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3.1 ESPÉCIES DE ESTABILIDADE

3.1.2 Estabilidade provisória

3.1.2.1 Estabilidade da empregada gestante

3.1.2.1.3 Pedido de demissão

De acordo com o que prevê o Ato das Disposições Constitucionais Transitórias e a Consolidação das Leis do Trabalho, é vedada a dispensa arbitrária ou sem justa causa da

empregada gestante em período de estabilidade provisória. Logo, havendo a ocorrência de uma situação que se configure como justa causa, permitida está à dispensa (BRASIL, 1988; BRASIL, 1943).

Embora não haja previsão legal expressa neste sentido, de acordo com o entendimento jurisprudencial, não é garantida a estabilidade provisória à empregada gestante que pede demissão da empresa, uma vez que, nestes casos, não há dispensa sem justa causa, na verdade, há apenas a vontade da obreira de desligar-se do empregador, caracterizando, portanto, renuncia ao direito de garantia de emprego.

De acordo com a jurisprudência abaixo colacionada (Recurso Ordinário n. 0001162-36.2014.5.05.0661), a empregada gestante possuí direito à estabilidade provisória nos casos em que for despedida de forma arbitrária ousem justa causa, entretanto, tal direito não lhe é garantido nos casos em que a obreira apresenta ao empregador o seu pedido de demissão, não podendo requerer posteriormente eventual reintegração ou pagamento de indenização em virtude da dispensa:

PEDIDO DE DEMISSÃO. EMPREGADA GESTANTE. VALIDADE. CONTRATO DE EXPERIÊNCIA. É válido o pedido de demissão da empregada gestante, uma vez que foi sua a iniciativa de romper o liame empregatício. O direito à estabilidade provisória prevista no art. 10, inciso II, alínea b, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias engloba apenas os de dispensa arbitrária ou sem justa causa, não havendo qualquer restrição quando o pedido é apresentado pela gestante. (BAHIA, 2015).

A jurisprudência oriunda do Tribunal Regional do Trabalho de 4a Região (Recurso Ordinário n. 0020453-79.2016.5.04.0402) também prevê que, nos casos em que a obreira apresenta o seu pedido de demissão ao empregador, não lhe é garantido o direito de estabilidade provisória no emprego, uma vez que, de acordo com o Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, tal direito só é assegurado nos casos de dispensa arbitrária ou sem justa causa:

ESTABILIDADE PROVISÓRIA. EMPREGADA GESTANTE. VALIDADE DE PEDIDO DE DEMISSÃO. Não demonstrada a existência de vício de consentimento capaz de anular o pedido de demissão formulado pela empregada, não há falar em garantia de emprego à gestante, pois, nos termos do artigo 10, II, letra b, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da CF, esta é assegurada na hipótese de despedida arbitrária ou sem justa causa. (RIO GRANDE DO SUL, 2017a).

O julgado colacionado (Recurso Ordinário n. 0021601-72.2015.5.04.0334) corrobora com a informação trazida, no sentido de que não é assegurada a garantia de emprego à gestante nos casos em que ela própria pede demissão, haja vista que não foi demitida sem justa causa ou com arbitrariedade, conforme prevê a legislação:

ESTABILIDADE PROVISÓRIA. EMPREGADA GESTANTE. VALIDADE DE PEDIDO DE DEMISSÃO. Não demonstrada a existência de vício de consentimento

capaz de anular o pedido de demissão formulado pela empregada, não há falar em garantia de emprego à gestante, pois, nos termos do artigo 10, II, letra b, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da CF, esta é assegurada na hipótese de despedida arbitrária ou sem justa causa. ADICIONAL DE INSALUBRIDADE. OPERADORA DE TELEMARKETING. O trabalho com uso de fone de ouvido, por ser similar à função de telefonista, dá direito ao trabalhador à percepção de adicional de insalubridade em grau médio, nos termos do Anexo 13 da NR-15 da Portaria 3.214/78 do Ministério do Trabalho e Emprego. Inteligência da Súmula 66 deste Tribunal. (RIO GRANDE DO SUL, 2017b).

Confirmando o entendimento dos Tribunais Regionais do Trabalho, o Tribunal Superior do Trabalho emitiu Acórdão no mesmo sentido (Recurso de Revista n. 1760- 50.2013.5.09.0002), prevendo que a estabilidade provisória é assegurada à gestante com o intuito de impedir dispensas arbitrárias ou sem justa causa, contudo, não havendo qualquer óbice ao rompimento do vínculo laboral, quando o pedido de demissão partiu da própria empregada:

AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA – PROCEDIMENTO SUMARÍSSIMO – RECURSO INTERPOSTO SOB A ÉGIDE

DO CPC/73 E APÓS A VIGÊNCIA DA LEI NO 13.105/2014 – GESTANTE –

PEDIDO DE DEMISSÃO – RESCISÃO POR INICIATIVA DA EMPREGADA – ESTABILIDADE PROVISÓRIA – INEXISTÊNCIA. O art. 10, II, b, do ADCT protege a empregada gestante da dispensa arbitrária ou sem justa causa, não lhe assegurando nenhum direito na hipótese de rompimento do pacto laboral por sua iniciativa. Agravo de instrumento desprovido. (BRASIL, 2016a).

