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SEMANA 14
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DIREITO CONSTITUCIONAL 01 – QUESTÃO:
Acerca da intervenção federal, assinale a alternativa correta:
a) A intervenção é medida excepcional, e, em razão disso, as autoridades que tiveram comportamento destoante das disposições constitucionais serão afastadas definitivamente de seus cargos.
b) A União não detém legitimidade para intervir em quaisquer municípios, inclusive os localizados em Território Federal.
c) O não pagamento de precatórios por mais de dois anos não torna, por si só, cabível a intervenção federal.
d) É indispensável a apreciação pelo Congresso Nacional da decretação de intervenção federal nas hipóteses de provimento, pelo Supremo Tribunal Federal, de representação do Procurador Geral da República para assegurar a observância da autonomia municipal.
> RESPOSTA: ALTERNATIVA C.
>> COMENTÁRIO:
A federação brasileira é caracterizada, sobretudo, pela autonomia dos entes que a compõem, por isso ordinariamente vigora o princípio da não intervenção no Estado Federal brasileiro. Excepcionalmente, a intervenção torna-se cabível nas hipóteses taxativamente previstas na Constituição Federal, ocasionando a suspensão temporária da autonomia de determinado ente federativo.
Conforme Kildare Gonçalves, a intervenção consiste em de cláusula de defesa da federação apta a garantir o equilíbrio e a harmonia federativa em face de situações de extrema gravidade. Em razão do caráter excepcional, a decretação de intervenção federal consiste em limitação circunstancial ao poder de emendar a Constituição, ante a situação de anormalidade institucional que a caracteriza. Vejamos tais hipóteses:
Art. 34. A União não intervirá nos Estados nem no Distrito Federal, exceto para:
I - Manter a integridade nacional;
II - Repelir invasão estrangeira ou de uma unidade da Federação em outra;
III - pôr termo a grave comprometimento da ordem pública;
IV - Garantir o livre exercício de qualquer dos Poderes nas unidades da Federação;
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a) suspender o pagamento da dívida fundada por mais de dois anos consecutivos, salvo motivo de força maior;
b) deixar de entregar aos Municípios receitas tributárias fixadas nesta Constituição, dentro dos prazos estabelecidos em lei;
VI - Prover a execução de lei federal, ordem ou decisão judicial;
VII - assegurar a observância dos seguintes princípios constitucionais: a) forma republicana, sistema representativo e regime democrático; b) direitos da pessoa humana;
c) autonomia municipal;
d) prestação de contas da administração pública, direta e indireta.
e) aplicação do mínimo exigido da receita resultante de impostos estaduais, compreendida a proveniente de transferências, na
manutenção e desenvolvimento do ensino e nas ações e serviços públicos de saúde. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 29, de 2000)
Art. 35. O Estado não intervirá em seus Municípios, nem a União nos Municípios localizados em Território Federal, exceto quando:
I - Deixar de ser paga, sem motivo de força maior, por dois anos consecutivos, a dívida fundada;
II - Não forem prestadas contas devidas, na forma da lei;
III - não tiver sido aplicado o mínimo exigido da receita municipal na manutenção e desenvolvimento do ensino e nas ações e serviços públicos de saúde; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 29, de 2000)
IV - O Tribunal de Justiça der provimento a representação para assegurar a observância de princípios indicados na Constituição Estadual, ou para prover a execução de lei, de ordem ou de decisão judicial.
Art. 36. A decretação da intervenção dependerá:
I - No caso do art. 34, IV, de solicitação do Poder Legislativo ou do Poder Executivo coacto ou impedido, ou de requisição do Supremo Tribunal Federal, se a coação for exercida contra o Poder Judiciário;
II - No caso de desobediência a ordem ou decisão judiciária, de requisição do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça ou do Tribunal Superior Eleitoral;
III - de provimento, pelo Supremo Tribunal Federal, de representação do Procurador-Geral da República, na hipótese do art. 34, VII, e no caso de recusa à execução de lei federal. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
§ 1º O decreto de intervenção, que especificará a amplitude, o prazo e as condições de execução e que, se couber, nomeará o interventor, será submetido à apreciação do Congresso Nacional ou da Assembleia Legislativa do Estado, no prazo de vinte e quatro horas.
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§ 2º Se não estiver funcionando o Congresso Nacional ou a Assembleia Legislativa, far-se-á convocação extraordinária, no mesmo prazo de vinte e quatro horas.
§ 3º Nos casos do art. 34, VI e VII, ou do art. 35, IV, dispensada a apreciação pelo Congresso Nacional ou pela Assembleia Legislativa, o decreto limitar-se-á a suspender a execução do ato impugnado, se essa medida bastar ao restabelecimento da normalidade.
§ 4º Cessados os motivos da intervenção, as autoridades afastadas de seus cargos a estes voltarão, salvo impedimento legal.
É imperioso salientar que compete à União intervir nos estados-membros ou no Distrito Federal. Em regra, portanto, não é cabível a intervenção da União direta sobre os municípios, salvo os municípios localizados em Territórios Federais. Acerca do tema, vejamos trecho de julgado do STF:
Os Municípios situados no âmbito dos estados-membros não se expõem à possibilidade constitucional de sofrerem intervenção decretada pela União Federal, eis que, relativamente a esses entes municipais, a única pessoa política ativamente legitimada a neles intervir é o Estado-Membro” (Plenário do STF, QO na IF 590/CE). (...)
Assim, há dois tipos de intervenção em nossa federação: i) Intervenção da União nos Estados, no Distrito Federal ou nos Municípios localizados em Territórios (intervenção federal- art.34 da CF; b) Intervenção dos Estados nos Municípios (intervenção estadual) - art. 35 da CF.
A intervenção federal pode ser espontânea, quando efetivada diretamente pelo Chefe do Executivo, sem necessidade de ser submetida a aquiescência de outros órgãos. A intervenção será desta natureza nas seguintes hipóteses: i) manter a integridade nacional e repelir invasão estrangeira em determinada unidade da federação (art.34, I e II); ii) pôr temo a grave comprometimento da ordem pública (art.34, inciso III); iii) reorganizar as finanças da federação (art.34,inciso V).
Por outra via, há hipóteses que a intervenção ocorrerá mediante provocação do poder ou ente interessado. A provocação pelo ente competente ocorrerá através de solicitação ou de requisição. Neste caso, entende-se que há um viés vinculante, ao passo que na solicitação a decretação ou não da intervenção situa-se na discricionariedade do chefe do executivo.
A intervenção mediante provocação ocorrerá nas hipóteses do art.34, inciso IV a fim de garantir o livre exercício dos poderes inseridos nas unidades da federação. Quando a referida provocação for advinda do Poder Judiciária, entende-se que há uma requisição, não mera solicitação, de forma que a decretação da intervenção se afigura de forma cogente para o Chefe do Executivo. No que se refere ao Poder Judiciário, apenas o STF, STJ e o TSE detêm
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competência para efetuar a solicitação em tela, estes dois últimos tribunais especialmente nos casos de reiterado descumprimento de ordens ou decisões judiciais.A contrário sensu, no caso da intervenção ser advinda do Poder Legislativo coacto haverá mera solicitação, de forma que haverá discricionariedade do Executivo em decretar ou não o referido estado de exceção.
Por fim, no caso de violação aos ditos princípios sensíveis, capitulados no artigo 34, VII, a intervenção proceder-se-á a partir do ajuizamento de ADIN interventiva de legitimidade exclusiva do Procurador Geral da República e, por simetria, do Procurador Geral de Justiça no âmbito estadual. O procedimento desta está devidamente regulado pela Lei n 12.562/11.
Após tais comentários, passemos a analisar o teor das assertivas abaixo.
Alternativa A: A alternativa está incorreta, visto que o afastamento das autoridades
competentes em caso de decretação da intervenção federal será de viés temporário, não definitivo como alude a questão. Neste sentido, o artigo 36,§4º da CF/88 estabelece que cessados os motivos da intervenção, as autoridades afastadas de seus cargos a estes voltarão, salvo impedimento legal.
