uso do ícone tomadas, Há duas opções, sendo uma a inserção de tomadas do tipo 2 PT (dois pinos e o condutor de proteção) e 2 P (sem condutor de proteção) . Cabe lembrar que as normas recomendam utilizar o condutor de proteção (aterramento). Logo a figura 5.13 apresenta a inserção da tomada tipo 2 PT, escolhida através da caixa de dialogo, com a correspondente simbologia, após a seleção do local onde se se pretende atribuí-la.

Figura 5.13: Inserção de tomadas, destaque para caixa de seleção.

Para inserir no projeto as tomadas de uso específico (TUE’s), o procedimento é similar ao anterior, porém quando for efetuar a seleção da tomada utiliza-se o grupo pertencente às tomadas de uso específico.

 Inserindo Quadros

Os quadros de distribuição que são peças de extrema importância em um projeto de instalação elétrica podem ser inseridos através do ícone clicando no local definido pelo usuário. Uma caixa de seleção será apresentada onde é possível fazer a escolha do quadro de acordo com o número de disjuntores (figura 5.14). De forma semelhante, o quadro de medição (também chamado de caixa) pode ser inserindo clicando no ícone e posteriormente no local desejado.

Figura 5.14: Menu de seleção dos quadros de distribuição.

O quadro de alimentação, também chamado de alimentador, é inserido no programa através do ícone escolhendo o local onde será instalado. Ressalta-se que é impossível realizar os dimensionamentos do projeto caso não tenha sido inserido o alimentador.

 Inserindo Eletrodutos

É recomendado que os eletrodutos sejam inseridos no projeto somente após a adição de pontos elétricos, como as luminárias, tomadas, etc. Para inseri-los é preciso definir primeiramente entre eletrodutos em linha reta ou em curva , de acordo com a necessidade do projeto. Após esta definição, clicando no respectivo ícone aparecerá a caixa de seleção Conduto (figura 5.15). Através da caixa pode-se selecionar o tipo de eletroduto (eletrocalha, PVC, etc.) sua seção nominal em polegadas e sua posição (teto, piso, alta, etc.). E em seguida faz-se a união dos pontos elétricos de acordo com o traçado desejado.

Figura 5.15: Caixa de seleção do eletroduto.

A união dos pontos elétricos através dos eletrodutos pode ser visualizada na figura 5.16.

Figura 5.16: Lançamento dos eletrodutos (linha em verde).

Outras etapas da criação de projetos são apresentadas a seguir:

 Associação dos Quadros

Após a inserção dos quadros de distribuição, caixa de medição e do alimentador no projeto, é necessário fazer a associação desses quadros. Este

procedimento é feito através do ícone , que por sua vez abre uma janela (figura 5.17) que fornece os quadros livres (coluna da esquerda) e a hierarquia de ligação (coluna da direita). Para associar os quadros faz-se a interligação dos quadros da coluna da esquerda com os quadros da coluna da direita.

Figura 5.17: Janela de associação dos quadros. Fonte: [27].

Após a associação dos quadros é possível gerar um relatório e verificar se a associação está correta, conforme a figura 5.18.

 Criação de Circuitos

Através do gerenciador do programa e de conhecimentos em instalações elétricas, a criação dos circuitos é feita com a ferramenta inserir (+) circuitos no campo dos quadros de distribuição (figura 5.19).

Figura 5.19: Criação de circuito.

Ao clicar para adicionar o circuito, abre-se uma caixa de diálogo (figura 5.20) que fornece os campos com os dados do circuito. Neste é possível alterar a descrição, o tipo de circuito, o esquema de ligação, a fase utilizada, o método de instalação, a fiação e até o tipo de proteção a ser utilizada.

A definição dos circuitos é feita com a seleção dos componentes que irá compô-los (iluminação e/ou força). Nesta etapa do projeto o programa disponibiliza a ferramenta definir circuito, conforme a figura 5.21.

Figura 5.21: Definir circuito.

 Verificar Traçado

Após a criação dos circuitos, o programa disponibiliza a ferramenta que verifica o traçado existente, identificando os possíveis erros por falta de ligação de algum ponto.

A figura 5.22 ilustra um dos erros que pode ser encontrado. Ressalta-se que apesar dos erros serem identificados, o programa não os corrige, é necessário que o usuário faça as correções necessárias.

 Inserir a Fiação

Nesta etapa é definido os esquemas dos circuitos (F+N, F+F, F+N+T, etc.). As simbologias dos condutores fase, neutro, retorno e condutor de proteção, são lançados automaticamente pelo programa quando se seleciona a ferramenta “Colocar toda a fiação” (figura 5.23).

Figura 5.23: Inserindo a fiação.

