a) Participar dos cursos, treinamentos, reciclagem e outras atividades programadas pelo serviço de enfermagem
CATEGORIA 2: PERCEBENDO COMO OCORRE O CUIDADO A O PAC IEN TE
N esta categoria, irem os m o s tra r como o c u id ad o é en ten d id o e com o ele é p raticad o ju n to ao p acien te, conform e relato s d o s p a rtic ip a n te s do g ru p o de estu d o . T am bém s e rá re la ta d a a form a como vim os s e r m in istra d o o c u id ad o ao s p acientes. P a ra m elhor en ten d im en to , o p tam o s p o r m o s tra r p rim eiram en te como os fu n cio n ário s p erceb em a condição de p acien te, p a r a en tão m o stra rm o s a definição do q u e é cu id ad o e os req u isito s q u e eles co n sid eram im p o rta n te s p a ra realizá-lo.
S u b categoria 2 .1 - P erceb en d o a C ondição d e P a cien te:
O pacien te é percebido pelos fu ncionários com o u m se r h u m a n o q u e p ro c u ra o h o sp ital p a ra m e lh o ra r s u a condição de s a ú d e e o b ter alívio:
“É um ser h u m a n o m elhorando s u a s co n d içõ es de sa ú d e , a fim de aliviar s u a dor”.
P a ra que este s e r h u m a n o sin ta -s e seguro d u ra n te a s u a in te rn a ç ã o em u m ho sp ital, é n ecessário q u e o funcionário d e m o n stre c a rin h o e a ten ção , tra ta n d o -o como u m igual. No e n ta n to ele p erd e a s u a privacidade e to m a -s e d ep en d en te; p o r isso deve s e r tra ta d o com respeito. C o n sid eram a in d a q u e a ex istên cia de diálogo e o rien taçõ es é im p o rtan te p a ra q u e eles p o ssa m a d q u irir co n fian ça n a enferm agem :
“Eu ten h o que dar a ten ção, carinho, tenh o que dialogar e tratar [o p aciente] com o u m a p e s so a ig u a l a m im , que e stá n u m a situ a ç ã o difícil, p recisa n d o de u m a palavra am iga. À s v ezes, um bom diálogo va le m a is q u e a própria m edicação. Tenho q u e gan h ar a con fian ça d e s se p a cien te e ten ta r d eixá-lo o m a is tranqüilo p o ssív el”.
“... ele va i estar fora do am b ien te dele, natural d a c a s a dele ... [isso] tira a privacidade dele ... e u ach o que ... o p a cien te tem q u e sen tir a segu ran ça, o resp eito, dele n ã o só com o pacien te, m a s com o gen te, que poderia ser q ualqu er u m , o u ele, ou e u que poderia estar ali ...”
Colocar-se no lu g a r do p acien te é citado p o r a lg u n s fu n c io n á rio s com o condição p a ra sa b e r como e q u e c u id ad o s realizar:
“... a prim eira c o isa que e u faço com o p acien te a ssim , é em co lo ca r no lugar dele. Im agino primeiro: se fo sse eu , queria q u e fo sse a s sim ”.
O com portam ento do p acien te m u d a q u a n d o ele é in te rn a d o ; g eralm en te, o hom em a u to ritá rio pode to rn a r-se su b m isso :
“... um p a i de fam ília. Q uando ele e stá em ca sa , ele é qu em d á a s ord ens. Eu quero com er, a m u lh er vai e tira. E qu ando v a i para o h o sp ita l, n ã o tem horário. Ali, qu em m a n d a n ele é a gente: ‘Ó, v a m o s tom ar b an h o, tem que tom ar b an h o n e ste horário, vai tom ar rem édio n e s te h orário... ele perde to ta lm en te...en ten d eu ? ”
S u b ca teg o ria 2 .2 - E n ten d en d o o q u e é cu id ad o:
N esta su b categ o ria a p re se n ta re m o s com o o cuidado é definido e q u a is os re q u isito s p a ra cuidar, segundo os p a rtic ip a n te s do estudo.
2 .2 .1 - A d efin içã o do cuidado:
A lguns deles a p re se n ta m dificu ld ad es em diferenciar c u id a d o e a ss istê n c ia . O cuidado é en ten d id o com o p re s ta ç ã o de a ssistê n c ia , pois a c h a m o term o cu id ad o m uito vago, e n q u a n to q u e a s s is tê n c ia é m ais com pleto. O u tro s a c h a m q u e c u id a r e a s s is tir são se m e lh a n te s, m a s ao fazê-lo deve c o n sid e ra r a s d iferen ças de ca d a paciente.