Alternativa B: A alternativa está incorreta, via de regra a União não pode intervir
diretamente em municípios, salvo no caso dos territórios federais, entidades autárquicas federais, que legitimam assim a intervenção da União nos Municípios neles inscritos.
Alternativa C: Alternativa correta. O não pagamento da dívida fundada por mais de
dois anos, via de regra, legitima a intervenção federal. Inscritos no conceito de dívida fundada, estão os precatórios, no entanto segundo o STF é necessário aferir se o descumprimento da obrigação de pagar se deu de forma voluntária e intencional por parte do ente federativo.
Isto é, o não pagamento de precatórios em razões de comprovadas dificuldades financeiras obstam a decretação da intervenção federal. (STF. Plenário IF 5101/RS, Rel. Min. Cezar Peluso, 28.3.2012). Desta feita, o não pagamento de precatórios por si só não legitima a intervenção, sendo necessária a análise do elemento volitivo que circunda tal situação de inadimplência.
Alternativa D: Alternativa incorreta. Como regra geral, o decreto interventivo deverá
ser apreciado pelo Congresso Nacional (controle político). Excepcionalmente, a CF (art.36, §3º) admite hipóteses de intervenção branda em que se dispensa a aludida apreciação, sendo que o decreto se limitará a suspender a execução do ato impugnado, se essa medida bastar ao restabelecimento da normalidade. As hipóteses em que o controle político é dispensado são as seguintes: i) para prover a execução de lei federal, ordem ou decisão judicial; ii) quando houver afronta aos princípios sensíveis da CF, dentre os quais enquadra-se a autonomia municipal
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veiculada no enunciado. Desta feita, o controle político é dispensável neste caso.>>> ALTERNATIVA CORRETA: C. 02 – QUESTÃO:
Acerca da competência legislativa dos municípios em legislar acerca de Direito Ambiental, assinale a alternativa falsa:
a) Os municípios podem legislar sobre Direito Ambiental, suplementando a legislação federal e estadual no que couber vinculada aos seus interesses locais.
b) Em caso de não edição de normas gerais acerca de Direito Ambiental, os municípios não podem exercer a competência legislativa plena.
c) Segundo o STF, os Municípios não podem adotar legislação ambiental mais restritiva em relação aos estados-membros e à União, uma vez que cabe a esta fixar as normas gerais acerca do tema.
d) É desnecessária a edição de lei complementar federal delegando competência aos estados e aos municípios para legislar sobre Direito Ambiental, conforme o princípio da predominância do interesse.
> RESPOSTA: ALTERNATIVA C. >> COMENTÁRIO:
A competência para legislar sobre Direito Ambiental está inscrita no rol do art.24 da CF que veicula as competências concorrentes da União. Apesar dos Municípios não constarem expressamente no rol do art. 24, entende-se que tais entes podem sim suplementar a legislação da União que tenha editado as normas gerais que norteiam o tema, desde que vinculadas ao interesse local, conforme art. 30, I da CF/88.
A despeito da competência suplementar aferível no “condomínio legislativo” que caracteriza o rol de competências concorrentes, esta só poderá ser exercida pelos Municípios quando houver a prévia edição de normas gerais. Caso estas não existam, não haverá o que suplementar e apenas os estados-membros, conforme art.24, §3º da CF/88.
Fixadas tais premissas, no exercício da competência suplementar o STF entendia, em tese fixada em repercussão geral, que o município seria competente para legislar sobre o meio ambiente com a União e o Estado, no limite do seu interesse local e desde que tal regramento seja harmônico com a disciplina estabelecida pelos demais entes federados (RE 586.224)
Recentemente, entretanto a 2ª Turma do STF fundada na diretriz de conferir a maior proteção possível ao meio ambiente, entendeu ser cabível que os municípios, no exercício da
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competência suplementar, adotem legislação ambiental mais restritiva em relação aos estados-membros e à União, desde que haja a devida motivação (ARE 748206/SC, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 14.3.2017, Segunda Turma). Vejamos cada um dos itens da questão.Alternativa A: Item correto. Os municípios podem legislar sobre Direito Ambiental,
suplementando as normas gerais fixadas pela União ou pelos estados-membros, no exercício da competência legislativa plena, uma vez que o direito ambiental está inscrito no rol de competências legislativas concorrentes do art.24 da CF/88.
Alternativa B: alternativa está correta, apenas os estados-membros podem exercer
a competência legislativa plena em relação as matérias inscritas no rol do art. 24 da CF/88. A competência dos municípios, acerca de tais matérias, depende necessariamente da prévia edição de normas gerais, sob pena de não ter o que suplementar, conforme as suas competências estatuídas no art. 30 da CF/88.
Alternativa C: Alternativa errada. Em reviravolta jurisprudencial, a 2ª Turma do STF
no ARE 748206 admitiu que os municípios adotem legislação mais gravosa (restritiva) do que os estados-membros e a União em matéria ambiental, desde que haja a devida motivação para tanto.
Alternativa D: Alternativa correta. A delegação só seria necessária caso a matéria
estivesse inscrita no rol de competências privativas, já nas competências concorrentes há, em sua essência, verdadeiro condomínio legislativo cabendo à União editar as normas gerais e os demais entes suplementá-la de acordo com o princípio da predominância do interesse.
>>> ALTERNATIVA CORRETA: C.
03 – QUESTÃO:
No que concerne a Ação por Descumprimento de Preceito Fundamental, assinale a alternativa correta:
a) É possível o reconhecimento de fungibilidade entre a ADI e a ADPF, mesmo no caso desta ter sido proposta contra uma lei federal editada em 2013.
b) A ADPF é regida pelo princípio da subsidiariedade, sendo cabível quando não houver qualquer outro meio apto a sanar a lesividade. Assim, a existência de processos ordinários e recursos extraordinários devem excluir a sua utilização.
c) É cabível medida cautelar em sede de ADPF a fim de suspender o julgamento dos processos que discutam o objeto da ação.
d) A ADPF não é cabível em face de decisão transitada em julgado, não podendo ser manejada como sucedâneo de ação rescisória.
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> RESPOSTA: ALTERNATIVA D. >> COMENTÁRIO:
Alternativa A: Item incorreto. Em regra, o Supremo Tribunal Federal admite a
fungibilidade entre a ADI e a ADPF. No entanto, há nítido erro grosseiro no ajuizamento da ação por descumprimento de preceito fundamental, visto que visivelmente é cabível a ADI, por se tratar de norma posterior a Constituição, e em consonância com a subsidiariedade que reveste o manejo da ADPF (STF. Plenário. ADPF 314 AgR Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 11/12/2014).
Alternativa B: Item incorreto. O art.4º, §1º, da Lei nº 9.882/99, não será admitida
arguição de descumprimento de preceito fundamental quando houver qualquer outro meio capaz de sanar a lesividade. Trata-se do princípio da subsidiariedade, sendo esta um pressuposto negativo de admissibilidade para o ajuizamento da ADPF. (Segundo o STF, a inexistência de outro meio apto a sanar a lesividade deve ser aferível a partir da análise de mecanismo para sanar a controvérsia constitucional de forma ampla, geral e imediata). Pautada por esta premissa, a existência de processos ordinários e recursos extraordinários, sem a mesma amplitude da ADPF, não deve excluir, a priori, a utilização da arguição de descumprimento por preceito fundamental, em virtude da feição marcadamente objetiva (ADPF 33, Rel. Gilmar Mendes, j. 07.12.2005).
Desta feita, a análise de subsidiariedade para fins de admissibilidade da ADPF deve ser interpretada à luz da inexistência de outra ação constitucional, inscrita no processo objetivo, apta a produzir o mesmo efeito. De forma que, mero recurso extraordinário (processo subjetivo) não inviabilizaria a ADPF.
