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Pedindo bem

No documento O PODER DA FÉ EM JESUS (páginas 47-184)

Entendendo, e pedindo mais amor

Nos primeiros meses de minha conversão, eu orava a Deus pedindo sabedoria para transmitir com excelência o que o Espírito Santo ministrava em minha vida, mas depois de dois anos de intimidade com o Espírito Santo, percebi que não fui chamado para ser um sábio, mas para ser um servo que anuncia o amor e a salvação de Jesus, a qual foi manifesta na terra de forma muito simples. Na busca por mais intimidade com o Senhor, o Espírito Santo me ensinou que a sabedoria e o conhecimento não são a essência da vida em abundância que Jesus oferece às pessoas:

"Porque na muita sabedoria há muito enfado; e o que aumenta em conhecimento, aumenta em dor" (Eclesiastes 1.18).

"... O conhecimento incha, mas o amor edifica." (1 Coríntios 8.1).

"E, para que não me exaltasse pelas excelências das revelações, foi-me dado um espinho na carne..." (2 Coríntios 2.7).

Os dons de conhecimento da palavra de sabedoria passarão, mas o amor de Deus, o gozo eterno em sua presença, permanecerá para sempre (1 Coríntios 13.8-10).

Uma pessoa cheia de sabedoria pode não ser cheia de amor, mas toda pessoa cheia do amor de Deus é sábia em Deus. A palavra de sabedoria é um dom que Deus concede ao servo, mas o amor é a própria presença do Criador dos dons enchendo a vida do servo.

O servo que ama o seu Senhor não se importa em ser ou não ser

48 sábio, mas a sua vontade é fazer com que as obras de Jesus sejam conhecidas. Na realidade, a sabedoria consiste em não se considerar sábio (1 Coríntios 8.2). Não é por capacidade que se adquire a verdadeira sabedoria, mas por meio de um coração que se rende ao amor de Deus. Se o servo se considerar sábio, ele estará limitando a sabedoria que ele pode adquirir na caminhada com Deus.

A humildade vale mais do que a inteligência, e o amor vale mais do que o conhecimento. Existem pessoas inteligentes que são insuportáveis e arrogantes. Elas podem usar a inteligência para inventar algo que facilita a vida das pessoas, no entanto, podem causar grandes danos ao seu próximo com palavras de desprezo. No entanto, é óbvio que nem todos os inteligentes são insuportáveis e arrogantes, mas há pessoas inteligentes e humildes. A inteligência não pode ser relacionada com a arrogância porque Deus é um ser inteligente. Na realidade o amor de Deus também produz inteligência, e a sabedoria do alto vem ao servo através do amor.

Portanto, entende-se que o perfeito meio de se relacionar com o ser-humano é o amor. Onde há amor não há discriminação, preconceito, intolerância, sarcasmo, impaciência, insensatez, orgulho, soberba, e vários outros maus atributos.

A sabedoria sem o amor vai fazer com que o servo se ocupe em coisas que perecem, como fez Salomão:

“E olhei eu para todas as obras que fizeram as minhas mãos, como também o trabalho que eu, trabalhando, tinha feito; e eis que tudo era vaidade e aflição de espírito e que proveito nenhum havia debaixo do sol.” (Eclesiastes 2.11).

No entanto, a sabedoria com amor vai fazer com que o servo se ocupe em coisas que permanecem eternamente, e a única coisa que permanece eternamente é próprio amor. Todas as coisas terrenas, todos os dons, todo o conhecimento que Deus tem concedido aos seus servos cessará, mas o amor não cessará. Salomão disse que a sabedoria é mais excelente do que a tolice (Eclesiastes 2.13), mas em seguida ele

49 disse que o fim da sua vida de sabedoria seria conforme o fim dos tolos (Eclesiastes 2.15). No entanto, ele não disse com isso que o entendimento é inútil, mas disse que utilizar o entendimento para se empenhar em coisas passageiras, como ele fez, é um trabalho vão.

Portanto, o necessário é que o entendimento tenha como alvo aprender sobre o amor de Deus, pois a única coisa que o homem levará dessa vida para a eternidade é o amor.

A utilidade do entendimento não pode redundar em outro trabalho que não seja em função do amor, pois é necessário amar a Deus com todo o entendimento. Se a finalidade do entendimento não for aprender mais sobre o amor, este entendimento será uma vaidade na vida do servo. Por esse motivo Paulo também disse que é necessário que o amor cresça em todo o conhecimento:

“E peço isto: que o vosso amor cresça mais e mais em ciência e em todo o conhecimento.” (Filipenses 1.9).

