Documento 11 Ajustamento de vagas para o Ginásio Polivalente, oriundas dos
2 CONSTRUÇÃO DOS GINÁSIOS POLIVALENTES NO REGIME
2.7 Implantação do Ginásio Polivalente na Cidade de Patos de Minas
2.7.2 Patos de Minas e seu desenvolvimento educacional
A base para o desenvolvimento de uma sociedade é a educação. Não é por acaso que os governantes e lideranças desde o surgimento dos Povoados, Arraiais, Vilas e Cidades se preocuparam com os aspectos educacionais, mesmo que tenha parecido mínimo. Em Patos de Minas, essa preocupação foi desde a formação da cidade. Com a grande maioria da população morando no campo até meados da década de 1970, a instrução sempre foi pauta daqueles que assumiam o município nos aspectos políticos ou de terceiros que lecionavam de forma particular, às expensas dos donos das fazendas que os contratavam. Segundo o memorialista Mello (1978, p. 58):
Desde o começo do arraial, o patense se preocupou com a instrução pública para seus moradores. No dia 7 de maio de 1853 criou-se a primeira escola pública e, em 3 de outubro do ano seguinte, foi nomeado o primeiro professor, Francisco de Paula e Souza Bretas. No começo deste século houve várias escolas do curso secundário, mas todas com a vida curta. O primeiro foi o <<Atheneu>>.
Segundo Fonseca (1974, p.149), o Grupo Atheneu foi instalado no dia 3 de junho de 1906 e, realmente, teve curta duração. No ano de 1880, a Vila de Patos teve um ganho exponencial na área educacional para aquela época. Foi transferido da cidade de Araxá para Patos o Professor Valeriano Rodrigues. Essa figura que inscreveu seu nome no campo educacional patense, nasceu em Formiga no ano de 1842 e teve sua iniciação educacional na cidade de Bambuí até chegar à Vila de Patos. Chegando pelas paragens patenses, o mesmo observou o elevado número de analfabetos que existia na Vila dos Patos. Preocupado com a situação, o referido professor trabalhou arduamente para que a instrução chegasse à população de maneira geral, inclusive lecionando para escravos. Para Fonseca (1974, p. 131):
Condoído com o grande número de adultos analfabetos, o professor Valeriano, com a ajuda da câmara, abre uma aula noturna a 1º de setembro de 1884. A escola funcionava às 2ª. s, 4ª. s e sábados, recebendo matrículas de maiores de 14 anos e, além do mais – o que é significativo – de escravos, com permissão de seus senhores. O tempo das aulas ia de 7 às 9 da noite, e constavam as mesmas de leitura e caligrafia, noções de gramática portuguesa, noções de geografia e história do Brasil, as quatro operações decimais, com exercícios práticos de reduções de pesos e medidas.
No ano de 1889, o professor Valeriano é aposentado. Com isso, ele começa a lecionar de forma particular, momento em que anuncia no jornal da época O Trabalho a
abertura de aulas de instrução primária para adultos. Ele cobrava por mensalidade cerca de 8 mil réis no ato da matrícula, isso de acordo com Fonseca (1974, p. 131).
Uma curiosidade que não poderia passar despercebida é a dificuldade que as mulheres, nessa época, tinham de frequentar a escola, gerando consequentemente dificuldades em ter profissionais do sexo feminino para a educação na região. O Distrito de Santo Antônio dos Patos experimentou sérias dificuldades com o aprendizado das mulheres no campo do saber, dentre elas o descaso dos pais para com as filhas. Para Fonseca (1974, p. 135):
Mesmo criado o município perduravam as incertezas e, consequentemente, o descaso dos pais de famílias pelo ensino às suas filhas. Pouco caso esse, agravado mais ainda, pela mentalidade quase generalizada, de que a mulher era traste de casa, escondida a sete chaves, até o namoro (de longe, sem pega de mãos e muitas vezes – e quantas – através dos buracos das fechaduras). A bondosa Dona Queta afirmava que, para a mulher de tempo antigo eram exigidos três “cês”: costura, cueiro e comida. Boa costureira, boa lidadeira com os recém-nascidos e boa cozinheira de forno e fornalha.
No ano de 1889, a Escola Municipal teve a primeira orientadora e professora do sexo feminino. Eliza Jane Smith, de nacionalidade inglesa e de origem protestante, começa os trabalhos na Escola Municipal que não possuía prédio próprio, sendo o mesmo particular. Em 1896, já havia quatro classes em funcionamento com 41 alunas. A professora em questão ensinava asseio, educação, boas maneiras, aulas de canto, além das disciplinas de leitura, elementos de gramática, análise etimológica, aritmética, geografia geral e especialmente do Brasil, dentre outras disciplinas (Fonseca, 1974, p. 137).
Com o desenvolvimento econômico patense, foram sendo necessárias novas medidas no setor educacional, dentre elas a luta pela construção de um espaço que pudesse atender a grande maioria dos alunos da cidade. Com isso, foi formada uma comissão para construção do primeiro Grupo Escolar de Patos, criado pelo decreto 4.065, de 23 de dezembro de 1913. O Grupo foi construído com sede própria da municipalidade e doado ao Estado. No dia 4 de julho de 1917, foi instalado o Grupo Escolar, tendo como primeiro Diretor o professor Modesto de Mello Ribeiro, tendo-se matriculado inicialmente 321 alunos. Segundo Fonseca (1974, p. 145), em 2 de abril de 1918, o Grupo Escolar passa a se chamar Grupo Escolar Marcolino de Barros. Mello (1978, p. 58), também relata que:
Acontecimento importante foi a fundação do Grupo Escolar Marcolino de Barros, instalado no dia 4 de junho de 1917. Tratava-se de um grande feito, pois muito poucas cidades possuíam um Grupo Escolar, que requeria professores normalistas para lecionar. O seu primeiro diretor foi o Prof.