Alternativa C: Item incorreto. O artigo 5º e seus parágrafos da Lei nº 9.982/99
estabelece a possibilidade do deferimento de medida cautelar no trâmite da ADPF. Vejamos:
Art. 5o O Supremo Tribunal Federal, por decisão da maioria absoluta de
seus membros, poderá deferir pedido de medida liminar na arguição de descumprimento de preceito fundamental.
§ 1o Em caso de extrema urgência ou perigo de lesão grave, ou ainda, em
período de recesso, poderá o relator conceder a liminar, ad referendum do Tribunal Pleno.
§ 2o O relator poderá ouvir os órgãos ou autoridades responsáveis pelo
ato questionado, bem como o Advogado-Geral da União ou o Procurador-Geral da República, no prazo comum de cinco dias.
§ 3o A liminar poderá consistir na determinação de que juízes e tribunais
suspendam o andamento de processos ou os efeitos de decisões judiciais, ou de qualquer outra medida que apresente relação com a matéria objeto da arguição de descumprimento de preceito fundamental, salvo se decorrentes da coisa julgada.
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Verifica-se acima que o deferimento da liminar não suspender meramente o julgamento das ações correlatas, conforme alude a questão, mas sim o próprio andamento dos processos a que estão vinculados. Na ADI e na ADC, por sua vez, a medida cautelar é apta apenas para suspender o julgamento da ação a que se vincula. Por isso, o item está errado.Alternativa D: Item incorreto. A Ação por Descumprimento de Preceito Fundamental
tem cabimento amplo, em razão da interpretação acerca do que seria preceito fundamental, uma vez que tal conceito não é definido por lei. Para Uadi Bulos, os preceitos fundamentais seriam aqueles “que estabelecem comandos basilares e imprescindíveis à defesa dos pilares da manifestação constituinte originária”. A despeito da definição ampla, o STF não admite ADPF contra decisão transitada em julgado, visto que este instituto de controle concentrado de constitucionalidade não pode atuar como sucedâneo de ação rescisória. (STF. Decisão Monocrática. ADPF 81 MC, Rel. Min. Celso de Mello, julgado em 27/10/2015).
>>> ALTERNATIVA CORRETA: D.
04 – QUESTÃO:
Acerca da teoria dos 4 status, que exterioriza o papel desenvolvido pelos direitos fundamentais, elaborada por Jellinek, julgue os itens a seguir:
I - O status negativo é correlato aos denominados direitos fundamentais de 2ª dimensão. II - O status positivo é aquele que o indivíduo possui competências para influenciar na formação da vontade do estado.
III - O status ativo é externado por meio do exercício do direito do voto.
a) F, V, V. b) F, V, F. c) V, F, V. d) V, F, F. e) F, F, V. > RESPOSTA: Alternativa E. >> COMENTÁRIO:
A teoria dos 4 status de Jellinek, apesar de ter sido elaborada no fim do século XIX, é uma das mais recorrentes em provas, razão pela qual merece o destaque na questão, uma vez que a temática de direitos fundamentais pode vim a ser cobrada com uma acepção mais dou-trinária.
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Essa teoria segmenta os status que o indivíduo conserva perante o Estado no exercí-cio de seus direitos fundamentais em 4 status, são eles: passivo, negativo, positivo e ativo. Ve-jamos em que consiste cada um deles, com base nas sintéticas lições de Pedro Lenza a respeito do tema.No status passivo, o indivíduo se encontra em posição de subordinação ao Estado, razão pela qual é enfatizado os deveres que os cidadãos tem de observar perante os poderes públicos.
No status negativo, por sua vez, busca-se enfatizar o absenteísmo estatal, tal como ocorre nos chamados direitos fundamentais de 1ª dimensão, criando assim um espaço de liber-dade para o indivíduo das ingerências estatais. Tal temática é ínsita ao chamado estado liberal, erigido após a derrocada de antigo regime, notadamente pela Revolução Francesa. Neste es-paço, o principal foco é a liberdade do indivíduo em gerir a sua vida da melhor forma que lhe aprouver, sem a abusiva interferência estatal.
O status positivo, por sua vez, correlaciona-se ao surgimento do chamado Estado So-cial, cujos momentos históricos podem ser correlacionados com a reconstrução da Alemanha após a Primeira Guerra, a Revolução Russa de 1917 e a Revolução Mexicana, cuja Constituição de 1917 foi a primeira a positivar os chamados direitos sociais.
Nesta evolução dos direitos fundamentais, o indivíduo não mais se satisfaz com a inércia estatal, passando a exigir prestações positivas a serem desempenhadas pelo estado em seu favor, tal como ocorre pelos difundidos direitos sociais, positivados na Constituição Federal de 1988. Observa-se, portanto, que o status positivo desenvolve a ideia que o estado deve atuar positivamente em favor de seus indivíduos à luz da perspectiva dos direitos fundamentais de 2ª dimensão.
O status ativo, por fim, é aquele em que o indivíduo possui competências para in-fluenciar a formação da vontade do Estado, como ocorre por meio do exercício de seus direitos políticos.
Feitas tais definições, vamos a análise dos itens.
O Item I está errado, uma vez que o status negativo está ligado aos direitos funda-mentais de 1ª dimensão, que exigem uma postura absenteísta do estado, não aos de 2ª dimen-são, que se relaciona ao status positivo de Jellinek.
O item II está errado, a influência do cidadão na formação política do estado é vis-lumbrada pelo status ativo, visto que o status positivo correlaciona-se aos direitos sociais, ditos de 2ª dimensão.
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O item III está correto, pois expõe o status ativo como meio de influência do cidadão na formação política do estado, cujo principal exemplo é o exercício do voto.Feitas estas considerações, o item em que a sequência está correta é o da letra E.
>>> ALTERNATIVA CORRETA: E. 05 – QUESTÃO:
A Lei nº 11.417/06 disciplina a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de Súmula Vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, acerca do tema assinale a alternativa correta: a) Os legitimados para propor a edição, a revisão e o cancelamento de Súmula Vinculante também podem propor Ação Direta de Inconstitucionalidade(ADIN), nos termos do art. 103 da CF/88 e da Lei nº 9.868/99.
b) A proposta de edição, revisão ou cancelamento de enunciado de súmula vinculante autoriza a suspensão dos processos em que se discuta a mesma questão.
c) O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.
d) Contra omissão ou ato da Administração Pública que contrariar enunciado de Súmula Vinculante, caberá reclamação constitucional ao STF, desde que haja o esgotamento prévio das vias administrativas.
e) O Município não poderá propor a edição, a revisão e o cancelamento de Súmula Vinculante. > RESPOSTA: Alternativa D.
>> COMENTÁRIOS:
Alternativa A: Item errado. Trata-se de pegadinha clássica de prova. O artigo 103 da
CF/88 elenca os legitimados para ajuizar ADI/ADC, vejamos:
Art. 103. Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de constitucionalidade:
I - o Presidente da República; II - a Mesa do Senado Federal;
III - a Mesa da Câmara dos Deputados;
IV a Mesa de Assembléia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito Federal; (
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V o Governador de Estado ou do Distrito Federal; VI - o Procurador-Geral da República;
VII - o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil; VIII - partido político com representação no Congresso Nacional; IX - confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional.
A questão induz uma identidade plena entre os legitimados do art. 103 da CF/88 e os previstos para propor a edição, a revisão e o cancelamento de Súmula Vinculante, conforme previsto na Lei nº 11.417/06, vejamos quais são eles:
Art. 3o São legitimados a propor a edição, a revisão ou o cancelamento
de enunciado de súmula vinculante: I - o Presidente da República;
II - a Mesa do Senado Federal;
III – a Mesa da Câmara dos Deputados; IV – o Procurador-Geral da República;
V - o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil; VI - o Defensor Público-Geral da União;
VII – partido político com representação no Congresso Nacional; VIII – confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional; IX – a Mesa de Assembléia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito Federal;
X - o Governador de Estado ou do Distrito Federal;
XI - os Tribunais Superiores, os Tribunais de Justiça de Estados ou do Distrito Federal e Territórios, os Tribunais Regionais Federais, os Tribunais Regionais do Trabalho, os Tribunais Regionais Eleitorais e os Tribunais Militares.