O entendimento nada mais é do que um esclarecimento. Quando é esclarecido ao homem temente a Deus o que realmente tem valor, ele vai viver em função do que lhe foi esclarecido. Quando é esclarecido ao homem qual é o real tesouro de valor, que é o próprio Deus (pois nada que ele criou pode ser mais excelente e valoroso do que ele mesmo) então ele vai viver em função de desfrutar desse tesouro e levar pessoas a também desfrutar. No entanto, a base do prazer em Deus é o amor. Quem ama é capaz de sofrer e de se gastar pelo que ama, pois as aflições não podem ser maiores do que o amor de Deus e o amor por Deus.

Portanto, o entendimento em si não é suficiente para santificar, mas é só o amor que santifica, e o amor é adquirido quando se recebe mais do Espírito de Deus, porque Deus é amor:

“Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor.”

(1 João 4.8).

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Pedindo o necessário

Não se vê nas escrituras exemplos dos apóstolos clamando a Deus pelas finanças dos crentes, pelos seus negócios, por sucesso profissional, por ‘livramento’ de acidentes, ou para que não haja doença entre eles. O evangelho de hoje, na maioria dos casos, é um evangelho humanista, em que o crente é o centro, e Deus é o mediador entre ele e a “bênção”. Eles constantemente dizem: ‘se você não adorar, não receberá a bênção’. O cristão adora a Deus porque é um adorador e não pela motivação em receber algo em troca. A bênção do cristão é Cristo. Jesus ensinou na oração do ‘pai nosso’ que o crente deve clamar para que seja feita a vontade de Deus, e há casos em que é necessário passar por problemas nessa vida. Portanto, o que se deve pedir, relacionado às coisas dessa vida, é que a vontade do Senhor seja feita. Quando Jesus ensina a pedir para se estar livre de todo o mal, isso significa estar livre de tudo aquilo que irá afastar o cristão da presença de Deus, pois, muitas vezes, passar por problemas nessa vida não é um mal, mas uma oportunidade de renunciar a si mesmo e se tornar mais íntimo e cheio de Cristo. Paulo testemunha que sofreu três naufrágios, inúmeros ataques inimigos, falta de dinheiro, perigo de roubos, até mesmo fome, por causa do evangelho (1 Coríntios 4.11-16, 2 Coríntios 11.24-27), mas não clamava em suas cartas por livramento de tais problemas, pois tudo isso são consequências da vida entregue a Cristo; quanto mais o cristão se entregar, mais ele passará por adversidades nesse mundo. Os apóstolos não clamavam por ‘milagres na vida financeira’, profissional, por livramento de acidentes, roubos, ou algo do tipo, mas o clamor incessante deles era voltado para o relacionamento com Deus.

É necessário entender que o mais comum é que os chefes requeiram as coisas dos seus funcionários e não o contrário. É mais comum que os funcionários sirvam os seus chefes. O servo pode até pedir algo ao Senhor, contudo, é necessário reconhecer que o Senhor também pede algo do servo, e é necessário que o servo obedeça, para que a relação

51 de intimidade não acabe. Todavia, a intimidade termina, não pelo afastamento do Senhor e sim do crente, o qual se afasta ao se rebelar.

Na oração, que é o diálogo entre o servo e o Senhor, o Espírito de Deus requer do servo coisas que vão lhe custar algo, e é por isso que muitos não vivem e nem entendem os caminhos de Deus, pois preferem se fecharem e deixar de acreditar que o Senhor está lhes direcionando nesse caminho de renúncia do que se entregarem e viver direcionados pela fé.

João ensinou em sua carta que não é errado pedir, no entanto, é necessário que o pedido esteja em concordância com a vontade do Senhor; é necessário que os pedidos sejam feitos segundo a sua vontade:

“E esta é a confiança que temos nele, que, se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve.” (1 João 5.14).

Na oração do Pai nosso Jesus ensinou que antes de pedir alguma coisa, como o pão de cada dia, é necessário oferecer o seguinte clamor:

"Venha teu reino, seja feita tua vontade, assim na terra como no céu;" (Mateus 6.10).

