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135perante o Poder Público pois exerce mera delegação; 2 – particular invade imóvel público e

No documento COMENTÁRIOS SEMANA 14 (páginas 135-138)

deseja proteção possessória em face de outro particular: terá direito, em tese, à proteção possessória, já que é possível o manejo de interditos possessórios em litígio entre particulares sore bem público dominical, pois entre ambos a disputa será relativa à posse.

A interpretação que reconhece a posse nos bens dominicais deve ser conciliada com a regra que veda o reconhecimento da usucapião nos bens públicos (Súmula 340 do STF; arts. 183, § 3º e 192 da CF/88; art. 102 do CC), permitindo se concluir que, apenas um dos efeitos jurídicos da posse - a usucapião - é que será limitado, devendo ser mantido, no entanto, a possibilidade de invocação dos interditos possessórios pelo particular. Em outras palavras, se o particular estiver litigando contra outro particular, pode-se reconhecer a posse de um deles sobre o bem público. No entanto, esta “posse” nunca dará direito à usucapião.

Em suma, não haverá alteração na titularidade dominial do bem, que continuará nas mãos do Estado, mantendo sua natureza pública. No entanto, na contenda entre particulares, a relação será eminentemente possessória, e, por conseguinte, nos bens do patrimônio disponível do Estado, despojados de destinação pública, será plenamente possível - ainda que de forma precária -, a proteção possessória pelos ocupantes da terra pública que venham a lhe dar função social.

Conclui-se, portanto, que “a disputa entre particulares, relativa a bem público, também não impede o manejo e utilização dos interditos possessórios, até porque o reconhecimento da natureza pública do bem confere a titularidade dominial ao poder público, mantendo incólume sua posição de titular”; desta feita, “os particulares terão apenas a detenção em relação ao Poder Público, mas como os vícios da posse são relativos, entre os contendores, a disputa será relativa à posse, pois entre ambos não terá cabimento a exceção, por tratar-se de  res extra commercium. Este argumento caberá ao ente estatal e não aos particulares” (ARAUJO, Fábio Caldas de. Posse. Rio de Janeiro: Forense, 2007, p. 263).

Função social

À luz do texto constitucional e da inteligência do novo Código Civil, a função social é base normativa para a solução dos conflitos atinentes à posse, dando-se efetividade ao bem comum, com escopo nos princípios da igualdade e da dignidade da pessoa humana.

Nos bens do patrimônio disponível do Estado (dominicais), despojados de destinação pública, permite-se a proteção possessória pelos ocupantes da terra pública que venham a lhe dar função social.

A ocupação por particular de um bem público abandonado/desafetado -  isto é, sem destinação ao uso público em geral ou a uma atividade administrativa -, confere justamente a função social da qual o bem está carente em sua essência.

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Voltando ao exemplo dado. O argumento invocado pelo Distrito Federal não poderá ser acolhido e o juiz decidirá qual dos dois particulares têm a posse: João ou Pedro. No entanto, se o DF ajuizar uma ação possessória contra João, este poderá invocar que tinha a posse e pedir indenização ou a retenção das benfeitorias realizadas no local?

NÃO. Isso porque, conforme vimos acima, se o litígio for contra o Poder Público, a ocupação de área pública pelo particular será considerada mera detenção, que não gera direitos de indenização ou retenção, não havendo proteção possessória ao particular, neste caso.

Assim, o particular tem apenas detenção em relação ao Poder Público, não se cogitando de proteção possessória.

Alternativa D: Afirmação incorreta. O conceito de reserva legal é estabelecido pelo

art. 3° do novo Código Florestal, o qual estabelece que reserva legal consiste em “área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, delimitada nos termos do art. 12, com função de assegurar o uso econômico de modo sustentável dos recursos naturais do imóvel rural, auxiliar a conservação e a reabilitação dos processos ecológicos e promover a conservação da biodiversidade, bem como o abrigo e a proteção da fauna silvestre e da flora nativa”.

O STJ no REsp 745.363, de 20.09.2007, deixou claro que a Reserva Legal apresenta natureza jurídica de limitação ao uso da propriedade, não sendo, portanto, indenizável, devendo ser suportada por todos os proprietários rurais eventuais para a manutenção de parte das florestas e da biodiversidade nacional.

No que se refere a parte da assertiva que afirma existir uma espécie de extinção automática da reserva legal devido a inserção do imóvel então rural em área urbana tem-se que tal raciocínio conflita com o art. 19 do novo Código Florestal, o qual dispõe que: “

Art. 19.  A inserção do imóvel rural em perímetro urbano definido mediante lei municipal não desobriga o proprietário ou posseiro da manutenção da área de Reserva Legal, que só será extinta concomitantemente ao registro do parcelamento do solo para fins urbanos aprovado segundo a legislação específica e consoante as diretrizes do plano diretor de que trata o § 1o do art. 182 da Constituição Federal.

Nesse contexto, o proprietário de um imóvel originariamente rural apenas terá extinta a reserva legal quando o município aprovar o registro do parcelamento do solo urbano que contenha a sua área consoante o plano diretor municipal, não bastando a mera inserção do imóvel rural em perímetro urbano definido mediante lei municipal.

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DIREITOS URBANÍSTICO 46 - QUESTÃO:

Tendo por base as disposições do Estatuto da Cidade (Lei n.° 10.257/01) e da chamada Lei do Parcelamento do Solo Urbano (Lei n.° Lei 6.766/79), assinale a alternativa correta.

a) A Lei 10.257/01 – Estatuto da Cidade – regulamenta o art. 182 da CF trazendo normas gerais e instrumentos jurídicos úteis na ordenação do espaço urbano. Tal diploma é mais amplo que a Lei 6.766/79 a qual aborda apenas a temática do parcelamento do solo urbano. Por outro lado, em que pese a chamada Lei do Parcelamento do Solo Urbano ser mais restrita, esta apresenta regramentos direcionados tanto para a União, quanto para os Estados e Municípios, enquanto o Estatuto da Cidade, por ter como objetivo principal o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e da propriedade urbana, apresenta obrigações direcionadas exclusivamente aos Municípios.

b) Conforme a Lei n° 10.257/01 (Estatuto da Cidade), tanto os municípios integrantes de regiões metropolitanas quanto de aglomerações urbanas devem, obrigatoriamente, ter plano diretor, independente da quantidade de habitantes, devendo os organismos gestores das mesmas possuir obrigatória e significativa participação da população e de associações representativas dos vários segmentos da comunidade, de modo a garantir o controle direto de suas atividades e o pleno exercício da cidadania.

c) Segundo a Lei de Parcelamento do Solo Urbano, no caso de loteamento ou desmembramento localizado em área de município integrante de região metropolitana, o exame e a anuência prévia à aprovação do projeto caberão ao Estado ao qual esteja circunscrita a referida região metropolitana.

d) O parcelamento do solo urbano poderá ser feito mediante loteamento ou desmembramento, observadas as disposições desta Lei e as das legislações estaduais e municipais pertinentes. Considera-se loteamento a subdivisão de gleba em lotes destinados a edificação, com aproveitamento do sistema viário existente, desde que não implique na abertura de novas vias e logradouros públicos, nem no prolongamento, modificação ou ampliação dos já existentes. Por outro lado, considera-se desmembramento a subdivisão de gleba em lotes destinados a edificação, com abertura de novas vias de circulação, de logradouros públicos ou prolongamento, modificação ou ampliação das vias existentes.

> RESPOSTA: ALTERNATIVA B. >> COMENTÁRIO:

Alternativa A: ATENÇÃO: é muito comum a elaboração de questões CESPE que

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