Modesto de Melo Ribeiro. Criar um Grupo Escolar naquela época era tão importante quanto fundar uma faculdade nos dias de hoje.
A primeira experiência do município patense em relação ao ensino técnico foi o do Ensino Técnico Agrícola no ano de 1911. Fundada pelo patense e empreendedor Dr. Jacques Dias Maciel com o nome de Aprendizado Agrícola de Patos e instalada na fazenda Limoeiro. O tamanho do empreendimento para época nos chama a atenção, já que a cidade possuía 14 ruas, 6 praças, 400 casas, duas farmácias e duas igrejas. Durou apenas dois anos, mas teve lugar de destaque na pesquisa de Fonseca (1974, p. 150):
O aprendizado começou com 7 alunos, cinco dos quais às expensas da municipalidade. Dispunha de casa para escola, dois galpões – para máquinas e para laticínios – olaria, doze máquinas agrícolas, vinte e cinco vacas leiteiras, dois reprodutores – zebu e caracu – dezoito bois de carro, dois animais de arado, trinta e oito porcos de engorda, e duzentos galináceos de raças diversas. Área de 144 hectares, dos quais 21 em culturas e 70 em pastagens artificiais. Era ideia do diretor, em 1913, a equiparação do estabelecimento aos congêneres federais, o que não conseguiu. Razão de seu fechamento, no mesmo ano.
Em 1932, a cidade de Patos de Minas foi contemplada com o curso normalista. Foi construída, então, a Escola Normal Oficial que tinha como princípio a formação de normalistas para atuarem no ensino primário. A Escola Normal, como ficou conhecida, formava professoras no ensino médio para atuarem nas primeiras séries iniciais ou ensino primário.
Em 1956, foi criada a Escola Técnica de Comércio Pio XII. Segundo Fonseca (1974, p. 153), esse estabelecimento de ensino, apesar de ser da iniciativa privada, teve ampla ajuda do município com a doação do terreno, sendo um quarteirão para construção da sede própria, através da lei 309 de 1956. Também contou com um auxílio em dinheiro, no valor de Cr$ 47.775,90 (quarenta e sete mil e setecentos e setenta e cinco cruzeiros e noventa centavos), através da lei 421 de 1958, além de isenções de impostos e taxas municipais (lei 394 de 1957). Essa escola passa a ter denominação de Colégio Comercial Silvio de Marco até o ano de 1985, momento em que encerrou as suas atividades.
Nos anos que se seguiram, a cidade de Patos de Minas foi construindo dezenas de Grupos Escolares na zona urbana e também na zona rural. Também passou a contar com várias Escolas Estaduais, Escolas particulares e Uma Faculdade. O ápice das construções de Grupos Escolares se deu no governo de Ataídes de Deus Vieira que foi prefeito de Patos de Minas no período de 1967 a 1970 e foi considerado o prefeito da educação.
Apesar do bordão que era dado a quase todos os prefeitos da época, notamos que esse prefeito justificou o nome de prefeito da Educação devido ao fato de que, durante esse período, abriu uma escola por mês. Para comprovar isso, veja fragmento do Jornal Folha Diocesana de 24 de maio de 1969:
Pessoas existem que a influência de números estatísticos nelas predomina de tal forma a não ser possível contestação. Cento e nove grupos escolares na zona rural em funcionamento. Cento e dezesseis professoras na zona rural; 4453 alunos matriculados na zona rural. Estes dados poderiam forçar uma convicção ao povo patense de que a situação do ensino no meio rural é tranqüila. É verdade para aqueles que pautam seus “modus pensandi” em cifras. Não é essa a convicção do chefe do executivo patense, Ataídes de Deus Vieira. População Rural Melhor Amparada. Vale tanto afirmar que é uma preocupação constante da administração Ataídes de Deus Vieira. A educação que, em obediência a um programa, meta administrativa que vem sendo cumprida e previamente estabelecida, grupos escolares vêm sendo inaugurados mensalmente na base de um por um, um mês um grupo, prova disto, em vinte e cinco meses como administrador do município de Patos de Minas, 21 grupos foram construídos, inaugurados e estão funcionando. Faltam quatro grupos para complementação da meta 25 meses, 25 grupos. Na próxima semana, as localidades denominadas: Zeca Mota; Augusto Alves; Antônio Alves serão incorporadas ao quadro de onde se localizam Escolas Rurais. Farão essas três unidades escolares que o número 109 seja acrescido para 112 escolas e que a meta pré-estabelecida vá se concretizando. Aproximadamente 4.500 alunos rurais frequentam os diversos grupos espalhados pelo município. Conhecido é de todos que a condição alimentícia de nossa zona rural, e antes fosse só a nossa, são as mais precárias em proteínas e higiene. Nosso prefeito municipal Ataídes de Deus Vieira, através do Deputado Sebastião Alves do Nascimento, iniciou entendimentos com a Campanha Nacional da Alimentação Escolar, CNAE, para suprimento, aos grupos escolares rurais, de merenda.13
Lembrando que foi no pleito de Ataídes de Deus Vieira que houve a doação do terreno para construção do Ginásio Polivalente, em 1970. Abaixo mapa do Município de Patos de Minas.
Mapa 7 – Município de Patos de Minas
2.7.3 As Bases políticas para implantação do Ginásio Polivalente em Patos de Minas