Verifica-se, portanto, que não há plena identidade entre os legitimados do art.3º da Lei nº 11.417/06 e o artigo 103 da CF/88. Desta feita, nem todos os legitimados para propor edição, revisão e cancelamento de Súmula Vinculante poderão propor ADIN/ADC.
Alternativa B: Item errado. A proposta de edição, revisão e cancelamento de súmula
vinculante não autoriza a suspensão do processo em que a questão é discutida, vide art.6º da Lei nº 11.417/06. Este entendimento da não suspensão é compatível com a efetividade processual, sob pena que a mera proposta de edição de uma súmula fosse utilizado, de forma desmedida, como incidente protelatório, caso acarretasse a suspensão dos feitos análogos aos quais a questão que norteará a edição da SV está sendo discutida.
Alternativa C: Item errado. Esta assertiva vem nos relembrar que em provas objetivas
não podemos deixar de conferir importância a letra da lei, sem prejuízo do estudo doutrinário/ jurisprudencial. No caso em tela, a questão versa sobre o artigo 103-A da CF/88:
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Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.
Aparentemente, a questão apenas reproduz o dispositivo legal, qual o erro então? Perceba que o artigo menciona que a súmula vincula OS DEMAIS ÓRGÃOS DO PODER JUDICIÁRIO, ao passo que a assertiva suprime a palavra demais apenas mencionando que a Súmula vincula OS ÓRGÃOS DO PODER JUDICIÁRIO, EIS O ERRO!
Ao falarmos indistintamente dos órgãos do poder judiciário, estamos implicitamente admitindo que o STF, órgão do poder judiciário, se autovincula com a edição de súmula vinculante, o que não é verdade! O STF, enquanto guardião da Constituição, assim como o Poder Legislativo na sua função típica de legislar não se vinculam ao entendimento vinculante, sob pena de fossilização da constituição.
Por isso, resta-nos ficar atento a questão que os DEMAIS ÓRGÃOS DO JUDICIÁRIO se vinculam a fim de por força de lei deixar claro que o STF não está adstrito em suas interpretações futuras ao teor da súmula vinculante editada.
Alternativa D: Item correto. O ajuizamento de reclamação constitucional para
preservar a autoridade da decisão do STF, no caso a edição de súmula vinculante, quando advir de ato ou omissão da Administração Pública, só se vislumbra possível após o esgotamento prévio das vias administrativas, vejamos:
Art. 7o Da decisão judicial ou do ato administrativo que contrariar
enunciado de súmula vinculante, negar-lhe vigência ou aplicá-lo indevidamente caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal, sem prejuízo dos recursos ou outros meios admissíveis de impugnação. § 1o Contra omissão ou ato da administração pública, o uso da reclamação
só será admitido após esgotamento das vias administrativas.
Resta, portanto, justificado pelo teor do art.7,§1º da Lei nº 11.417/06 o gabarito da questão.
Alternativa E: Item errado. Apesar de não está dentre os legitimados para propor
abstratamente a edição, o cancelamento e a revisão de súmula vinculante, o Município poderá postular tais providências perante o STF de forma incidental nos processos em que for parte, não autorizando entretanto a suspensão do referido processo, vejamos o art. 3º; §1º da CF/88:
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§ 1o O Município poderá propor, incidentalmente ao curso de processo
em que seja parte, a edição, a revisão ou o cancelamento de enunciado de súmula vinculante, o que não autoriza a suspensão do processo. >>> ALTERNATIVA CORRETA: D.
06 – QUESTÃO:
Acerca da Lei nº 9868/99 que rege o processamento e julgamento da ADIN e da ADC perante o STF e da jurisprudência recente dos tribunais superiores, assinale a alternativa correta: a) O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil é legitimado para o ajuizamento de Ação Direta de Inconstitucionalidade, desde que demonstre a pertinência temática entre a sua atuação e o objeto a ser discutido no processo objetivo.
b) A medida cautelar em sede de Ação Direta de Inconstitucionalidade será dotada de eficácia contra todos e será concedida com efeitos ex nunc, de forma que o seu indeferimento confirmará a constitucionalidade da norma impugnada.
c) Não é possível a cumulação de pedidos típicos de ADI e ADC em uma única demanda de controle concentrado, ante a autonomia procedimental que cada uma dessas ações conservam.
d) O Estado-membro não dispõe de legitimidade para interpor recurso em sede de controle abstrato, ainda que a ADI ou a ADC tenha sido ajuizada pelo respectivo Governador.
e) O STF, ao julgar as ações de controle concentrado, está vinculado aos fundamentos jurídicos invocados pelo autor, sob pena de violação do princípio da congruência.
> RESPOSTA: Alternativa D. >> COMENTÁRIOS:
Alternativas A: Item incorreto. O rol do art. 103 que elenca os legitimados para o
ajuizamento de ADIN, já transcrito neste material, pode ser dividido entre os legitimados neutros ou universais e os legitimados especiais.
Quem são os legitimados especiais? Mesa da Assembleia Legislativa de Estado/ Mesa da Câmara Legislativa do Distrito Federal; Governador de Estado ou do Distrito Federal; confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional. Os demais legitimados são universais.
A peculiaridade entre estes legitimados é que os ditos especiais necessitam demonstrar a nítida pertinência temática, recorte do interesse de agir no âmbito do controle de constitucionalidade, para justificar a sua insurgência em face de ato normativo ou lei em sede de processo objetivo. Os legitimados ditos universais, ou neutros, não precisam demonstrar tal interesse de agir, uma vez que a pertinência temática na atuação destes é presumida.
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No caso, a questão aborda o Conselho Federal da OAB que está dentre os legitimados universais, não necessitando assim da demonstração da pertinência temática para atuar em juízo em sede de controle concentrado de constitucionalidade.Alternativa B: Item errado. A Lei nº 9868/99 assevera a possibilidade de concessão de
medida cautelar em sede de ADI, vejamos:
Art. 11
§1o A medida cautelar, dotada de eficácia contra todos, será concedida
com efeito ex nunc, salvo se o Tribunal entender que deva conceder-lhe eficácia retroativa.
Assim, ao contrário nas decisões de mérito finais da ADIN, via de regra a medida cautelar em ADIN será concedida com eficácia EX NUNC, apenas em caso de manifestação excepcional do tribunal poderá assumir eficácia retroativa.
A ADIN tem caráter dúplice ou ambivalente, sendo considerada uma ação de sinais contrários em face da ADC, visto que a procedência da ADI culminaria na improcedência da ADC e a recíproca se repetiria, vide o teor do artigo 24 da Lei nº 9.868/99, vejamos:
Art. 24 Proclamada a constitucionalidade, julgar-se-á improcedente a ação direta ou procedente eventual ação declaratória; e, proclamada a inconstitucionalidade, julgar-se-á procedente a ação direta ou improcedente eventual ação declaratória.
A questão é: essa ambivalência estabelecida para as decisões finais de mérito é extensível para as decisões cautelares? Em suma, o indeferimento de uma medida cautelar significa a confirmação da constitucionalidade da norma?
O STF entendeu que não, INEXISTE EFEITO VINCULANTE EM FACE DO INDEFERIMENTO DE MEDIDA CAUTELAR EM SEDE DE ADI! Por isso, não se admite reclamação contra decisão que, em ação direta de inconstitucionalidade, indefere, sob qualquer que seja o fundamento o pedido liminar (RCL 3458 AgR, Rel. Min. Cezar Peluso, DJ 23.11.2007).
