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I- INTRODUÇÃO

3.4. Pensando, Refletindo sobre Componente Educação-Cuidado

Quanto às questões educativas utilizadas, tive o apoio dos referenciais sistêmicos, construtivistas e uma perspectiva participante com vista na dinâmica dialética. O binômio cuidador-pesquisador - enfermeiro, possibilitou que estes atores construíssem seus caminhos e esta pode ser a melhor maneira de cuidar de quem está vivenciando uma situação de desvalorização profissional, numa perspectiva de cuidado construtivo. Como escreve Ros (1997, p. 86),

“toda relação humana é educativa (...), a educação é uma experiência psicológica baseada em regras, princípios ou normas gerais de comportamentos. Estas regras, princípios, normas que subjazem ou forjam comportamentos correspondem a formações sociais advindas da materialidade das relações humanas produzidas pelos homens entre si e aprendidas ou representadas na mente humana de acordo com as relações sociais”.

Rosa (1994) diz qiie a finalidade da educação é a sua vida, o método, o alimento que põe em ação os mecanismos que dão sentido aos fins do processo educativo.

Para Critelli (1981, p. 41), “a ação educacional é uma ação, é um fazer que em si mesmo não é ciência. A educação não é ciência como teoria do real, ela é a ação de arrancar de..., conduzindo para...”

O processo educativo, seja ele específico ou não, quando exercido de modo intencional pode gerar organização e ampliar as condições de cidadania da população, conseqüentemente, mobilizando-a para seus enfrentamentos e ações, no sentindo de contribuir para melhoria da sua qualidade de vida. Este é um processo que exige co- responsabilidade, auto determinação e participação, elementos que existem, na medida em que os indivíduos possuem conhecimento da realidade que os cerca.

A Educação em Saúde não é algo que se faz de maneira estanque, ela pressupõe um processo. É parte do processo de desenvolvimento cultural, social, político e econômico. Consegue afirmar-se por etapas, a longo prazo, e seus ganhos são mais qualitativos que quantitativos (Pilon,1986).

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indivíduos, contribuindo para a transformação de suas condições de vida e de saúde. Não se pode separar a educação dos cuidados de saúde. A educação está embutida em todos os cuidados de saúde, é um elemento chave para a participação, a co-participação e auto determinação das pessoas e/ou comunidades.

Dentro desta perspectiva, o enfermeiro é um elemento que atua como educador, deve ser comprometido com a transformação do processo saúde-doença, trabalhando aquele processo educativo que instrumentaliza o cliente que ele cuida, de modo que ele perceba as contradições no seu cotidiano./Os cuidados de enfermagem devem permitir ao cliente que este desenvolva seus conhecimentos, a fim de tomar-se crítico sobre seu modo de vida (processo saúde-doença) e seus determinantes, o que lhe aumenta a possibilidade de lutar por uma melhor qualidade de vida. Rosa (1994) nos diz que o profíssional deve decentrar- se, isto é„ sair do centro (egocêntrico) do processo pedagógico.

Uma abordagem favorável a esta ótica é o método construtivista, pois ele é fíel ao princípio interacionista e deixa transparecer o papel central do sujeito na produção do saber. Jean Piaget, em sua tese sobre a epistemologia genética, mostra que um sujeito que procura ativamente compreender o mundo que o rodeia e trata de resolver as interações que este mundo provoca, não é um sujeito que espera que alguém que possui um conhecimento o transmita a ele, por um ato de benevolência. É um sujeito que aprende, basicamente, através de suas próprias ações sobre os objetos do mundo, que constrói suas próprias categorias de pensamento, ao mesmo tempo que organiza seu mundo (Rosa 1994). O construtivismo é um fenômeno da aprendizagem, portanto de crescimento, desenvolvimento e de mudança.

Entendi que o enfermeiro em situação de desvalorização esquece, muitas vezes, do referencial educativo para consigo mesmo. Fica passivo, fíca sem possibilidades de aprender uma nova visão de mundo, uma nova visão da enfermagem, uma nova visão de ser humano.

Penso que levar um discurso novo ao enfermeiro que sofre com a desvalorização da sua profíssão, faz com que ele possa interagir com seus conceitos internalizados, podendo refletir e, tendo como produto desta educação um agir mais saudável para ele e para a enfermagem como um todo.

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Cuidado Construtivo, assim atuando na força do enfermeiro que sofre, transmitindo-lhe energia, “recarregando suas baterias” e o impulsiona para um novo caminho. O novo

caminho representa o ato auto-educativo, representa um processo ensino-aprendizagem. Paulo Freire (1993) ao refletir sobre educação e o processo social, assinala a formação da consciência como sua fundamental tarefa.

Esta consciência, através do Cuidado Construtivo, permite ao enfermeiro que sofre pela desvalorização da profissão ficar “inquieto” e, com isso, tomar uma atitude mais ativa, tomando-se mais questionador, mais ciente de seus diretos e deveres.^credito que não é fácil para quem está acostumado a ensinar e educar, se auto-educar, se auto-ensinar. Mas

isso é essencial, neste ato de cuidar-se.

O Cuidado Constmtivo possibilita o ato educativo pelo autoconhecimento dos sujeitos. Eles podem expressar seus valores, seus sentimentos, suas crenças, seu medos, suas dificuldades, seu sofrimento. Aprender a ver estas questões com outros olhos é um ato educativo, o que, certamente, possibilitará ao enfermeiro encontrar o caminho certo para seu processo de viver, ser saudável. Mas isso exige coragem, ousadia, motivação para a mudança, utilização do trabalho como uma fonte de prazer e felicidade.

Geib, Migott, Carvalho e Mocinho (1999), ao escreverem sobre os Rituais de Poder na Educação Formal do Enfermeiro, relatam que esta foi orientada pelo caracter imposto pela racionalidade dominante. As relações de poder e de saber foram constmídas em rituais de poder utilizados para domesticação dos corpos e das mentes, tanto no âmbito individual como no coletivo. Afirmam, também, que pontos de insubordinação, no entanto, despontam como possibilidades de transformação no processo de construção do sujeito enfermeiro.

Marcelino, Schumacher e Souza (1999) escrevem que o ato de aprender não é produto, mas um processo complexo que constrói conhecimentos formais, envolvendo as dimensões biológica, afetiva e social do ser humano, transformando, sucessivamente, sua forma de pensar e comportar-se. Aprender consiste na dinâmica de pólos: sujeito, realidade e outros.

Criar condições para o que o cliente desenvolva seu autoconhecimento é permitir que o indivíduo tenha experiência de conhecimento, portanto de aprendizagem, de educação. Esta é uma das propostas do Cuidado Constmtivo.

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A busca do conhecimento, através do ato educacional, pode ser considerada uma necessidade vital. Não se pode forçar a pessoa a progredir, o que se pode fazer é instigá-la a fazer, a criar possibilidades para si e conduzí-la a novos desempenhos. A educação ajuda ao crescimento e a mudança.

Finalizando, trago Mosquera (1977, p. 157), quando diz que

“a perspectiva de se educar pelo afeto tomou-se, sem dúvida, desafiadora e relevante, mostrando que, se quisermos constmir um novo universo, deveremos fazê-lo através de novas estratégias, que ampliem não apenas nossa área cognitiva, mas também nossa área emocional, almejando maior amplidão de formas comunicativas entre seres humanos.”

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Quando sonhamos sozinhos é só um sonho. Quando sonhamos juntos é o começo de uma Nova realidade.

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