Quando Deus reina sobre o servo, e a sua vontade é feita, e com isso os pedidos dos servos não são mais feitos para satisfazer o próprio ego, mas tudo que for pedido estará relacionado com os propósitos de Deus. Portanto, antes de pedir alguma coisa, é necessário santificar o Senhor em si mesmo para que ele reine, e quando ele estiver reinando, a vontade dele será feita, tanto na terra como no céu, pois somente dessa forma os pedidos do servo estarão em concordância com a vontade de Deus. Com isso, o pedido será apenas o pão diário e não pedidos para que seja realizado planos futuros quando não se sabe qual é a perfeita vontade de Deus e os seus propósitos para o futuro.

Em Mateus 7.8-11 Jesus ensinou os seus seguidores a pedirem, mas

52 não ficou especificado o que se deve pedir, e como deve ser pedido.

Portanto, é necessário esclarecer que essa passagem de Mateus é complementada pela passagem de Lucas 11.9-13, as quais tratam da mesma fala de Jesus. Através da passagem de Lucas entende-se que em Mateus 7.8-11 Jesus não estava ensinando a pedir bens materiais, ou qualquer outra coisa, mas estava ensinando a pedir o verdadeiro bem, que é o Espírito Santo:

“E eu vos digo a vós: Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis;

batei, e abrir-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á;

Porque qualquer que pede recebe; e quem busca acha; e a quem bate abrir-se-lhe-á. E qual dentre vós que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, também, se lhe pedir peixe, lhe dará por peixe uma serpente? Ou, também, se lhe pedir um ovo, lhe dará um escorpião? Pois se vós, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?” (Lucas 11.9-13).

Além de pedir o Espírito Santo, Jesus também ensina que se deve pedir o sustento físico e diário, não mais do que isso. Contudo, não o sustento próprio, apenas, mas o “pão nosso”:

"O pão nosso de cada dia nos dá hoje;" (Mateus 6.11).

É necessário que o cristão peça apenas o pão diário (e não uma provisão para muitos dias) porque ele deve depender de Deus todos os dias. As pessoas passam a depender mais de Deus quando estão passando por dificuldade financeira, pois não tendo mais dinheiro para apoiar a sua confiança, elas sentem a necessidade de apoiar a confiança em Deus. Mas depois que elas conseguem uma estrutura financeira, a confiança estará apoiada no dinheiro e não mais em Deus.

Na provação do deserto, ruma à terra prometida, Deus também mostrou que a sua vontade é que o seu povo dependa da sua provisão todos os dias, e não da falsa segurança humana. O Senhor não permitia

53 que o povo recolhesse pão para mais de um dia, pois ele disse a Moisés que os alimentaria todos os dias (Êxodo 16.15-21).

Quando Jesus precisou de dinheiro para pagar o imposto a Roma, ele fez um milagre (Mateus 17.27). Ele tinha poder para fazer com que Pedro retirasse muito dinheiro da boca do peixe - dinheiro suficiente para eles se manterem confortáveis e sem se preocupar com as contas ou com a comida por muitos meses ou anos. No entanto, Jesus ordenou Pedro a retirar apenas o suficiente para pagar o imposto, pois a segurança do servo não pode estar apoiada no dinheiro, mas em Deus. Se o Senhor colocar muito dinheiro nas mãos do servo, esse dinheiro não será do servo, mas deverá ser utilizado na finalidade de socorrer os necessitados (2 Coríntios 9.9; Tiago 1.27, 2.15-16). O cristão não necessita de outro senhor (o dinheiro) para se alegrar, mas a sua verdadeira alegria é a comunhão com o Senhor Criador.

Portanto, como o Senhor Jesus ensinou, o servo deve pedir, hoje, o alimento de hoje, e se amanhã ele estiver vivo, ele pedirá, amanhã, o alimento de amanhã. O servo não deve se preocupar com o que ele vai comer ou vestir no futuro:

"Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos? Porque todas estas coisas os gentios procuram. Vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas elas. Mas buscai primeiro o reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas." (Mateus 6.31-33).

Quando Jesus diz nessa passagem que deve-se buscar o reino de Deus para que as coisas sejam acrescentadas, ele estava se referindo apenas ao que comer e vestir e não a bens materiais, como mostra a passagem: “Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos?”. Jesus jamais prometeu bens materiais para aqueles que o seguirem, mas prometeu que eles nunca estariam desamparados, pois ele estaria com eles sempre, por meio do seu Espírito.

Há crentes que se gabam de fazer orações longas, de três, cinco, dez horas. No entanto, se nessa oração não houver uma entrega total para

54 que a vontade de Deus seja realizada, poucos serão os frutos do Espírito, pois as vontades de Deus são diferentes das vontades humanas. O Senhor bem sabe que os pensamentos do homem são vaidade, como está escrito:

“O Senhor conhece os pensamentos do homem, que são vaidade.”