Alternativa C: Item incorreto. A cumulação de ADI com ADC em uma única demanda
de controle concentrado, além de possível, é recomendável para a promoção dos fins a que se destina o processo objetivo de controle abstrato de constitucionalidade, visando a concretização da harmonia do sistema constitucional.
Entendimento em contrário, daria ensejo a uma multiplicidade de ações, com pedido e fundamentações similares, a ser distribuída por prevenção, cuja formalidade desmedida iria de encontro ao princípio da efetividade processual. (ADI 5316 MC/DF, Rel. Min. Luiz Fux, DJ 21/5/2015).
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Alternativa D: Item correto. Conforme leciona Márcio Cavalcante, a legitimidade
recursal no controle concentrado é paralela à legitimidade processual ativa, não se conferindo ao ente político a prerrogativa de recorrer de decisões tomadas pelo STF em sede de ação direta.
Logo, o estado-membro não teria legitimidade para recorrer em sede de controle abstrato, ainda que a ADI tenha sido ajuizada pelo respectivo Govenador, uma vez que a legitimidade recursal é inerente a ele, não sendo extensível ao ente federativo que ele presente. (ADI 1663, Rel. Dias Toffoli, DJ 24/4/2013).
Alternativa E: Item errado. O princípio da congruência ou da adstrição é aplicado
nos processos subjetivos, bitolando a atividade jurisdicional, de forma que o juízo se pronuncie e decida inequivocamente a partir unicamente dos fundamentos jurídicos elencados pelas partes, sob pena de ser proferida decisão extra petita, que será nulo de pleno direito.
No processo objetivo, os fundamentos jurídicos invocados pela parte autora não atuam como limites da atuação jurisdicional, que pode invocar qualquer fundamento - mesmo que sequer elencado previamente - para declarar a inconstitucionalidade de determinada lei ou ato normativo. Por essa razão, excepcionando a congruência, diz-se que a causa de pedir é aberta no processo objetivo, visto que qualquer dispositivo da Constituição Federal poderá ser adotado como fundamento para aferir a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo infraconstitucional. (ADI 3796/PR, Rel. Gilmar Mendes, DJ 8/3/2017).
>>> ALTERNATIVA CORRETA: D.
07 – QUESTÃO:
Acerca da teoria do poder constituinte, julgue os itens a seguir:
I - O poder constituinte derivado reformador, externado por meio das emendas constitucionais, detém limitações materiais, temporais, circunstanciais.
II - O STF adota a abstrativização do controle difuso, sendo desnecessária a edição de resolução do Senado Federal para que norma declarada inconstitucional em sede de controle difuso opere efeitos erga omnes, ao contrário do que exige o art. 52,X da CF/88. A alteração do sentido interpretativo, e não do texto constitucional, exemplifica atuação do poder constituinte difuso.
III - O poder constituinte derivado decorrente decorre da capacidade de auto-organização estabelecida pelo poder constituinte originário aos entes federativos, sendo exemplificado pela edição da Constituição do estado de São Paulo e pela lei orgânica do município de São Paulo.
a) F, F, V. b) V, V, V.
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c) F, V, F. d) V, F, V. e) V, F, F. > RESPOSTA: Alternativa C. >> COMENTÁRIOS:O poder constituinte, nos dizeres de Canotilho, consiste em uma força/autoridade política apta a criar, garantiar ou eliminar uma Constituição, enquanto base jurídica de uma comunidade. A titularidade do Poder Constituinte é atribuída ao povo, conforme externado na doutrina do teórico francês Sieyés em uma célebre obra “o que é o terceiro estado?”. O exercício, por sua vez, é atribuído a quem exercer o poder constituinte originário, o que dependerá do regime adotado na constituição especificamente.
Inicialmente, é importante salientar a existência de um poder constituinte originário, que é um poder de fato, pré-jurídico, que inaugura uma nova ordem jurídica, rompendo com a ordem precedente. Por isso, é dito que esse é poder pré-jurídico pois o Estado é criado com ele, não o precedendo. O constituinte originário, para a doutrina clássica, é considerado um poder incondicionado e soberano em suas decisões, sendo ilimitado juridicamente.
Feito este introito, passemos a analisar o poder constituinte derivado, objeto dos itens sob julgamento na questão. O poder constituinte derivado, também denominado instituído ou de 2º grau, é o poder de viés jurídico, cuja gênese remonta ao exercício do constituinte originário.
Pelo seu viés jurídico e pela sua criação decorrer do constituinte originário, entende-se que o poder derivado está adstrito aos parâmetros elencados pelo constituinte originário.
O poder constituinte derivado subdivide-se em reformador, decorrente e revisor. O poder constituinte derivado reformador é externado por meio das emendas constitucionais, que pode ter matiz tanto na Constituição Federal, como na Constituição estadual, como é o caso da do estado de São Paulo, que a prevê. Para fins didáticos, vamos nos ater ao disposto na CF/88.
As emendas constitucionais conservam algumas limitações, dentre as quais, as materiais, formais e circunstanciais.
As limitações materiais são verificadas pelas cláusulas pétreas, conteúdos predefinidos pelo constituinte originário, que não estão sujeitos ao poder de reforma da Constituição. Vejamos o art. 60,§4º da CF/88:
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§ 4º Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir:
I - a forma federativa de Estado;
II - o voto direto, secreto, universal e periódico; (O VOTO OBRIGATÓRIO NÃO SE INCLUI NESTA CLÁUSULA PÉTREA)
III - a separação dos Poderes;
IV - os direitos e garantias individuais.
ATENÇÃO! CUIDADO COM A PEGADINHA, PODE HAVER EMENDA CONSTITUCIONAL CIRCUNDANDO AS MATÉRIAS ACIMA EM TOM AMPLIATIVO, O QUE É VEDADO É EMENDA TENDENTE A ABOLIR TAIS PARÂMETROS CONSTITUCIONAIS.
O rol acima é de viés exemplificativo, havendo outras cláusulas pétreas implícitas na Constituição Federal, tais como as presentes no rol das limitações constitucionais ao poder de tributar, como a regra da anterioridade. Para finalizarmos estas limitações materiais, é importante salientar que o Brasil não adota a teoria da dupla revisão. Para esta teoria, seria possível revogar a cláusula dita pétrea para depois dispor, mesmo em tom restritivo, sobre o seu conteúdo. Ou seja, nos dizeres de Pedro Lenza, primeiro uma revisão acabando uma limitação expressa e a segunda reformando aquilo que era proibido. Tal teoria, reiteramos, não é adotada no Brasil.
O poder constituinte derivado reformador, conforme estatuído no artigo 60, caput e parágrafo segundo detém limitações formais, vejamos:
Art. 60. A Constituição poderá ser emendada mediante proposta:
I - de um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal;
II - do Presidente da República;
III - de mais da metade das Assembléias Legislativas das unidades da Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros.
§ 1º A Constituição não poderá ser emendada na vigência de intervenção federal, de estado de defesa ou de estado de sítio.
§ 2º A proposta será discutida e votada em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, considerando-se aprovada se obtiver, em ambos, três quintos dos votos dos respectivos membros.
§ 5º A matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou havida por prejudicada não pode ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa.
Destaca-se que o quórum mais qualificado para alteração da constituição do que o exigível para alteração da legislação ordinária, exemplificado no parágrafo segundo supratranscrito, é o que denota a rigidez da Constituição Federal de 1988.
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Ainda há, conforme o art. 60,§3º da CF/88, limitações circunstanciais, de forma que a Constituição Federal não poderá ser emendada na vigência de “estados de exceção”, tais como o estado de defesa, o estado de sítio e a intervenção federal.As limitações temporais, entretanto, inexistem na ordem jurídica atual, uma vez que não há data/período certo para que a constituição seja emendada. A bem da verdade, tais limitações só existiram na Carta de 1824 que impediu a sua alteração nos 4(quatro) anos iniciais de vigência. O único prazo predefinido foi a da revisão constitucional-art.3º do ADCT(poder constituinte derivado revisor), 5 anos após a vigência da constituição cidadã, o que não impediu entretanto a edição de emendas constitucionais neste interregno, não sendo assim considerada uma limitação temporal. O item I afirma que há limitações temporais ao exercício do constituinte derivado reformador, o que denota o viés incorreto da assertiva.