“Acho que é m ais u m a a s sis tê n c ia de enferm agem ”.
“Para m im , acho que [cuidado e a ssistê n c ia ] é q u a se a m e s m a co isa . Porque cuidado quer dizer cu id ad o, porque ê u m a palavra q u e v o cê j á sa b e o que fazer”.
“É prestar cuidado, ou m elhor, a s sis tê n c ia ao p aciente conform e a n e c essid a d e de ca d a p a cien te”.
O cu id ad o é percebido com o u m a a s s is tê n c ia com pleta o u a in d a com o u m a a s s is tê n c ia que oferece se g u ra n ç a e técnica:
“É u m a a ssistê n c ia com pleta, p o is ali v o cê faz tudo. Você n ã o só m ed ica ”.
“C uidado de enferm agem é p restar a s sis tê n c ia com seg u ra n ça e té c n ic a para evitar risco para o p a cien te e p ara s i”.
Q u an to à com plexidade do s e r h u m a n o p acien te, ele é frag m en tad o p o r a lg u n s ao definirem que os a sp e c to s b io -p sico -esp iritu al fazem p a rte do cu id ad o , n ão conseguindo ver o s e r h u m a n o integral:
“O cu id a d o de enferm agem é físico, p sico ló g ico , m en tal e esp iritu al”.
2 .2 .2 - O s r e q u isito s para cuidar:
A m aio ria d o s p a rtic ip a n te s percebe o c u id ad o de u m a form a a m p la , podendo s e r ex ecu tad o de form a d ire ta ou in d ire ta . Ele envolve a h ab ilid ad e técnica, o apoio psicológico a trav és do c a rin h o e com preensão, o diálogo, a educação:
“C uidado de enferm agem é todo procedim ento u sa d o direta ou ind iretam en te ao pacien te, como: m ed ica çã o , curativo, d esd e o preparo até a ad m in istração, cuidad o com so n d a , m aterial para exam e, preparo, etc .”.
“Cuidar do p a cien te é preparar s u a m ed ica çã o com b a sta n te a ten çã o para n ã o haver co n tam in ação, nem erro de m edicam en to. Apoiar o p a cien te p sico lo g ica m en te, ter carinho, co m p reen são, sab er ouvi-lo e orien tá-lo n a s h o ra s certa s. E por últim o, a orien tação é m u ito im portante”.
“Lavar a s m ã o s a n te s de fazer qu alq u er co isa , verificar se a m ed ica çã o e stá n o horário certo, e stá com a d ilu içã o correta e o rem édio n a h ora certa. A ntes d e fazer a m ed icação, falar ao p acien te o que for fazer, q u al procedim ento à s reações, conversar com ele, perguntar porque ficou d oen te, porque e stá triste, zangado o u contrariado e co n scien tiza r o p a cien te por qu e ele deve tom ar o s rem éd io s, tratam ento, etc.
“C uidar do p a cien te é saber orientar q u an d o ele chegar ... D ar a s m ed ica çõ es n o s s e u s devidos horários, aju dá-lo a té quando ele p erg u n ta alg u m a inform ação. Orientar de m an eira clara para que ele [paciente] p o s s a entend er. Orientar até s u a fam ília, n o c a so de alguém pedir a lg u m a inform ação para tran sm iti-la a ele. P a ssa r a ele con fian ça, seg u ra n ça e conforto”.
As ativ id ad es de cu id ad o referidos com o de ro tin a d a enferm agem foram: verificação de sin a is vitais, a tro ca de forro de cam a, o b a n h o de leito, a m edicação, d e n tre o u tra s. Não foi com entado so b re o auxílio à alim en tação , m a s foi falado sobre a s o u tra s atividades q u e a enferm agem a s s u m e com freqüência, como telefonista, “re c a d ista ”, e a s fu n çõ es de a ssistê n c ia social.
