POSSIBILIDADES
Bruno Wilwert Tomio14
Giovanni Dalcastagné15
Eixo Temático e Tema: Educação Ambiental na construção das sociedades
sustentáveis.
Palavras-Chave: Educação Ambiental Crítica; Projeto Conhecer Pedalando; Meio
Ambiente; Sociedade.
Resumo Expandido: Este resumo apresenta os objetivos e ações realizadas de um
projeto de Educação Ambiental, a saber: o Projeto Conhecer Pedalando. O referido projeto surgiu por meio de questões levantadas em relação ao modo de produção capitalista, desse modo, segue uma dinâmica pautada nas perspectivas materialista histórica dialética (FOSTER, 2005; LÖWY, 2014) e da Educação Ambiental Crítica (COSTA, LOUREIRO, 2015; LOUREIRO 2002, 2009; LAYRARGUES, 2009), portanto, crítica e transformadora. O Projeto Conhecer Pedalando busca conhecer, criar e divulgar possibilidades de transformação nas estruturas e relações sociais vigentes, em prol de um mundo mais fraterno, igualitário, democrático e ecológico. Nesse sentido, pretende- se estimular, em diferentes contextos educacionais e sociais, a reflexão crítica sobre as problemáticas socioambientais e os impactos causados pela lógica da produção capitalista ao meio ambiente. Busca-se, ainda, problematizar: a Bicicleta nas suas diferentes dimensões, possibilidades e contextos, apresentando possíveis benefícios e oportunidades que a mesma pode oferecer como estratégia de transformação social e ambiental; as Práticas Corporais de Aventura em diferentes espaços, com ênfase nas suas possibilidades educacionais, promovendo uma possível sensibilização ambiental e uma maior reflexão e interação com e sobre o ambiente, tanto o urbano como o natural; a Epistemologia e sua importância como reflexão crítica do conhecimento científico, pois este não é neutro aos aspectos políticos, sociais e econômicos. O projeto também vem realizando a ação de conhecer e divulgar belezas naturais, culturas, pessoas, movimentos sociais, eventos, projetos e propostas sociais e educacionais. Conhecemos o proposto por meio da bicicleta, ou seja, pedalando, superando desafios e se aventurando pelos caminhos de nossa trajetória. Apresentamos e buscamos estimular uma maneira diferenciada de conhecer lugares, de se fazer turismo, de se relacionar com o caminho, com as pessoas e com o meio ambiente. O Projeto Conhecer Pedalando teve inicio a partir de janeiro de 2016, começando com algumas ações locais e regionais e aumentando suas fronteiras na medida do possível. Dentre as ações desenvolvidas até o momento, destaca-se: a participação em eventos e movimentos sociais (Fórum Social Mundial, Fórum Mundial de Educação, Bicicletada Binacional contra a impunidade dos
14 Universidade Regional de Blumenau (FURB). E-mail: [email protected] 15 Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). E-mail: [email protected]
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crimes de trânsito, Bicicletadas de Blumenau, na 1º Peladada de Blumenau e na 5ª de
Florianópolis, Conferências do Festival Internacional de Cinema Socioambiental –
Planeta.doc; 1ª Seminário Catarinense de Educação Ambiental Crítica); Realização de Cines Debate dos quais se discutiu questões de mobilidade urbana, saúde, política, economia, meio ambiente e sociedade; Palestras em universidades a respeito das problemáticas: Práticas Corporais de Aventura nos seus diferentes âmbitos, Bicicleta e Meio Ambiente, e Epistemologia; Palestras em escolas e em eventos culturais sobre Bicicleta e Meio Ambiente, e também sobre Cicloturismo; Viagens de bicicleta, regionais, nacionais e internacionais; Participação em feiras e eventos culturais; Realização de exposições fotográficas e obras artísticas referentes ao projeto. O Projeto vem alcançando seus objetivos perante suas condições, que por vezes, são limitadas. Todas as suas ações foram de caráter voluntário, sem apoios financeiros. Diante disso, continuaremos fundamentando, sistematizando, concretizando e divulgando o projeto com vistas a garantir sua sustentabilidade para efetivar e ampliar cada vez mais seus objetivos, fronteiras e público. As ações, aventuras e experiências realizadas pelo projeto são divulgadas e pulverizadas em determinados meios de comunicação. Almejamos conquistar e disseminar um grande aprendizado e transformações diante das vivências que estão e poderão ser proporcionadas nesta aventura em busca de conhecimentos e possibilidades.