Visto os poder derivado reformador e revisor, passemos a analisar o poder constituinte derivado decorrente, objeto do item III desta questão. Este poder, como o item afirma, decorre da capacidade de auto-organização dos entes federativos, externado pela elaboração de Constituições estaduais, estas devem respeitar: i) princípios sensíveis- art. 34, VII da CF/88; ii) princípios estabelecidos que vedam a atuação indiscriminada do constituinte decorrente; iii) princípios extensíveis, que são aqueles que integram a estrutura da federação brasileira.
A questão é: a edição da Lei Orgânica do Município de São Paulo exemplifica a atuação do Poder Constituinte Derivado Decorrente?
Entende-se que NÃO, pois a lei orgânica estaria sujeita à uma dupla vinculação, não encontrando seu fundamento de validade diretamente na Constituição Federal, uma vez que deve respeito às disposições destas, mas também a própria constituição estadual(CE). A contrario sensu, a lei orgânica do DF, pela sua inviabilidade de dividir-se em municípios, faz às vezes de Constituição Estadual, podendo ser visualizada como manifestação do poder constituinte derivado decorrente.
Sistematizando: Leis Orgânicas Municipais não são manifestações do poder constituinte derivado decorrente, ante a sua dupla vinculação à CE e à CF, salvo no caso da lei orgânica do Distrito Federal.
No item III, afirma-se que tanto a Constituição de SP, como a Lei Orgânica de SP, são indistintamente manifestações do poder constituinte derivado decorrente, esta última afirmação torna o item errado.
O item II trata das dicotomias envolvendo controle difuso e controle concentrado de constitucionalidade. Na concepção tradicional, o controle concentrado realizado pelo STF, de forma exclusiva no âmbito federal, ocorre nas hipóteses em que a lei ou o ato normativo venha a violar a CF/88. Neste caso, os efeitos da decisão advindas deste processo objetivo têm viés erga omnes, vinculante e com efeitos ex tunc, nos termos do art. 102,§2º da CF/88, vejamos:
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Art.102 (...)
§ 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, nas ações diretas de inconstitucionalidade e nas ações declaratórias de constitucionalidade produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante, relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
Por outra via, o controle difuso é aquele exercido por qualquer juízo ou tribunal em sede de processos subjetivos, nos quais a aferição da (in)constitucionalidade da norma assume o viés de questão prejudicial a análise do meritum causae. Neste caso, a decisão produz, como regra, os seguintes efeitos, inter partes, não vinculante e também com efeitos ex tunc.
Na concepção tradicional, para que determinada decisão em sede de controle difuso passasse a ter efeitos erga omnes, não apenas inter partes, nos moldes ocorridos no controle abstrato de constitucionalidade, seria necessário a edição de resolução do Senado Federal, nos termos do art. 52, X da CF/88, vejamos:
Art.52 (...)
X - suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal.
A decisão do Senado de suspender a execução da lei seria discricionária. Caso ele resolva fazer isso, os efeitos da decisão de inconstitucionalidade do STF, que eram inter partes, passam a ser erga omnes. Assim, pela teoria tradicional a resolução do Senado ampliaria a eficácia do controle difuso realizado pelo Supremo.
O Min. Gilmar Mendes afirmou que é preciso fazer uma releitura do art. 52, X, da CF/88, passando a ser considerado sob uma perspectiva histórica. Essa nova interpretação deve ser a seguinte: quando o STF declara uma lei inconstitucional, mesmo em sede de controle difuso, a decisão já tem efeito vinculante e erga omnes e o STF apenas comunica ao Senado com o objetivo de que a referida Casa Legislativa dê publicidade daquilo que foi decidido.
Após intensas discussões a respeito, o STF prestigiando os poderes do Tribunal no exercício da jurisdição constitucional, admitiu a mutação constitucional do art. 52, X da CF/88, inicialmente defendida por Gilmar Mendes, de forma que norma declarada inconstitucional pela via do controle difuso terá eficácia erga omnes, a despeito de qualquer intervenção ulterior do Senado Federal, cuja resolução a ser editada apenas terá um viés de publicidade, mas não de expandir os efeitos da decisão do Supremo proferida em controle difuso. STF. Plenário. ADI 3406/RJ e ADI 3470/RJ, Rel. Min. Rosa Weber, julgados em 29/11/2017(Info 886). Isto é, fora reconhecida a mutação constitucional do art. 52, X da CF/88.
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Entrelaçando o tema do controle de constitucionalidade com o poder constituinte difuso, entende-se que este pode ser interpretado como o poder de fato que serve de fundamento para os mecanismos de atuação justamente da mutação constitucional, alterando-se o sentido interpretativo da norma, mantendo entretanto o seu texto intacto, justamente o que ocorreu com o artigo supracitado. Assim, o item II está correto.A partir da decisão acima, entende-se que o STF adotou a teoria da abstrativização do controle difuso. Nos dizeres de Márcio André Lopes Cavalcante, tal teoria preconiza que se o Plenário do STF decidir a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de uma lei ou ato normativo, ainda que em controle difuso, essa decisão terá os mesmos efeitos do controle concentrado, ou seja, eficácia erga omnes e vinculante.
Por outra via, ficou a dúvida se a decisão já citada implicada na adoção da transcendência dos motivos determinantes, anteriormente refutada pelo STF, isto é, se a ratio
decidendi passaria a fazer coisa julgada, ostentando também um viés vinculante. A despeito da
adoção da abstrativização do controle difuso ser uma aproximação inequívoca da teoria dos motivos determinantes, o STF NÃO SE MANIFESTOU EXPRESSAMENTE ACERCA DO TEMA (ao contrário do que o item assevera), não realizando qualquer overruling expresso em torno das jurisprudências anteriores que repeliam o uso dessa teoria, de forma que não podemos afirmar inequivocamente que o STF a adotou.
Feitas estas considerações, o item II está correto e os demais falsos, sendo o item C a resposta da questão.
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DIREITO ADMINISTRATIVO 08 - QUESTÃO:
A Administração pública pode outorgar a particulares o uso privativo dos bens públicos. Essa outorga está sujeita ao juízo de oportunidade e conveniência exclusivo da própria administração, e exige sempre instrumento formal. Os instrumentos mais importantes aptos a outorgar a utilização privativa de bens públicos por particulares são a autorização de uso de bem público, a permissão de uso de bem público, a concessão de uso de bem público e a concessão de direito real de uso de bem público. Com relação a tais instrumentos, assinale a opção correta:
a) Por meio da concessão de direito real de uso de bem público, se concede um direito real, ou seja, um direito referido diretamente ao bem, que o adere e acompanha qualquer pessoa que o possua, independentemente das características pessoais do possuidor.
b) A autorização de uso de bem público é um ato administrativo discricionário e, em regra, com fixação de prazo de duração. Há a necessidade de licitação prévia e tem caráter precário, ou seja, pode ser revogado a qualquer tempo. Exemplo de autorização de bem público é a autorização do fechamento de uma rua para a realização de uma festa popular.
c) A permissão de uso de bem público é um ato administrativo discricionário e não há precariedade. O prazo será determinado e usualmente está relacionada a situações de natureza permanente. Em regra, não há licitação prévia.
d) A concessão de uso de bem público é um contrato administrativo por meio do qual a Administração Pública faculta a um particular a utilização privativa do bem público, devendo sempre ser precedida de licitação, salvo se presente alguma hipótese de dispensa ou inexigibilidade. É precária e pode ser outorgada por prazo determinado ou indeterminado. > RESPOSTA: ALTERNATIVA A.