D estacam os a fala de u m p articip an te q u e crê que ao c u id a r, a enferm agem tam b ém a s s u m e o p ap el de m ed iad o ra e advoga a p ro teção do paciente:
"... durante u m a h o sp ita liza çã o , a enferm agem é a m ediad ora do p a cien te... quem cuida, que é a enferm agem , tam bém faz u m p apel, m a is o u m en o s, de advogada do p acien te. Cuidar é tam bém proteger o p a cien te a té da própria equipe, q u and o a equip e de enferm agem , porventura, fizer algu m a ação que a gente sa b e qu e n ã o é boa para o p acien te. E ntão, n e s s a hora, cuidar tam bém é intervir n o sen tido a ssim , de advogar em d e fe sa d a q u ela p e sso a que e s tá ali e qu e é n o s s a resp on sab ilid ad e cu id ar d e la tam bém n e s se sen tid o”.
S u b ca teg o ria 2 .3 - P erceb en d o co m o ocorre o cu id a d o d e en ferm agem :
N esta su b categ o ria a b o rd arem o s os pro b lem as q u e envolvem o cu id ad o , com o os relativos à m edicação, ao s a c o m p a n h a n te s, d e n tre o u tro s , e com o vim os o cu id ad o se r oferecido ao s p acien tes.
2 .3 .1 - A relação do cu id a d o d e en ferm agem co m o s p rob lem as q u e o en v o lv e:
a - os p ro b lem as com a s m ed icaçõ es:
D etectam os que h á p reo cu p ação e con h ecim en to com relação à s m edicações, desde s u a prescrição , q u e m u ita s vezes e s tá in co rreta, a té a s u a m in istra ç ã o e checagem . H á reclam ações de q u e sem p re a c a b a so b ra n d o p a ra q u e m fez a m edicação. Isso a p a re c e u com freqüência n a s reu n iõ es. A p esar de n ã o e sta re m relacio n ad as d iretam en te com a b io sse g u ra n ç a , a c h a m o s im p o rta n te relatá-lo s p o r s e r u m fator de a n g ú s tia p a ra a eq u ip e de enferm agem :
“Tem vários ... que prescrevem m edicação errada. A gen te tem qu e ficar atento [senão] a ca b a dan do problem a sério. E a ca b a so b ra n d o para quem m inistrou, que é m a is fraco”.
“Pois é, e qu em s a i prejudicado são o s p a cien tes, com a d o sa g em errada”.
“Às v ezes prescrevem tu do n u m a v ia e s e a p e sso a não tem ex p eriên cia ... Aqui já acon teceu de prescreverem P en icilin a C ristalina IM”.
“Eu esto u cuidan do de u m p a cien te qu e d esd e anteon tem o laboratório e stá preocupado com ele. Ele e s tá tom and o h e p a iin a de 4 em 4 h o r a s e de 4 em 4 h oras é p ara vir colh er sa n g u e d e sse p acien te. O laboratório chega: Meu D eu s, até q u an d o vão dar heparina, porque o TC d ele n ão tem m a is para onde ir ... O TC e s tá a ltíssim o d esd e ontem ”.
b - p ro b lem as com a c o m p a n h a n te s :
Os funcionários referem p ro b lem as com a c o m p a n h a n te s, q u e m u ita s vezes interferem no cuidado oferecido ao p acien te. A lguns deles c o m e n ta m que o a c o m p a n h a n te “m a n d a ” h á m u ito tem po, q u e e s tá interferindo n a a u to rid a d e do enferm eiro
“O acom p an hante de p a cien te, aqu i n e ste hosp ital, e stá m a n d a n d o faz é m uito tem po ... Você fa la q u alq u er c o isa para o a co m p a n h a n te, ele 'buzina’ no ouvido do ..., o ... va i lá e fala com a chefe ... e é lib erado tu do. Eu n u n c a vi ultim am en te enferm eira falar para o ... : n ã o , n ão pode. O acom pan han te n ã o va i ficar”.