Referências
COSTA, C. A. S.; LOUREIRO, C. F. B. Interdisciplinaridade e educação ambiental
crítica: questões epistemológicas a partir do materialismo histórico-dialético.
Revista Ciência Educação: Bauru, v. 21, n. 3, p. 693-708, 2015.
FOSTER, J. B. A Ecologia de Marx: materialismo e natureza. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2005.
LOUREIRO, C. F. B. Educação Ambiental Crítica: Princípios Teóricos e
Metodológicos. Rio de Janeiro: Hotbook, 2002. v. 01. 66 p.
LOUREIRO, C. F. B. Trajetória e fundamentos da educação ambiental. 4. Ed. São
Paulo: Cortez, 2012.
LAYRARGUES, P. P. Educação ambiental com compromisso social: o desafio da superação das desigualdades. In: LOUREIRO, C. F. B.; LAYRARGUES, P. P.; CASTRO, R. S. (Org.). Repensar e educação ambiental: um olhar crítico. São Paulo: Cortez, 2009.
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RESÍDUOS, SUSTENTABILIDADE E
COMPORTAMENTO PRÓ-
AMBIENTAL NA ARQUITETURA:
RELATO DE EXPERIÊNCIA
INTERDISCIPLINAR NO ENSINO
SUPERIOR
Wellington Francisco Bescorovaine16
Laura Christofoletti da Silva Gabriel17
Eduardo Chierrito de Arruda3
Rute Grossi Milani4
Berna Valentina Bruit Valderrama Garcia Medina5
Eixo Temático e Tema: EIXO 2: Políticas, Programas e Práticas de Educação Ambiental
- Ambientalização nas Instituições de Ensino.
Palavras-Chave: comportamento pró-ambiental; resíduos sólidos; Sustentabilidade;
Arquitetura e Urbanismo; prática interdisciplinar.
Resumo Expandido: Explorar a interdisciplinaridade nas práticas de educação ambiental
no ensino superior permite a articulação de saberes, o que favorece uma compreensão mais ampla do fenômeno alvo das ações propostas. No cotidiano os maus hábitos implicam na forma como os resíduos são tratados ou dispostos no ambiente, gerando agressões ao âmbito urbano e não urbano (MUCELIN; BELLINI, 2008). Desta forma, é importante que as práticas comportamentais em relação à produção e ao descarte dos resíduos sólidos sejam repensadas, bem como novos hábitos estimulados, visando à diminuição do impacto ambiental causado pelo consumo excessivo. A Educação Ambiental é uma práxis educativa e social que visa a construção de valores, conceitos, habilidades e atitudes que permitam o entendimento da realidade de vida responsabilizando-se atores sociais, individuais e coletivos no ambiente. (LOUREIRO; LAYARGUES; CASTRO, et al.) De acordo com Dias (2003), a Educação Ambiental deve desempenhar o importante papel de promover e estimular a aderência das pessoas e da sociedade a esse novo paradigma do desenvolvimento sustentável. A educação ambiental dentro das IES precisa buscar o equilíbrio entre a qualificação profissional para o trabalho e a formação do cidadão consciente de seus direitos e deveres para com a sociedade, pois tanto o mercado de trabalho quanto a sociedade como um todo precisa que esses profissionais sejam cidadãos críticos em busca do bem comum e da justiça socioambiental (SOUZA, 2016). Este estudo apresenta os resultados de uma intervenção interdisciplinar de educação ambiental com enfoque no comportamento pró-ambiental e descarte de resíduos, junto a estudantes universitários de arquitetura e urbanismo. A
16 Centro Universitário de Maringá. E-mail: [email protected] 17 Centro Universitário de Maringá. E-mail: [email protected] 3 Centro Universitário de Maringá. E-mail: [email protected] 4 Centro Universitário de Maringá. E-mail: [email protected] 5 Centro Universitário de Maringá. E-mail: [email protected]