>> COMENTÁRIO:
Alternativa A: A concessão de direito real de uso de bem público, por sua vez, está
regulada no Decreto-Lei 271/1967, constituindo um direito real (e não pessoal). Este instrumento consiste em um contrato que confere ao particular um direito real resolúvel, por prazo certo ou indeterminado, de forma remunerada ou gratuita.
O contrato, nesse caso, pode ser formalizado por instrumento público ou particular, e segundo a lei 8.666/93, deve ser precedido de licitação, em regra, na modalidade de concorrência.
Alternativa B: A autorização de uso de bem público é um ato administrativo
discricionário, precário, e como regra, sem fixação de prazo de duração. Não há licitação prévia e geralmente relaciona-se a situações transitórias ou eventos de curta duração. Por ter caráter
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precário, pode ser revogada a qualquer tempo, sem gerar direito de indenização ao particular.Sua principal característica é o predomínio do interesse do particular, razão pela qual se diz que o particular pode usar, ou não, o bem autorizado. É uma faculdade conferida a ele.
Como exemplo de autorização pode-se citar o fechamento de uma rua para a realização de uma festa popular.
Alternativa C: A permissão de uso de bem público, da mesma forma que a autorização,
é um ato discricionário e precário. Difere, no entanto, em outros pontos. Pode ser outorgada com ou sem fixação do prazo de duração e pode estar relacionada a situações breves ou permanentes.
No que se refere a necessidade de licitação, existe controvérsia doutrinária. O art. 31 da lei nº 9.074/95, por exemplo, parece respaldar a exigência de licitação. Vejamos:
“Art. 31. Nas licitações para concessão e permissão de serviços públicos ou uso de bem público, os autores ou responsáveis economicamente pelos projetos básico ou executivo podem participar, direta ou indiretamente, da licitação ou da execução de obras ou serviços. ”
Alternativa D: Já a concessão de uso de bem público é um contrato administrativo de
direito público, sinalagmático, comutativo e intuitu personae, por meio do qual a Administração Pública faculta ao particular a utilização privativa de bem público, para que a exerça conforme sua destinação.
Nesse caso, a concessão é necessariamente precedida de licitação, não é precária, é sempre outorgada por prazo determinado e só admite rescisão nas hipóteses previstas em lei.
>>> ALTERNATIVA CORRETA: A.
09 - QUESTÃO:
Acerca da temática Licitações e Contratos, assinale a alternativa correta:
a) Os chamados Contratos de Performance, também conhecidos como Contratos de Eficiência, consistem naqueles contratos administrativos em que encontra-se prevista a possibilidade de remuneração variável do particular vinculada ao desempenho da contratada com base, por exemplo em metas.
b) é possível que a Administração Pública, no âmbito de um processo licitatório para fins de contratação, deixe de divulgar aos pretensos licitantes o orçamento estimado para a contratação.
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c) por ausência de expressa previsão legal não há que se falar no ordenamento pátrio da existência de um Princípio da Função Regulatória da Licitação.
d) A regra geral da possibilidade de indicação de marcas no processo licitatório consiste em autêntica concretização do Princípio da padronização, o qual rege a licitação e contratação de compras pela Administração Pública.
> RESPOSTA: ALTERNATIVA B. >> COMENTÁRIO:
Alternativa A: Denominam-se Contratos de Performance aqueles contratos
administrativos em que encontra-se prevista a possibilidade de remuneração variável do particular vinculada ao desempenho da contratada, com base em metas e outros parâmetros legalmente previstos.
No âmbito do direito positivo, encontra-se previsto no art. 10 da Lei 12462/2011, no bojo das contratações pelo RDC, assim como no art. 6º, parágrafo único, da Lei 11079/2004, no âmbito das Parcerias Público-Privadas.
Já a figura do contrato de eficiência está prevista no art. 23, §1º da Lei 12.462/2011, o qual afirma que este terá por objeto a prestação de serviços, podendo incluir a realização de obras e o fornecimento de bens, com o objetivo de proporcionar economia ao contratante, na forma de redução de despesas correntes, sendo a remuneração do particular baseada em percentual da economia gerada.
Em suma, são duas modalidades distintas.
Alternativa B: A Lei Geral de Licitações e Contratações Públicas, no art. 40, §2º, II,
determina a apresentação do orçamento estimado em planilhas de quantitativos e preços unitários.
Por sua vez, a Lei do Regime Diferenciado de Contratações (12.462/2011), em seu art. 6º, estabelece que o orçamento estimado para a contratação será tornado público apenas e imediatamente após o encerramento da licitação; tal informação terá caráter sigiloso e será disponibilizada estrita e permanentemente aos órgãos de controle externo e interno.
Assim, conclui-se que, caso a contratação esteja sendo desenvolvida com respaldo na lei 12462/2011, cuja adoção afasta as regras da Lei 8666/93, será possível à Administração Pública optar por orçamento aberto ou fechado, segundo a discricionariedade do gestor.
Alternativa C: A função regulatória da licitação surge como o resultado da ampliação
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a licitação pretende unicamente selecionar a proposta economicamente mais vantajosa para a Administração Pública.Referida função preconiza que a Administração, ao licitar, deve buscar atender outras finalidades constitucionalmente consagradas, tais como o desenvolvimento nacional sustentável (art. 3ª da Lei 8666/93), a promoção da defesa do meio ambiente, a inclusão de portadores de deficiência no mercado de trabalho, o fomento à contratação de microempresas e empresas de pequeno porto, entre outras finalidades extra econômicas.
Alternativa D: O Princípio da padronização rege a licitação e contratação de compras
pela Administração Pública, estando previsto no art. 15, I, da Lei 8666/93.
Tal Princípio impõe à Administração Pública o dever de compatibilizar especificações técnicas e de desempenho do bem a ser adquirido, assim como as exigências de manutenção, assistência técnica e garantia oferecidas; tendo como norte a concretização dos princípios da eficiência e da economicidade, pois facilita as compras em grande escala e a manutenção dos bens adquiridos.
Outra incidência legal do princípio é encontrada no art. 33 da Lei 12.462/2011, que estabelece o catálogo eletrônico de padronização de compras, serviços e obras.
Quanto à indicação de marcas como forma de alcançar a padronização dos bens a serem adquiridos, a Lei 8666/93, no seu art. 15, §7º, veda, como regra geral, a indicação de marcas na especificação do bem a ser adquirido. No entanto, a doutrina aponta que a padronização a partir da indicação de certa marca é possível desde utilizada como parâmetro de qualidade para facilitar a descrição do objeto a ser licitado, não importando jamais na exclusão de bens similares, equivalentes ou de melhores qualidades.
O TCU, por sua vez, entende que a padronização por marca só é possível em hipóteses excepcionais; quando for incontestavelmente comprovado que apenas um produto, de marca certa, atende aos interesses da Administração Pública.
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10 - QUESTÃO:
À luz da jurisprudência dos Tribunais Superiores assinale a alternativa incorreta.
a) A jurisprudência do STJ é no sentido de que o excesso de prazo para a conclusão do processo administrativo disciplinar gera nulidade no feito.
b) Editais de concurso público podem estabelecer restrição a pessoas com tatuagem em razão de conteúdo que viole valores constitucionais.
c) O termo inicial do prazo decadencial para a impetração de mandado de segurança no qual se discuta regra editalícia que tenha fundamentado eliminação em concurso público é a data em que o candidato toma ciência do ato administrativo que determina sua exclusão do certame, e não a da publicação do edital do certame.
d) é inconstitucional a vinculação do reajuste de vencimentos de servidores estaduais ou municipais a índices federais de correção monetária.