(Salmos 94.11).

Os pensamentos de Deus são diferentes dos pensamentos do homem:

“Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor.” (Isaías 55.8).

Um dos motivos pelos quais o Senhor não atentava para o jejum do povo de Israel era o fato de eles jejuarem para buscar o próprio contentamento, buscando a Deus com a intenção de receber algo em troca:

“Eis que no dia em que jejuais achais o vosso próprio contentamento, e requereis todo o vosso trabalho.” (Isaías 58.3).

Portanto, o servo não deve orar para adquirir coisas que vão tirá-lo da comunhão com o Espírito Santo, mas ele deve orar para que Deus tire dele o que lhe tira da presença de Deus.

Está escrito nas escrituras que o servo pode pedir (João 16.23), mas também está escrito que muitos pedem e não recebem porque pedem mal, porque pedem para gastar nos seus próprios deleites (Tiago 4.3), ou seja, pedem apenas para o proveito próprio. Deus não concede ao homem pedidos egoístas, pois as realizações egoístas afastam as pessoas ainda mais do Senhor; se há alguma força sobrenatural concedendo petições egoístas às pessoas, essa força não é Deus.

Portanto, o servo só estará preparado para pedir, quando ele for

55 santificado no Senhor, quando o Senhor estiver reinando na sua vida, quando a vontade do Senhor estiver sendo feita, então o servo pedirá o pão de cada dia, e não apenas o seu pão, mas o “pão nosso”.

Os pedidos do servo não podem ser maquinados na mente, mas devem ser ministrados pelo Espírito Santo em oração, portanto, mesmo que o homem seja muito íntimo de Deus, os seus pedidos pessoais não entrarão em concordância com a vontade de Deus, como aconteceu com Moisés:

“Rogo-te que me deixes passar, para que veja esta boa terra que está além do Jordão; esta boa montanha, e o Líbano! Porém o Senhor indignou-se muito contra mim por causa de vós, e não me ouviu; antes o Senhor me disse: Basta; não me fales mais deste assunto;” (Deuteronômio 3.25-26).

A escritura diz que o servo pede e não recebe porque ele pede mal (Tiago 3.3), portanto, ao fazer um pedido pessoal, Moisés pediu mal;

Deus sempre concedia os pedidos de Moisés, pois ele passou a sua vida toda pedindo misericórdia para com os pecadores, mas quando ele fez um pedido para o seu próprio deleite, ele recebeu um não, pois não foi achado digno de receber. Da mesma forma os cristãos também não são achados dignos, pois todos pecaram, e por esse motivo, o cristão deve ter como objetivo viver nessa terra a proclamar a salvação de Jesus aos povos, e não viver em deleites enquanto há muitos que precisam de Jesus.

Deus não é um gênio da lâmpada, o qual o servo o carrega na sua mão e o invoca para conceder os seus pedidos. Jesus disse muitas vezes que o servo pode pedir, mas tudo que ele ensinou a pedir foi o Espírito Santo e o “pão nosso”. Jesus também disse que só vai responder os pedidos se o servo estiver nele (João 15.7), e aquele que diz estar em Cristo deve andar como ele andou (1 João 2.6), e andando como ele andou, o servo não pedirá nada para si mesmo, pois, Jesus nunca pediu nada para o seu benefício próprio. A única vez em que Jesus pediu algo para si mesmo foi quando ele estava sofrendo um

56 terrível ataque interior, por causa dos pecados do homem, o qual o fez até suar sangue, que poderia mata-lo antes de ele sofrer tudo que era necessário que ele sofresse pelos pecados. No entanto, ao pedir ao Pai que fosse afastado dele aquele cálice de sofrimento, ele disse também que fosse realizada a vontade de Deus e não a sua vontade (Mateus 26.39), mostrando como que se deve direcionar a Deus quando for pedir algo.

Está escrito que o Senhor ouve as orações dos justos (Tiago 5.16), no entanto, quando o justo pede algo em favor de si mesmo, que está fora dos propósitos do evangelho, Deus se recusa a ouvir o pedido, como aconteceu no caso de Paulo, o qual, mesmo já tendo ido ao terceiro céu, recebeu um não da parte de Deus quanto ao que pedia, pois o terrível problema que ele estava sofrendo era necessário em sua vida para que ele se fortalecesse no amor de Deus, rumo à estatura de Cristo:

“E, para que não me exaltasse pela excelência das revelações, foi me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de satanás para me esbofetear, a fim de não me exaltar. Acerca do qual três vezes orei ao Senhor para que se desviasse de mim. E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo.” (2 Coríntios 12.7-9).

