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Pequenas e Médias Empresas e Desenvolvimento

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CAPÍTULO IV – NOVOS ATORES E OS SENTIDOS DA MELHORA

V.5 Pequenas e Médias Empresas e Desenvolvimento

Em Sachs (2002)57 encontramos um conjunto de proposições que buscam promover o desenvolvimento em geral e o desenvolvimento local em particular. Essa é uma publicação patrocinada pelo SEBRAE – Nacional – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, com o objetivo

(...) de propor algumas estratégias prioritárias em favor de pequenos produtores e empreendedores, para que eles se constituam nos arquitetos potenciais de um futuro desejável para o país; estratégias capazes de ampará-los com políticas públicas – ações afirmativas em favor dos mais fracos, sem poder e voz. (Sachs, 2002:19).

Para tanto, com o intuito de transcender a dicotomia formal/informal, o autor distingue quatro modos diferentes de produção [nos quais está inserida também a agricultura

familiar] que coexistem e se relacionam: a economia doméstica; economia proto e pré-

capitalista; economia capitalista de mercado; e economia solidária. O primeiro refere-se basicamente ao trabalho das donas de casa; o segundo, à economia informal; o setor capitalista divide-se em setor das grandes e médias empresas e o setor das micro e pequenas empresas formais – além das estatais; e, por fim, a economia solidária, que não se rege pelos

princípios da economia capitalista – as cooperativas, empresas autogeridas por trabalhadores, atividades de organizações não governamentais, sem fins lucrativos. É o chamado terceiro setor. (Sachs, 2002:27).

Em termos de estratégias para a promoção do desenvolvimento humano, trabalho

decente [e para construir] o futuro dos empreendedores de pequeno porte no Brasil, o autor

propõe em encontramos um conjunto de sugestões de políticas que tendem a transformar o setor informal, profissionalizando-o, moralizar o processo de terceirização, impedindo a ação de cooperativas que precarizam as condições de trabalho (Sachs, 2002:28-31). Para propiciar

a saída da informalidade, propõe-se o aprimoramento do “sistema fácil”, de modo a facilitar a abertura de novas empresas; aperfeiçoar o “Sistema Simples Tributário”; lançar o “Simples Previdienciário”; facilitar o acesso das micro e pequenas empresas ao crédito; permitir a formação de cooperativas de crédito de empresas com faturamento até R$ 1,2 milhão; construir estratégias para facilitar o acesso aos mercados: criação de sinergias entre grandes e médias empresas e os pequenos e micro empresários, por exemplo; criação de “tecnocentros de difusão de conhecimento tecnológico”.

Do ponto de vista da agricultura familiar, propõe-se, a partir do uso da noção de multifuncionalidade da agricultura familiar, além dos processos de agregação de valor no âmbito dos assentamentos de reforma agrária – formação de vilas agro-industriais e criação de empregos não-agrícolas –, valendo-se ainda das condições naturais que o país proporciona, associando biodiversidade, biomassa e tecnologias apropriadas. Fazendo ainda uso da contraposição entre competitividade espúria e competitividade genuína, o autor diz que a consolidação das pequenas e médias empresas, por meio das políticas públicas, implica em apoiá-las no sentido do desenvolvimento dessa segunda forma de competitividade, na qual os salários não seriam mais baixos e as jornadas de trabalho não seriam relativamente mais longas. Além disso, não se utilizaria de forma predatória os recursos naturais e não se buscaria escapar do pagamento de impostos e encargos sociais. (Idem, pg. 35)

Por fim, deve-se buscar o “empreendedorismo compartilhado”, da maior participação das micro e pequenas empresas nas exportações brasileiras e a promoção de tecnologias apropriadas, associado à queda na taxa de juros. Do ponto de vista do “desenvolvimento territorial integrado e sustentável”, deve-se evitar soluções “uniformizadas para todo o país”, acatando as especificidades de cada território, quando a idéia de “arranjos produtivos locais” merece destaque. Esses arranjos são vistos como aglomerações de empresas localizadas em um mesmo território, que apresentam especialização produtiva e mantêm algum vínculo de articulação, interação, cooperação e aprendizagem entre si e com outros atores locais, tais como governo, associações empresariais, instituições de crédito, ensino e pesquisa.58

Essa contribuição, como podemos observar, se enquadra no que chamamos no capítulo anterior de projeto político liberal-democrático. Seu principal instrumento na promoção do desenvolvimento local é o aprimoramento institucional, no sentido de ampliar o acesso aos mecanismos formais de organização dos mercados, reconhecendo contudo formas diferentes de organização da atividade produtiva. Mas, associado a essa estratégia nacional, o SEBRAE- Nacional desenvolveu também outras formas de intervenção sobre o local no sentido da promoção do desenvolvimento. Um exemplo disto foi sua atuação seguindo orientação geral do Programa Comunidade Solidária, ligada à Presidência da República durante o Governo Fernando Henrique Cardoso. Nesse contexto, foi elaborado o Projeto Proder Especial: um

vetor de sustentabilidade econômica em processos de desenvolvimento local, integrado e sustentável.No âmbito desse Projeto, foi pensado um programa piloto, denominado DLIS – Desenvolvimento Local, Integrado e Sustentável. Esse Programa objetivava articular a oferta de programas estatais e não estatais com a demanda local pública, buscando a diminuição de desigualdades sociais numa perspectiva local, regional e setorial.

A metodologia que lhe era característica envolvia os seguintes passos: mobilização e sensibilização da sociedade local; capacitação de agentes para a gestão; constituição do FÓRUM: instância de discussão do desenvolvimento local; elaboração do diagnóstico participativo local; elaboração do PDL – Plano de Desenvolvimento Local; escolha da equipe gestora local; definição da Agenda Básica Local, que consiste de propostas de ações concretas e medidas efetivas para um prazo de dois anos; formalização de um compromisso público

com a celebração de um pacto de desenvolvimento local; e monitoramento e avaliação dos projetos ao longo do tempo.59

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