Em relação à orien tação feita a o s a c o m p a n h a n te s d u ra n te o h o rá rio de visita, q u e geralm ente n ã o é feita, sen d o com um e n c o n tra rm o s o(s) aco m p an h an te(s) sen tad o no leito do p acien te. Os p a rtic ip a n te s do e stu d o referem que, m u ita s vezes, o a c o m p a n h a n te ou a v isita p e rg u n ta m u ita co isa e a c a b a a tra p a lh a n d o o a n d a m e n to do serviço. Por isto, é freqüente realizarem os cu id a d o s com os p acien tes a n te s do h o rário de visita,
<S e você for olhar sin a is v ita is do p a cien te, a v isita e sten d e o braço para olhar a p ressão. Se você for colocar m edicação, a gente sem p re co lo ca a n tes d a v isita a m ed ica çã o d a s 14 h oras porque o a co m p a n h a n te pergunta bem assim : que m ed ica çã o é e ss a ? O que é isso ? O q u e n ã o sei o que? Eu não p o sso ficar falan d o. Porque e les p erguntam d em a is. Eu falo para perguntar para o m éd ico, direitinho. Porque e le s p ergun tam m uito. Para o p acien te, até eu falo. M as para o a co m p a n h a n te, e u n ão gosto de estar falando m u ito n ão. E les perguntam d em ais. E a g en te e stá ali, com outras m ed ica çõ es para distribuir e se ficar d an d o a ten çã o só para eles, vai dar o resto d a m ed ica çã o só à s cinco, s e is h o r a s”.
O bservando o relacio n am en to e n tre enferm agem e o a c o m p a n h a n te , percebem os que a falta de co m u n icação ag rav a e s s a situ ação . P u d em o s ver
alg u m as situ a ç õ e s q u e poderiam tra z e r risco de co n tam in ação a e ste últim o. N um a d elas, e sta v a in te rn a d o u m p acien te pós cirurgiado com d e isc ê n c ia de incisão cirú rg ica, em u so de antibiótico endovenoso; no horário d a v isita o frasco de soro com m edicação h av ia a c ab ad o e a a co m p an h an te do p ac ie n te retiro u o
scalp
q u e o conectava ao equipo de so ro terap ia, enfiando-o no próprio frasco de soro q u e h av ia acabado. Q u an d o q u estio n am o s quem h av ia deixado o soro d aq u ele jeito , d isse q u e h avia sido ela m esm a, h á pelo m enos m eia h o ra . P erg u n tam o s se h av ia recebido alg u m a o rien tação n e sse sentido e ela d is se que não. E xplicam os en tão sobre o perigo de acid en te e retiram o s o frasco p a r a d esprezá-lo a d e q u a d a m e n te .U m a o u tr a situ a ç ã o o b serv ad a em o u tro seto r, refere-se a u m a p a c ie n te p o rta d o ra do HIV, com lesões em to d a ex ten são d a pele e boca, a c o m p a n h a d a pela s u a m ãe idosa, que a auxiliava n a alim en tação , d u ra n te o b a n h o e em o u tro s cu id a d o s de higiene, à s vezes sem a devida proteção. Ao p e rg u n ta rm o s se a m ãe tin h a conhecim ento d a d o e n ç a d a filha, os funcionários re fe rira m q u e não, p ois a filha n ão q u e ria q u e a m ãe so u b e sse . Ao in d ag arm o s e n tã o se a m ãe h a v ia recebido a orien tação n e c e s s á ria p a r a c u id a r d a filha se m risco s, n in g u ém so u b e inform ar. Explicam os e n tã o a n ecessid ad e de fo rn ecerem a o rien tação n e c e ssá ria , p a ra evitarem fu tu ro s tra n sto rn o s e p rin c ip a lm e n te p a ra q u e a m ãe n ã o se co n tam in asse.
c - o u tro s p ro b lem as q u e podem in flu en ciar o c u id a d o :
O s p a rtic ip a n te s do estu d o a p re s e n ta ra m o u tro s p ro b lem as q u e n ã o tem relação d ire ta com o cuidado oferecido a o s p acien tes, m as q u e in terferem n e s ta s ativ id ad es, p o r e sta re m relacio n ad o s ao tra b a lh a d o r de enferm agem .
A falta de p o n tu alid ad e pode in terferir n a s atividades de c u id a d o , p o r provocar s tre s s devido ao a tra so do colega ta n to p a ra receber p la n tã o , q u a n to p a ra p a s s a r o p lan tão . As faltas ao serviço são p o r eles c o n sid erad as com o falta de resp o n sab ilid ad e, a u m e n ta n d o o volum e de tra b a lh o p a ra os n ã o falto so s e podem levar à d e sa rm o n ia no am b ien te de tra b a lh o , a risco o cu p acio n al devido ao am b ie n te de tra b a lh o in satisfató rio e à realização de cuidado in a d e q u a d o ao paciente.
“Q uando falta o colega de trabalho, n in g u ém q uer a ssu m ir o s p a c ie n te s do colega. Aí é que ele sen te a resp o n sa b ilid a d e que tem d e a ssu m ir e já tira todo ânim o”.