> RESPOSTA: ALTERNATIVA A. >> COMENTÁRIO1:
Alternativa A: É pacífica a jurisprudência do STJ no sentido de que o excesso de prazo
para a conclusão do processo administrativo disciplinar não gera, por si só, qualquer nulidade no feito. O excesso de prazo só tem o condão de macular o processo administrativo se ficar comprovado que houve fundado e evidenciado prejuízo, pois não há falar em nulidade sem prejuízo (pas de nulité sans grief).
Alternativa B: Editais de concurso público não podem estabelecer restrição
a pessoas com tatuagem, salvo situações excepcionais em razão de conteúdo que viole valores constitucionais. STF. Plenário. RE 898450/SP, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 17/8/2016 (repercussão geral) (Info 835).
Alternativa C: Termo inicial do prazo decadencial para a impetração de mandado de
segurança no qual se discuta regra editalícia que tenha fundamentado eliminação em concurso público é a data em que o candidato toma ciência do ato administrativo que determina sua exclusão do certame, e não a da publicação do edital do certame. STJ. Corte Especial. REsp 1.124.254-PI, Rel. Min. Sidnei Beneti, julgado em 1º/7/2014 (Info 545).
Alternativa D: Súmula vinculante 42-STF: É inconstitucional a vinculação do reajuste
de vencimentos de servidores estaduais ou municipais a índices federais de correção monetária.
>>> ALTERNATIVA CORRETA: A.
1 Os comentários a seguir, pela clareza apresentada na explicação dos julgados que embasam as assertivas, foram extraídos do site do Dizer o Direito.
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11 - QUESTÃO:
Acerca da desapropriação indireta, assinale a alternativa incorreta.
a) O promissário comprador do imóvel tem direito de receber a indenização no caso deste imóvel ter sofrido desapropriação indireta, ainda que esta promessa não esteja registrada no Cartório de Registro de Imóveis.
b) O prazo prescricional no caso de ação de desapropriação indireta é de 10 anos.
c) A desapropriação indireta consiste em instituto construído em sede doutrinária destituído de embasamento legal.
d) para o STJ é admissível a propositura da mesma por possuidor. > RESPOSTA: ALTERNATIVA C.
>> COMENTÁRIO:
Alternativa A: A ação de desapropriação indireta é proposta, em regra, pelo
proprietário do bem que foi esbulhado. A jurisprudência, no entanto, entende que se houve promessa de compra e venda referente a este imóvel, o promissário comprador tem direito de receber a indenização pelo esbulho praticado pelo ente público.
Consoante jurisprudência do STF e do STJ, tem direito à indenização não só o titular do domínio do bem expropriado, mas também, o que tenha sobre ele direito real limitado bem como direito de posse.
O promissário comprador, desde o momento da celebração do contrato detém a posse do bem, salvo estipulação contratual em sentido contrário. O registro da promessa de compra e venda não é condição indispensável para que ela se aperfeiçoe.
O registro não interfere na relação de direito obrigacional e é imprescindível apenas para que produza eficácia perante terceiros que não participaram do contrato2.
Alternativa B: Atualmente o prazo de desapropriação indireta é de 10 anos. Segundo o
STJ3, a ação de desapropriação indireta possui natureza real e pode ser proposta pelo particular prejudicado enquanto não tiver transcorrido o prazo para que o Poder Público adquira a propriedade do bem por meio da usucapião.
Em outras palavras, como não há um prazo específico previsto na legislação, o STJ entendeu que deveria ser aplicado, por analogia, o prazo da usucapião extraordinária. Assim, enquanto não tiver passado o prazo para que o Estado adquira o imóvel por força de
2 STJ. 2ª Turma. REsp 1.204.923-RJ, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20/3/2012 (Info 493). 3 STJ. 2ª Turma. REsp 1.300.442-SC, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 18/6/2013 (Info 523).
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usucapião, o particular poderá buscar a indenização decorrente do ato ilícito de apossamento administrativo. No CC-1916 o prazo da usucapião extraordinária era de 20 anos (art. 550) e no CC-2002: 15 anos (art. 1.238).No entanto, este prazo passa a ser de 10 anos se o possuidor tiver realizado obras ou serviços de caráter produtivo no local (parágrafo único do art. 1.238). Como na desapropriação indireta pressupõe-se que o Poder Público tenha realizado obras no local ou tenha dado ao imóvel uma utilidade pública ou de interesse social, entende-se que a situação se enquadraria no parágrafo único do art. 1.238 do CC, de sorte que o prazo para a usucapião seria de 10 anos. Logo, atualmente, o prazo prescricional aplicável às expropriatórias indiretas passou a ser de 10 anos, com fundamento analógico no parágrafo único do art. 1.238 do CC.
Alternativa C: O fundamento legal encontra-se no art. 35 do Decreto-Lei n° 3.365/41,
que assim dispõe:
“Art. 35. Os bens expropriados, uma vez incorporados à Fazenda Pública, não podem ser objeto de reivindicação, ainda que fundada em nulidade do processo de desapropriação. Qualquer ação, julgada procedente, resolver-se-á em perdas e danos. ”
Alternativa D: Sim, consoante posição exarada no REsp 182.369/PR, Rel. Min. Milton
Luiz Pereira, DJ 29.05.2000, STJ, 1ª Turma.
>>> ALTERNATIVA CORRETA: C. 12 – QUESTÃO:
De acordo com a doutrina sobre as espécies de atos administrativos, é possível afirmar que os atos ________________ são expedidos como fruto do exercício do poder hierárquico e, em regra, criam obrigações apenas para os agentes públicos na rotina administrativa:
I - Ordinatórios. II - Negociais. III - De pronúncia. IV - Punitivos. V - Gerais. > RESPOSTA: Alternativa A. >> COMENTÁRIOS:
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Após analisar o fenômeno dos atos administrativos na prática da Administração Pública brasileira, o saudoso Hely Lopes Meireles propôs classificá-los em cinco espécies:a) Atos normativos (Exemplos: Decreto, Regulamento, Instrução Normativa, Regimento, Resolução, Deliberação, Parecer Normativo). b) Atos ordinatórios (Exemplos: Instrução circular, Aviso, Portaria, Ordem de serviço, Provimento, Ofício, Despacho).
c) Atos negociais (Exemplos: Licença, Autorização, Permissão, Aprovação, Admissão, Visto, Homologação, Dispensa, Renúncia administrativa, Protocolo administrativo).
c) Atos enunciativos (Exemplos: Certidão, Atestado, Parecer, Apostila). d) Atos punitivos (Exemplos: Multa, Destruição de coisa, Interdição de atividade, Advertência, Suspensão, Demissão).
Atenção, portanto, que, nas provas de direito administrativo, há margem para se cobrar tanto o conceito dessas espécies de atos administrativos, como solicitar que o candidato correlacione um determinado exemplo com a espécie de ato administrativo.
Feita esta explanação, segue análise das alternativas.
Alternativa A: Item correto. Os atos administrativos ordinatórios fazem parte da rotina
diária da Administração Pública, disciplinando o seu funcionamento e veiculando disposições sobre o desempenho das funções pelos servidores públicos.
De acordo com a doutrina administrativista, esses atos são expedidos como fruto do exercício do poder hierárquico. Em regra, portanto, criam direitos e obrigações apenas para os agentes públicos, não alcançando os particulares. Exemplos:
*Instrução – ordem escrita e geral sobre o modo e a forma de execução de determinado serviço, expedida pelo superior hierárquico com o objetivo de orientar os subordinados;
*Circular – ordem escrita e uniforme dirigida a determinados servidores incumbidos de certo serviço. Diferem das instruções porque, embora possuam o mesmo objetivo, são atos de menor generalidade;
*Aviso – ato emitido pelos Ministros de Estado sobre assuntos pertinentes aos seus ministérios, servindo também para dar notícia ou conhecimento de assuntos referentes à atividade administrativa;
*Portaria – ato administrativo interno por meio do qual os chefes de órgãos ou repartições expedem determinações gerais ou especiais a seus subordinados, servindo também para designar servidores para funções e cargos;