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pesquisa, foi conduzida por uma equipe composta por uma psicóloga, uma estagiária do 4º ano de psicologia e dois arquitetos urbanistas. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em pesquisa envolvendo seres humanos sob o parecer nº 1.464.230. A população considerada para a amostra foi composta por 33 estudantes universitários matriculados no primeiro ano de Arquitetura e Urbanismo em uma Instituição de Ensino Superior (IES) da cidade de Maringá – Pr., com média de idade 19 anos, de ambos os sexos. As intervenções buscaram, por meio de técnicas da psicologia, demonstração de documentários, dinâmicas e debates, sensibilizar os estudantes para o desenvolvimento do pensamento reflexivo e o comportamento pró-ambiental. Os temas das Oficinas foram: “Sustentabilidade e reaproveitamento de resíduos sólidos”; “Altruísmo ambiental”; “Ética, cidadania e sustentabilidade”. Concomitantemente, foram realizadas oficinas de aproveitamento de resíduos a fim de demonstrar as possibilidades de transformação e reutilização, culminando na confecção de peças de mobiliários com materiais recicláveis, supervisionada por um profissional da área. Para o levantamento de dados simultâneos à prática, procedeu-se observação participativa, aplicação da Escala de Comportamento Ecológico, a Pegada Ecológica e um Questionário pós-intervenção. Por meio destes instrumentos foi possível constatar que os estudantes manifestaram envolvimento e interesse em todas as etapas do projeto e relataram a inserção de novos conceitos motivados pela sensibilização ambiental decorrente das interações socioambientais. Constatou-se que constructos da psicologia ambiental contribuem como um aporte favorável para a Educação Ambiental, por meio da compreensão pessoa-ambiente, considera-se que o comportamento pró-ambiental é mediado por valores e crenças, assim como pelas emoções e processos cognitivos (ZELENSKI et al., 2015; IZAGIRRE- OLAIZOLA et al., 2015). Entre os comportamentos pró-ambientais observados, percebeu- se a economia de água e luz, descarte adequado de resíduos e reciclagem. A realização desta intervenção proporcionou aos estudantes um diálogo que articulou questões sociais e ambientais, bem como reflexões sobre a ética ambiental no exercício profissional do arquiteto. Conclui-se que tais práticas interdisciplinares devem ser estimuladas nas instituições de ensino superior, promovendo espaço para a reflexão sobre a responsabilidade socioambiental e um maior engajamento da comunidade acadêmica.
Agradecimentos: Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e ao Instituto Cesumar de Ciência, Tecnologia e Inovação (ICETI), pelo apoio financeiro à pesquisa.
Referências
DIAS, G. F. Educação Ambiental: princípios e práticas. São Paulo, Gaia, 8º ed., 2003. IZAGIRRE‐OLAIZOLA, Julen; FERNÁNDEZ‐SAINZ, Ana; VICENTE‐MOLINA, M. Azucena. Internal determinants of recycling behaviour by university students: a cross‐ country comparative analysis. International Journal of Consumer Studies, v. 30, n. 1, pp. 25-34, 2015. doi 10.1111/ijcs.12147
LOUREIRO, LAYRARGUES, CASTRO, et.al. Educação Ambiental: repensando o
espaço da cidadania. São Paulo, Cortez, 4º edição, 2008.
MUCELIN, C. A.; BELLINI, M. Lixo e Impactos ambientais perceptíveis no ecossistema urbano. Sociedade e natureza, Uberlândia, v. 20, n.1, 111-124, 2008.
SOUZA, V.M. Para o mercado ou para a cidadania? A educação ambiental nas institui- ções de ensino superior no Brasil. Revista Brasileira de Educação, v.21, n. 64, 2016. ZELENSKI, John M.; DOPKO, Raelyne L.; CAPALDI, Colin A. Cooperation is in our nature: Nature exposure may promote cooperative and environmentally sustainable behavior. Journal of Environmental Psychology, v. 42, p. 24-31, 2015. doi10.1016/j.jenvp.2015.01.005.
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A PRÁTICA CONTEMPLATIVA
COMO ESTRATÉGIA DE
EDUCAÇÃO AMBIENTAL:
RELATO DE EXPERIÊNCIA
Eduardo Chierrito de Arruda18
Rute Grossi Milani19 Eixo Temático e Tema: Educação Ambiental na construção das sociedades
sustentáveis; Educação Ambiental, meio ambiente e saúde.
Palavras-Chave: psicologia ambiental; psicologia analítica; práticas contemplativas;
sensibilização ambiental.