Os p ro b lem as p e sso a is, alheios ao serviço, ou dom iciliares podem a fe ta r a com unicação com os colegas, por serem in te rp re ta d o s com o m a u h u m o r,
“Às v e ze s a gen te e stá com problem a em c a sa , só qu e hoje e u resolvi n ã o falar, nem explicar. Então eu fico q u ieta n o m eu canto. Falar n ã o vai resolver. E trazer problem a tam bém n ã o v a i resolver. Eu n ão v o u m altratar algu ém por c a u s a daquilo qu e e u e sto u sen tin d o ...”
Os p ro b lem as de s a ú d e n a fam ília ta m b é m podem a fe ta r o d esem p en h o p a r a o trab alh o , po r levarem à preo cu p ação e ã dim in u ição d a a te n ç ã o do tra b a lh a d o r. Um dos p a rtic ip a n te s referiu, a in d a , q u e a falta de opção p a r a s a ir d a enferm agem pode g e ra r d esin teresse p a r a o desenvolvim ento de s u a s atividades.
2 .3 .2 - O cu id ad o o fe r e c id o a o s p a cien tes:
a - com relação à s té c n ic a s u tilizad as d u ra n te a p re s ta ç ã o do c u id a d o :
P udem os d e te c ta r alg u m as falhas té c n ic a s relacio n ad as com a utilização d a s m ed id as de b io sseg u ran ça, q u e a p e s a r de p arecerem pouco significativas, ao n o sso v er são relevantes p a ra a realização de u m cu id ad o de enferm agem sem risco s, ta n to p a ra quem c u id a q u a n to p a ra q u em e s tá sen d o cuidado.
A lavagem d a s m ão s geralm ente ocorre a n te s de realizarem a s atividades e ap ó s re to m a re m ao posto. E n tre ta n to , n ão foi o b se rv ad a s u a ocorrência d u ra n te a m in istração de m edicações ou d u ra n te a verificação de sin a is vitais, q u a n d o em h o rário s padronizados p a r a todos os p a c ie n te s (ao p a ss a re m de u m p acien te p a ra outro). É rea liz a d a de m a n e ira diferente p ela equipe de enferm agem , inclusive pelo enferm eiro: com á g u a e sa b ã o , q u e pode s e r o sab ão líquido (Povidine) ou o sabonete, m a s o tem po em q u e aco n tece é inferior a 15 seg u n d o s; u m a ráp id a “p a s s a d a de á g u a ”, sem sab ão , ou a
lavagem d a s m ãos de form a c o rre ta (m ais raro). O sa b o n e te fica em cim a d a pia ou em recipiente im provisado (frasco de álcool co rtad o ao m eio, que freq ü en tem en te contém á g u a em s e u interior, bem com o re sto s de sabão). Em s u a m aioria, a s to rn e ira s d a s p ia s são de fecham ento m a n u a l e n o rm a lm e n te são fech ad as sem que sejam la v a d a s a n te s ou d u ra n te a lavagem d a s m ãos.
Nem sem pre o p a p e l-to a lh a e s tá disponível, sen d o co m u m u sa re m p e ç a s de ro u p a, ta is com o cam iso las, calças ou c a m isa s d a ro u p a ria (roupas d e s tin a d a s aos pacientes) p a ra e n x u g arem a s m ãos, ou en tão , o fazem n a p ró p ria ro u p a. O p a p e l-to a lh a fica em recipiente im provisado (frasco de d esin fe ta n te cortado ao m eio, p e n d u ra d o em p ared e p o r fio de equipo). Após a lavagem d a s m ãos c o n tin u a m s u a s ativ id ad es ro tin eiras, d e n tre e la s a te n d e r o telefone, m a n u s e a r p ro n tu á rio s, p re p a ra r e m in is tra r m edicações e sa íre m p a ra o refeitório.