 Gerenciador de Quadros

O gerenciador de quadro é uma ferramenta muito importante, pois possibilita fazer o controle e o gerenciamento dos circuitos, bem como o seus dimensionamentos. Para acessar o gerenciador é necessário clicar no seu ícone e assim ter acesso à tela que apresenta as propriedades dos quadros inseridos no projeto, conforme a figura 5.24.

Figura 5.24: Gerenciador de quadros. Fonte: [27].

 Balanceamento das Fases

O balanceamento de fases é uma etapa de extrema importância para as instalações elétricas, pois irá influenciar diretamente no fator de potência da edificação. Para esse processo o programa disponibiliza a ferramenta balancear fases (figura 5.25).

Ao realizar o balanceamento das fases o programa gera um relatório (janela) com as fases que foram alteradas, conforme mostra a figura 5.26.

Figura 5.26: Alterações das fases pelo balanceamento. Fonte: [27].

 Dimensionamento dos Circuitos

O programa disponibiliza também uma ferramenta de dimensionamento das seções nominais dos cabos, onde realizam os cálculos levando em consideração os critérios de dimensionamento de seção mínima (normas), capacidade de condução de corrente e queda de tensão admissível. É possível fazer o dimensionamento de cada circuito ou até mesmo dimensionar todos os circuitos de uma vez, na opção ferramenta dimensionar circuitos (figura 5.27). A utilização dessa ferramenta é feita após a definição dos circuitos por meio do gerenciador de quadros.

Figura 5.27: Ferramenta de dimensionamento de circuito. Fonte: [27].

Os parâmetros dos cálculos do dimensionamento de cada circuito podem ser visualizados através dos quadros de dimensionamento fornecidos pelo programa tal como apresentado na tabela 5.3.

Tabela 5.3: Quadro de dimensionamento. Fonte: [27].

Circuito: 1 - Iluminação Bloco C

Utilização: Iluminação e TUG´s (Clínicas e hospitais)

Quadro QD2 (Térreo) Alimentação F+N(C) Tensão F-N: 127 V / F-F: 220 V FP 0,78 FCA 0,60 FCT 0,94 Potência 860,88 VA Corrente de projeto 6,78 A Corrente corrigida 12,02 A Pontos Inseridos

Grupo Subgrupo Potência (VA) Quantidade

Lâmpada fluorescente

Compacta dupla - embutir

Tubular comum - diam. 33mm - embutir

32,91 101,01

7 6

Critérios de cálculo (Dimensionamento da fiação)

Seção mínima admissível Utilização: Iluminação Seção: 2,5 mm² Capacidade de condução de corrente Método de instalação: B1 Seção: 1 mm²

Cap. Condução (Iz): 14,00 A

Queda de tensão dV% parcial admissível: 4,00 % dV% parcial dV% total 2,5 mm² 0,70 % 0,70 %

Dimensionamento da proteção (In) Condutor

Ip < In < Iz (2.5 mm²) 6,8 < 10,0 < 13,5

Cabo Unipolar (cobre)

Isol. PVC - 450/750V (ref. Inbrac Inbranil Antichama)

Dispositivo de proteção Seção

Disjuntor unipolar termomagnético - DIN Corrente de atuação: 10 A Fase 2,5 mm² Neutro 2,5 mm² Terra -Capacidade de condução (Fase): 24 A

Notas:

FCA: fator de correção de agrupamento;

 Dimensionamento dos Condutos

O dimensionamento dos condutos permite sugerir as peças que serão utilizadas (seção dos eletrodutos) de acordo com o percentual da taxa de ocupação de cada trecho dos circuitos. Este procedimento é feito no programa através do ícone .

A figura 5.28 ilustra um exemplo de um trecho que apresenta uma taxa de ocupação acima da taxa máxima e como consequência a sugestão de alteração do conduto.

Figura 5.28: Dimensionamento do conduto.

Após a finalização do projeto no Lumine é possível gerar os quadros de carga, diagramas unifilares e multifilares, além da legenda e lista de materiais que por sua vez quantifica o número de peças utilizadas no projeto de instalações elétricas da edificação. A figura 5.29 ilustra uma parte da lista de materiais que podem ser visualizada através do programa.

Figura 5.29: Lista de materiais gerada pelo programa. Fonte: [27].

A última etapa a ser realizada no programa é a exportação do arquivo com o projeto elétrico de extensão pre para o formato DWG, através da ferramenta de exportação do arquivo para o AUTOCAD. Fazendo os ajustes necessários na planta o projeto estará pronto para ser impresso.

A figura 5.30 apresenta o procedimento necessário para converter o projeto elétrico para o formato do programa AUTOCAD.

No documento PROJETO DE INSTALAÇÕES ELÉTRICAS EM BAIXA TENSÃO: ESTUDO DE CASO DO PRÉDIO DA UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE VILA MARABÁ. MAURO MACHADO DA SILVA (páginas 128-150)