Resumo Expandido: O ensino superior é um ambiente formador e mediador da inserção
profissional e social dos indivíduos, de modo que as experiências presentes nos processos educacionais possuem um potencial para a transformação do tecido social e para a realização criativa do trabalho (SOUZA, 2016). A educação ambiental se insere no currículo acadêmico com base no artigo 32 da Lei 9.394 de 1996 que roga sobre a compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, da tecnologia, das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade. Nas áreas de estudo da psicologia, a educação ambiental se articula às noções de formação de subjetividade, identidades e pluralidades. Entre as possibilidades da prática no cenário universitário, a sensibilização ambiental consiste em uma estratégia ativa de ensino, com base na afetividade e na percepção para ampliar e incrementar a formação crítica e participativa. Essa proposta pode ser realizada em diferentes contextos, não necessariamente em uma disciplina específica, mas entre as temáticas de cada área de ensino. Entre as áreas da psicologia, a perspectiva analítica representa uma proposta psicodinâmica, originada nos estudos de Carl Gustav Jung (1875-1961) e sistematizada por diversos autores, se entrelaça à educação ambiental ao considerar que é possível restringir a transmissão de conhecimentos sem a inclusão da observação atenta e a reflexão sobre atitudes individuais e coletivas (WAHBA, 2007). Outro ponto comum é o conceito de totalidade, que abrange a aproximação por um viés sistêmico e de integração com as diferentes completudes que compõe a pessoa, dessa maneira o ensino da psicologia analítica se aproxima com a educação ambiental por requerer uma postura prática-integrativa durante o período de formação. Como forma de ampliar a formação acadêmica nesse conteúdo, algumas instituições se utilizam de grupos de estudos, nos projetos de extensão ou ensino. Objetivou-se, neste relato de experiência, apresentar uma adaptação da prática de presentificação aplicada a fim de incrementar a percepção ambiental em um projeto de ensino em psicologia analítica. A prática foi realizada na adaptação de uma técnica contemplativa utilizada pela psicologia analítica e denominada de presentificação, nela
18 Discente do programa de Pós-Graduação em Tecnologias Limpas - PPGTL do Centro Universitário Cesumar
– UNICESUMAR, Maringá – PR. [email protected]. Bolsista CAPES.
19 Docente dos Programas de Mestrado em Tecnologias Limpas e Promoção da Saúde do Centro Universitário Cesumar – UNICESUMAR, Maringá – PR. Pesquisadora do Instituto Cesumar de Ciência, Tecnologia e Inovação
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existe a orientação da percepção e das funções da consciência para ampliar a experiência do entorno e dos processos subjetivos. O encontro foi realizado intencionalmente ao ar livre e, com base no cronograma do projeto, foram abordados os conceitos de consciência e do complexo do eu, assim como de percepção ambiental e saúde mental, introduzidos pelas discussões que a vivência da técnica favoreceu. Participaram 13 acadêmicos do projeto e, após a apresentação dos conceitos, buscou-se promover o contato com a natureza e a percepção do entorno por meio da facilitação guiada, em que os estudantes foram convidados para direcionar sua atenção ao ambiente, presentificar-se e experimentar as sensações percebidas. A proposta teve duração de oito minutos e nenhum estímulo diferente do ambiente natural foi incrementado. Em seguida, houve a discussão sobre a dinâmica, entre os temas abordados, alguns estudantes apontaram que estar em um ambiente diferente da sala de aula provocou certo “estranhamento”, outros relataram a sensação de relaxamento e foco; igualmente, houve a percepção e a descoberta de um campus, até então não vivenciado pelos acadêmicos, um espaço que permite o compartilhamento, a convivência e o lazer. Conclui-se que ao estimular a percepção ambiental foi possível não apenas a percepção dos elementos físicos, mas também a interpretação e a construção de significados (KUHNEN, 2011). O contato com a natureza vinculado à prática contemplativa, pode facilitar as funções cognitivas, sociais e emocionais. Sugere-se, para novas intervenções e pesquisas, a sistematização e análise profunda do uso de técnicas contemplativas para favorecer a educação ambiental. A inclusão da técnica da presentificação motivou o debate e a ampliação do conceito de consciência e complexo do eu, bem como, a aprendizagem por meio da experiência afetiva. A possibilidade de debater a educação ambiental entre os conceitos e disciplinas, conforme exposto, foi fundamental para incrementar, não apenas a aprendizagem sobre as vivências cotidianas do meio ambiente, mas também para revelar e sustentar que é possível inserir a sensibilização ambiental em diferentes disciplinas e espaços acadêmicos.