Com relação à s b a n d e ja s de u so n a u n id ad e, co m u m en te são lev ad as à s en ferm arias com m ed icam en to s ou m a te ria is p a ra p ro ced im en to s a serem ex ecu tad o s nos p acien tes. E sta s b a n d e ja s são colocadas onde h á espaço, g eralm en te ficando em cim a d a c a m a do p acien te ao q u a l e s tá sen d o m in istra d o a m edicação ou realizado o procedim ento. Alegam q u e n ã o h á lu g a r n a en ferm aria p a ra colocá-la:
“Eu falo no sen tid o de n ã o sa b er onde colocar a b a n d eja p a ra dar a m edicação para o p a cien te. Você procura u m lugar, você n ã o a ch a . Na enferm aria deveria existir pelo m e n o s u m a m e sin h a no centro para a gente chegar com a b a n d eja e colocar ali. A m e sa do p a cien te é do tam anho d isso a q u i... e e s tá lotado de c o isa s d ele”.
O que nos p re o c u p a é q u e ela vai sendo p a s s a d a leito p o r leito, facilitando a proliferação de m icroorganism os de u m lu g ar p a r a o o u tro , favorecendo a infecção h o sp ita la r. Q u an d o voltam p a r a o posto de enferm agem , são “lav ad as” a p e n a s com á g u a e colocadas p a ra e sc o rre r ou são g u a rd a d a s sem lavar, até o próxim o uso .
As p in ças serv en tes ficam aco n d icio n ad as em u m frasco d e vidro em cim a do balcão de p rep aro de m ed icam en to s, sem n e n h u m a solução, o q u e nos parece correto. E n tretan to , n ã o p o ss u i ró tu lo identificando q u a n d o foi colocada p a r a uso.
D u ra n te a verificação dos sin a is vitais, o term ôm etro n e m se m p re é d esin fetad o e n tre u m p acien te e o u tro e n em a lavagem d a s m ã o s foi o b serv ad a. Q u an d o estão realizan d o e s ta atividade, é com um d eix arem os p a p é is de a n o ta ç ã o ou o próprio p ro n tu á rio em cim a d a cam a, e a s s im com o a s b a n d e ja s, vão de leito em leito. Além disso, o funcionário e n c o sta e s te s p a p é is ou p ro n tu á rio s n a s u a p ró p ria ro u p a d u ra n te a s co nversas com o p acien te. Com a c a n e ta tam b ém ocorre a m e s m a coisa, tendo o ag rav an te de q u e, à s vezes, os fu n cio n ário s lev am -n a à boca, q u a n d o realizam a s a n o ta ç õ e s no p ro n tu á rio .
Q u an d o d a realização de cu rativ o s, n em sem pre os p aco tes esterilizad o s e stã o disponíveis. A solução e n c o n tra d a é o u so do PI, como j á c o m e n ta d o a n te rio rm e n te , ou im provisar s u a realização com luvas. A b a n d e ja com m a te ria l esterilizado fica co m u m en te em cim a d a c am a do p acien te. O m a te ria l d esp rezad o é colocado tam b ém em cim a d a cam a, em papel (onde e sta v a m a s gazes estéreis), q u e é aproveitado com o a p a ra to p a ra a s gazes u s a d a s e q u e freq ü e n te m e n te é m olhado com a solu ção u tilizad a p a ra fazer o cu rativ o . G eralm en te, ap ó s o térm ino, o m a te ria l co n tam in ad o é d esp rezad o n o lixo do q u a rto do paciente. E ste é ab erto , sen d o tro cad o pela lim peza u m a vez n o início do período. P o rtan to , o m aterial co n ta m in a d o pode ficar exposto.
D u ra n te a tro ca d a s ro u p a s de cam a, a lg u n s fu n cio n ário s a s colocam em
hampers.
E n tre ta n to , os sa c o s de h a m p e r u s a d o s n ão têm d istin ç ã o d e cor. O b serv am o s p o r v árias vezes o u so de h a m p e rs verm elhos com ro u p a s d a s en ferm arias. Segundo os fu n cio n ário s, n in g u ém m ais d istingue q u a l o sa c o de h a m p e r é d e stin ad o p a ra ro u p a s c o n ta m in a d a s. Na falta d este, u s a m sa c o s p lástico s, p reto s, sem a devida identificação de risco p a r a a s ro u p a s c o n ta m in a d a s. Foi observado ta m b é m a colocação de ro u p a s com p o u c a su jid a d e e até ro u p a s c o n ta m in a d a s com sa n g u e ou secreções em c im a de o u tr a s c a m a s, inclusive c a m a s lim pas, ou m esm o no chão.O bservam os que n em to d o s os fu n cio n ário s d a enferm agem s a b e m q u a l o p ro d u to u sa d o p a ra desinfecção dos leitos. U sam o que a farm ácia p re p a ra e