Outra situação a se destacar é quando a empregada gestante pede demissão e, somente após, tem conhecimento do seu estado gravídico. Conforme se pode extrair da parte final do julgado abaixo transcrito (Recurso Ordinário n. 0002238-31.2013.5.07.0029), mesmo que quando da apresentação do pedido de demissão a empregada desconheça que está grávida, ainda assim não lhe será assegurada a estabilidade provisória:

RECURSO ORDINÁRIO DA RECLAMADA. DOENÇA OCUPACIONAL. INDENIZAÇÃO DECORRENTE DE DANOS MORAIS. A teor do art. 157, da CLT , c/c o § 1.º , do art. 19 , da Lei N.º 8.213 /1991, a empresa é responsável pela adoção e uso das medidas coletivas e individuais de proteção e segurança da saúde do trabalhador. No caso, restou provado nos autos que a reclamada não propiciou a realização das medidas protetivas suficientes para se evitar o surgimento de doença ocupacional (culpa patronal), bem como o laudo pericial atestou o nexo causal entre as atividades realizadas pela obreira e a doença adquirida. Desta forma, confirma-se a sentença quanto à condenação em indenização a título de danos morais decorrente de doença ocupacional. Sentença confirmada neste ponto. HONORÁRIOS

ADVOCATÍCIOS. RECLAMANTE ASSISTIDO POR SINDICATO.

PAGAMENTO DEVIDO. O Tribunal Superior do Trabalho editou a Súmula N.º 219, definindo os requisitos para a concessão de honorários advocatícios na Justiça do Trabalho. Na vigência da Súmula citada, há de prevalecer a decisão da maioria dos membros desta Corte que se alinharam à posição do TST. No caso presente, encontrando-se o reclamante assistido pelo sindicato da sua categoria profissional, divisa-se o preenchimento dos requisitos necessários à concessão da verba honorária. Sentença confirmada nesse tópico. RECURSO ADESIVO DA RECLAMANTE. ESTABILIDADE DA GESTANTE. PEDIDO DE DEMISSÃO. DESCONHECIMENTO DA GRAVIDEZ PELA EMPREGADA. VIOLAÇÃO AO ART. 10, II, B, DO ADCT E CONTRARIEDADE À SÚMULA N.º 244 NÃO

CONFIGURADAS. Segundo a Jurisprudência do TST, a empregada não tem direito à estabilidade conferida à gestante, quando esta pede demissão por iniciativa própria, ainda que desconhecesse o seu estado gravídico. Sentença mantida neste ponto. Recursos ordinário e adesivo conhecidos e improvidos. (CEARÁ, 2017).

Do mesmo modo, a jurisprudência colacionada (Recurso Ordinário n. 0011211- 89.2013.5.01.0045) revela que se a confirmação da gravidez pela empregada ocorreu apenas após a ruptura do contrato de trabalho, sendo que foi a própria empregada que requereu o seu desligamento da empresa, não há que se falar em estabilidade provisória, considerando-se que houve, portanto, renúncia ao direito de estabilidade:

GESTANTE GRAVIDEZ CONFIRMADA APÓS DEMISSÃO - ESTABILIDADE - INEXISTÊNCIA. Provados nos autos que a confirmação da gravidez se deu após a ruptura do contrato temporário, não há que se falar em estabilidade, nem, consequentemente, em pagamento da indenização respectiva. Sentença que se mantém. (RIO DE JANEIRO, 2016).

Entretanto, em que pese claramente demonstrados os entendimentos acima transcritos, no sentido de que, tendo a própria empregada apresentado pedido de demissão, não lhe é assegurada a garantia de emprego, uma vez que houve renúncia à estabilidade, mesmo que não soubesse da gravidez, a recente decisão do TST (Recurso de Revista n. 20730-50.2016.5.04.0029) foi no sentido de que terá a estabilidade assegurada a empregada que, quando pediu demissão, desconhecia o seu estado gravídico, consoante a jurisprudência acima colacionada:

AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA DA RECLAMADA. ACÓRDÃO REGIONAL PUBLICADO NA VIGÊNCIA DA LEI 13.105/2015. ESTABILIDADE PROVISÓRIA DA EMPREGADA GESTANTE. DESCONHECIMENTO DA GRAVIDEZ NO MOMENTO DO PEDIDO DE DEMISSÃO. A estabilidade da gestante encontra-se prevista no art. 10, II, b, do ADCT, que exige, para sua plena configuração, que a empregada esteja grávida na data de sua dispensa do emprego; ou seja, a estabilidade decorre do próprio fato da gravidez. O fato de a autora ter formulado pedido de demissão e, só após, constatar o seu estado gravídico prévio, não compromete o seu direito à estabilidade prevista no referido artigo 10, II, b, do ADCT/CF, uma vez que a estabilidade provisória da gestante é uma garantia também ao nascituro, e não apenas à genitora. Caso contrário, estar-se-ia admitindo verdadeira renúncia à estabilidade provisória da gestante. Ademais, fixando a lei critério objetivo da definição do direito à estabilidade, não se mostram importantes questões paralelas, porquanto a “confirmação da gravidez” a que se refere a norma constitucional diz respeito ao fato da gravidez em si. Agravo de instrumento conhecido e desprovido. (BRASIL, 2018d).

È possível verificar, portanto, que a jurisprudência não é pacífica quanto ao tema, tendo em vista que ora favorece a empregada, ao argumento de que, após a descoberta da gravidez, pede a reconsideração do pedido de demissão, demonstrando o interesse em permanecer vinculada à empresa e, ora favorece o empregador, ao argumento de que não há

proteção à empregada gestante quando ela própria opta por desligar-se da empresa (EMPREGO&NEGÓCIO, 2018).