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PELA OBJECTIVA DE

No documento Revista zOOm 02 PDF (páginas 44-48)

CIMA:HYLES EUPHORBIAE

Canon 5D MKII . 150mm . f/14 . 1/60” . ISO 200

DIREITA:LUTRA LUTRA

Canon 5D MKII . 390mm . f/5.6 . 1/60” . ISO 1600

U

m pouco à semelhança da famosa publicidade televisiva, Luis Ferreira podia fotografar sem cor. Mas não era a mesma coisa.

É a cor que lhe permite captar em toda a sua intensidade os animais e todas as espécies da vida selvagem, que são no fundo as personagens principais do seu trabalho.

“A cor é uma ferramenta poderosíssima na trans- missão de sentimentos e emoções”, explica o fotó- grafo. E tantas são as emoções que as fotos de Luis Ferreira transmitem.

O deslumbramento, por exemplo. É fácil deslum- brarmo-nos ao contemplar a riqueza visual do voo de um pássaro, do salto de um cervo, do deslizar de uma cobra.

E muitos mais habitantes do mundo animal que a pouco e pouco Luis Ferreira vai coleccionando na sua câmara, qual arca de Noé onde parecem caber todas as espécies.

“O que me preocupa mais nas minhas imagens é conseguir uma estética dinâmica, que demonstre os animais em acção”, refere o fotógrafo a propósito do movimento, sempre presente no seu trabalho.

Um bom exemplo disso é a fotografia favorita de Luis Ferreira, onde um Neuróptero da espécie Bubopsis agrionoides – um insecto voador raro – assume uma postura dinâmica e natural sobre a fragrância do rosmaninho selvagem.

Um trabalho que exige tempo e paciência até porque “uma imagem que demora centésimos de segundo a tirar, leva semanas ou até mesmo meses a preparar e estas constituem as fotografias mais difíceis, pelo trabalho prévio que exigem”.

É o caso do Guarda-rios apanhado de saída do ninho, após alimentar as crias: “Demorei mais de um mês a conseguir aquela proximidade do ninho e fui progressivamente montando um abrigo de forma a não interferir com a criação da prole. Para a imagem foram necessários dois flashes, um flash bracket, um sistema de infra-vermelhos (que detec- ta a saída da ave e faz disparar a câmara), um tripé, o cabo disparador, mas sobretudo sorte e muita perseverança”.

Sorte, perseverança e, claro, talento, trabalhado

ESQUERDA:SALAMANDRA SALAMANDRA

Canon 5D MK II . 150mm . f/13 . 1/100” . ISO 100

ao longo de anos de aprendizagem. Inicialmente como autodidacta, Luis estudou diversos manuais de fotografia, um pouco à semelhança do que faze- mos todos nós, fotógrafos.

“Mas foi sobretudo com a experimentação que a minha prática foi evoluindo. Na minha óptica, a fotografia analógica com medições totalmente manuais foi uma grande escola. Apontava os valo- res da abertura, velocidade e sensibilidade do nega- tivo em cada imagem do rolo que, após a revelação, eram conferidos e corrigidos”, explica o fotógrafo.

Claro que numa área em permanente evolução, como é o caso da fotografia, a aprendizagem é um movimento contínuo, sempre com coisas novas para aprender. Por esse motivo, Luis define-se como um eterno aprendiz: “neste meio nunca se sabe tudo e temos de estar em constante actualização”.

Sem esquecer, obviamente, as horas passadas a observar e estudar o trabalho de outros fotógrafos. Entre os seus autores de referência, Luis Ferreira destaca artistas como Thomas Marent, Vicent Munier, Staffan Windstrand, Art Wolfe, Ingo Arndt, Miguel Lasa, Eduardo Ruiz Baltanás e outros tantos fotógrafos amigos portugueses.

O “namoro” com a fotografia começou em 1998, quando preparava uma viagem de autocarro até à Eslováquia.

“Adquiri a minha primeira máquina analógica, com o intuito de poder registar os locais que ia visi- tar. Passámos por locais fantásticos, Bilbau,

Veneza, Budapeste e Kosice. A paixão já existia, mas esta viagem funcionou como um trampolim para elevar a importância da fotografia na minha vida”, recorda.

Com 16 anos Luis dava os primeiros passos na fotografia, ainda na era do rolo fotográfico. A sua primeira câmara, uma Nikon F60, seria a sua fiel companheira, nesses primeiros anos.

Até que em 2006 decide dedicar-se ao maravilho- so mundo da fotografia de vida selvagem. Um tra- balho que tem ajudado a sensibilizar muitas pes- soas para a importância da conservação e valoriza- ção das espécies. u

PELA OBJECTIVA DE...

CIMA:RELA -HYLA ARBOREA

Canon 5D MK II . 150mm . f/16 . 1/160” . ISO 100

ESQUERDA:CAMALEÃO

Canon 5D MKII . 150mm . f/9 . 1/250” . ISO 100 L U I S F E R R E I R A LUIS FERREIRA Idade: 27 Equipamento: Canon 5D Mark II Sigma 150mm F2.8 HSM Canon 17-40mm F5L Canon 50mm F1.8 Canon 100-400 F4-5.6L Flashes http://luisferreirafotografia. blogspot.com

TALENTO

Não ProfissionalnProfissional

É uma mensagem que as suas fotografias se têm encarregado de difundir através da sua exposição “Micro-Cosmos”, bem como em diversas exposições e festivais onde participa com regularidade.

Formador na área da fotografia, Luis Ferreira reconhece a importância do trabalho de edição de imagem: “é mais uma ferramenta que pode fazer toda a diferença, quando bem utilizada”.

Ainda assim, considera que uma boa imagem não necessita de edição. Ou não fosse ele um defen- sor da beleza das coisas simples, uma espécie de minimalismo.

“Sou apologista dos fundos limpos e formas sim- ples, mas não descuro os movimentos e as compo- sições dinâmicas, que utilizo para expressar a minha linguagem artística”, esclarece o fotógrafo.

A OSGA

“A foto escolhida retrata uma Osga perspectivada de forma diferen- te. Após capturar o animal, necessitei de um vidro bem limpo, onde o coloquei para conseguir a imagem do seu abdómen.

Posicionei-me sob o vidro para que, com a ajuda de dois flashes sincronizados através de infra-vermelhos e posicionados de forma rasante, conseguisse o resultado pretendido.”

ESQUERDA:ANDORINHAS

Canon 5D MKII . 400mm . f/5.6 . 1/1000” . ISO 400

BAIXO:OSGA

Canon 30D . 150mm . f/14 . 1/250” . ISO 100

BAIXO:TRITAO DE VENTRE LARANJA

Canon 5D MK II . 150mm . f/9 . 1/80” . ISO 400

Uma linguagem que descreve cenários inespera- dos, como aquele que Luis Ferreira descobriu um dia, durante uma das suas caminhadas em busca de seres “fotografáveis”.

Deparou-se com uma manilha de saneamento semi-aberta e, ao espreitar para o seu interior, encontrou sete animais de três espécies distintas – tritão-marmorado, sapo-comum e a cobra-de-água- viperina – a conviverem pacificamente num espaço de apenas 70 centímetros de diâmetro.

Clic, clic, clic… e já está! Sete novos passageiros da Câmara de Noé. Ou antes, a Câmara de Luis Ferreira. Moral da história: “a Natureza surpreende- nos onde menos esperamos e são estes momentos que transformam a fotografia numa arte apaixo- nante”.

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FOTO AVENTURA

No documento Revista zOOm 02 PDF (páginas 44-48)