1. INTRODUÇÃO
2.7 PBQP-H: Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade no Habitat
O Governo Federal institui o Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade no Habitat em julho de 2001, originado do Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade na Habitação, de 1998. A alteração deve-se ao conceito mais amplo do termo habitat, que engloba as áreas de saneamento, infra-estrutura e transporte urbano, além da construção habitacional (AMBROZEWICZ, 2003b).
A estrutura do SiQ-Construtoras (SiQ-C) é baseada na série de normas ISO 9000 e tem como objetivo nortear o desempenho da Gestão da Qualidade na empresa. Devido à atualização da ISO 9001 para a versão 2000, o SiQ-C também foi revisado, de modo a manter a compatibilidade com esta norma. Cabe ao INMETRO (Instituto Nacional de Metrologia) dirigir e administrar o sistema, além de conceder o credenciamento para organismos de certificação. Os organismos certificadores credenciados têm a função de avaliar e reconhecer a conformidade de sistemas de gestão da qualidade, conferindo um certificado à empresa avaliada (PBQP-H, 2002).
O SiQ-C adota a abordagem de processos para o desenvolvimento, a implementação e a melhoria do sistema de gestão da qualidade. A utilização do ciclo Deming ou método PDCA (Plan, Do, Check, Act) é uma maneira de visualizar a abordagem de processos que, através das etapas de planejamento, execução, controle e ações, permite a melhoria contínua.
Uma das características do SiQ-C, ao contrário da ISO 9001:2000, é o caráter evolutivo, ou seja, existem quatro níveis de qualificação progressivos (D, C, B e A) nos quais a empresa construtora pode ser certificada. Segundo Silveira, Lima e Almeida (2000), um sistema evolutivo possui um efeito pedagógico no progresso do estabelecimento do sistema, que induz à melhoria contínua. Além disso, o programa possui caráter pró-ativo, uma vez que
propicia um ambiente de suporte que oriente as empresas no sentido de alcançar o nível de qualificação almejado.
Os requisitos para a certificação no PBQP-H seguem a estrutura da ISO 9001:2000, com algumas alterações de nomenclatura, de modo a facilitar a aplicação e entendimento no setor da construção civil. O SiQ-C ainda apresenta uma lista de 25 serviços de execução de devem ser controlados em caráter evolutivo. Esse controle consiste na elaboração e aplicação de procedimentos específicos, além de treinamento para a coleta dos dados e registro das informações obtidas através do controle. O SiQ-C ainda estabelece que, a partir da lista de serviços de execução controlados, a empresa deve elaborar uma lista de referência com no mínimo 20 materiais a serem controlados, de acordo com as técnicas construtivas utilizadas.
Além do maior controle sobre os processos construtivos, as empresas também devem avaliar os fornecedores de materiais e serviços. A terceirização de serviços torna-se uma prática cada vez mais comum entre as construtoras, devido à possibilidade de redução dos custos com os encargos sociais. Outra razão para a terceirização é o caráter sazonal da construção. Uma vez que alguns serviços são executados de tempos em tempos, não é viável para a empresa manter esses profissionais permanentemente (JACÓ e ARAÚJO, 2003).
Entretanto, é necessário que se garanta a qualidade dos serviços terceirizados. Para isso, a empresa construtora deve adotar procedimentos de qualificação de seus fornecedores, de modo a realizar uma melhor seleção, a partir de critérios padronizados. Tais ações contribuem para que ocorram modificações nos relacionamentos entre construtoras e fornecedores, através da criação de parcerias duradouras com benefícios mútuos (MEIRA e QUINTELLA, 2004).
Em março de 2005 realiza-se uma revisão do SiQ-C, que passa a se denominar SiAC - Sistema de Avaliação da Conformidade de Empresas de Serviços e Obras da Construção Civil, mediante a elaboração de um novo regimento (PBQP-H, 2005). Ocorre assim o estabelecimento de nova estruturação da documentação, com um Regimento Geral, com Regimentos Específicos das Especialidades Técnicas, com Referenciais Normativos para os subsetores da Especialidade Técnica Execução de Obras e com documentos de Requisitos Complementares para tais subsetores.
Dentre as principais inovações do SiAC expostas por Cardoso (2005), cabe salientar: - Definição das Especialidades Técnicas: Serviços Especializados de Execução de
- Participação efetiva do INMETRO no Sistema, através do credenciamento dos OCC para auditar e emitir certificados conforme Referenciais Normativos PBQP-H; padronização das atividades dos OCC e aplicação de mecanismos de controle.
- Adoção do modelo de declaração da conformidade pelo fornecedor para o nível “D” na Especialidade Técnica Execução de Obras. Os níveis “C”, “B” e “A” são objeto de uma certificação com auditoria e o nível “D” exige apenas a “Declaração de Adesão ao PBQP-H e de Conformidade a Referencial Normativo” da empresa.
- Definição clara de tempos associados ao processo de certificação, com validade de seis meses, renováveis por mais seis meses, para a Declaração; duração do ciclo de certificação de 36 meses e prazo de validade do certificado de 12 meses.
- Exigências quanto ao perfil dos auditores, como formação acadêmica em construção civil, experiência profissional no subsetor auditado, em sistema de gestão da qualidade e em auditoria de sistema de gestão. Além disso, há a exigência de treinamento mínimo obrigatório em auditoria, exigência de código de ética do OCC e definição de critérios de dimensionamentos mínimos da equipe de auditoria.
- Aceitação de possível extensão de escopos e realização de auditorias de manutenção sem que a construtora disponha de obras, de modo a facilitar a inclusão e a permanência das empresas construtoras no Programa, mesmo em situações de crises de mercado.
- Quanto aos materiais, ensaios e normas: quando aplicável, uso obrigatório de materiais cuja certificação seja compulsória; valorização da compra e contratação de materiais e serviços que atendam aos Programas Setoriais; realização de controle tecnológico dos materiais e componentes utilizados na estrutura portante, independente do realizado pelo fornecedor; atendimento obrigatório às Normas Técnicas brasileiras.
- Novo posicionamento de alguns requisitos do SGQ de empresas construtoras, de modo a aproximar o cliente nos níveis inferiores e antecipar a implementação dos mecanismos de melhoria contínua.
De acordo com Santos e Coelho (2005), a nova distribuição dos itens busca antecipar aqueles que tem influência direta sobre os processos principais da empresa. Outro aspecto considerado é o respeito a três princípios básicos do sistema de gestão da qualidade: o foco no cliente, a liderança e a melhoria contínua, além da própria metodologia PDCA, que é uma característica fundamental da norma ISO 9001:2000.
Deste modo, há uma crescente preocupação com a qualidade e competitividade no setor da construção civil. Isso é demonstrado pelo fato de que as empresas de construção e as entidades de classe são as responsáveis pela busca de melhorias da qualidade, ao aderirem ao PBQP-H (MENDES, PICCHI e SEIXAS, 2005). A seguir, relata-se algumas iniciativas de implantação dos requisitos do PBQP-H em empresas construtoras em diversas cidades do país.