O servo pode até pedir para o Senhor o livrar de um tormento, ou uma doença, mas é necessário que ele também peça que a vontade de Deus seja feita e não a sua, caso contrário, ele irá pedir e pedir, e depois ouvir do Senhor que a sua graça lhe basta, como aconteceu com Paulo.

Vivendo os projetos do Senhor

A escritura diz que os projetos do Senhor não podem ser frustrados (Jó 42.2), no entanto, o projeto de Deus na vida do crente só será

57 realizado se ele der lugar ao Senhor e deixa-lo realizar a boa obra em sua vida; se o serviço fosse realizado apenas pelo Senhor, o projeto não seria frustrado em hipótese alguma, contudo, o fato é que o servo às vezes interfere no serviço. Portanto, é necessário entregar toda a direção ao Espírito Santo, para que o projeto seja realizado com sucesso.

Portanto, não é nada bom que o servo faça projetos de vida; o que ele deve fazer é entregar o seu caminho ao Senhor e confiar nele, pois ele tudo o fará (Salmos 37.5). É necessário que o servo se esvazie de si mesmo e deixe que o Espírito Santo o guie e interceda por ele, pois o homem não sabe pedir como convém (Romanos 8.26). Entregar os caminhos ao Senhor significa entregar os próprios projetos ao Senhor, confiar nele, e passar a viver os projetos que ele estabeleceu; viver os projetos do Senhor consiste em ter os seus passos dirigidos pelo Senhor, conforme está escrito:

“Os passos do homem são dirigidos pelo Senhor; como, pois, entenderá o seu caminho?” (Provérbios 20.24).

O versículo acima ajuda na compreensão da frase enigmática de Jesus direcionada a Nicodemos:

“O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito.” (João 3.8).

O homem que é nascido do Espírito passa a ser direcionado pelo vento do Espírito Santo, no entanto, ele não sabe de onde veio esse Vento, e nem sabe para onde esse Vento vai conduzi-lo, mas o que ele sabe é do grande amor do Senhor que ele recebeu no seu espírito, por esse motivo ele se submete ao Senhor e se permite ser conduzido.

O homem que tem os seus passos dirigidos pelo Senhor não pode entender o seu caminho porque as obras daquele que dirige os seus passos não são reveladas de imediato:

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“Assim como tu não sabes qual o caminho do vento, nem como se formam os ossos no ventre da mulher grávida, assim também não sabes as obras de Deus, que faz todas as coisas.” (Eclesiastes 11.5).

Os projetos de Deus na vida do homem não são esclarecidos de imediato, mas são revelados aos poucos, da mesma forma com que aconteceu com Abraão, o qual saiu da sua terra para ir a um lugar que ele não sabia, também Davi o qual foi ungido rei, mas não sabia como e nem quando se assentaria no trono, e também os apóstolos os quais andavam por fé e não por vista (2 Coríntios 5.7).

Portanto, o servo não deve fazer os seus próprios projetos de vida, mas deve confiar no Senhor, para que, por meio dessa confiança, se entregar cada vez mais e mais, e assim buscar entender aos poucos qual é a vontade dele em sua vida:

“Por isso não sejais insensatos, mas entendei qual seja a vontade do Senhor.” (Efésios 5.17).

Os crentes vivem fazendo os seus próprios projetos de vida porque não vivem o temor do Senhor. O homem que teme o Senhor não quer desagradá-lo, e por esse motivo, busca ouvir a voz do Espírito Santo em seu espírito, para que dessa forma, ele ande segundo os caminhos que o Senhor vai lhe direcionando:

“Qual é o homem que teme ao Senhor? Ele o ensinará no caminho que deve escolher.” (Salmos 25.12).

O homem que teme ao Senhor não faz os seus próprio projetos, no entanto, isso não significa que ele vive sem projetos. As suas escolhas e os seus projetos estarão sendo feitos conforme o direcionamento do Espírito Santo em sua vida.

A vontade do Senhor é que o servo dependa dele da mesma forma que os pássaros dependem. Os pássaros não ajuntam alimentos em

No documento O PODER DA FÉ EM JESUS (páginas 47-184)

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